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Vale faz seu 1º teste com energia eólica no maior navio mineraleiro do mundo

Um dos maiores navios do mundo com sistema de propulsão a vento atracou no Brasil na última semana, no Porto de Tubarão, em Vitória (ES). A Vale, em parceria com a armadora Asyad, de Omã, iniciou o período de testes com velas rotativas no Sohar Max, um navio do tipo Valemax, com 362 metros de comprimento e capacidade para 400 mil toneladas de carga. Desenvolvidas pelo fabricante inglês Anemoi Marine Technologies, as velas usam a força do vento para diminuir o consumo de combustível e reduzir emissões. O teste no Sohar Max é o quinto projeto de energia eólica instalado em navios que prestam serviço para a Vale, apoiados ou financiados pela empresa, em embarcações de diferentes portes. Outros dois projetos estão previstos até o fim de 2025.

Vale faz seu 1º teste com energia eólica no maior navio mineraleiro do mundo
Valemax Sohar Max esteve no Porto de Tubarão, em Vitória (ES), vindo da China. Crédito: assessoria de imprensa Vale

O projeto piloto no Sohar Max é o maior já realizado em nível global. Em outubro, na China, foram instalados os cinco rotores cilíndricos com cerca de 35 metros de altura e 5 metros de diâmetro cada. O navio fez seu primeiro deslocamento com a tecnologia instalada e seguirá testando os resultados nas próximas viagens – a expectativa é que as velas permitam ganhos de eficiência de até 6% e uma consequente redução anual de até 3 mil toneladas de CO​2 equivalente por navio.

 

“Desde 2010 a Vale já opera com navios altamente eficientes e, nos últimos anos, tem fomentado iniciativas para a adoção de energia eólica, que terá papel central na descarbonização do transporte marítimo de minério de ferro”, afirma o Diretor de Navegação da Vale, Rodrigo Bermelho. “Este projeto reforça essa tradição da área de navegação da Vale de investir em inovação e estimular a modernização da frota para reduzir as emissões, em parceria com os armadores.”

Além do Sohar Max, a Vale financia desde 2021 os testes com velas rotativas em um Guaibamax, o Sea Zhoushan, em parceria com o armador coreano Pan Ocean. Em paralelo, apoia outros 5 projetos de energia eólica em navios que carregam minérios da empresa, em iniciativas promovidas pelos armadores.

A instalação de velas rotativas no Sohar Max é o sexto e mais recente acordo com a Asyad para a implantação de pilotos de tecnologias inovadoras em quatro navios fretados pela Vale. Os projetos anteriores incluíram o uso de tinta de silicone para redução de resistência, a instalação de inversores de frequência para redução de consumo elétrico e uso de dispositivos hidrodinâmicos para melhoria na propulsão. Em todos os navios, foram instalados sistemas de coleta de dados em tempo real para monitoramento das tecnologias.

Estas ações para incorporar tecnologias de ponta na navegação fazem parte do programa Ecoshipping, iniciativa de pesquisa e desenvolvimento criada pela área de navegação da Vale para atender ao desafio da empresa de reduzir suas emissões de carbono, em linha com as metas definidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Como funcionam as velas rotativas?
Os rotores cilíndricos giram para criar uma diferença de pressão de forma a mover o navio para a frente, a partir de um fenômeno conhecido como efeito Magnus. A utilização desta tecnologia permite a redução de potência e consumo de combustível do motor principal da embarcação quando as condições de vento são favoráveis, economizando combustível e mantendo a velocidade e o tempo de viagem.

*Informações: Assessoria de Imprensa da Vale.

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EXPOSIBRAM 2024 terá cinco palcos com painéis simultâneos e mais de 500 estandes

Um dos maiores eventos da mineração da América Latina tem expectativa de receber mais de 70 mil pessoas e promoverá rodada de negócios para dinamizar o mercado da mineração.

