PT EN ES

Pesquisa estuda folha da Amazônia para substituição do mercúrio na extração de ouro

Pesquisa realizada no Brasil mostrou que bioextratores obtidos a partir de folhas de pau-de-balsa (Ochroma pyramidale), árvore nativa da Amazônia, podem ser uma alternativa viável e sustentável para a extração de ouro em substituição ao mercúrio. Agora, uma nova etapa vai estudar quais formulações de bioextratores podem ser competitivas com o mercúrio tanto no processo de extração quanto na redução do impacto na saúde de trabalhadores e no meio ambiente. As folhas de pau-de-balsa já são usadas de forma artesanal na região de Chocó, na Colômbia, com essa finalidade.

Esse estudo será coordenado pela Embrapa Florestas (PR), em parceria com Embrapa Agrossilvipastoril(MT), Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Nosso intuito é melhorar esse processo e produzir um bioextrator atóxico, competitivo com o mercúrio”, explica a pesquisadora da Embrapa Marina Morales, responsável pela condução dos estudos. “A ideia é sair da prática artesanal para escala em pequena mineração, com análises de toxicidade e citotoxicidade e práticas que facilitem o uso”, informa. Os resultados devem ser apresentados até o início de 2025.

Em uma etapa posterior, a pesquisa também vai trabalhar com o sistema de produção do pau-de-balsa, já que essa espécie florestal é uma alternativa para a recuperação de áreas degradadas nos próprios garimpos. Com isso, plantios poderiam ser feitos no mesmo local de produção do bioextrator, viabilizando uma biofábrica local. “Assim, além de fornecer matéria-prima – folhas –, as árvores do pau-de-balsa podem contribuir para a revegetação da área antropizada, dando condições para o estabelecimento de outras espécies florestais e possibilidade de exploração da madeira do pau-de-balsa no final do ciclo de crescimento”, declara o pesquisador da Embrapa Maurel Behling.

Segundo Gilson Camboim, presidente da Coogavepe, “a pesquisa traz boas expectativas para a atividade garimpeira, como a substituição do mercúrio por um produto sustentável e o barateamento do processo de extração, já que o elemento químico tem alto custo”. Para a ex-presidente da Coogavepe, Solange Luizão Barbuio Barbosa, que iniciou as discussões para participação no projeto, “o resultado pode ser pensado não só como uma simples produção de um bioextrator, pois ele abre outras vertentes para a utilização dessa planta, como o reflorestamento de áreas degradadas e a utilização da madeira, que podem beneficiar o proprietário de uma área lavrada”.

O estudo

A primeira fase da pesquisa, realizada em 2020, focou na caracterização química das folhas de pau-de-balsa. O estudo preliminar foi financiado pela designer de joias Raquel de Queiroz, inspirado na experiência de Chocó, na Colômbia, e objetivou entender as propriedades da folha. “Quando fiquei sabendo dessa possibilidade já em prática na Colômbia, imaginei que a ciência poderia nos ajudar a utilizar o pau-de-balsa de forma mais efetiva”, relata a designer. “Para nós, que atuamos nesse mercado, a melhoria de processos é importante e necessária. Isso contribui para melhorias na saúde e qualidade ambiental das pessoas e locais envolvidos no processo, além de garantir que nosso produto é produzido de acordo com práticas modernas e mais sustentáveis”, avalia.

Em 2023, se inicia uma nova etapa do estudo, que será realizado em parceria com um garimpo da região de Peixoto de Azevedo (MT). “Selecionamos um garimpo da Coogavepe, parceira do projeto para coleta de amostras e para a comparação da extração tradicional com mercúrio com o bioextrator”, explica Morales. No local, serão recolhidas amostras dos concentrados de minério aluvionar, ou seja, material com ouro concentrado que iria para o processo de separação com mercúrio.

