PT EN ES

Dia Mundial do Meio Ambiente: a mineração brasileira e a Agenda ESG

Por Raul Jungmann – Diretor-Presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM)

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é uma data para reafirmar a importância de se proteger, conservar o meio ambiente e prestar contas sobre o que cada um está fazendo nesse sentido. Narrativas, apenas, não bastam. Assim é para o setor mineral. A mineração está no centro de conflitos constantes entre as necessidades de preservação do meio ambiente e o inegável desenvolvimento socioeconômico que essa atividade gera. Por isso, é fundamental que ela esteja profundamente comprometida com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental para ser reconhecida como um setor produtivo que busca atuar em harmonia com o ambiente.

A Agenda ESG da Mineração do Brasil, estruturada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) a partir de 2019, é uma das respostas às tragédias com barragens de duas mineradoras. A proposta da Agenda ESG é, também, demonstrar à sociedade que o setor mineral assimilou esta responsabilidade. Em um primeiro momento, manifestou seu lamento e, em seguida, passou a promover transformações em seus processos para se tornar ainda mais seguro, responsável e sustentável, em sintonia com as boas práticas ESG – relacionadas ao meio ambiente, às pessoas e à governança.

Esta etapa de evolução da mineração elenca pilares de ações em 12 áreas: segurança de processos; barragens e estruturas de disposição de rejeitos; saúde e segurança ocupacional; mitigação de impactos ambientais; desenvolvimento local e futuro dos territórios; relacionamento com comunidades; comunicação e reputação; diversidade e inclusão; inovação; água; energia; gestão de resíduos.

Convém sublinhar que há muitos anos, a preocupação pró-ambiental já estava inserida na sua raiz corporativa das mineradoras. O ‘Livro Verde da Mineração do Brasil’, lançado pelo IBRAM em janeiro de 2023, é uma amostra disso e, ao mesmo tempo, presta contas à sociedade sobre as múltiplas iniciativas pró-ambientais efetivadas pelo setor.

Relacionado à Agenda ESG do setor, um estudo conduzido pela Consultoria Falconi em 2022 demonstra que, em termos de maturidade nesse conjunto de boas práticas, as mineradoras possuem “padrões de tratamento e gerenciamento dessa agenda, buscam a geração de valor sustentável e compartilhado”.

O setor mineral também está engajado nas ações voltadas a mitigar os danos à vida e ao ambiente, em especial na Amazônia, causados pelo garimpo ilegal. Tem articulado apoio junto a ONGs, Academia, governo brasileiro e de outros países para coibir esta atividade criminosa, bem como a comercialização do ouro que produz.

Outro ponto em relação à Amazônia é a promoção de discussões de alto nível que possam colaborar para se construir um projeto de desenvolvimento sustentável para aquela região, como se pretende na Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias, a ser realizada no 2º semestre, que conta com a iniciativa do Instituto Brasileiro de Mineração.

Além dessas muitas ações, a indústria da mineração atua para expandir a oferta de minerais estratégicos, de modo que o planeta efetive uma plataforma real de transição para uma economia de baixo carbono e, assim, consiga avanços no combate aos riscos climáticos.  Sem esses minérios, não há como desenvolver inovações tecnológicas ou fabricar equipamentos que, por exemplo, permitam substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis; que minimizem os impactos da atividade produtiva no ambiente, e muito mais.

Para a construção e a manutenção de um parque de energia eólica, por exemplo, são necessários diversos minérios, como: bauxita (minério de alumínio), agregados da construção civil (argila, areia e cascalho), cobalto e terras raras (ímãs e baterias), cobre e zinco (fiação), calcário (cimento), minério de ferro (aço), molibdênio (ligas especiais).

Este papel preponderante para o cumprimento das agendas ambientais globais – mais uma ação do setor relacionada a ESG – sinaliza que a mineração é importante e necessária parceira definitiva para o desenvolvimento socioambiental e econômico do planeta no longo prazo.

