PT EN ES

Pesquisadores suíços desenvolvem técnica para extrair ouro de lixo eletrônico

Cientistas da ETH Zurique dissolveram 20 placas-mãe de computadores antigos e conseguiram extrair uma pepita de ouro de 450 miligramas.

O mundo enfrenta um desafio crescente dos resíduos eletrônicos. Em 2021, foram geradas 57,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico globalmente, segundo a União Internacional de Telecomunicações. Aparelhos, como celulares, computadores e eletrodomésticos contêm pequenas quantidades de metais preciosos como ouro, prata e paládio e estes podem ser reciclados. 

Uma equipe de pesquisadores da ETH Zurique, na Suíça, desenvolveu uma nova forma de extrair metais preciosos de resíduos eletrônicos, um método sustentável que utiliza sobras de alimentos e poderia transformar a indústria, segundo reportagem do site Futurism. Esta abordagem não só evita o uso de substâncias químicas perigosas, mas também promove a reciclagem eficiente de recursos valiosos.

A técnica desenvolvida pelos pesquisadores suíços utiliza resíduos da produção de queijo como componente-chave. Eles desenvolveram uma esponja de nanofibrilas proteicas derivadas do soro de leite. Quando tratadas adequadamente, essas esponjas capturam os íons de ouro presentes nos resíduos eletrônicos, transformando-os em pepitas de alta pureza.

Além de diminuir o impacto ambiental, a técnica é biodegradável e evita o uso de produtos químicos nocivos, como o cianeto. A partir de 20 placas de circuito, pode-se obter uma pepita de ouro avaliada em cerca de R$ 170 mil. Esta técnica revoluciona a reciclagem e oferece uma solução ecológica para o crescente problema dos resíduos eletrônicos. Com o aumento anual de 3% no volume de lixo eletrônico, essa inovação pode transformar o problema em uma oportunidade econômica.

Com informações dos sites Época Negócios e Escola Educação 



Ponte de aço e ouro: um destaque deslumbrante na paisagem do Vietnã

A ponte faz parte de um projeto de US$ 2 bilhões e almeja transformar Ba Na Hills em um dos destinos turísticos mais desejados do planeta.

Já imaginou caminhar por uma ponte que parece flutuar entre as nuvens, sustentada por mãos gigantes que surgem do solo? No Vietnã, esse cenário surreal é verdadeiro. A Ponte Dourada, com seu design singular e vistas de tirar o fôlego, conquistou turistas de todo o mundo e se tornou um ícone de beleza arquitetônica. O Portal da Mineração explica como essa obra arquitetônica conquistou o coração de milhões de turistas com o uso da mineração. 

Ponte de aço e ouro: um destaque deslumbrante na paisagem do Vietnã
Ponte é um dos principais pontos turístico do Vietnã. Crédito: Divulgação

Suspensa a 1.400 metros de altura e com 150 metros de comprimento, a estrutura da ponte é uma obra-prima de engenharia. As mãos gigantes, que parecem brotar da terra, são feitas de uma mistura de arame e fibra de vidro, criando um efeito impressionante de sustentação. O piso, em tábuas de madeira resistentes, e as grades em aço inoxidável com acabamento dourado, combinam estética e durabilidade. As balaustradas banhadas a ouro refletem a grandiosidade do projeto, criando um espetáculo visual que hipnotiza quem passa por ali.

Idealizada pelo Centro de Arquitetura Paisagística e Pesquisa em Design, a ponte faz parte de um audacioso projeto de US$2 bilhões (aproximadamente R$10 bilhões) para transformar Ba Na Hills em um dos destinos turísticos mais desejados do planeta. Desde sua inauguração, em junho de 2018, a Ponte Dourada atrai turistas de todo o mundo e se transformou em um dos lugares mais fotografados do Vietnã. 

A ponte é considerada por muitos a mais bonita do mundo. Turistas que já cruzaram o local descrevem a experiência como mágica. Um visitante no TripAdvisor escreveu: “As vistas são de outro mundo, e o teleférico é tão incrível quanto a ponte.” Outro afirmou: “É como se eu estivesse voando.” 

