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Avião tecnológico inicia mapeamento no Tocantins em busca de minerais estratégicos

Foto: Igo Estrela/Serviço Geológico do Brasil

Uma nova etapa de mapeamento geológico começa no Tocantins. Um avião com tecnologia avançada está sobrevoando regiões do sul e sudeste do estado para estudar o subsolo e identificar áreas com potencial para minerais como terras-raras, cobre, ouro e níquel.

O projeto é coordenado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com a Agência de Mineração do Tocantins (Ameto) e conta com investimento de cerca de R$ 10,5 milhões. 

Como funciona o mapeamento

O avião voa baixo e usa equipamentos que medem a magnetização, a gravidade e a radiação da terra. Essa técnica é chamada de aerogeofísica, que é um tipo de pesquisa feita do ar para descobrir o que existe debaixo da terra sem precisar cavar, tornando o processo mais rápido e com menos impacto ambiental.

Por que isso é importante

O Tocantins tem grande potencial mineral, mas ainda não foi muito explorado.
Se forem encontrados minerais estratégicos, chamados assim porque são essenciais para tecnologias modernas, podem surgir novas oportunidades de investimento, geração de empregos e desenvolvimento econômico na região.

Além disso, os dados do mapeamento ajudam as cidades e o governo do estado a planejar melhor o uso do solo, favorecendo uma mineração organizada e sustentável.

Próximos passos

A pesquisa vai cobrir cerca de 20 municípios e deve terminar até dezembro de 2025. Depois disso, os dados serão analisados e podem dar origem a novos projetos de pesquisa, exploração e mineração.

Essa iniciativa mostra como o Brasil está usando tecnologia e responsabilidade ambiental para fortalecer o setor mineral no mercado global.

Fonte: G1 Tocantins

Estudo geológico aponta potencial de Alagoas para explorar potássio e fosfato

Minerais são amplamente utilizados pela indústria de fertilizantes e Brasil depende de importação

A conhecida dependência do Brasil da importação de potássio e fosfato para fabricação de fertilizantes deve ganhar um alento nos próximos anos. Isso porque pesquisas realizadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificaram reservas de potássio e indícios de fosfato no subsolo alagoano. Há ainda possibilidade de ocorrências de urânio e tório.

Alagoas já é conhecido pela extração de sal-gema, cobre e ouro e, agora, vê abrirem-se novas possibilidades para atrair grandes mineradoras interessadas na exploração do potássio e fosfato. Se isso se confirmar, o Estado se verá em uma privilegiada posição estratégica do ponto de vista de exploração mineral. 

Os dados fazem parte do Projeto Geologia e Potencial Mineral da Bacia de Alagoas, que buscam definir um novo mapa do potencial mineral do Estado. Eles envolvem o processamento e a interpretação de dados obtidos por meio de levantamentos aerogeofísicos. Essa técnica utiliza sensores acoplados a aeronaves para captar informações do subsolo, sem a necessidade de intervenções diretas no terreno.

Fertilizantes

O fosfato e o potássio estão entre as principais matérias-primas utilizadas pela indústria de fertilizantes para fornecer os nutrientes essenciais ao desenvolvimento das lavouras. 

O Brasil sempre importou potássio e fosfato, principalmente, da Rússia e da Bielorússia, países que agora sofrem sanções do ocidente em razão da guerra com a Ucrânia, desencadeada há três anos. Em razão disso, o País teve de buscar novas alternativas de importação, como o Canadá. Nos últimos meses, no entanto, tanto Rússia quanto Bielorússia tem conseguido contornar as sanções ocidentais e os desafios logísticos para aumentar os embarques para a Ásia e a América do Sul.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), praticamente todo o potássio e cerca de 74 % do fósforo usado pela indústria nacional de fertilizantes vêm do exterior. Um levantamento da entidade aponta que, em 2024, o Brasil importou mais de 41 milhões de toneladas de fertilizantes, gastando cerca de US$ 3,38 bilhões, e continua altamente dependente desses insumos estratégicos. 

O fosfato é extraído principalmente de rochas fosfáticas e passa por um processo químico que o torna solúvel e mais facilmente absorvido pelas plantas. Já o potássio, geralmente obtido a partir da silvinita e de outros sais naturais, é transformado em fertilizantes como o cloreto de potássio e o sulfato de potássio, fundamentais para melhorar a resistência das plantas, regular a fotossíntese e aumentar a produtividade agrícola. A combinação desses dois nutrientes formam a base da adubação moderna em larga escala.

Terras raras

De acordo com a coordenadora do projeto Bacia Alagoas, Maria de Fátima Lyra de Brito, “na Bacia de Alagoas já existem ocorrências de depósitos de potássio reconhecidos por meio de sondagens recuperadas de poço para petróleo. Também são conhecidos, por meio de sondagens, indícios de mineralizações de fosfato”.

Ainda segundo ela, as anomalias encontradas sobre urânio podem, potencialmente, ser indicativas de presença de fosfato e as de tório podem estar relacionadas à ocorrência de terras raras. 