Livro Verde

Veja o vídeo do IBRAM em comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente. São algumas das ações que as empresas associadas realizam em todo o país. São reservas naturais, espaços autossustentáveis e projetos estruturantes para as comunidades das regiões onde estão presentes. Este são alguns cases do Livro Verde da Mineração do Brasil, uma publicação do #IBRAM. Clique aqui e baixe o e-book.

Livro Verde: uma publicação sobre a gestão ambiental do setor mineral no Brasil 

A relação entre mineração e meio ambiente está em constante evolução.  O setor busca cada vez mais uma atividade sustentável e que prioriza a preservação do meio ambiente. Além de a atividade mineral ser necessária, já que seus produtos fazem parte do dia a dia de todas as pessoas, ela também é a ponte para um futuro de baixo carbono. 

Você quer saber como o setor mineral tem evoluído na preservação do meio ambiente e na gestão ambiental?  

O Livro Verde da Mineração do Brasil, publicação do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), fornece dados, apresenta contextos, reconhece boas práticas e incentiva o debate sobre o desempenho da gestão ambiental do setor mineral no Brasil.

Com acesso gratuito, a publicação tem o objetivo de demonstrar à sociedade uma face muito interessante do setor: que ele é compatível com a preservação ambiental em muitos aspectos, sendo um dos que mais investe nesse tipo de iniciativa no país. 

Livro verde

Esta mensagem é reforçada pelas informações detalhadas sobre as mineradoras associadas e sua atuação embasada em ESG – sigla que representa ações nas áreas ambiental, social e de governança –, que resulta em ganhos para a sociedade brasileira.

“O conteúdo do livro surpreende, principalmente os que não estão muito familiarizados com a realidade da moderna indústria da mineração. Os impactos da  atividade são mais conhecidos, consequências dos processos industriais, porém, o alto nível de atenção à questão ambiental, em vários níveis e indo além das exigências legais, é ainda um fato que merece ser mais bem conhecido pelo público. Este livro cumpre este papel”, disse Raul Jungmann, diretor-presidente do IBRAM. 

A publicação cria também uma conexão entre a mineração e as agendas internacionais e é uma forma de o público compreender como o setor é fundamental para a vida humana. 

“No livro estão relatos exitosos de casos de várias mineradoras, que se conectam às agendas globais, como as relacionadas, por exemplo, ao combate aos riscos climáticos, à transição energética, à descarbonização, à ampliação das fontes de energias renováveis, ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, entre outros”, ressaltou Jungmann.

Acesse aqui o livro Verde da Mineração do Brasil

A importância da segurança de processos e da gestão de riscos na mineração

A indústria de mineração tem grande influência na vida das pessoas, no atual modelo econômico e contribui para o desenvolvimento mundial. Alimentos, construção de casas, equipamentos eletrônicos, remédios, produtos de higiene, cosméticos. Produtos essenciais em quase todas as áreas de nossa vida dependem da mineração. 

No Brasil, o setor mineral passou por grandes transformações nos últimos anos. Os acidentes de Mariana e Brumadinho (MG), levaram a sociedade e a indústria a uma profunda reflexão sobre a forma de conduzir suas operações e gerenciar os riscos, mantendo uma política alinhada com o desenvolvimento sustentável, incluindo novos padrões na sua gestão operacional.

Gestão de riscos

O setor mineral utiliza-se de diversas normas de gestão de riscos, como o ICMM, CCPS, G-MIRM, ISO, World Steel, GRI, entre outros, sendo que o ponto comum entre eles é a necessidade de fazer avaliações dos riscos e implementar controles para a redução dos impactos das operações de mineração. 

Com isso, profissionais de segurança de processos e gestão de riscos ganharam ainda mais espaço no setor mineral. Planejamento, diagnóstico, análises e tomadas de decisões assertivas fazem parte da rotina destes especialistas. 

A partir dessas novas premissas, o primeiro desafio encontrado quando existem essas mudanças de paradigma é repleto de reflexões essenciais para uma atividade sustentável. 

  • Como se começa a identificar os riscos? 
  • Qual risco deve ser tratado primeiro? 
  • Quão danosas podem ser as operações? 
  • Quem são os primeiros afetados por falhas nas operações? 
  • Quais controles são eficazes para as atividades?