Em dias de neblina, a Ponte Dourada parece flutuar entre as nuvens, proporcionando uma sensação de transcendência. É um daqueles lugares que fazem qualquer um se sentir parte de algo maior, como se estivesse caminhando sobre o próprio céu.

Fonte: Click Petróleo e Gás 

Acelerador de partículas é aliado no combate ao garimpo ilegal

O setor de mineração, o meio ambiente, a economia e as comunidades indígenas enfrentam um grave desafio: o garimpo ilegal. Conheça uma alternativa utilizada no combate a essa atividade. 

O garimpo é uma atividade secular, presente no Brasil desde meados do século XVIII. Voltada para o extrativismo mineral, no período colonial foi intensamente realizado em diversas localidades, principalmente em Minas Gerais, na busca por ouro e diamante. Com o passar dos séculos, a atividade se estendeu para outros estados. 

O garimpo no Brasil

Atualmente, segundo dados do MapBiomas, a região Amazônica concentra quase a totalidade (92%) da área garimpada no Brasil, sendo o ouro o mineral mais procurado. 

Ocorre que, na região Norte, o garimpo ilegal é uma realidade. Em Roraima, por exemplo, de acordo com Ivo Cípio Aureliano, indígena Macuxi e assessor jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR), “todos os garimpos são ilegais e estão localizados dentro das terras indígenas”.

Ivo explica que o garimpo clandestino é umas das maiores ameaças às comunidades indígenas no estado.  Por isso, o combate a essa prática se tornou uma luta constante de comunidades indígenas, governos, empresas mineradoras regulamentares e órgãos públicos.

Homem garimpeiro segura a bateia com as duas mãos.
Garimpeiro utiliza bateia para realizar a atividade. Crédito: divulgação.

Leia mais sobre a origem do ouro: https://portaldamineracao.com.br/ouro-saiba-mais-sobre-a-origem-do-metal/ 

Sirius: aliado na luta contra o garimpo ilegal

A partir de 2024, a Polícia Federal conta com um aliado poderoso no combate ao garimpo ilegal: a tecnologia do Sirius, laboratório de aceleradores de partículas localizado em Campinas (SP). O trabalho é resultado de uma parceria inédita entre a Polícia Federal, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia  e Materiais (CNPEM) e quatro universidades.

O Sirius é um grande equipamento científico e possui em seu núcleo aceleradores de partículas de última geração, capazes de produzir e controlar o movimento de elétrons em velocidades próximas à velocidade da luz. Esse equipamento gera um tipo de luz especial, a luz síncrotron, capaz de revelar a microestrutura de materiais orgânicos e inorgânicos.

A partir desse mecanismo, a tecnologia é capaz de identificar a origem de amostras de ouro. Ou seja, se amostras do mineral apreendidas pela PF foram extraídas ilegalmente de reservas indígenas no Brasil. Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, onde se localiza o Sirius, explica que a depender de onde o ouro foi formado ele pode carregar impurezas de maneira distinta.

“O tipo, a quantidade e o entorno das impurezas trazem informações do local onde o ouro foi formado. O Sirius consegue enxergar exatamente, em altíssima precisão, esses elementos estranhos à pepita de ouro”, esclareceu.

Inicialmente, a Polícia Federal, como uma ação do Programa Ouro Alvo, enviou 57 amostras de ouro para análise. Após o preparo do material, a amostra recebe um feixe de luz, invisível a olho nu. Cada operação dura, em média, 15 minutos e fornece um “raio-X” completo dos fragmentos. Os laudos das análises feitas pelo Sirius ficam prontos em dois meses.

Para o setor mineral, a utilização dessa tecnologia representa um avanço significativo na busca pela melhoria da fiscalização do mercado e responsabilização criminal de intermediadores e compradores de minerais extraídos ilegalmente.

