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Descoberta em Marte aponta para possível existência de vida no passado do planeta

Você já imaginou se um dia descobríssemos que Marte já teve vida? Pois é, essa possibilidade acaba de ganhar força com uma descoberta feita pela NASA. Duas substâncias minerais conhecidas aqui na Terra, vivianita e greigita, foram identificados em uma amostra de solo do planeta vermelho.

Esses minerais chamaram a atenção dos cientistas porque, no nosso planeta, eles costumam aparecer em locais onde existe atividade de microrganismos, como bactérias. Isso fortalece a hipótese de que, em algum momento do passado, Marte pode ter abrigado formas simples de vida.

O que são esses minerais?

A vivianita é um mineral que contém ferro e fósforo e costuma surgir em locais onde há pouca presença de oxigênio, como em fósseis, lagos ou até em solos úmidos. Já a greigita é um mineral formado a partir de processos biológicos. Aqui na Terra, ele pode se formar por ação de bactérias que vivem em ambientes aquáticos.

Esses minerais foram encontrados em uma amostra retirada da região chamada Neretva Vallis, um antigo canal fluvial que, há bilhões de anos, alimentava um lago na Cratera de Jezero, o mesmo local onde o robô Perseverance, da NASA, está em missão há mais de cinco anos.

Por que isso é importante?

A descoberta não é uma prova definitiva de que já existiu vida em Marte, mas é o indício mais forte até agora. O padrão em que os minerais foram encontrados é parecido com o que ocorre em materiais formados por processos biológicos aqui na Terra.

Para os cientistas, isso pode indicar que Marte já teve as condições certas para abrigar vida microscópica, como micróbios e bactérias, especialmente em um período em que o planeta ainda tinha água líquida.

E o que vem pela frente?

As amostras estão sendo estudadas em detalhes para entender se esses minerais foram realmente formados por organismos vivos ou apenas por reações químicas naturais.

De qualquer forma, a descoberta mostra como a mineralogia, ciência que estuda os minerais, também é uma ferramenta poderosa na busca por vida fora da Terra.

Fonte: https://www.sonoticiaboa.com.br/2025/09/19/nasa-descobre-vida-em-marte-e-cientistas-comemoram

Minerais fazem a diferença: mais saúde para o gado, mais lucro para os criadores

Suplementos alimentares têm minerais para garantir boa nutrição do rebanho

Os pecuaristas, ou criadores de gado, estão sempre procurando melhorar a forma de trabalhar, para produzir mais e assim, aumentar a renda de sua produção. Para que a atividade atinja máxima eficiência, três aspectos são muito importantes: genética (qualidade dos pais transmitida aos filhotes), manejo (todos os cuidados práticos com os animais, como higiene, saúde) e alimentação dos animais. É aí que entram os minerais.

A ciência comprova que os minerais presentes apenas em pastagens ou silagem não suprem as exigências nutricionais diárias dos animais. A silagem é a ração guardada para os animais comerem quando não tem comida fresca no pasto (como na seca ou no inverno). Por isso, a suplementação mineral é essencial para corrigir deficiências nutricionais na dieta de bovinos, caprinos, ovinos, equinos e outros.

Em relação aos animais domésticos destinados à produção, a nutrição adequada também contribui para a qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor, como: o leite da vaca, os ovos das galinhas e a carne dos animais de corte.

Em um país como o Brasil, que detém o segundo maior rebanho bovino do mundo, com mais de 230 milhões de cabeças de gado (IBGE), é fundamental ao produtor garantir que os animais tenham acesso aos minerais necessários para seu desenvolvimento. E isso é possível graças aos suplementos minerais.

Eles são compostos por macrominerais (recomendados em maiores quantidades pelos animais), como cálcio, fósforo, magnésio, sódio, potássio, cloro e enxofre; e microminerais (necessários em menores quantidades), como ferro, zinco, cobre, manganês, selênio, iodo, cobalto, flúor e molibdênio. 

Entre os macrominerais, o cálcio, por exemplo, é essencial para a formação e manutenção de ossos e dentes dos animais, além de ser vital para a coagulação sanguínea e contração muscular. Já o fósforo trabalha em conjunto com o cálcio e tem grande importância nos processos metabólicos – reações químicas que acontecem no corpo para transformar o que se come e bebe em energia e matéria-prima. É como se fosse o “motor” do organismo. Já o potássio controla a quantidade de água no corpo e ajuda os músculos a trabalharem fortes e saudáveis — seja no boi, ou qualquer animal do rebanho.