Somente profissionais devidamente preparados podem encontrar o melhor caminho para uma mineração sustentável, segura e preocupada com o meio ambiente. 

Curso de Qualificação Profissional em Segurança de Processo

A Universidade Corporativa da Mineração do Brasil (UNIBRAM) e a RSE se uniram e lançaram o curso de Qualificação Profissional em Segurança de Processo para Mineração. Desenvolvido especificamente para o público do setor mineral, a capacitação oferece 128 horas de conteúdo rico em informações sobre o tema. 

Conteúdos abordados

Os participantes aprenderão a identificar riscos de processos e atividades críticas à vida, além de compreender ferramentas de análise, os tipos de perigos e suas consequências potenciais. 

Outros tópicos abordados no curso incluem:

  • integridade de ativos;
  • auditoria em segurança de processo;
  • aprendizado com a experiência;
  • melhoria contínua;
  • e um projeto de conclusão aplicado à melhoria das condições de segurança no local de trabalho.

Com a combinação da expertise da UNIBRAM e da RSE, este curso oferece um conhecimento aprofundado e prático que vai auxiliar os participantes nas tomadas de decisões. 

As aulas serão ao vivo e também gravadas, permitindo aos alunos aprender no seu próprio ritmo e em um ambiente flexível.

Acesse o site para mais informações. 

Leia também: 

Conheça pessoas que trabalham diariamente com a atividade minerária

Hydro e Mercedes-Benz no caminho para a neutralidade de CO2

Você já ouviu falar sobre Carbono Zero? É uma política desenvolvida por uma série de empresas, que tem como intuito neutralizar a emissão de gases do efeito estufa (CO2) por parte das pessoas e das próprias indústrias. Iniciativas focadas na diminuição das emissões de CO2 têm se tornado cada vez mais comuns entre empresas conscientes ecologicamente e preocupadas com práticas mais sustentáveis.

Um exemplo disso é a parceria entre a Hydro e a Mercedes-Benz. Juntas, elas pretendem, entre 2023 e 2030, promover um roadmap tecnológico conjunto, com o objetivo de desenvolver soluções de alumínio aprovadas para aplicações automotivas com pegada de CO2 abaixo de 3,0 kgCO2/kgAl. A ambição é aproximar-se do alumínio próximo de zero até o final do mesmo período.

A Hydro entregará seus primeiros volumes de alumínio com uma pegada abaixo de 3,0 kg CO2/kg de alumínio para a Mercedes-Benz em 2023. O produto será apresentado a uma variedade de modelos Mercedes-Benz, incluindo seus modelos elétricos (EQ).

“A Mercedes-Benz é uma empresa voltada para o futuro é uma parceira perfeita para a Hydro. A ambição de tornar toda a sua frota de novos automóveis de passeio neutros em CO2 até 2039 corresponde à ambição da Hydro de fornecer alumínio sem carbono em escala industrial até 2030. Parcerias e colaboração nas cadeias de valor podem acelerar os desenvolvimentos tecnológicos necessários para reduzir as emissões, e estamos entusiasmados com a Mercedes-Benz se juntando a nós em nosso caminho para o alumínio de carbono zero”, diz Hilde Merete Aasheim, presidente e CEO da Hydro.

As montadoras confiam no alumínio para reduzir o peso e as emissões de carbono sem comprometer a segurança. A reciclabilidade do alumínio significa que materiais descartáveis podem ser evitados. A Hydro fornece componentes de alumínio para a Mercedes-Benz há muitos anos. Com esta parceria, as empresas irão colaborar e aprofundar a pesquisa de como as soluções de baixo carbono e alumínio reciclado podem ser usadas em veículos. O objetivo é utilizar todo o potencial do alumínio como solução de baixo carbono em veículos modernos.