Laboratório do CNPEM em formato circular e branco.
CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), onde fica localizado o Sirius. Crédito: divulgação.

* Com informações do Brasil de Fato, MapBiomas, Metrópoles – DF, CNPEM, G1

Das joias reais ao vestuário, da cabeça aos pés: entenda o papel da mineração no mundo da moda

Roupas, acessórios, calçados, joias e bolsas são muito mais do que objetos e possuem valores que vão muito além da sua função básica. A moda é uma forma de expressão pessoal e cultural. Por meio das peças que vestimos podemos nos expressar, externalizar o que somos, seja no nível pessoal ou no coletivo. Você sabe qual o papel da mineração na moda? 

 

Joias 

 

Sendo por muito tempo símbolos de soberania, as joias historicamente serviam para mostrar poder e riqueza. Ouro, prata, diamante, rubis, esmeraldas. São inúmeras opções de minérios, metais e pedras preciosas utilizadas na produção destes objetos de desejo de muitas pessoas há milhares de anos.   É o caso das coroas de rainhas e reis, como a Coroa Imperial de Dom Pedro II, em exposição no Museu Imperial, em Petrópolis, e fabricada em ouro e prata. 

 

Coroa Imperial de d. Pedro II
Coroa Imperial de d. Pedro II (Crédito/ Museu Imperial/Ibram/MTur)

 

Ou também das peças usadas por celebridades e artistas em eventos e premiações, tal qual as joias de platina e diamantes da Tiffany & Co. utilizadas pela cantora brasileira Anitta na ocasião do Grammy Awards 2023.

 

Anitta no Grammy 2023
Anitta no Grammy 2023 (Foto: Reprodução/Twitter)

 

 Vestuário 

 

A mineração está presente em quase todas as classes de itens de vestuários. Felipe Guerini, Gerente Comercial da Termomecanica, empresa que trabalha com a transformação de cobre e suas ligas, conta que esses metais podem ser aplicados em inúmeros itens: calçados, calças, blusas, bolsas, jaquetas e camisetas.

 

Cobre utilizado em peça de roupa
(Crédito: Divulgação)

 

As principais ligas de cobre utilizadas para a fabricação de botões, zíperes, deslizadores e puxadores são o Latão Fio Máquina 65/35 e a Alpaca. Já nos ilhoses, encontrados sobretudo em calças e jaquetas jeans, o Latão 70/30 é uma das principais matérias-primas.

Felipe Guerini conta que a utilização do cobre no mundo da moda se deve pelas suas qualidades, sendo um metal leve, durável, resistente à corrosão e ao desgaste. O metal também é de fácil trabalhabilidade a frio, possui aspecto superficial diferenciado e é uma matéria-prima reciclável e reutilizável. Essas propriedades fazem do cobre um material ideal para aplicações em roupas que precisam ser resistentes, confortáveis e seguras.

O gerente comercial aponta que a resistência ao desgaste e à corrosão aumenta a qualidade e a durabilidade necessária para o setor de roupa, a exemplo dos zíperes, onde o ciclo de vida útil de abertura e fechamento é mais durável se comparado a fabricação utilizando material não metálico. Outro fator de maior durabilidade é a resistência ao desgaste e ao atrito gerado no momento da lavagem de uma peça que possui um acessório metálico.

Além do benefício da durabilidade, as ligas de cobre oferecem a possibilidade de reciclagem, refusão e, posteriormente, o retorno para o mercado, visando, assim, a sustentabilidade e proteção ao meio ambiente, fatores determinantes para o consumo no universo da moda.

Relógios e óculos

 

Outros itens fashion conhecidos por serem fabricados em minérios, relógios e armações de óculos ganham novos contornos com o progresso tecnológico.

Uma tendência dos últimos dez anos é o desenvolvimento e popularização dos chamados Wearables, dispositivos vestíveis, como os relógios inteligentes e óculos inteligentes.