O engenheiro de minas Matheus Lopes, da Coogavepe, explica como ocorre o processo de extração de ouro de aluvião. “De forma simplificada, no processo de extração de ouro de aluvião, ou seja, em solo superficial, e não subterrâneo, após a remoção do solo por desmonte mecânico, jatos de água desagregam o minério – cascalho – e bombas-draga o transportam para caixas concentradoras com carpetes e grelhas, gerando o que chamamos de “concentrado”. Este vai para a central de amalgamação para inserção do mercúrio, etapa em que o ouro é finalmente extraído e separado dos demais minerais”, diz. No projeto, esse “concentrado” irá para os laboratórios para os testes dos bioextratores com pau-de-balsa. A primeira fase do projeto encontrou quatro possíveis formulações que serão testadas e comparadas.

Fotos: Maurel Behling

Inserção de bioextratores

Essas formulações de bioextratores serão avaliadas quanto à eficiência em recuperar ouro em minério aluvionar. O bioextrator que apresentar melhor desempenho passará por ajustes com o objetivo de melhorar ainda mais a extração, e também será estudado o processo mecânico a ser utilizado na extração. A eficiência da extração será comparada ao processo tradicional por amalgamação com mercúrio. Além disso, serão realizadas análises de toxicidade e citotoxicidade (este último, com um indicador animal e um vegetal). “Além da nossa equipe de pesquisa e laboratório, o projeto também vai receber estudantes de graduação e pós-graduação para abrangermos diferentes linhas de pesquisa, possibilitando resultados mais completos”, explica a pesquisadora.

O mercúrio

Conhecidamente utilizado para separar o ouro da lama e demais resíduos do minério aluvionar, o mercúrio (Hg) é usado por garimpeiros artesanais e pela indústria mineral de pequena escala, diferentemente das mineradoras de grande porte que utilizam, comumente, o cianeto, que também pode gerar danos à saúde humana e ao meio ambiente. A amalgamação é um processo de junção das partículas de ouro ao mercúrio, formando uma liga metálica que, depois, é de fácil separação por aquecimento. O processo de separação, em garimpos legalizados, ocorre em centrais de amalgamação, de modo a reduzir a emissão de mercúrio para o meio ambiente. Já em extrações ilegais, esse processo ocorre a céu aberto, carregando o mercúrio por quilômetros.

Doença de Minamata

O mercúrio, ao ser inalado ou consumido, tem ação cumulativa no corpo humano e traz sérios riscos à saúde e ao ambiente. No ser humano, o acúmulo pode levar à síndrome neurodegenerativa, por envenenamento, chamada de doença de Minamata. Durante muitos anos, na década de 1950, no Japão, uma fábrica jogava seus dejetos na baía de Minamata, o que causou a contaminação de peixes, frutos do mar, gatos e seres humanos. Entre os sintomas, estão a dificuldade de coordenação das mãos e dos pés, distúrbios da fala e dificuldades de equilíbrio. A doença causou a morte de 2 mil pessoas e deixou outras milhares com sequelas. Diante disso, foi criada, em 2013, a Convenção de Minamata, da qual o Brasil se tornou signatário em 2017. Composta por 140 países, a Convenção de Minamata tem sua origem no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e visa reduzir as emissões e eliminar o uso de mercúrio, a fim de proteger a saúde humana e o meio ambiente.

Foto: Maurel Behling

O pau-de-balsa

Segundo o livro Espécies Arbóreas Brasileiras, de autoria do pesquisador emérito da Embrapa Florestas Paulo Ernani de Carvalho, o pau-de-balsa (Ochroma pyramidale) é uma espécie arbórea que não perde todas as folhas durante o ano. As árvores maiores atingem dimensões próximas a 30 metros de altura. Dentro do Brasil, recebe diversos nomes vulgares, como, no Acre, algodoeiro, algodoeiro bravo, algodão-bravo, paco-paco e pau-de-balsa; no Amazonas, pau-de-balsa e pau-de-jangada; e no Pará, balsa, pata-de-lebre, pau-de-balsa, pau-de-jangada e topa.