No caso dos microminerais, destacam-se o cobalto na síntese da vitamina B12 – ou seja, a fabricação natural dessa vitamina no corpo do animal, graças a micro-organismos que vivem dentro dele; componente da hemoglobina (proteína do sangue) considerado vital para o transporte de oxigênio dos pulmões para todas as células do corpo, mantendo o animal vivo e com energia.

A formulação com os sais minerais (a mistura de vitaminas e minerais) precisa ser feita do jeito certo para cada tipo de animal e para atender aos objetivos pretendidos pelo produtor: se é para o animal crescer, se desenvolver ou engordar. A mistura de nutrientes precisa estar sempre à disposição dos animais e ser acompanhada de perto, para ter certeza de que cada um está recebendo a quantidade certa que precisa por dia — que varia conforme o tipo e a raça do animal.

Além disso, o produtor precisa ficar de olho no clima (calor, frio ou chuva), pois isso pode aumentar ou diminuir a necessidade de minerais na alimentação dos animais. Por isso, pode ser preciso ajustar a mistura de nutrientes oferecida a eles.

Minerais estão presentes em todos os cantos da nossa casa

Os minerais estão presentes em nosso dia a dia de diversas formas, até mesmo na alimentação e nos tratamentos de saúde. Mas, quando chegamos em casa para relaxar após um dia intenso de trabalho, muitas vezes não nos damos conta de que, em nossos lares, eles também são fundamentais.

Quer ver só? Praticamente todos os componentes utilizados na construção de uma residência contêm, pelo menos, um elemento ou composto mineral. Estudos mostram que são, no mínimo, 30 elementos presentes em materiais que vão desde tijolos até esquadrias, pias, cerâmicas e vidros.

Além de estarem presentes em itens básicos de construção, como concreto e tijolos, as matérias-primas minerais estão nos cabos elétricos, lâmpadas, louças sanitárias, tintas, revestimentos, canos, telhas, calhas, entre outros.

Por exemplo, em todos os componentes feitos a partir do aço, são empregados elementos como ferro (Fe), cromo (Cr), molibdênio (Mo), manganês (Mn) e níquel (Ni). Dê uma boa olhada nas suas paredes: as tintas residenciais utilizam em sua composição titânio (Ti), magnésio (Mg) e zinco (Zn).

O cálcio (Ca) está presente nas alvenarias e argamassas; o chumbo (Pb) e o estanho (Sn), nas soldas; o cobre (Cu), nas tubulações e fiações elétricas; e o alumínio (Al), em diversas esquadrias e luminárias, só para citar alguns exemplos.

Se sua casa ou prédio de apartamentos tiver equipamentos geradores de energia renovável, saiba que o sistema emprega cádmio (Cd), telúrio (Te), molibdênio (Mo), berílio (Be), germânio (Ge), gálio (Ga), índio (In), prata (Ag) e silício (Si) apenas nos painéis solares.

As estruturas desses sistemas são feitas de alumínio (Al), titânio (Ti), zinco (Zn) e magnésio (Mg). Ainda temos os semicondutores, à base de boro (B) e fósforo (P), e as fiações, que, como se sabe, são feitas de cobre (Cu).

No Brasil, há mais de 150 mil sistemas solares fotovoltaicos conectados, totalizando mais de R$ 10 bilhões em investimentos acumulados desde 2012. A transição para a energia renovável já começou e deve acelerar nos próximos anos.

A construção civil, de maneira geral, e principalmente a residencial, emprega calcita na fabricação de cimentos e cal para argamassa; gipsita para produção de gesso; diamante, granada e coríndon como abrasivos. Os materiais cerâmicos, por sua vez, utilizam argila e feldspato, também minerais.

E isso sem falar nos eletrodomésticos e eletroeletrônicos, essenciais para a vida cotidiana, nem nos equipamentos utilizados nas obras.

Casa da Mineração

Em 2024, a EXPOSIBRAM 2024 – Mineração do Brasil | Expo & Congresso, um dos maiores eventos de mineração da América Latina, apresentou o espaço Mineramundo. Este ambiente inovador foi projetado para apresentar o universo da mineração de maneira interativa e envolvente com foco no público estudantil. 