Um exemplo de smartwatch, o Apple Watch, possui modelos fabricados em alumínio e em aço inoxidável, e o componente mais buscado para as novas tecnologias: uma bateria interna recarregável de íon de lítio.

Conforme aponta o grupo espanhol do setor energético Iberdrola, os fones sem fio, celulares, relógios inteligentes, instalação de painéis solares e carros elétricos não teriam sido possíveis duas décadas atrás. A revolução aconteceu, entre outros fatores, graças às baterias de íon de lítio, capazes de armazenar mais energia em menos espaço que as demais, sendo fundamentais para o futuro do armazenamento de energia diante dos desafios das mudanças climáticas, que passam pela descarbonização e pelas energias renováveis.

Além de todos esses aparelhos, as baterias de íon de lítio ganharam presença também nas armações de óculos. Em 2023, a empresa italiana Ray-Ban lançou, em parceria com a empresa de tecnologia norte-americana Meta, os Ray-Ban Meta Smart Glasses, disponíveis inclusive em um dos modelos mais populares da marca: o Wayfarer.

Ray-Ban Meta Wayfarer
Ray-Ban Meta Wayfarer (Crédito: Ray-Ban/Divulgação)

O Ray-Ban Meta Wayfarer possibilita ao usuário tirar fotos com a câmera embutida de 12 MP, escutar música e utilizar a inteligência artificial da Meta a partir de controle por voz. E, sobretudo, é movido pela mineração, funcionando com uma bateria de íon de lítio.

Assim, vê-se não só como a mineração participa e faz parte das mais diversas peças de roupa e acessórios que usamos no nosso dia-a-dia, como também possibilita a inovação tecnológica em diferentes setores da atividade humana, inclusive na moda.

*Com informações de: Museu Imperial, Termomecanica, Gshow, Apple, Iberdrola e Ray-Ban

Mina da Passagem: confira de perto um pedaço da história da mineração no Brasil!

Trolley
Trolley (Crédito: Divulgação)

Você sabia que é possível ir conhecer de perto uma mina de ouro? A maior mina aurífera aberta à visitação pública do mundo, a Mina da Passagem, fica aqui mesmo, no Brasil, no município de Mariana (MG), a cerca de 110 km de distância de carro da capital, Belo Horizonte. 

Durante a época colonial, era de lá que saía a maior parte do ouro que Minas Gerais enviava para Portugal. E, desde a sua fundação, já foram retiradas aproximadamente 35 toneladas de ouro!

O achado do ouro em Passagem remonta ao século XVIII. Descobertas em 1719 as jazidas primárias, a extração do minério foi a principal atividade econômica da Mina de Passagem até 1976, quando a Cia. Minas da Passagem foi adquirida pelo atual grupo controlador, que diversificou os negócios da empresa. 

Dentre as novas oportunidades de negócios criadas, se inicia em 1979 a de  visitação turística à Mina do Fundão (parte do complexo mineiro conhecido como Minas da Passagem), em funcionamento até hoje. 

A descida para as galerias subterrâneas é feita através de um trolley por um percurso de 315 metros de extensão e que chega a 120 metros de profundidade! 

No caminho, o visitante vê galerias, salões, colunas e até mesmo um lago de águas cristalinas, formado por aquíferos que inundaram quilômetros de túneis quando deixaram de ser bombeados. Sendo possível até o mergulho no lago, através de uma empresa especializada.

 

Lago subterrâneo
Lago subterrâneo (Crédito: Divulgação)

 

Ficou interessado e quer conferir ao vivo esse pedaço da trajetória da mineração no país? A Mina da Passagem funciona para visitação de segunda à sexta das 9h às 16h e, aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h. O passeio tem duração de 45 minutos.