O maior evento de mineração da América Latina, a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2024), contará com mais de 500 estandes e cinco palcos simultâneos. A perspectiva é receber mais de 70 mil pessoas durante os quatro dias de evento, 2 mil congressistas e cerca de 500 expositores. O número de estandes disponíveis foram todos preenchidos previamente, com a participação de expositores brasileiros e estrangeiros, de países como Itália, Estados Unidos, China, Canadá, Alemanha, Chile, Irlanda, Holanda, Inglaterra e Peru. A EXPOSIBRAM ocorrerá de 9 a 12 de setembro, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Mais informações podem ser encontradas no site.

O Congresso Brasileiro de Mineração terá cinco palcos com palestras simultâneas. Conforme o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Raul Jungmann, a ampla abrangência de temas é muito rica. “Teremos a oportunidade de cobrir um leque expressivo de temas. Isso contribui para a criação de um evento mais dinâmico, com maiores oportunidades para empresários do setor, estudiosos e outros públicos”, diz. 

Dentre os vários temas, alguns são destaques, como a transição energética e tributação. Segundo a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do IBRAM, Cinthia de Paiva Rodrigues, serão debatidos formas de financiamento de projetos de transição energética, agenda econômica, perspectivas de mercado, riscos tributários e fiscais, riscos políticos e outros assuntos sensíveis ao setor. “Vamos falar de transparência dos royalties, da discussão de minerais nucleares, vamos falar de fertilizantes e da pequena mineração. Temos muitos temas interessantes”, destaca. 

Além disso, durante entrevista concedida ao Podcast da Mineração, Cinthia reforça que publicações lançadas pelo IBRAM em 2024, como o estudo completo do inventário de gases do efeito estufa para o setor da mineração, serão debatidos com mais profundidade com especialistas e profissionais do setor mineral.  

Rodada de negócios

Outro ambiente que gera altas expectativas no âmbito da EXPOSIBRAM é a rodada de negócios. Em 2023, 22 empresas mineradoras participaram da Rodada de Negócios da Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram 2023) e geraram expectativa de negócios no valor de R$ 1,5 bilhão. 

Neste ano, o objetivo é conectar mais fornecedores e mineradoras para estabelecer parcerias. “Rodada de negócio é um ímã. A gente cadastra fornecedores, mineradoras e depois faz a aproximação. Ela [a Rodada de Negócios] também ocorrerá online, embora o foco seja presencial. Essa inscrição fica aberta no site da EXPOSIBRAM”, diz Cinthia.

Congresso: desconto especial para inscrições em grupo

Grupos de cinco ou mais pessoas que querem conectar-se com os maiores especialistas do setor mineral e descobrir novas tendências e inovações da mineração têm desconto de 20% no valor da inscrição para o Congresso Brasileiro de Mineração. Os interessados devem enviar um e-mail para secretaria@ibram.org.br solicitando o desconto. 

O maior congresso da indústria mineral brasileira é uma oportunidade de expandir o conhecimento sobre as últimas novidades do setor mineral, assistir painéis e discussões plurais, com líderes e especialistas da indústria, fazer networking com profissionais renomados e empresas influentes; além de descobrir novas soluções e tecnologias que estão transformando o setor. 

Está chegando a Exposibram 2024. Participe!
Está chegando a Exposibram 2024. Participe!

Serviço: 

Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2024)

Data: 9 a 12 de setembro 

Local: Expominas – Av. Amazonas, 6200 – Gameleira, Belo Horizonte (MG)B

Informações e inscrição – https://exposibram2024.ibram.org.br/ 

Compliance: saiba mais sobre o termo e como implementá-lo

O termo compliance está em alta nos últimos anos. Ele vem acompanhado de práticas de ESG (environmental, social and governance), de DE&I (diversidade, equidade e inclusão) e proteção de dados. Por isso, o compliance deve ser analisado com cautela e, sobretudo, aplicado no dia a dia empresarial. 

O setor mineral vem passando por grandes transformações nos últimos anos e o compliance é utilizado como ferramenta pela indústria. Para entender sobre o termo na Mineração é necessário entender o seu conceito e como aplicá-lo nas empresas.