“O alumínio está se tornando cada vez mais importante como material leve em veículos elétricos. Estamos trabalhando intensamente com nossos parceiros para encontrar alavancas para reduzir as emissões de CO2 na cadeia de fornecimento de alumínio. Portanto, estou muito feliz por unirmos forças com a Hydro como um especialista de longa data na produção de energias renováveis para enfrentar um dos maiores desafios da indústria automotiva. Este é um sinal importante para acelerar a mudança na indústria do alumínio e aumentar a disponibilidade de alumínio com baixo teor de carbono”, diz Markus Schäfer, membro do Conselho de Administração do Mercedes-Benz Group AG e Diretor de Tecnologia, Desenvolvimento e Compras.

Hydro faz parceria com a Mercedes-Benz no caminho para a neutralidade de CO2

Hydro e Mercedes-Benz pretendem, entre 2023 e 2030, promover um roadmap tecnológico conjunto, com o objetivo de desenvolver soluções de alumínio aprovadas para aplicações automotivas com pegada de CO2 abaixo de 3,0 kgCO2/kgAl – crédito: divulgação

Neutralidade de CO2: moldando o mercado para um alumínio mais ecológico

 

A Hydro está comprometida em entregar uma redução de 30 por cento em suas emissões de CO2 até 2030. Para a produção de alumínio primário, as reduções de emissões virão da redução das emissões nas instalações de produção de alumina da Hydro Alunorte, no Pará, Brasil, e por meio da otimização de suas operações de eletrólise e fundição. A Hydro está desenvolvendo soluções de captura de carbono para suas instalações de produção de alumínio existentes, ao mesmo tempo em que desenvolve uma nova tecnologia de alumínio primário de carbono zero. A Hydro pretende ter pilotos em escala industrial para essas tecnologias até 2030.

“Para cumprir com sucesso nossas estratégias de descarbonização, precisamos nos unir aos pioneiros ao longo de toda a cadeia de valor, moldando o mercado de alumínio com baixo teor de carbono e quase zero”, diz Aasheim.

 

Robôs inteligentes é nova aposta no mercado de entregas

Muitas vezes não percebemos, mas a mineração está presente no nosso dia a dia: na produção de alimentos, roupas, acessórios, carros, computadores, celulares, construção de casas. Quase tudo depende da mineração. Mas, você já pensou em pedir uma comida e ao invés do tradicional motoboy, você ser atendido por um robô? 

Este é o projeto do Uber Eats, serviço de entregas da empresa Uber. A empresa planeja construir a sua própria frota de robôs inteligentes para entregas. Fabricado pela Cartken, o modelo possui seis rodas e sensores de câmeras a bordo. Cada robô pode carregar cerca de 11 kg. A meta é que no futuro eles cuidem de tudo sozinhos, dispensando o trabalho dos motoristas para fazer as entregas. 

Robôs inteligentes é nova aposta no mercado de entregas
Modelo foi testado nas ruas de Miami. Crédito: divulgação Uber

Inicialmente, a novidade será testada em Dadeland, um distrito de Miami, na Flórida (EUA). A expectativa é levar para outras cidades no decorrer de 2023. “Miami é um mercado próspero do Uber Eats. Estamos entusiasmados em trazer a seus residentes um pouco mais da ‘magia’ da entrega com robôs”, disse Noah Zych, chefe global de entregas da Uber em um comunicado à imprensa. 

No Brasil, o serviço Uber Eats foi extinto. No entanto, empresas instaladas no país também investem na implantação da tecnologia. A Uber não é a primeira a acreditar na implantação da tecnologia para dar um up nas entregas. As varejistas Walmart e Amazon pretendem seguir este caminho. A Amazon já passou por uma fase de testes com o robô Scout, porém, o projeto, que era somente experimental, foi pausado para um atualização e melhorias. 

*Com informações de Click Petróleo e Gás e Olhar Digital

Leia também: 

Sim, tudo tem mineração!

Mineradora cria fertilizante com tecnologia restauradora da biodiversidade do solo

Os fertilizantes são substâncias usadas em uma lavoura com o objetivo de fornecer nutrientes para o desenvolvimento das plantas, podendo ser aplicados via solo ou via foliar. A sua produção depende diretamente da mineração. Os fertilizantes mais utilizados são produzidos com nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), conhecidos como NPK. 