 

Para mais informações sobre a visitação, confira o link: https://mariana.minasdapassagem.com.br/visitacao/

 

*Com informações de https://mariana.minasdapassagem.com.br 

 

Pesquisa estuda folha da Amazônia para substituição do mercúrio na extração de ouro

Pesquisa realizada no Brasil mostrou que bioextratores obtidos a partir de folhas de pau-de-balsa (Ochroma pyramidale), árvore nativa da Amazônia, podem ser uma alternativa viável e sustentável para a extração de ouro em substituição ao mercúrio. Agora, uma nova etapa vai estudar quais formulações de bioextratores podem ser competitivas com o mercúrio tanto no processo de extração quanto na redução do impacto na saúde de trabalhadores e no meio ambiente. As folhas de pau-de-balsa já são usadas de forma artesanal na região de Chocó, na Colômbia, com essa finalidade.

Esse estudo será coordenado pela Embrapa Florestas (PR), em parceria com Embrapa Agrossilvipastoril(MT), Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Nosso intuito é melhorar esse processo e produzir um bioextrator atóxico, competitivo com o mercúrio”, explica a pesquisadora da Embrapa Marina Morales, responsável pela condução dos estudos. “A ideia é sair da prática artesanal para escala em pequena mineração, com análises de toxicidade e citotoxicidade e práticas que facilitem o uso”, informa. Os resultados devem ser apresentados até o início de 2025.

Em uma etapa posterior, a pesquisa também vai trabalhar com o sistema de produção do pau-de-balsa, já que essa espécie florestal é uma alternativa para a recuperação de áreas degradadas nos próprios garimpos. Com isso, plantios poderiam ser feitos no mesmo local de produção do bioextrator, viabilizando uma biofábrica local. “Assim, além de fornecer matéria-prima – folhas –, as árvores do pau-de-balsa podem contribuir para a revegetação da área antropizada, dando condições para o estabelecimento de outras espécies florestais e possibilidade de exploração da madeira do pau-de-balsa no final do ciclo de crescimento”, declara o pesquisador da Embrapa Maurel Behling.

Segundo Gilson Camboim, presidente da Coogavepe, “a pesquisa traz boas expectativas para a atividade garimpeira, como a substituição do mercúrio por um produto sustentável e o barateamento do processo de extração, já que o elemento químico tem alto custo”. Para a ex-presidente da Coogavepe, Solange Luizão Barbuio Barbosa, que iniciou as discussões para participação no projeto, “o resultado pode ser pensado não só como uma simples produção de um bioextrator, pois ele abre outras vertentes para a utilização dessa planta, como o reflorestamento de áreas degradadas e a utilização da madeira, que podem beneficiar o proprietário de uma área lavrada”.

O estudo

A primeira fase da pesquisa, realizada em 2020, focou na caracterização química das folhas de pau-de-balsa. O estudo preliminar foi financiado pela designer de joias Raquel de Queiroz, inspirado na experiência de Chocó, na Colômbia, e objetivou entender as propriedades da folha. “Quando fiquei sabendo dessa possibilidade já em prática na Colômbia, imaginei que a ciência poderia nos ajudar a utilizar o pau-de-balsa de forma mais efetiva”, relata a designer. “Para nós, que atuamos nesse mercado, a melhoria de processos é importante e necessária. Isso contribui para melhorias na saúde e qualidade ambiental das pessoas e locais envolvidos no processo, além de garantir que nosso produto é produzido de acordo com práticas modernas e mais sustentáveis”, avalia.

Em 2023, se inicia uma nova etapa do estudo, que será realizado em parceria com um garimpo da região de Peixoto de Azevedo (MT). “Selecionamos um garimpo da Coogavepe, parceira do projeto para coleta de amostras e para a comparação da extração tradicional com mercúrio com o bioextrator”, explica Morales. No local, serão recolhidas amostras dos concentrados de minério aluvionar, ou seja, material com ouro concentrado que iria para o processo de separação com mercúrio.