Conceito

Compliance tem origem no verbo em inglês “to comply”. Significa “cumprir, obedecer”. Trazendo para a aplicação prática, o termo é entendido como estar em conformidade com leis, normas, regulamentos e controles internos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), essa prática representa “um sistema formado por princípios, regras, estruturas e processos pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, com vistas à geração de valor sustentável para a organização, para seus sócios e para a sociedade em geral”.

Neste cenário, o compliance surgiu como uma ferramenta para auxiliar organizações públicas e privadas a se adequarem às novas demandas da sociedade. E também a melhorarem a gestão interna, aplicando boas práticas de governança. É um pilar de governança corporativa. Ele atua como um conjunto de medidas e procedimentos com o objetivo de detectar e remediar a ocorrência de fraudes, irregularidades e corrupção. Além disso, é responsável por estabelecer a cultura de ética, transparência e integridade nas organizações.

Compliance: saiba mais sobre o termo e como aplicá-lo
Compliance é utilizado como ferramenta no setor mineral. Crédito: Divulgação.

O compliance e a legislação brasileira

No Brasil, não há uma lei específica sobre compliance. Porém, há leis esparsas que tratam sobre ele e reforçam sua importância. A mais conhecida delas é a Lei 12.846 de 1º de agosto de 2013, conhecida como Lei Anticorrupção, criada para fortalecer o combate à corrupção em território nacional e é aplicada somente a pessoas jurídicas. Ela tem o objetivo de responsabilizar civil, penal e administrativamente empresas que agem contra a Administração Pública.

Tendo em vista esse objetivo, qual a relação da lei com o compliance? Por meio do Decreto nº 11.129 de 11 de julho de 2022, que regulamenta a Lei Anticorrupção, as empresas que negociam com a Administração Pública são incentivadas a implementar e/ou aperfeiçoar programas de compliance

Além da Lei 12.849/2013, recentemente o compliance também é tratado na Nova Lei de Licitações e Contratos, a Lei 14.133 de 1º de abril de 2021. Essa legislação também incentiva empresas privadas a implementarem programas de integridade. A fim de estarem aptas a participar de processos licitatórios, as empresas precisam comprovar a existência desse programa. A lei prevê, inclusive, a obrigatoriedade de implantação de programa de integridade pelo licitante vencedor nas contratações. 

Como implementar o compliance

A legislação brasileira incentiva a adoção de programa de integridade/compliance. Entretanto, esse programa deve ser visto como sistema de gestão, importante para a eficácia de boas práticas de governança.

O Decreto nº 11.129 de 11 de julho de 2022 estabelece que o programa de integridade deve ser estruturado, aplicado e atualizado de acordo com as características e os riscos atuais das atividades de cada pessoa jurídica. As empresas, por sua vez, devem garantir o constante aprimoramento e a adaptação do referido programa, visando garantir sua efetividade.

Por meio desse trecho, podemos perceber alguns princípios e ações que devem ser observados na implementação do programa de compliance:

  1. Análise dos riscos das atividades da organização: verificar quais as ameaças e pontos críticos podem comprometer os negócios de uma empresa;
  2. “Constante aprimoramento”: a empresa deve desenvolver treinamentos contínuos sobre compliance, ética, entre outros temas relacionados. Os treinamentos devem abranger todos os envolvidos nas atividades empresariais, desde a Alta Direção, passando por colaboradores e, até mesmo, fornecedores;
  3. Setor responsável pelas ações do compliance: muitas vezes, as ações se concentram no departamento jurídico. Porém, é importante ter uma área específica para que os esforços fiquem concentrados. Juntamente com os demais setores, será responsável pela elaboração dos documentos balizadores do compliance. O código de conduta e código de ética são documentos fundamentais no desenvolvimento do programa;
  4. Implementação de canal de denúncias e comunicação independente: esse meio é necessário para que funcionários sintam-se à vontade para fazer reclamações, sugestões e, principalmente, denúncias de fraudes e irregularidades;
  5. Comprometimento da Alta Direção: sem a participação ativa do CEO, diretores, conselheiros e sócios majoritários, dificilmente o programa de compliance irá prosperar. O comprometimento deve ser externalizado pela alta liderança, a fim de motivar os colaboradores.