No entanto, a equipe técnica do projeto ainda aguarda informações complementares de geoquímica prospectiva para poder afirmar com certeza se existe ou não elementos de terras raras em Alagoas. Como se sabe, as terras raras são constituídas por 17 elementos vitais para a construção de baterias, turbinas eólicas e equipamentos de sistemas de defesa.

Fonte: Vanessa Siqueira / Movimento Econômico

Foto: SGB (Mapa com dados aerogeofísicos de Alagoas)

Brasil reivindica ilha submersa rica em minerais

Descoberta pode ter implicações significativas para a geopolítica e economia do País

O Brasil vem tentando junto à ONU o reconhecimento de uma “ilha submersa” no Atlântico Sul, como parte integrante da plataforma continental brasileira. Esta formação tem grande potencial de exploração de minérios – inclusive os 17 elementos que compõem as chamadas terras raras, muito usados em baterias, turbinas e painéis solares. 

A área reivindicada está localizada a cerca de 1.200 quilômetros da costa do Rio Grande do Sul e é, por isso, chamada de Elevação do Rio Grande. Com cerca de 500 mil quilômetros quadrados, a ilha é equivalente ao território da Espanha, por exemplo. Acredita-se que já foi emersa – uma ilha tropical no meio do Atlântico – e começou a se formar no período de abertura do oceano, milhões de anos atrás. 

Ela parte da base oceânica, a cerca de 5 mil metros de profundidade, e se ergue até “apenas” 700 metros abaixo do nível do mar. É formada por montes, platôs, cânions e canais submarinos, além de uma gigantesca fenda tectônica, que os geólogos chamam de “rift”.

O Brasil reivindica a área desde 2018, quando um pedido foi apresentado formalmente à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU. Já em 2025 a solicitação foi reforçada, embasada em novos estudos geológicos e geofísicos realizado por um grupo multidisciplinar da USP, que envolve o Instituto Oceanográfico, a Escola Politécnica e o Instituto de Geociências. Há, ainda, parceria com universidades britânicas, alemãs e japonesas.

Esses estudos apontam que a Elevação do Rio Grande tem características muito parecidas com as do interior de São Paulo e pode ter sido parte do território que hoje é o Brasil. No entanto, ela está fora da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do País, que fica a até 200 milhas náuticas do continente.

A Elevação do Rio Grande está numa área conhecida como Margem Oriental-Meridional e é uma das três reivindicadas pelo Brasil em águas internacionais. As outras ficam em na Região Sul e na Margem Equatorial.

Mineração

Os estudos apontam que a ilha submersa abriga elementos químicos como cobalto, manganês, níquel, telúrio, ítrio, escândio e lantanídeos. Todos são essenciais para a transição energética que o mundo atravessa, por serem largamente empregados em turbinas eólicas, painéis solares, baterias, ímãs, ligas metálicas e eletrônicos. 

Como se sabe, esses elementos compõem as chamadas “terras raras” – que, apesar do nome, não são tão raras assim: ocorre que elas estão espalhadas na natureza em pequenas concentrações, o que dificulta a extração. Além disso, seu beneficiamento exige complexas tecnologias que hoje são dominadas por poucos países, notadamente a China.

Além das grandes implicações econômicas e geopolíticas, a descoberta da ilha submersa pode transformar a compreensão da história geológica e cultural do Brasil, pois abre novas possibilidades para o estudo das migrações e interações culturais pré-históricas na América do Sul.

Fonte: G1, UOL e Terra

Ilustração: Reprodução / Google / POA 24h / Perfil Brasil

Cidades mineiras abrigam jazida gigantesca de terras raras

Estudos realizados por mineradoras australianas apontam potencial de 20 milhões de toneladas na região de Poços de Caldas

Estudos realizados por duas empresas australianas de mineração apontam que a região de Poços de Caldas, cidade turística mineira situada sobre a cratera de um vulcão extinto, pode abrigar mais de 20 milhões de toneladas de terras raras. Por “terras raras” entende-se um conjunto de 17 minérios de alto valor agregado, vitais para a produção de baterias, ímãs industriais, turbinas eólicas e diversos dispositivos eletrônicos modernos. 

A descoberta pode colocar o Brasil numa posição estratégica bastante favorável diante do atual domínio chinês no mercado desses elementos. A região abordada compreende áreas dos municípios mineiros de Poços de Caldas, Caldas e Andradas, além de parte da paulista Águas da Prata, e pode se estender por cerca de 750 km². 

A prospecção aponta ainda que esta seria, provavelmente, a segunda maior formação de rocha alcalina do mundo, atrás apenas de uma jazida na Sibéria. Porém, a região mineira proporciona clima e condições mais favoráveis para a formação de argila iônica, facilitando a extração do minério.

Outro diferencial da jazida brasileira é a qualidade do solo, no qual a concentração de terras raras na argila poderia chegar a 2.500 ppm por tonelada de óxidos totais, com um rendimento de 70% na separação. É quase o dobro da média global, que fica entre 1.000 e 1.500 ppm. 

A jazida encontrada na divisa entre Minas Gerais e São Paulo localiza-se a cerca de 30 metros de profundidade, uma distância facilmente acessada por instrumentos básicos de escavação, sem a necessidade de empregar explosivos. 