Dentre as diferentes atrações, o Mineramundo contava também com a “Casa da Mineração”, um ambiente dedicado para exibir como a mineração está presente, na prática, no dia a dia de todas as pessoas. É possível identificar, por exemplo, quais os minérios utilizados na fabricação de eletrodomésticos, como geladeira, fogão, televisão, entre outros. Clique aqui e saiba mais.

Esmeralda gigante de 92,5 kg vai a leilão com valor inicial de R$ 100 milhões

É a sexta formação rochosa do tipo encontrada na Serra da Carnaíba, no semiárido baiano, nos últimos 20 anos 

Uma esmeralda bruta de 92,5 quilos, descoberta na região da Serra da Carnaíba, no semiárido baiano, será leiloada no dia 8 de agosto com lance inicial de R$ 100 milhões. A pedra foi adquirida em agosto de 2024 por um empresário do setor de metalurgia do Rio de Janeiro, que é colecionador de ativos minerais. Agora, ele decidiu colocá-la à venda. 

A pedra apresenta 68 cm de altura por 43 cm de largura e 40 cm de profundidade. Apesar das proporções impressionantes, foi batizada de “Pequena Notável”, em homenagem à cantora e atriz Carmen Miranda. Isso porque, segundo os especialistas, a esmeralda não é considerada gigantesca em tamanho, mas “impressiona pela densidade e qualidade dos cristais.

Segundo a descrição no site da Bid Leilão, responsável pela venda da formação rochosa, trata-se de “um conglomerado composto de berilo e xisto, também denominado Canga de Esmeralda, apresentando um corpo vertical de xisto salpicado com uma abundância de cristais hexagonais de berilo do tipo esmeralda, em grande parte bem preservados, de coloração consistente com a cor verde-esmeralda”.

“É um exemplar impressionante, que deve ser alojado em um museu, sede corporativa ou coleção particular decorrente da sua magnitude, importância e beleza”, continua o texto da descrição no leilão. Espera-se que o leilão da “Pequena Notável” desperte o interesse de colecionadores e investidores de todo o mundo, devido à raridade e ao porte da gema.

O leilão vai acontecer de forma online, mas a pedra pode ser vista no site da empresa responsável pelo leilão ou em visita presencial, mediante agendamento, no Rio de Janeiro. O canal para isso também é o site da empresa. 

Outros casos

O mais impressionante é que grandes esmeraldas como essa não são raras de serem encontradas nos municípios de Pindobaçu e Campo Formoso, na região da Serra da Carnaíba. Nos últimos 20 anos, pelo menos outras cinco esmeraldas gigantes foram encontradas no mesmo garimpo da Pequena Notável.

A primeira delas foi encontrada em 2001 e tem 380 quilos, tendo sido avaliada em cerca de US$ 1 bilhão — aproximadamente R$ 6 bilhões. Essa esmeralda foi inicialmente enviada para São Paulo e, em 2005, para os Estados Unidos, onde sofreu uma série de extravios e sumiços (inclusive por conta das enchentes provocadas pelo furacão Katrina) até que foi definitivamente reencontrada em 2009. Iniciou-se então uma longa batalha judicial, até que a Justiça americana decidisse pelo seu repatriamento ao Brasil, em janeiro de 2025.

A segunda pedra foi encontrada em abril de 2017 pela Cooperativa Mineral da Bahia, que tem autorização para explorar a área. Com 360 quilos, ela foi avaliada em R$300 milhões e vendida a um minerador da região. Achada apenas três meses depois, a terceira pedra pesa 137 quilos e é avaliada em R$500 milhões. Foi comprada por um empresário de Petrolina (PE) e um investidor de Curaçá (BA), que patrocinam a produção em troca de prioridade na aquisição.

A quarta esmeralda foi encontrada na mesma região em 2021, com 404,8 quilos. Foi estimada em R$990 milhões e não teve o nome do seu dono divulgado. Depois dessa, em 2022 foi encontrada na Mina Carnaíba uma matriz preta com esmeraldas verdes, de 137 quilos. Inicialmente avaliada em R$115 milhões, foi leiloada no ano passado por R$175 milhões pela Receita Federal, valor ainda considerado baixo pelo seu potencial, segundo especialistas.

A Bid Leilão também pretende vender em novembro uma escultura feita da mesma formação rochosa. No caso, é uma escultura feita pelo artista baiano Florinaldo Souza dos Santos, o “Galego”, entre 2002 e 2006, que traz esculpidas oito figuras humanas sustentando uma canga de esmeraldas. O valor inicial do lance está estimado em R$ 75 milhões.