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Saiba a importância do cobre para o avanço da economia verde

Bateria quase perfeita: criação feita de lítio e índio dura mais e carrega em 5 minutos

O aumento da demanda por veículos elétricos gerou uma busca por minerais estratégicos e novas tecnologias para a produção de baterias mais duradouras e com menor tempo de recarga.  Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram uma bateria de lítio que dura mais e é carregada em menos de 5 minutos. 

Bateria quase perfeita: criação feita de lítio e índio dura mais e carrega em 5 minutos
Bateria  de lítio e índio: dura mais e carrega em 5 minutos. Crédito: divulgação

Além do lítio, outro material-chave para este experimento é o índio, devido às suas características naturais. O elemento In da tabela periódica se move rapidamente e tem uma reação cinética de superfície lenta. Com isso, os cientistas encontraram algo que parecia perfeito e entregava um carregamento rápido e uma descarga lenta.

Entretanto, nem tudo é perfeito. O elemento é pesado demais. Esta característica inviabiliza a produção em grande escala de baterias de lítio-índio. Para solucionar este problema, os cientistas defendem a criação de uma liga com outros metais, além do índio. Esta pesquisa por novos materiais é a fase atual do projeto. 

Eles afirmam que a criação de uma bateria como essa significaria a universalização do transporte eletrificado. Isso porque as baterias não precisariam ser tão potentes e caras. Basta que o usuário tenha carregadores disponíveis. O dono do veículo para no local e fica menos de 5 minutos – um tempo parecido com o que ficamos hoje nos postos de combustíveis.

Clique aqui e leia o estudo na íntegra. 

*Com informações da Universidade Cornell e do Olhar Digital.  

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Sustentabilidade, preservação ambiental e responsabilidade social são pilares da economia verde, um modelo econômico que visa a melhoria de indicadores sociais, da eficiência no uso de recursos naturais e a adesão a práticas de consumo consciente e baixa emissão de carbono.

A mineração é fundamental nesta jornada rumo à economia verde. A produção de minerais estratégicos, principalmente para a transição energética, é um exemplo de como o setor pode contribuir para o desenvolvimento sustentável. 

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O impacto do cobre na economia verde

Cobre contribuiu para o avanço da economia verde.
Cobre contribuiu para o avanço da economia verde. Crédito: Divulgação

O cobre tem inúmeras utilidades no desenvolvimento da economia verde. Pode ser usado em sistemas de transporte elétricos, equipamentos de geração de eletricidade de fontes renováveis, desenvolvimento de aparelhos mais eficientes energeticamente, com a redução do uso de combustíveis fósseis, e muito mais. 

A Comissão Europeia do International Copper Association (ICA) classificou o cobre como um insumo essencial para a transição energética e eletrificação dos modais de transporte em larga escala. Devido a essa característica, é esperado um aumento de 35% do mercado de cobre até 2050 por conta desse esforço rumo à descarbonização. 

Conforme o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Termomecanica, Márcio Rodrigues da Silva, “com base em dados do ICA de 2022, a cadeia de produção do cobre representa 0,2% das emissões de gases estufa do planeta, e o crescimento dessa demanda aumentará a necessidade do contínuo investimento em técnicas de mineração e na crescente profissionalização do mercado de recicláveis, trabalhos aos quais a indústria brasileira do cobre permanece atenta e atuante”, afirmou

Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram o Brasil em posição favorável na adoção de energias limpas. Atualmente, a matriz energética brasileira (conjunto de fontes de energia necessárias para mover os veículos, gerar eletricidade e outros usos) é composta por 47,4% de fontes renováveis, enquanto a matriz elétrica (conjunto de fontes utilizadas apenas para a geração de energia elétrica) é composta por 87,9% de fontes renováveis.