A madeira do pau-de-balsa é leve e resistente, normalmente utilizada para fazer artesanatos, brinquedos, aeromodelos, placas de interiores em construções, chapas revestidas com materiais sintéticos, material térmico em câmaras frias, na produção de compensados e na construção de hélices para geradores de energia eólicos.

A árvore de pau-de-balsa tem crescimento rápido e contribui para melhorar o desenvolvimento de florestas secundárias, podendo ser utilizada em restaurações florestais, como espécie pioneira, e em plantios comerciais de árvores com ciclos de colheita relativamente curtos comparados com outras espécies cultivadas. No caso da adoção das folhas de pau-de-balsa para a extração do ouro, a ideia é que ela esteja associada à utilização da espécie para a recuperação das áreas alteradas com a exploração dos minérios dos depósitos de aluvião (lavra a céu aberto).

No início da década passada, a Embrapa Agrossilvipastoril desenvolveu pesquisas sobre a silvicultura do pau-de-balsa. Experimentos realizados em Guarantã do Norte (MT), em parceria com a Prefeitura local, Cooperativa de Produtores de Pau de Balsa de Mato Grosso (Copromab) e Compensados São Francisco serviram para obtenção de recomendações de adubação e espaçamento para o plantio comercial da espécie.

Para que serve o ouro?

Além da fabricação de joias e como ativo financeiro, o ouro é usado em diversos produtos.  É, por exemplo, componente de  placas de computadores, telefones celulares, televisores e câmeras. Seu uso se dá também em tratamentos de saúde, terapias para o câncer, reumatismo, malária, tratamentos homeopáticos e dentários. Todos esses usos se devem às suas propriedades favoráveis à condutividade elétrica, resistência à corrosão e a boa combinação de propriedades físicas e químicas.

Garimpo versus extração ilegal

A atividade garimpeira é uma forma legal de extração das riquezas minerais (Lei 7.805/1989), desde que autorizada por uma Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), expedida pela Agência Nacional de Mineração (ANM). As maiores mineradoras são denominadas de “grande mineração” ou “mineradoras de grande porte”. Já a atividade garimpeira consiste nas atividades de mineração artesanal e de pequena escala (Mape), e enquadra as cooperativas de garimpeiros e os garimpeiros individuais.

Esses empreendimentos em regime de PLG foram responsáveis, em 2021, segundo a ANM, pela extração de 32,4 toneladas de ouro, o que representou 34,3% da produção total de ouro no Brasil e cerca de R$ 218 milhões em arrecadação para o País, referentes ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Para obter a PLG, os empreendimentos devem seguir alguns critérios exigidos pela ANM, como ter a licença ambiental expedida pelo órgão ambiental competente, não exceder a área em 50 hectares para requerente individual, e mil hectares, quando outorgada para a cooperativa de garimpeiros, podendo chegar a 10 mil hectares na Amazônia Legal; e não ser praticada em terras indígenas ou áreas protegidas. Já a extração mineral ilegal não atende a nenhuma dessas exigências, causando diversos impactos.

*Conteúdo produzido pela Embrapa:

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/80747054/pesquisa-estuda-folha-da-amazonia-para-substituicao-do-mercurio-na-extracao-de-ouro

Livro Verde: uma publicação sobre a gestão ambiental do setor mineral no Brasil 

A relação entre mineração e meio ambiente está em constante evolução.  O setor busca cada vez mais uma atividade sustentável e que prioriza a preservação do meio ambiente. Além de a atividade mineral ser necessária, já que seus produtos fazem parte do dia a dia de todas as pessoas, ela também é a ponte para um futuro de baixo carbono. 

Você quer saber como o setor mineral tem evoluído na preservação do meio ambiente e na gestão ambiental?  

O Livro Verde da Mineração do Brasil, publicação do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), fornece dados, apresenta contextos, reconhece boas práticas e incentiva o debate sobre o desempenho da gestão ambiental do setor mineral no Brasil.