O engenheiro de minas Matheus Lopes, da Coogavepe, explica como ocorre o processo de extração de ouro de aluvião. “De forma simplificada, no processo de extração de ouro de aluvião, ou seja, em solo superficial, e não subterrâneo, após a remoção do solo por desmonte mecânico, jatos de água desagregam o minério – cascalho – e bombas-draga o transportam para caixas concentradoras com carpetes e grelhas, gerando o que chamamos de “concentrado”. Este vai para a central de amalgamação para inserção do mercúrio, etapa em que o ouro é finalmente extraído e separado dos demais minerais”, diz. No projeto, esse “concentrado” irá para os laboratórios para os testes dos bioextratores com pau-de-balsa. A primeira fase do projeto encontrou quatro possíveis formulações que serão testadas e comparadas.

Fotos: Maurel Behling

Inserção de bioextratores

Essas formulações de bioextratores serão avaliadas quanto à eficiência em recuperar ouro em minério aluvionar. O bioextrator que apresentar melhor desempenho passará por ajustes com o objetivo de melhorar ainda mais a extração, e também será estudado o processo mecânico a ser utilizado na extração. A eficiência da extração será comparada ao processo tradicional por amalgamação com mercúrio. Além disso, serão realizadas análises de toxicidade e citotoxicidade (este último, com um indicador animal e um vegetal). “Além da nossa equipe de pesquisa e laboratório, o projeto também vai receber estudantes de graduação e pós-graduação para abrangermos diferentes linhas de pesquisa, possibilitando resultados mais completos”, explica a pesquisadora.

O mercúrio

Conhecidamente utilizado para separar o ouro da lama e demais resíduos do minério aluvionar, o mercúrio (Hg) é usado por garimpeiros artesanais e pela indústria mineral de pequena escala, diferentemente das mineradoras de grande porte que utilizam, comumente, o cianeto, que também pode gerar danos à saúde humana e ao meio ambiente. A amalgamação é um processo de junção das partículas de ouro ao mercúrio, formando uma liga metálica que, depois, é de fácil separação por aquecimento. O processo de separação, em garimpos legalizados, ocorre em centrais de amalgamação, de modo a reduzir a emissão de mercúrio para o meio ambiente. Já em extrações ilegais, esse processo ocorre a céu aberto, carregando o mercúrio por quilômetros.

Doença de Minamata

O mercúrio, ao ser inalado ou consumido, tem ação cumulativa no corpo humano e traz sérios riscos à saúde e ao ambiente. No ser humano, o acúmulo pode levar à síndrome neurodegenerativa, por envenenamento, chamada de doença de Minamata. Durante muitos anos, na década de 1950, no Japão, uma fábrica jogava seus dejetos na baía de Minamata, o que causou a contaminação de peixes, frutos do mar, gatos e seres humanos. Entre os sintomas, estão a dificuldade de coordenação das mãos e dos pés, distúrbios da fala e dificuldades de equilíbrio. A doença causou a morte de 2 mil pessoas e deixou outras milhares com sequelas. Diante disso, foi criada, em 2013, a Convenção de Minamata, da qual o Brasil se tornou signatário em 2017. Composta por 140 países, a Convenção de Minamata tem sua origem no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e visa reduzir as emissões e eliminar o uso de mercúrio, a fim de proteger a saúde humana e o meio ambiente.

Foto: Maurel Behling

O pau-de-balsa

Segundo o livro Espécies Arbóreas Brasileiras, de autoria do pesquisador emérito da Embrapa Florestas Paulo Ernani de Carvalho, o pau-de-balsa (Ochroma pyramidale) é uma espécie arbórea que não perde todas as folhas durante o ano. As árvores maiores atingem dimensões próximas a 30 metros de altura. Dentro do Brasil, recebe diversos nomes vulgares, como, no Acre, algodoeiro, algodoeiro bravo, algodão-bravo, paco-paco e pau-de-balsa; no Amazonas, pau-de-balsa e pau-de-jangada; e no Pará, balsa, pata-de-lebre, pau-de-balsa, pau-de-jangada e topa.

A madeira do pau-de-balsa é leve e resistente, normalmente utilizada para fazer artesanatos, brinquedos, aeromodelos, placas de interiores em construções, chapas revestidas com materiais sintéticos, material térmico em câmaras frias, na produção de compensados e na construção de hélices para geradores de energia eólicos.