Fontes: Terra, UOL, G1 e Itatiaia

Conheça os minerais de terras raras

E entenda porque esses elementos tornaram-se estratégicos na geopolítica atual

Crédito: Divulgação

Nestes tempos em que as guerras – bélicas e tarifárias – se multiplicam pelo planeta, você já deve ter ouvido falar nas chamadas “terras raras”. Mas, você sabe o que são elas? Trata-se de um conjunto de elementos químicos, normalmente encontrados na natureza misturados a outros minérios, de difícil extração e separação – daí o nome.

Paradoxalmente à denominação, esses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre, o que acontece é que estão espalhados, e isso também dificulta a produção. Entre suas características peculiares estão o magnetismo intenso e a absorção e emissão de luz, o que os levam a ser utilizados numa ampla gama de produtos e atividades, principalmente na indústria automotiva. 

Eles formam um grupo de 17 elementos químicos: lantânio, cério, praseodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, lutécio, ítrio, escândio e o mais requisitado deles nos dias de hoje, o neodímio. Ele é empregado para fazer imãs superpotentes, resistentes a altas temperaturas, fundamentais para a indústria tecnológica atual, notadamente a automotiva. 

Carros elétricos e híbridos utilizam até dois quilos de elementos raros em sua construção. Os “superimãs” de neodímio estão presentes na assistência elétrica da direção, na recuperação de energia de frenagem (kers), sensores, transmissões, bancos, câmeras e muitos outros componentes. E, certamente, você deve ter na sua casa algum alto-falante ou fone de ouvido que emprega esse material.

O Centro Geológico dos EUA estima que haja aproximadamente 110 milhões de toneladas de terras raras no mundo, das quais 44 milhões estão na China. Outros territórios com grandes reservas são a Ucrânia e a Groenlândia. 

O Brasil aparece em terceiro lugar em jazidas, atrás do Vietnã, com 21 milhões de toneladas. Apesar disso, a exploração de elementos de terras raras ainda é muito incipiente no País. Investimentos vêm sendo feitos em Minas Gerais e na região Norte e há planos para produção local de ímãs em Lagoa Santa (MG). 

Mas, como já dito, a questão é que esses elementos são encontrados juntos nos mesmos tipos de minério, o que exige complexos e caros processos de extração e separação. E, atualmente, apenas a China domina esse refino altamente especializado. O país asiático responde por cerca de 70% da mineração global e mais de 90% do processamento de terras raras.

Esses elementos raros são utilizados ainda na produção de turbinas eólicas, discos rígidos, smartphones, vidros especiais e uma infinidade de produtos.

E o Brasil?

Diante desse complexo cenário geopolítico, em que os recursos minerais tornaram-se alvo de cobiça capazes de influenciar os conflitos, o Brasil tem de se preparar para transformar a crise em oportunidade. 

“A conclusão é nítida. Mineração não é opção: é imperativo, inclusive para o Brasil. A guerra na Ucrânia deixou claro que recursos minerais são tão estratégicos quanto o petróleo no século 20. Para o Brasil, negligenciar seu subsolo é abrir mão de desenvolvimento econômico, autonomia tecnológica e influência geopolítica”, escreveu o presidente do IBRAM, Raul Jungmann, em artigo publicado no Correio Braziliense.

“A escolha situa-se entre fazer parte do jogo global ou entregá-lo a outros. Com planejamento, é possível conciliar crescimento mineral, sustentabilidade e valor agregado – desde que haja vontade política para transformar potencial em poder”, finalizou.

Minerais estratégicos: o papel na transição energética

Você sabe o que são minerais estratégicos? E qual a sua função na transição energética? 

 

Lítio, nióbio, grafita, cobre e fosfato são alguns dos minerais considerados estratégicos no Brasil pelo governo federal. Mas estes não são os únicos. Em junho de 2021 foi publicada a Resolução Nº 2 de 18 de junho de 2021, que define quais os minerais importantes para o país. 

Entretanto, quais critérios são considerados para que um mineral seja estratégico? Ele deve ser um bem mineral do qual o País dependa de importação em alto percentual para o suprimento de setores vitais da economia; bem mineral que tenha importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia; ou bem mineral que detenha vantagens comparativas e que seja essencial para a economia pela geração de superávit da balança comercial do país.