Com acesso gratuito, a publicação tem o objetivo de demonstrar à sociedade uma face muito interessante do setor: que ele é compatível com a preservação ambiental em muitos aspectos, sendo um dos que mais investe nesse tipo de iniciativa no país. 

Livro verde

Esta mensagem é reforçada pelas informações detalhadas sobre as mineradoras associadas e sua atuação embasada em ESG – sigla que representa ações nas áreas ambiental, social e de governança –, que resulta em ganhos para a sociedade brasileira.

“O conteúdo do livro surpreende, principalmente os que não estão muito familiarizados com a realidade da moderna indústria da mineração. Os impactos da  atividade são mais conhecidos, consequências dos processos industriais, porém, o alto nível de atenção à questão ambiental, em vários níveis e indo além das exigências legais, é ainda um fato que merece ser mais bem conhecido pelo público. Este livro cumpre este papel”, disse Raul Jungmann, diretor-presidente do IBRAM. 

A publicação cria também uma conexão entre a mineração e as agendas internacionais e é uma forma de o público compreender como o setor é fundamental para a vida humana. 

“No livro estão relatos exitosos de casos de várias mineradoras, que se conectam às agendas globais, como as relacionadas, por exemplo, ao combate aos riscos climáticos, à transição energética, à descarbonização, à ampliação das fontes de energias renováveis, ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, entre outros”, ressaltou Jungmann.

Acesse aqui o livro Verde da Mineração do Brasil

Lítio: conheça o potencial de Minas Gerais para a produção do mineral utilizado em baterias para carros elétricos

O lítio é uma matéria-prima essencial para a transição energética. A expectativa é que a demanda por esse minério deverá crescer em mais de 40 vezes até 2040, segundo projeção da Agência Internacional de Energia (IEA). Cerca de 65% das reservas estão no Chile, Bolívia e Argentina. Entretanto, o Brasil também possui reserva do mineral. Você conhece o Vale do Lítio? 

Localizado em Minas Gerais, o Vale do Lítio é formado por 14 cidades: Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Virgem da Lapa, Teófilo Otoni e Turmalina, no Nordeste de Minas, e Rubelita e Salinas, no Norte mineiro.

Saiba mais sobre o projeto Vale do Lítio
O lítio é um mineral primordial para a transição energética. Crédito: Divulgação

Esses municípios abrigam a maior reserva nacional de lítio. O mineral é utilizado em diversas aplicações, sendo a mais comum a fabricação de baterias de longa duração, que equipam veículos elétricos e aparelhos eletroeletrônicos. Por isso, será um item bastante demandado nos próximos anos pela indústria, de forma geral.

Lançamento mundial do projeto Vale do Lítio

Visando atrair empresas globais da cadeia produtiva do lítio para as regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais, o Governo do Estado lançou nesta terça-feira (9/5), na Nasdaq (EUA), maior bolsa de valores do mundo em negócios de tecnologia e inovação, o projeto Vale do Lítio (Lithium Valley Brazil). 

“Esse evento coloca para o mundo a potencialidade do Brasil, mais especificamente, de Minas Gerais, para ser um grande fornecedor deste mineral estratégico que vai ser essencial não só para o país, mas para o mundo”, avaliou o diretor de Relações com Associados e Municípios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Alexandre Mello, que foi ao lançamento representado o Instituto. 

“Queremos que o Vale do Jequitinhonha se transforme no vale da tecnologia para a produção de baterias e demais produtos de valor agregado”, explicou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Projetos na região

Atualmente, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) está em operação no Vale do Jequitinhonha. Enquanto isso, a mineradora Sigma obteve licença operacional em março e escoará a primeira leva da produção em maio.

Outras empresas, como Latin Resources, Atlas Lithium e Lithium Ionic estão atuando no programa de sondagem. Em Nazareno, cidade na mesorregião do Campo das Vertentes, a empresa AMG também já produz o concentrado de lítio e irá investir em uma planta química para transformar concentrado em carbonato.