A Mosaic Fertilizantes, uma das maiores empresas em produção e comercialização de fosfato e potássio combinados, desenvolveu o primeiro fertilizante mineral sólido do mercado com tecnologia que equilibra, restaura e fortalece a biodiversidade microbiana do solo. O Performa Bio estimula a recomposição da atividade de microrganismos benéficos, aumentando a capacidade de absorção e o aproveitamento dos nutrientes, elevando, consequentemente, o patamar de produtividade e de sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos.

Além da tecnologia que contribui diretamente para a saúde do solo, o Performa Bio oferta ao solo boa concentração de nutrientes, fósforo e enxofre de alta eficiência, promovendo plantio em menor tempo e maior aproveitamento dos nutrientes no ciclo das culturas. A granulometria uniforme, a qualidade física superior e o perfeito equilíbrio nutricional e biológico geram fluidez na aplicação em campo, facilidade de manuseio e aumento de produtividade e da qualidade do solo.

De acordo com o vice-presidente Comercial da Mosaic Fertilizantes, Eduardo Monteiro, o produto foi desenvolvido “integrando conhecimento agronômico e inovação, oferecemos novidades para que os agricultores elevem a produtividade de suas lavouras e aumentem a entrega de alimentos para o mundo com menor impacto ambiental”. 

Mineradora cria fertilizante com tecnologia restauradora da biodiversidade do solo
Desenvolvido pela Mosaic Fertilizantes, solução aumenta a sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos – crédito: divulgação

Fertilizantes no Brasil 

 

O Portal da Mineração já abordou anteriormente a importância da mineração para o agronegócio e à produção de fertilizantes.  O Brasil é responsável por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes, ocupando a quarta posição, atrás apenas da China, Índia e dos Estados Unidos. Soja, milho e cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo de fertilizantes no país. 

Mais de 80% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados. Esta dependência no que se refere à  importação de fertilizantes e de minérios utilizados para sua fabricação ficou mais evidente após o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, grande exportadora de matéria-prima para produção do produto. O aumento da produção de fertilizantes no Brasil depende da disponibilidade de recursos minerais, além de condições favoráveis de preços, infraestrutura e impostos.

O governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), em março de 2022,  com o objetivo de reduzir a importação do insumo. Dentre as suas metas estão: estimular e ampliar a pesquisa, exploração e transformação mineral no Brasil, oferecendo fontes competitivas para a agricultura nacional; atração de investimentos nacionais ou estrangeiros na exploração, transformação, desenvolvimento ou distribuição de fertilizantes; investimento em novas tecnologias; entre outros. 

Clique aqui e saiba mais sobre o PNF. 

PodMinerar sobre Política Nacional para Fertilizantes

 

O PodMinerar, o podcast da mineração do Brasil,  lançou no início de dezembro o episódio especial EXPOSIBRAM 2022 – Política Nacional de Fertilizantes. 

Especialistas conversam sobre a  dependência brasileira da importação de fertilizantes e de minérios utilizados para sua fabricação. O bate-papo contou com a participação do coordenador-geral de Estudos em Desenvolvimento Econômico e Social da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, José Carlos Polidoro, e do vice-presidente de Assuntos Corporativos, Estratégia e Sustentabilidade da Mosaic Fertilizantes, Arthur Liacre. 

Ouça o episódio nas plataformas de áudio digital, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music, Google Podcast e no site do IBRAM. O PodMinerar é mais um canal de comunicação do IBRAM com o objetivo de disseminar um amplo debate sobre o futuro da mineração e a mineração do futuro. 

Leia também: 

 

Fertilizantes: a importância da mineração na alimentação e no dia a dia das pessoas

Entenda o que são remineralizadores e sua importância para o agronegócio

*Informações da Assessoria de Comunicação da Mosaic Fertilizantes e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Minerais estratégicos: o papel na transição energética

Você sabe o que são minerais estratégicos? E qual a sua função na transição energética? 