“Nesse sentido, o mercado tem um grande potencial sinérgico entre a aplicação do cobre e o desenvolvimento e geração de energia limpa, pois é largamente utilizado nos geradores eólicos, solares, hidráulicos e nos sistemas de distribuição. E quanto mais energia limpa, menor a geração de carbono para se produzir o cobre. Essa perspectiva é ainda mais promissora se constatarmos os dados globais das matrizes energética e elétrica, apresentando respectivamente 14,1% e 26,6% de fontes renováveis”, ressaltou Silva. 

Fonte: Revista Exame e Termomecanica

Dia da Consciência Negra: setor mineral avança ao promover ambientes de trabalho mais igualitários  

O Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, é uma data de celebração e de conscientização sobre a força, a resistência e o sofrimento da população negra brasileira, desde a colonização. Apesar dos 135 anos da Lei Áurea, que deu fim à escravidão, ainda há heranças de tratamento desigual entre raças na sociedade e, assim, o racismo continua presente nas estruturas sociais e institucionais deste país e é manifestado pela falta de oportunidades de educação, de trabbalho, por falta de remuneração,  pelas tentativas de apagamento da cultura e diversas outras situações que envolvem pessoas negras. 

O setor mineral avança para mudar esta realidade e a temática de Diversidade & Inclusão (D&I) é uma das metas da Agenda ESG da Mineração do Brasil e questões como raça/etnia, gênero, classe e orientação sexual fazem parte do trabalho do grupo (GT Diversidade e Inclusão)

Para o diretor-presidente do IBRAM, Raul Jungmann, embora seja clara mudança em prol da diversidade e inclusão, o setor ainda precisa evoluir. “Assumimos o compromisso de implementar ações na mineração em prol do desenvolvimento de novas oportunidades e de ambientes de trabalho mais igualitários, mas precisamos avançar. Como uma das metas da Agenda ESG da Mineração do Brasil, o setor mineral implementa ações para reverter o cenário da desigualdade social e do preconceito em relação às pessoas negras. A busca é por igualdade em todos os níveis hierárquicos nas empresas”, avalia. 

As mulheres negras são o maior grupo na sociedade brasileira, considerando os recortes de gênero e raça. São 41 milhões de mulheres autodeclaradas negras (pretas ou pardas), ou 23,4% do total da população. 

Para Thaís Porfírio, especialista em meio ambiente e líder do Grupo de Afinidade Diversidade Racial da ArcelorMittal Brasil e cofundadora do Coletivo Quantos – Negras e Negros na Mineração, “as mulheres negras cosntituem um dos principais grupos impactados pelos empreendimentos minerários, se considerarmos a localização, geralmente rural e periférica das minas. Também representam o grande potencial de mão-de-obra local”. 

Entretanto, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, com o perfil social, racial e de gênero, as pessoas negras ocupavam apenas 4,7% dos cargos de liderança nas 500 maiores empresas do país, em 2016. Quando se fala de mulher negra, o percentual é de apenas 0,4%. 

“Apesar de uma grande representatividade de profissionais negros na mineração, quando se faz a análise em cargos técnicos ou de liderança e à medida que se aumenta os salários, a presença negra cai significativamente. Se fizermos um recorte de gênero, chegamos a uma disparidade absurda com a proporção que este grupo significa na população do Brasil. Assim, entendo que há um grande potencial para que o setor minerário olhe para este grupo, estimule-o e capacite-o para estar preparado para ser inserido no mercado de trabalho, para ser mais atrativo a este público”, avalia Thaís Porfírio. 

Para celebrar o Dia da Consciência Negra, o IBRAM apresenta a história de três profissionais do setor mineral que mostram que com força, oportunidades e dedicação é possível traçar um caminho de sucesso: 

Sara Quaresma – Analista de Relações Comunitárias na Mineração Rio do Norte (MRN)

Dia da Consciência Negra: setor mineral avança ao promover ambientes de trabalho mais igualitários  
Sara Quaresma – Crédito: arquivo pessoal

Mulher negra, amazônida, engenheira florestal e integrante do primeiro Quilombo do Brasil titulado. “Meus ancestrais foram escravizados e, fugindo, povoaram a região do Trombetas (PA). Meus avós e meus pais não tiveram acesso à educação, mas sempre me incentivaram. Minha mãe enfrentava o rio, cedo, de canoa, para me deixar em um ponto onde o barco buscava os alunos, pois eu era a aluna que morava mais distante. Eu tinha que acordar de madrugada, por volta de 4 horas da madrugada”, conta Sara Quaresma. 