*Com informações da Agência Minas 

Veja também: 

O papel da mineração na transição energética

O papel da mineração na transição energética

As metas do Acordo de Paris para redução da emissão de gases, como o dióxido de carbono, com vistas à redução do aquecimento global, bem como os desafios enfrentados desde que foi inicialmente assinado, não são temas novos. De igual modo, as discussões e propostas para a concretização das metas de descarbonização e da transição energética por meio da implementação de fontes renováveis e menos poluidoras tem se tornado cada vez mais intensas, dada a premência em mitigarmos os cada vez mais frequentes desastres climáticos por todo o globo.

Contudo, o que ainda pouco se discute de forma franca e aberta é que, para que a transição energética de fato ocorra, precisaremos ser capazes de produzir todo o aparato necessário em um prazo mais do que exíguo – o que, de acordo com relatórios mais recentes como o do Banco Mundial, implica na necessidade de aproximadamente 3 bilhões de toneladas de minerais, ou seja, o investimento nas matrizes de geração renovável escolhidas (a exemplo das fontes solares e eólica) precede um alto investimento nos chamados insumos de base para garantir que haja real viabilidade de implementação da transição dentro do prazo esperado.

Importante ter em mente que estamos falando não apenas em minerais como o lítio ou terras raras – embora esses talvez sejam os mais citados nas discussões relacionadas ao tema e à crescente necessidade para produção de baterias -, mas níquel, cobre, zinco e outros que são igualmente necessários à transição para construção de outros componentes, a exemplo das pás eólicas, placas solares, condutores e de tantos outros necessários à implementação dos projetos de energia renovável.

Considerando que é sabido que o ciclo de maturação e desenvolvimento de um projeto minerário é longo e requer alto investimento, dado elementos de sua própria infraestrutura de exploração e logística, além dos processos de licenciamento e endereçamento de outros riscos, a questão que fica é: como e quem estará apto a fornecer os recursos financeiros necessários para que esses sejam concretizados?

Não podemos fechar os olhos ao fato de que a atividade de mineração, embora seja muito criticada em razão de recentes precedentes negativos, não deixa de ser altamente necessária tanto quanto a produção de energia em si. Além disso, há inegável interdependência entre as atividades, de modo que não conseguiremos concretizar a transição sem antes aumentar (e não reduzir) as atividades de mineração e, consequentemente, os investimentos na indústria de mineração.

Investimentos, inclusive, não apenas em projetos de grande magnitude ou expansões, mas especialmente em projetos de médias e pequenas empresas – em especial as junior companies – que são responsáveis pelo desenvolvimento de base de muitos dos minerais críticos necessários à transição energética. São projetos muitas vezes menores, mas essenciais e que carecem de linhas de financiamento mais atrativas e acessíveis. O Brasil possui muitos desses minerais críticos em seu território nacional e poderia estar muito mais à frente na corrida pela extração dos mesmos. Mas dada as características de incertezas e longos prazos de maturação dos projetos de mineração, são poucas ainda as empresas que conseguem acesso aos recursos iniciais necessários para completude da fase de prospecção a fim de seguir para a próxima fase.

Temos que desmistificar o conceito de que a mineração é necessariamente algo negativo à sociedade e ao meio ambiente. A atividade é vital e essencial a muitas economias, podendo ser altamente positiva quando planejada e implementada de forma adequada e sustentável, em observância aos princípios ESG, desde que haja acesso aos recursos necessários para tanto.

A “mineração verde”, com uso de fontes energéticas renováveis e a aplicação de alternativas de infraestruturas que reduzam riscos ambientais e sociais (como o desenvolvimento de novos processos que dispensem o uso de barragens e a integração social das comunidades atingidas por meio da formação e geração de oportunidades de emprego e educação que, no passado, parecia algo inatingível), cada vez mais é algo que deve ser não apenas almejado, mas concretizado. Até porque, essas práticas reduzem riscos e custos para os empreendedores que podem ser revertidos em economia para o negócio.