 

Lítio, nióbio, grafita, cobre e fosfato são alguns dos minerais considerados estratégicos no Brasil pelo governo federal. Mas estes não são os únicos. Em junho de 2021 foi publicada a Resolução Nº 2 de 18 de junho de 2021, que define quais os minerais importantes para o país. 

Entretanto, quais critérios são considerados para que um mineral seja estratégico? Ele deve ser um bem mineral do qual o País dependa de importação em alto percentual para o suprimento de setores vitais da economia; bem mineral que tenha importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia; ou bem mineral que detenha vantagens comparativas e que seja essencial para a economia pela geração de superávit da balança comercial do país.

Estes minerais estratégicos possuem um papel fundamental na transição para um futuro de economia de baixo carbono.  São cruciais para a forma como a energia é gerada, transportada, armazenada e utilizada. Para se ter uma ideia, um carro elétrico requer seis vezes mais insumos minerais do que um carro convencional. Segundo estimativas da International Energy Agency (IEA), a demanda por lítio deve crescer 40 vezes até 2040 e a demanda por cobalto, grafite e níquel entre 20 e 25 vezes até 2040. 

A presença destes minerais em terras brasileiras faz com o que o país tenha enorme potencial nesta área. No entanto, investimentos adequados em ciência e tecnologia têm sido o grande entrave para o desenvolvimento da extração mineral sustentável no país, assim como a capacitação técnica e uma política regulatória clara. 

Para o diretor de Sustentabilidade e Assuntos Regulatórios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Julio Nery, o país tem enormes desafios a superar para aproveitar a oportunidade desse novo mercado que está se abrindo. “Precisamos de mecanismos para desenvolver, de forma efetiva, o conhecimento geólogo brasileiro. A mineração trabalha com uma escala adequada do mapa. Atualmente, apenas 3% do país é mapeado em uma escala de 1:50.000 e cerca de 26% do território são conhecidos geologicamente na escala de 1: 100.000”, explica.

Julio ressaltou que apenas 0,6% do território brasileiro é ocupado pela mineração brasileira. “Mesmo utilizando pequena parcela do território, temos conseguido uma rentabilidade importante para o nosso país. No último ano tivemos um saldo mineral que foi equivalente a 80% do saldo comercial brasileiro”, analisa. Segundo ele, é necessário melhores mecanismos de financiamentos brasileiros para obter mais investimentos em pesquisa mineral e efetivamente o Brasil aproveitar essa janela de oportunidades desse mercado de transição energética.

É sempre bom lembrar que a extração mineral deve ser feita em qualquer parte do território de forma sustentável e organizada, com disseminação de boas práticas. Somente assim o Brasil poderá explorar todo o seu potencial e ser protagonista na transição energética.

Urânio: saiba o que é e para que serve

O urânio é um metal de coloração prateada, radioativo, denso e maleável. É um elemento razoavelmente abundante na crosta terrestre, ocorrendo em vários ambientes geológicos, sempre em combinação com o oxigênio. Mas o que é exatamente? Quais perigos ele pode oferecer à saúde humana?

Minério de urânio (Crédito: Reprodução/Domínio Público)

O metal foi descoberto na Alemanha no ano de 1789 e seu nome foi uma homenagem ao planeta Urano. Por muitos anos, foi usado principalmente como corante de esmaltes cerâmicos e no tingimento de fotografias, até que suas propriedades radioativas foram descobertas em 1866. É o último elemento natural da tabela periódica e possui o núcleo atômico mais pesado existente na natureza. Em sua forma metálica, o urânio pode reagir com quase todos os elementos da tabela periódica. 

Como é um mineral extraído do solo, o urânio não é um recurso não renovável. Mas não vai se esgotar tão cedo: estima-se que existam 5,5 milhões de toneladas do elemento em depósitos minerais economicamente viáveis, com 4,6 bilhões de toneladas dissolvidas na água do mar, que poderiam ser extraídas por um processo criado por cientistas japoneses na década de 80. A Austrália é o país com as maiores reservas de urânio, com 31% dos depósitos conhecidos.