A engenheira florestal iniciou seu o trabalho na MRN como trainee, em 2015. “Durante o programa tive a oportunidade de desenvolver um projeto pioneiro na região, um banco de germoplasma de castanha-do-pará. Atuando com a comunidade hoje em dia, me sinto privilegiada em facilitar o diálogo com os povos tradicionais, dos quais eu, como quilombola, também faço parte. Contribuir com as ações da empresa na região onde eu nasci e cresci é muito satisfatório”, destaca. 

Um dos maiores desafios para a profissional foi o acesso às oportunidades de qualificação. “As políticas públicas escassas deixam muito a desejar na reparação histórica que o povo negro busca. O apoio da iniciativa privada, no caso da MRN, que apoia o ingresso de alunos no ensino básico e superior, é muito importante. Fui contemplada com esse apoio financeiro e fez a diferença na minha carreira”, ressalta. 

Quaresma ainda avalia que “no setor mineral, por ser majoritariamente masculino, foi muito difícil resistir e competir pelo espaço. Sem falar no preconceito que ainda existe, e vem há séculos resistindo de forma sutil. Mas, com resiliência e ciente do meu potencial, sigo avançando”. 

Para a analista da MRN, o processo de diversidade e inclusão está em evolução, com um caminho muito longo e desafiador para percorrer. “O mercado de trabalho de modo geral ainda carrega vícios preconceituosos. No setor mineral, não é diferente. Entendo que mais oportunidades precisam ser dadas a negros para que os espaços sejam ocupados por nossa gente preta. Oportunizar o acesso à educação se mostra como a chave fundamental para que isso se torne realidade”, finaliza.  

Thaís Porfírio – Especialista em meio ambiente e líder do Grupo de Afinidade Diversidade Racial da ArcelorMittal Brasil. Cofundadora do Coletivo Quantos – Negras e Negros na Mineração

Thaís Porfírio é graduada em Engenharia Florestal e mestre em Ciência Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Atuou como consultora, docente e, no momento, como especialista na área Ambiental e Direito Minerário. Atualmente integra a área de Diversidade e Inclusão, como líder do Grupo de Afinidade Diversidade Racial.  

A especialista avalia que seu maior desafio no início de carreira foi a insegurança que sentia. “Por ser mulher e negra, ao longo da minha graduação, eu tinha muito medo de não conseguir me inserir em um mercado de trabalho que é majoritariamente masculino. Depois de efetivamente entrar para o setor minerário, a minha maior dificuldade era me fazer ser ouvida em discussões técnicas com outros profissionais. A sensação de ter suas ideias ignoradas e depois serem repetidas por um homem e não ser levada em consideração. O medo de não conseguir evoluir na carreira”, disse. 

Thaís ainda ressalta que, quanto à questão racial, o maior desafio foi ter sua identidade questionada em diversas situações, por não a considerarem negra e também ser confundida recorrentemente com a equipe de limpeza dentro do escritório, apesar de estar claramente com o uniforme da equipe técnica. “Muitas vezes, as barreiras eram invisíveis, já que as pessoas sabem que podem responder criminalmente sobre racismo e injúria racial. Então, muitas vezes, ouvi comentários de colegas que me afetavam, mas eu demorava muito tempo para entender a carga discriminatória que havia naquela fala”, relata. 

Mariana Luíza Souza da Silva – Estagiária em Engenharia Metalúrgica da AMG Mineração, em São João Del Rei (MG). 

Mariana Luíza. Crédito: Arquivo Pessoal

Mariana despertou seu interesse pelo setor mineral durante o ensino médio, período em que frequentou as aulas regulares e um curso técnico no IFMG-OP (Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Ouro Preto). Após ingressar no curso de Engenharia Metalúrgica na Universidade Federal de Ouro Preto teve a oportunidade de estagiar na AMG Mineração. 