A árvore de pau-de-balsa tem crescimento rápido e contribui para melhorar o desenvolvimento de florestas secundárias, podendo ser utilizada em restaurações florestais, como espécie pioneira, e em plantios comerciais de árvores com ciclos de colheita relativamente curtos comparados com outras espécies cultivadas. No caso da adoção das folhas de pau-de-balsa para a extração do ouro, a ideia é que ela esteja associada à utilização da espécie para a recuperação das áreas alteradas com a exploração dos minérios dos depósitos de aluvião (lavra a céu aberto).

No início da década passada, a Embrapa Agrossilvipastoril desenvolveu pesquisas sobre a silvicultura do pau-de-balsa. Experimentos realizados em Guarantã do Norte (MT), em parceria com a Prefeitura local, Cooperativa de Produtores de Pau de Balsa de Mato Grosso (Copromab) e Compensados São Francisco serviram para obtenção de recomendações de adubação e espaçamento para o plantio comercial da espécie.

Para que serve o ouro?

Além da fabricação de joias e como ativo financeiro, o ouro é usado em diversos produtos.  É, por exemplo, componente de  placas de computadores, telefones celulares, televisores e câmeras. Seu uso se dá também em tratamentos de saúde, terapias para o câncer, reumatismo, malária, tratamentos homeopáticos e dentários. Todos esses usos se devem às suas propriedades favoráveis à condutividade elétrica, resistência à corrosão e a boa combinação de propriedades físicas e químicas.

Garimpo versus extração ilegal

A atividade garimpeira é uma forma legal de extração das riquezas minerais (Lei 7.805/1989), desde que autorizada por uma Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), expedida pela Agência Nacional de Mineração (ANM). As maiores mineradoras são denominadas de “grande mineração” ou “mineradoras de grande porte”. Já a atividade garimpeira consiste nas atividades de mineração artesanal e de pequena escala (Mape), e enquadra as cooperativas de garimpeiros e os garimpeiros individuais.

Esses empreendimentos em regime de PLG foram responsáveis, em 2021, segundo a ANM, pela extração de 32,4 toneladas de ouro, o que representou 34,3% da produção total de ouro no Brasil e cerca de R$ 218 milhões em arrecadação para o País, referentes ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Para obter a PLG, os empreendimentos devem seguir alguns critérios exigidos pela ANM, como ter a licença ambiental expedida pelo órgão ambiental competente, não exceder a área em 50 hectares para requerente individual, e mil hectares, quando outorgada para a cooperativa de garimpeiros, podendo chegar a 10 mil hectares na Amazônia Legal; e não ser praticada em terras indígenas ou áreas protegidas. Já a extração mineral ilegal não atende a nenhuma dessas exigências, causando diversos impactos.

*Conteúdo produzido pela Embrapa:

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/80747054/pesquisa-estuda-folha-da-amazonia-para-substituicao-do-mercurio-na-extracao-de-ouro

Grafeno auxilia na recuperação de ouro de resíduos eletrônicos

O Portal da Mineração já abordou o potencial do grafeno de transformar o mercado, principalmente de tecnologia. O nanomaterial é composto apenas por carbono, em que os átomos se ligam e formam estruturas hexagonais, formando uma fina camada. Pode ser aplicado em diversas áreas, sendo as mais conhecidas: construção civil, energia, telecomunicações, medicina e eletrônica. 

Pesquisadores chineses da Universidade de Tsinghua, do Instituto de Tecnologia Avançada de Shenzhen sob a Academia Chinesa de Ciências (CAS) e britânicos do Instituto de Pesquisa de Metais sob o CAS e da Universidade de Manchester descobriram mais uma forma de utilização do nanomaterial. O óxido de grafeno reduzido pode extrair ouro de resíduos eletrônicos com alta eficiência e sem precisar de outros produtos químicos ou energia.