Urânio enriquecido (Crédito: Reprodução/Domínio Público)

O processo de fissão de seu núcleo produz energia elétrica, uma alternativa aos combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão. Hoje, 16% da energia elétrica do mundo é proveniente do urânio. O metal também é utilizado em usinas nucleares e em reatores nucleares que operam navios e submarinos. Justamente pelo perigo que oferece, a produção do urânio-235 no mundo é rigidamente fiscalizada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, na sigla em inglês).

No Brasil, cerca de 99% da utilização do urânio-235 é voltada para a geração de energia e o restante é aplicado em pesquisas de medicina nuclear e na agricultura. Mas, cuidado! A ingestão acidental de altas concentrações de urânio pode acarretar graves consequências, como câncer nos ossos ou no fígado. Se inalado, pode gerar câncer de pulmão. O urânio é um elemento tóxico ao corpo humano e seus efeitos químicos podem ser mais nocivos e velozes do que os radioativos.

*Com informações do Canal Tech

Empresa planeja cavar buraco mais profundo do mundo para gerar energia renovável ilimitada

Nos últimos anos tem se falado muito sobre energia solar, eólica e hidráulica, principalmente por ser uma alternativa que gera menor impacto no meio ambiente e maior sustentabilidade. Todas elas têm a mineração como fator fundamental para sua geração, seja nos minérios, metais e minerais necessários para sua formação, seja nos equipamentos utilizados no processo de captação e utilização. Mas, será que é possível utilizar o calor armazenado nas profundezas da Terra para fornecer uma fonte de energia renovável generalizada? 

A Quaise Energy, empresa derivada do  MIT (Massachusetts Institute of Technology) em 2020, diz que sim. Ela pretende usar o calor armazenado nas profundezas da Terra para fornecer uma fonte de energia renovável generalizada.  Para isso, a empresa pretende perfurar o buraco mais profundo do mundo. 

Camadas que devem ser perfuradas. Crédito: Divulgação MTI

Já foram arrecadados US$ 63 milhões em financiamento para impulsionar esta perfuração mais profunda da crosta terrestre. Entretanto, o desafio é grande. Até agora, os melhores esforços da humanidade em cavar fundo na Terra atingiram o máximo de cerca de 12,3 quilômetros de profundidade, o que não foi suficiente para aproveitar efetivamente o calor do planeta em uma escala massiva. 

A Quaise Energy acredita que conseguirá ultrapassar esse limite, alcançando até 20 quilômetros de profundidade, com a utilização de um gerador de feixe de energia de megawatt, também conhecido como girotron. Este dispositivo é inspirado na fusão nuclear e gera ondas eletromagnéticas na porção de ondas milimétricas do espectro que podem teoricamente queimar as rochas mais duras e quentes que dificultam a perfuração muito profunda na crosta do planeta.

Clique aqui e veja a explicação do projeto. (Vídeo em inglês) 

Nesta profundidade, o calor das rochas circundantes pode atingir temperaturas de até 500 graus Celsius. Essa quantidade de calor será capaz de transformar rapidamente qualquer água líquida bombeada para essas profundezas em um estado de vapor supercrítico (com a baixa viscosidade do gás e a alta densidade do líquido), o que é adequado para gerar eletricidade quando colocado em turbinas e geradores. Isso equivaleria a produzir e aproveitar o poder do vapor, mas amplificado consideravelmente. 

Atualmente, menos de meio por cento (sim, abaixo de 0,5%) da energia mundial é derivada de fontes geotérmicas. Isso contrasta  com as expectativas para o futuro. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a energia geotérmica deve crescer cerca de 13% ao ano para  atingir zero emissões líquidas até 2050, embora a taxa de crescimento atual esteja bem abaixo dessa margem. 

Com informações do site Click Gás e Petróleo

Leia mais: 

Dispositivo movido a energia solar pode gerar água potável para mais de 1 bilhão de pessoas

Pesquisador desenvolve projeto de imãs que podem revolucionar a geração de energia

Mineração e Energia Sustentável: um horizonte de oportunidades