Para Mariana, a participação das mulheres e das pessoas negras no setor mineral era historicamente limitada, com uma representatividade reduzida em diversas áreas, mas tem evoluído. “O fato de hoje em dia haver conscientização sobre a importância da diversidade e inclusão no setor pode ser um dos motivos para tal evolução, além de iniciativas de programas com o intuito de promover uma maior representação, oferecendo oportunidades. Acredito que essas iniciativas contribuam para romper com os padrões estabelecidos, criando um ambiente mais inclusivo e diversificado”, ressalta. 

Para seu futuro profissional, a estagiária da AMG almeja continuar crescendo no setor mineral. “Tenho a aspiração de que meu trabalho seja reconhecido e valorizado por sua qualidade, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Além do reconhecimento, busco também o desenvolvimento de uma reputação, em que as minhas contribuições sejam vistas como significativas e relevantes para aqueles ao meu redor”, afirma.

Niobobaotita: mineral altamente estratégico é descoberto por pesquisadores chineses

Num local remoto da Mongólia, pesquisadores chineses descobriram um novo tipo de mineral estratégico que se destaca pela sua aplicação industrial. O niobobaotita contém bário, nióbio, titânio, ferro e cloro, e possui propriedades revolucionárias para o uso em baterias.

O nióbio, presente na niobobaotita, é um metal com diversas aplicações, como em ligas para a fabricação de peças de motores a jato e foguetes. Além disso, é considerado essencial em semicondutores e é amplamente utilizado em áreas de diagnóstico médico, como aparelhos de ressonância magnética.

Niobobaotita
Niobobaotita é descoberto na Mongólia. Crédito: Divulgação

Para os pesquisadores essa descoberta é muito significativa para a China, já que o país atualmente importa 95% de suas necessidades de nióbio. Segundo eles, com este novo mineral, a China poderá se tornar autossuficiente nesse recurso essencial para a indústria siderúrgica.  

Atualmente, o Brasil é o maior produtor de nióbio do mundo e possui 90% da reserva mundial. 

Devido ao seu valor estratégico e à vulnerabilidade do seu fornecimento, o governo australiano considera-o um “mineral crítico” e reconhece que é essencial para a indústria tecnológica. A União Europeia também o incluiu na sua lista de matérias-primas fundamentais, ao lado de outras como o fósforo, o escândio ou o silício metálico.

Encontrado na mina de terras raras de Bayan Obo, localizada em Baotou, na região autônoma da Mongólia Interior, na China, a descoberta do niobobaotita é atribuída a três investigadores do Instituto de Investigação Geológica de Urânio de Pequim, organização ligada à estatal China National Nuclear Corporation (CNNC), e já foi oficialmente reconhecida pelo comitê da Associação Mineralógica Internacional. 

*Com informações dos sites Olhar Digital e IGN Brasil

Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias

Evento em Belém vai debater o desenvolvimento socioeconômico da região

Representantes dos povos da floresta, da sociedade civil, academia, setores públicos e privados se reunirão na capital paraense, Belém, para tratar de questões que envolvem meio ambiente, economia e desenvolvimento sustentável na Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias, entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro de 2023.

Encontrar o equilíbrio entre desenvolvimento socioeconômico da região e sustentabilidade não é uma tarefa simples, mas existem práticas econômicas que unem essas duas questões e que precisam ser difundidas e potencializadas. Proteger a Amazônia não é um obstáculo para o desenvolvimento.

Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias

Palestrantes internacionais
O presidente da Colômbia (2018-2022), Iván Duque, será o palestrante de destaque do terceiro e último dia da Conferência. Com o discurso de que proteger a floresta é um dever moral dos países que a abrigam, seu governo priorizou iniciativas como o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis e o impulsionamento do ecoturismo na região.