O ouro é utilizado em componentes eletrônicos devido à sua alta condutividade elétrica e facilidade de trabalhar. Entretanto, os dispositivos eletrônicos têm um alto volume de negócios, e a recuperação de ouro e outros metais preciosos é um processo que muitas vezes é complicado, ineficiente e requer produtos químicos ou alto calor.

O método desenvolvido pelos pesquisadores permite que apenas 1 grama de grafeno seja suficiente para extrair mais de 95% do ouro em uma determinada amostra. Primeiro, o lixo eletrônico é moído e depois dissolvido em uma solução. Uma membrana feita de óxido de grafeno reduzido é adicionada e, dentro de alguns minutos, o ouro puro começa a se acumular na superfície da membrana, que pode ser queimada, deixando para trás o ouro. A  técnica pode ajudar a reduzir a quantidade de ouro que vai para o desperdício, além de reduzir o crescente problema ambiental do lixo eletrônico. 

Veja o vídeo e confira como o ouro é extraído: 

Sobre o grafeno 

O Brasil tem uma das maiores reservas de grafita natural, material que contém grafeno. O país tem 45% do total das reservas mundiais. Embora seja observada a ocorrência de grafita em todo o território brasileiro, as reservas exploradas encontram-se em Minas Gerais e Bahia. Com a matéria-prima abundante, o Brasil também investe em pesquisas na área. O primeiro laboratório da América Latina destinado a pesquisas com grafeno está localizado no Brasil, na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, chamado MackGraphe.

O nanomaterial é 200 vezes mais forte que o aço. Apesar de fino e leve, o grafeno é um material extremamente forte, sendo o elemento mais rígido que se conhece, superando até mesmo o diamante. É o cristal mais fino conhecido e suas propriedades o fazem ser muito desejado, por ser leve, condutor de eletricidade, rígido e impermeável.Outra vantagem do material é que ele é extremamente barato para ser produzido. 

*Com informações do site Click Petróleo e Gás

Veja também: 

Conheça o Grafeno: produto da mineração que pode revolucionar o mundo da tecnologia

Indústria mais antiga do Brasil é uma das principais produtoras de ouro

Você sabe qual o lugar mais profundo das terras brasileiras? E a indústria mais antiga do Brasil? Estas duas curiosidades fazem parte da história de uma das maiores produtoras de ouro do Brasil e do mundo: a mineradora AngloGold Ashanti

A empresa está localizada no município de Nova Lima (MG). Iniciou sua trajetória no Brasil em 1834, há 188 anos, o que a torna a indústria mais antiga do país. A empresa inglesa Saint John del Rey Mining Company, atual AngloGold Ashanti, adquiriu a Mina Morro Velho e transferiu suas atividades de São João Del Rei para Congonhas das Minas de Ouro, que é a atual Nova Lima, dando início à produção de ouro na cidade. 

Atualmente, a AngloGold Ashanti tem operações em 10 países e em 7 cidades brasileiras, sendo que 6 delas ficam em Minas Gerais: Nova Lima, Sabará, Raposos, Santa Bárbara, Barão de Cocais e Caeté. Fora de Minas, a empresa opera em Crixás, no Noroeste de Goiás.

Mina Cuiabá: o lugar mais profundo do Brasil 

A Mina Cuiabá localizada em Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), fica a mais de 1.300 metros da superfície e é o lugar mais profundo do Brasil. Para se ter uma ideia da dimensão, o prédio mais alto do mundo, em Dubai, tem 828 metros de altura.

Essa mina é considerada uma cidade subterrânea moderna já que é composta por escritórios com internet wi-fi;  carros e caminhões circulando; oficinas mecânicas; robótica avançada; máquinas de altíssima tecnologia, sendo algumas operadas por joystick que lembram videogames e filmes futuristas; e os sistemas mais modernos de ventilação, iluminação e segurança do mundo.

Gostou desta curiosidade? Fique ligado que o Portal da Mineração sempre traz notícias, novidades e curiosidades da mineração brasileira.