Os estudos mais avançados começaram em 2022 pelas mineradoras australianas que atuam no processo de licenciamento. A expectativa é que a extração comece entre 2026 e 2027. O custo de produção está estimado em apenas US$ 6 por quilo — o mais baixo do mundo, segundo as empresas. Ou seja: a extração brasileira permitiria um produto de maior qualidade e mais barato, o que pode trazer um grande impulso econômico à região.

Uma das empresas australianas, a Viridis Mineração, já anunciou a construção de uma planta de beneficiamento e tratamento de minérios na região, com capacidade para inserir a região de Poços de Caldas na “nova matriz global de geração de energia verde”, segundo seu CEO, Rafael Moreno.

Para que servem?

As terras raras costumam ocorrer em áreas de antigas formações vulcânicas porque estas costumam deixar rochas alcalinas mais suscetíveis às erosões e às transformações biogeoquímicas capazes de ionizá-las. Eles não são exatamente raros na natureza, mas costumam estar dispersos na crosta terrestre, diferentemente da jazida encontrada nos municípios mineiros.

Seus minerais têm como propriedade a alta resistência a temperaturas elevadas, a capacidade de absorver e emitir altas frequências de luz e um magnetismo intenso. O problema é que os elementos que os compõem são de difícil separação e esses processos altamente tecnológicos são, atualmente, dominados pela China. 

Entre suas aplicações estão a produção de componentes de eletroeletrônicos (como televisores e smartphones), lâmpadas LED e avançados equipamentos médicos. Mas também são empregados em armamentos estratégicos (como mísseis teleguiados) e instrumentos de captação energética – como as turbinas eólicas.

Conheça os minerais de terras raras

E entenda porque esses elementos tornaram-se estratégicos na geopolítica atual

Crédito: Divulgação

Nestes tempos em que as guerras – bélicas e tarifárias – se multiplicam pelo planeta, você já deve ter ouvido falar nas chamadas “terras raras”. Mas, você sabe o que são elas? Trata-se de um conjunto de elementos químicos, normalmente encontrados na natureza misturados a outros minérios, de difícil extração e separação – daí o nome.

Paradoxalmente à denominação, esses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre, o que acontece é que estão espalhados, e isso também dificulta a produção. Entre suas características peculiares estão o magnetismo intenso e a absorção e emissão de luz, o que os levam a ser utilizados numa ampla gama de produtos e atividades, principalmente na indústria automotiva. 

Eles formam um grupo de 17 elementos químicos: lantânio, cério, praseodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, lutécio, ítrio, escândio e o mais requisitado deles nos dias de hoje, o neodímio. Ele é empregado para fazer imãs superpotentes, resistentes a altas temperaturas, fundamentais para a indústria tecnológica atual, notadamente a automotiva. 

Carros elétricos e híbridos utilizam até dois quilos de elementos raros em sua construção. Os “superimãs” de neodímio estão presentes na assistência elétrica da direção, na recuperação de energia de frenagem (kers), sensores, transmissões, bancos, câmeras e muitos outros componentes. E, certamente, você deve ter na sua casa algum alto-falante ou fone de ouvido que emprega esse material.

O Centro Geológico dos EUA estima que haja aproximadamente 110 milhões de toneladas de terras raras no mundo, das quais 44 milhões estão na China. Outros territórios com grandes reservas são a Ucrânia e a Groenlândia. 

O Brasil aparece em terceiro lugar em jazidas, atrás do Vietnã, com 21 milhões de toneladas. Apesar disso, a exploração de elementos de terras raras ainda é muito incipiente no País. Investimentos vêm sendo feitos em Minas Gerais e na região Norte e há planos para produção local de ímãs em Lagoa Santa (MG). 

Mas, como já dito, a questão é que esses elementos são encontrados juntos nos mesmos tipos de minério, o que exige complexos e caros processos de extração e separação. E, atualmente, apenas a China domina esse refino altamente especializado. O país asiático responde por cerca de 70% da mineração global e mais de 90% do processamento de terras raras.

Esses elementos raros são utilizados ainda na produção de turbinas eólicas, discos rígidos, smartphones, vidros especiais e uma infinidade de produtos.

E o Brasil?

Diante desse complexo cenário geopolítico, em que os recursos minerais tornaram-se alvo de cobiça capazes de influenciar os conflitos, o Brasil tem de se preparar para transformar a crise em oportunidade. 

“A conclusão é nítida. Mineração não é opção: é imperativo, inclusive para o Brasil. A guerra na Ucrânia deixou claro que recursos minerais são tão estratégicos quanto o petróleo no século 20. Para o Brasil, negligenciar seu subsolo é abrir mão de desenvolvimento econômico, autonomia tecnológica e influência geopolítica”, escreveu o presidente do IBRAM, Raul Jungmann, em artigo publicado no Correio Braziliense.

“A escolha situa-se entre fazer parte do jogo global ou entregá-lo a outros. Com planejamento, é possível conciliar crescimento mineral, sustentabilidade e valor agregado – desde que haja vontade política para transformar potencial em poder”, finalizou.