Estes minerais estratégicos possuem um papel fundamental na transição para um futuro de economia de baixo carbono.  São cruciais para a forma como a energia é gerada, transportada, armazenada e utilizada. Para se ter uma ideia, um carro elétrico requer seis vezes mais insumos minerais do que um carro convencional. Segundo estimativas da International Energy Agency (IEA), a demanda por lítio deve crescer 40 vezes até 2040 e a demanda por cobalto, grafite e níquel entre 20 e 25 vezes até 2040. 

A presença destes minerais em terras brasileiras faz com o que o país tenha enorme potencial nesta área. No entanto, investimentos adequados em ciência e tecnologia têm sido o grande entrave para o desenvolvimento da extração mineral sustentável no país, assim como a capacitação técnica e uma política regulatória clara. 

Para o diretor de Sustentabilidade e Assuntos Regulatórios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Julio Nery, o país tem enormes desafios a superar para aproveitar a oportunidade desse novo mercado que está se abrindo. “Precisamos de mecanismos para desenvolver, de forma efetiva, o conhecimento geólogo brasileiro. A mineração trabalha com uma escala adequada do mapa. Atualmente, apenas 3% do país é mapeado em uma escala de 1:50.000 e cerca de 26% do território são conhecidos geologicamente na escala de 1: 100.000”, explica.

Julio ressaltou que apenas 0,6% do território brasileiro é ocupado pela mineração brasileira. “Mesmo utilizando pequena parcela do território, temos conseguido uma rentabilidade importante para o nosso país. No último ano tivemos um saldo mineral que foi equivalente a 80% do saldo comercial brasileiro”, analisa. Segundo ele, é necessário melhores mecanismos de financiamentos brasileiros para obter mais investimentos em pesquisa mineral e efetivamente o Brasil aproveitar essa janela de oportunidades desse mercado de transição energética.

É sempre bom lembrar que a extração mineral deve ser feita em qualquer parte do território de forma sustentável e organizada, com disseminação de boas práticas. Somente assim o Brasil poderá explorar todo o seu potencial e ser protagonista na transição energética.

Pesquisador desenvolve projeto de imãs que podem revolucionar a geração de energia

Minerais e metais, como o lítio, são essenciais para transformar energia nuclear em energia limpa 

Você sabia que a mineração pode auxiliar na reprodução de um processo de transformação que acontece nas estrelas em energia limpa? Minerais e metais encontrados na natureza são utilizados na reprodução de diversas reações nucleares de fusão, como aquelas que ocorrem no Sol e em todas as outras estrelas, em que dois núcleos atômicos menores se unem para dar origem a um núcleo atômico maior e mais estável. O aspecto mais importante desse tipo de reação nuclear é a quantidade de energia liberada, mas que ainda não conseguimos aproveitá-la na Terra. 

O sonho de muitos cientistas é conseguir aproveitar a energia liberada em reações de fusão. O desafio é controlar esse fenômeno. A fusão sem controle já foi usada na bomba de hidrogênio ou termonuclear, no ano de 1952, lançada pelos Estados Unidos em um atol do oceano Pacífico. Essa bomba foi apelidada de “Mike” e possuía uma potência 700 vezes maior do que a bomba de Hiroshima. Os reatores usados em usinas nucleares são de fissão nuclear, que é o processo contrário à fusão e que produz uma quantidade menor de energia. 

Desde que concluiu sua pesquisa na Universidade de Oxford, na Inglaterra, cinco anos atrás, o pesquisador britânico, Greg Brittles, tem trabalhado para a Tokamak Energy, uma startup do Reino Unido que tem planos de construir um reator de fusão, que poderia gerar um imã inovador. 

Se essa reação pudesse ser aproveitada, forneceria uma fonte abundante de energia, a partir de apenas uma pequena quantidade de combustível e sem produzir dióxido de carbono. O princípio é adicionar calor e pressão suficientes a átomos de hidrogênio, que se fundirão formando o hélio. Durante esse processo, parte da massa de hidrogênio é convertida em calor, que pode ser usada para produzir eletricidade.

Além da grande quantidade de energia liberada, outra vantagem de se usar a fusão nuclear é a facilidade de obtenção dos materiais usados nessas reações, pois o deutério é encontrado nas moléculas de água, o trítio (isótopo do hidrogênio que possui um próton e dois nêutrons no núcleo) pode ser obtido por meio do lítio, um metal encontrado na natureza e que faz parte da mineração brasileira, por exemplo. Os produtos da fusão não são radioativos, sendo assim, geram um tipo de energia considerada limpa que não causa alterações no meio ambiente.  