Além do presidente colombiano, também estão confirmadas as presenças de lideranças globais como o 8º Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, que vai fazer a palestra magna no primeiro dia do evento. Estarão presentes, ainda, o presidente do ICMM, Rohitesh Dhawan; o embaixador da UNESCO para a Sustentabilidade, Oskar Metsavaht; Neidinha Suruí, ativista na Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, entre outros.

Diversidade temática
Os participantes vão debater temas como: novas economias, bioeconomia, economia circular, minerais estratégicos, mercado de carbono, economia solidária, ESG, combate aos crimes ambientais. O foco será encontrar soluções para a manutenção da floresta viva e colaborar com a construção de uma agenda verde para a transição econômica.

Sobre a Conferência
Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias é promovida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), organização sem fins lucrativos que reúne mais de 130 empresas e instituições que atuam no setor mineral e assumiram o compromisso de proteger a Amazônia.

A participação é gratuita, as vagas são limitadas e qualquer pessoa pode se candidatar. A pré-inscrição deve ser feita no site oficial, onde também estão disponíveis mais informações como programação, palestrantes e local da Conferência.

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EXPOSIBRAM 2023: Belém recebe maior evento da mineração do Brasil

EXPOSIBRAM 2023: Belém recebe maior evento da mineração do Brasil

Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2023), o maior evento de mineração do Brasil e um dos mais relevantes da América Latina, além de promover negócios, aproximar a indústria mineral da sociedade, colocando a sustentabilidade no foco dos debates, também será uma oportunidade para o setor mineral reunir os principais players da mineração para debater sobre as  perspectivas de negócios para a indústria mineral global. A edição 2023 será realizada entre os dias 29 e 31 de agosto (Solenidade de abertura dia 28/08, às 18h), em Belém (PA), no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia.

“A EXPOSIBRAM 2023 irá proporcionar oportunidades às empresas e aos profissionais que integram o universo da mineração para mostrarem seus projetos, o trabalho que desenvolvem e as perspectivas de bons negócios. O evento não se restringirá à mineração na região norte. Irá propagar novidades e investimentos para a mineração em todo o Brasil”, explica Raul Jungmann, diretor-presidente do IBRAM – Mineração do Brasil.

O IBRAM projeta intensa participação de empresas, do Brasil e de outros países, que fornecem produtos e serviços ao setor mineral. Um dos motivos é que o Pará e outros estados de várias regiões apresentam oportunidades em diversos campos da mineração industrial e, naturalmente, para a cadeia de fornecedores e prestadores de serviços. A previsão é que o Pará, que vai sediar a EXPOSIBRAM 2023, receba significativos investimentos no setor mineral nos próximos anos.

O setor mineral estima um total de investimentos de US$ 50 bilhões, em cinco anos (2023-2027), em vários estados. A maioria está projetada para os estados do Pará, Minas Gerais e Bahia (somados, totalizam 82%). O estado paraense receberá US$ 13,9 bilhões, ou seja, 32,1% do valor total.

A EXPOSIBRAM 2023 reúne as principais companhias mineradoras com atuação global e nacional, fornecedores de máquinas, equipamentos e serviços, representantes de instituições de pesquisa e universidades, delegações empresariais e governamentais de diversas nações, entidades de classe, empresas e autarquias ligadas ao setor público, além de importantes executivos e especialistas de vários segmentos para a discussão de temas relacionados à indústria mineral global. A feira internacional é a maior vitrine para as companhias gerarem negócios. Já o congresso debate cenários e revela as tendências do segmento.

A última edição da EXPOSIBRAM, realizada entre os dias 12 e 15 de setembro de 2023, em Belo Horizonte (MG), marcou o retorno ao formato presencial e bateu vários recordes. Durante os 4 dias de evento foram 61.000 participantes, 450 expositores, 2.000 congressistas e 240 palestrantes e debatedores. As rodadas de negócios contaram com  17 mineradoras e 189 empresas fornecedoras, que geraram perspectiva de negócios no valor de R$ 7 bilhões.

Informações sobre a EXPOSIBRAM 2023: https://ibram.org.br/evento/exposibram-2023/