*Artigo escrito por Liliam Fernanda Yoshikawa, sócia de infraestrutura e mineração no Machado Meyer Advogados

Como a China conseguiu tornar o céu de Pequim azul por meio da economia verde

A poluição é uma das principais causas da diminuição da expectativa de vida dos chineses. A industrialização foi meteórica e a expansão da poluição do ar também. Mas, você sabe como a China vem transformando esta realidade?

O presidente Xi Jinping lançou, em 2013, uma ambiciosa campanha ambiental. Na TV, a propaganda dizia: “Montanhas verdes e água limpa são iguais a montanhas de ouro e prata”. Além de crescer economicamente, o governo chinês percebeu que era fundamental combater as mudanças climáticas, promover a energia verde e a diminuição da poluição.

Uma matéria veiculada no programa Fantástico (Rede Globo), no último domingo, 16/04, mostrou que o investimento e utilização de novas tecnologias e equipamentos como painéis solares, turbinas eólicas e carros elétricos apresentaram resultados. 

Economia Verde na China 

Uma das medidas adotadas pela China foi a substituição das fontes de energia por outras renováveis. Assim, a média da redução da poluição do ar entre 2013 e 2020 foi de 40% na China. 

O país é o principal importador de minério de ferro brasileiro. 

Além disso, consome diversos outros minérios produzidos em terras brasileiras. 

São diversos exemplos de tecnologias desenvolvidas com o uso da energia verde: 

  • O país é o maior produtor e tem o maior mercado de veículos elétricos. A China pretende conquistar mais mercados na América Latina, começando pelo Brasil. 
  • Criação de drones elétricos para transportar passageiros já estão em fase de testes. 
  • 1/3 da energia eólica do mundo e 1/4 da energia solar são produzidas pelos chineses.
  • Seis das 10 maiores fabricantes de painéis solares e quatro dos 10 maiores fabricantes de turbinas eólicas são chineses. 
  • Os chineses lideram na construção de usinas nucleares. 

A matéria completa está disponível no site do g1.

Veja também: 

Veículos elétricos ampliam demanda por minérios

Dia Nacional da Conscientização sobre Mudanças Climáticas: agenda é prioridade para a mineração brasileira

Minerais estratégicos: o papel na transição energética

Quartzo é um grande aliado da música

Aparelho de som, fone de ouvido, celular. Existem diversas formas para escutar uma boa música. Mas, você já parou para pensar que todas elas dependem da mineração? Para se ter uma ideia, a maioria dos fones de ouvido é composto por ímãs de liga metálica de neodímio, ferro e boro.

Quando verificar a descrição de equipamentos reprodutores de áudio e tiver a palavra “Quartz”, quer dizer que são motores com uso de quartzo, o segundo mais abundante mineral em rochas terrestres crustais, utilizado para controle oscilatório.  Ele tem uma série de vantagens sobre outros tipos de motores. 

Os motores de quartzo são altamente precisos, capazes de manter uma velocidade constante com desvio mínimo. No mundo da música, isso permitiu uma reprodução de áudio com alta fidelidade, com baixo ruído, baixo consumo de energia e alta durabilidade.

Evolução histórica

Quartzo é um grande aliado da música

O motor regulado por quartzo revolucionou a indústria fonográfica na década de 70, fazendo parte de lançamentos de toca-discos com motor Direct-Drive da empresa japonesa Matsushita, hoje Panasonic, sob o nome da marca Technics. Lançamentos icônicos são o SP-10, o primeiro destes toca-discos lançado em 1970, o SL-1200 em 1972, e o SL-1200MK2 de 1978. Daí para frente foram décadas de sucesso, e a empresa é respeitada por amantes do áudio até hoje.