Lítio
O mineral Lítio é utilizado no processo de fusão nuclear. Crédito: divulgação.

Para a fusão acontecer é necessário aquecer os isótopos de hidrogênio a centenas de milhões de graus, até que se tornem tão energéticos que se separam em um estado giratório de matéria chamado plasma. O desafio é conter esse plasma, que no caso das estrelas é feito pela gravidade. Na Terra o método mais comum é usar campos magnéticos poderosos para manter o plasma confinado. 

Plasma confinado dentro do reator com poderosos campos magnéticos.
Plasma confinado dentro do reator com poderosos campos magnéticos. Crédito: divulgação

Uma parte desse desafio se resolveu com a construção de ímãs, que precisam ser eficientes o suficiente para conter uma massa de matéria incrivelmente quente e rodopiante. Ainda neste ano, a equipe da Commonwealth Fusion Systems (CFS) vai testar um ímã inovador que, segundo eles, pode dar esse salto tecnológico. Pesando 10 toneladas, o ímã em forma de D é grande o suficiente para acomodar uma pessoa. Cerca de 300 km de uma fita eletromagnética muito especial é enrolada na forma da letra D. 

O avanço em tecnologia magnética é fundamental para o projeto de fusão da Tokamak Energy no Reino Unido. Brittles passou os últimos cinco anos desenvolvendo essa tecnologia e atualmente está ajudando a construir um demonstrador que terá uma série de ímãs poderosos trabalhando em conjunto. Quando esses ímãs estiverem prontos, serão colocados em um tokamak esférico – um reator de fusão em forma de maçã. As forças que esses campos magnéticos podem gerar são enormes. Brittles compara a potência total da força gerada por seus ímãs ao dobro da pressão no fundo da mais profunda fossa do oceano. 

A pesquisa sugere que tal projeto irá gerar mais energia para cada unidade do que o tokamak usou até hoje. “O verdadeiro desafio é a fusão comercial. E é isso que realmente está nos impulsionando, porque estamos nos concentrando no tokamak esférico por causa das vantagens comerciais de longo prazo”, diz David Kingham, um dos fundadores da Tokamak Energy e atualmente vice-presidente executivo da empresa. “Acreditamos que nossa tecnologia será colocada em uma planta piloto de fusão no início de 2030”, diz ele. 

*Com informações da BBC Brasil e Brasil Escola 

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Descubra a diferença entre minério, metal, minerais e rochas

O que diferencia um minério de um mineral? Todo metal é minério? O minério é uma rocha? Por vezes, podem surgir algumas dúvidas quanto à mineração, principalmente pelo caráter complexo do negócio. Afinal, o minério é vendido diretamente para outras empresas e chega ao consumidor já no produto final, como celulares, computadores e carros.

Confira a diferença entre quatro termos relacionados à mineração que podem ser facilmente confundidos.

Minerais

Mineral é um corpo natural sólido e cristalino formado em resultado da interação de processos físico-químicos em ambientes geológicos. Cada mineral é classificado e denominado não apenas com base na sua composição química, mas também na estrutura cristalina dos materiais que o compõem. Para descobrir a composição de um mineral, é feita uma análise química e física, que determina as proporções relativas dos diferentes elementos químicos daquele mineral e a sua estrutura cristalina (por exemplo quartzo, pirita, hematita etc).

Rocha

As rochas são agregados de um ou mais minerais. Desta forma, pode-se afirmar que todas as rochas são constituídas de minerais. É possível descobrir do que elas são feitas por meio da análise de sua composição química ou da composição mineralógica. Essa última expressa as diferentes proporções dos minerais que constituem a rocha.

Minério

É um agregado de minerais rico em um determinado mineral ou elemento químico que é economicamente e tecnologicamente viável para extração (mineração). O cobre, por exemplo, acontece naturalmente em alguns tipos de rochas, mas só é possível tornar-se um minério quando se concentra em quantidades elevadas e é possível de ser extraído da natureza.

Metais

São elementos extraídos de alguns minérios encontrados em solos e rochas – o ferro e o cobre são recolhidos dos minérios já na forma adequada para serem utilizados; o aço e o bronze, por outro lado, precisam ser associados a outras substâncias. Os metais podem ser separados em dois grupos: os ferrosos (compostos por ferro), como ferro e aço, e os não-ferrosos, como alumínio, cobre e metais pesados (chumbo, níquel, zinco e mercúrio).