Com o surgimento deste tipo de equipamento bem regulado, um novo horizonte de possibilidades surgiu no universo da música. Surgiram os “scratches” e as mixagens, e o desenvolvimento da carreira dos DJs e de novos estilos musicais. O sucesso vem da precisão no controle da velocidade e rápido retorno à rotação ideal, ainda que se mexa no disco – velocidade do disco em 100% em 0,7 segundo.

*Com informações da Academia da Mineração 

Energia eólica no Brasil: mineração é fundamental para a produção

Para a construção e manutenção de um parque de energia eólica utilizam-se minérios como: bauxita (minério de alumínio), agregados da construção civil (argila, areia e cascalho), cobalto e terras raras (ímãs e baterias), cobre e zinco (fiação), calcário (cimento), minério de ferro (aço), molibdênio (ligas especiais).

De acordo com a Abeeolica (Associação Brasileira de Energia Eólica), estima-se que no Brasil a capacidade instalada de produção de energia gerada pelos ventos seja de 21 GW, tendo potencial eólico superior a 500 GW. 

Produção brasileira

Dados divulgados pela Global Wind Energy Council (GWEC)* apontam que, em 2022, o Brasil:

  • ocupou a sexta posição no ranking mundial de produção de energia eólica;
  • bateu o recorde de expansão da capacidade instalada de energia elétrica a partir de fonte eólica; 
  • alcançou o terceiro maior crescimento mundial; 
  • e o estado brasileiro que mais produz essa energia é o Rio Grande do Norte.

O setor da mineração investe nas energias renováveis com o objetivo de tornar o processo de produção de energia mais limpo e sustentável, e assim contribuir para a redução dos impactos no meio ambiente.

Empresa que investe em energia renovável 

A Anglo American tem empenhado esforços pela redução da emissão de carbono proveniente de suas operações e atua com parceiros para ajudar a descarbonizar as cadeias de valor.

No Brasil, um dos destaques dessa estratégia é o uso de fontes de energia renovável que já é tratado como imperativo nos processos de compra de eletricidade da empresa. 

Entre 2019 e 2020, foram assinados contratos de aquisição de 140 MWh de energia solar e eólica junto à Atlas Renewable Energy e à AES Tietê. 

Em 2022, a empresa tornou-se autoprodutora de energia elétrica renovável por meio de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a Casa dos Ventos para a produção de energia no parque Eólico Rio do Vento (RN), um dos maiores empreendimentos eólicos do mundo, em um contrato de produção de 95 MW médios até 2041.  

Como resultado, a partir 2022, 100% do consumo de energia elétrica da Anglo American no Brasil (300 MW médios) passou a ser certificadamente proveniente de fontes renováveis como eólica, hidráulica e solar, marcando a conclusão da estratégia de aquisição de energia elétrica renovável pela empresa rumo a uma operação cada vez mais sustentável. 

Faça o teste para descobrir os seus conhecimentos sobre energia eólica e a importância da mineração para as fontes de energia renováveis. 

*Fonte: GWEC e Casa Civil 

Volta às aulas: SGB disponibiliza conteúdo exclusivo para incentivar geociências

Quer aprender sobre geociências? O SGBeduca, programa de Serviço Geológico do Brasil, é destinado à divulgação e popularização das ciências relacionadas ao estudo do planeta Terra. 

O que é

São conteúdos com linguagem simples e acessível, além de materiais específicos para crianças, jovens e adultos. O SGBeduca também oferece conteúdos exclusivos para professores

Volta às aulas: SGB disponibiliza conteúdo exclusivo para incentivar geociências

Quem produz

O conteúdo é produzido pelos técnicos do SGB, e todo o programa é mediado por geocientistas, contando com uma linguagem direta e criativa, sem perder a qualidade científica.

 

Na plataforma, você encontra o podcast e o videocast “Sem Geologuês”, que explica os assuntos geológicos de forma descomplicada. 

Leia mais:
Entenda também sobre a Geologia Marinha brasileira e como ela pode fomentar o setor mineral.