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Saiba a importância do cobre para o avanço da economia verde

Sustentabilidade, preservação ambiental e responsabilidade social são pilares da economia verde, um modelo econômico que visa a melhoria de indicadores sociais, da eficiência no uso de recursos naturais e a adesão a práticas de consumo consciente e baixa emissão de carbono.

A mineração é fundamental nesta jornada rumo à economia verde. A produção de minerais estratégicos, principalmente para a transição energética, é um exemplo de como o setor pode contribuir para o desenvolvimento sustentável. 

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O impacto do cobre na economia verde

Cobre contribuiu para o avanço da economia verde.
Cobre contribuiu para o avanço da economia verde. Crédito: Divulgação

O cobre tem inúmeras utilidades no desenvolvimento da economia verde. Pode ser usado em sistemas de transporte elétricos, equipamentos de geração de eletricidade de fontes renováveis, desenvolvimento de aparelhos mais eficientes energeticamente, com a redução do uso de combustíveis fósseis, e muito mais. 

A Comissão Europeia do International Copper Association (ICA) classificou o cobre como um insumo essencial para a transição energética e eletrificação dos modais de transporte em larga escala. Devido a essa característica, é esperado um aumento de 35% do mercado de cobre até 2050 por conta desse esforço rumo à descarbonização. 

Conforme o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Termomecanica, Márcio Rodrigues da Silva, “com base em dados do ICA de 2022, a cadeia de produção do cobre representa 0,2% das emissões de gases estufa do planeta, e o crescimento dessa demanda aumentará a necessidade do contínuo investimento em técnicas de mineração e na crescente profissionalização do mercado de recicláveis, trabalhos aos quais a indústria brasileira do cobre permanece atenta e atuante”, afirmou

Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram o Brasil em posição favorável na adoção de energias limpas. Atualmente, a matriz energética brasileira (conjunto de fontes de energia necessárias para mover os veículos, gerar eletricidade e outros usos) é composta por 47,4% de fontes renováveis, enquanto a matriz elétrica (conjunto de fontes utilizadas apenas para a geração de energia elétrica) é composta por 87,9% de fontes renováveis.

“Nesse sentido, o mercado tem um grande potencial sinérgico entre a aplicação do cobre e o desenvolvimento e geração de energia limpa, pois é largamente utilizado nos geradores eólicos, solares, hidráulicos e nos sistemas de distribuição. E quanto mais energia limpa, menor a geração de carbono para se produzir o cobre. Essa perspectiva é ainda mais promissora se constatarmos os dados globais das matrizes energética e elétrica, apresentando respectivamente 14,1% e 26,6% de fontes renováveis”, ressaltou Silva. 

Fonte: Revista Exame e Termomecanica

Mineração e Carnaval: os laços entre dois importantes componentes da história nacional

Uns são fãs dos bloquinhos de rua, outros dos desfiles das escolas de samba e há os que valorizam apenas os dias de folga. Seja como for, todos estão ansiosos pela chegada do Carnaval, que este ano será celebrado entre os dias 10 e 13 de fevereiro. Mas você sabia que, sem a mineração, o Carnaval não seria o mesmo?

 

A mineração e o Carnaval

 

O ponto alto do famoso feriado nacional é, para muitos, os desfiles das escolas de samba e os bloquinhos espalhados pelas cidades. E nenhum dos dois seria plenamente possível sem a existência do setor da mineração.

O engenheiro mecânico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Doutor  em   Memória   Social  pela Universidade  Federal  do  Estado  do  Rio de Janeiro Júlio César Valente Ferreira informa em seu artigo “O Diálogo entre Modos de Fazer e Modos de Impor: o desafio da fronteira entre arte e engenharia nos carros alegóricos do carnaval carioca“, disponível no Portal de Periódicos da Universidade de Brasília (UnB), que:

“Em   linhas   gerais, um   carro   alegórico   é   um   elemento  de   um   desfile   baseado   em   uma   estrutura   metálica (estrutura treliçada tridimensional confeccionada por tubos de aço) suportada  por  um  chassi  de  caminhão,  o  qual  sofrerá modificações  como  o  aumento  da  dimensão  de  ponta  de  eixo  e  da inserção  de  estruturas  metálicas  laterais  suportadas  por  rodízios (denominados  também  por  rodas  malucas)  no  intuito  de  elevar  a volumetria da alegoria, além de alterações no sistema de suspensão para suportar o peso estimado.  Ao longo da produção destes carros são   realizadas   as   etapas   de   ferragem   (inserção   das estruturas metálicas), marcenaria, inserção de esculturas, pintura, adereçaria e as  instalações  tecnológicas  de  efeitos  de  luz  e  movimentos.”

 

Desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro 2013 - Segundo Dia.
Desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro 2013 – Segundo Dia.

 

Assim, vemos que, sem os metais obtidos por meio da mineração, os tradicionais desfiles das escolas de samba não teriam a cara que têm hoje.

O Carnaval também depende do setor minerário para obter a matéria-prima para seus instrumentos musicais, usados na produção dos marcantes ritmos do feriado.

É o caso do agogô, formado por duas ou mais campânulas de ferro de tamanhos diferentes, conectadas entre si. Seu som é obtido por meio da percussão de uma baqueta nas bocas de ferro.

E também do famoso pandeiro, comumente visto nas mãos do Zé Carioca, personagem de quadrinhos e desenhos da Disney. O pandeiro é feito por uma membrana esticada sobre uma armação circular e estreita. No meio do aro há chapinhas de metal presas por hastes, sendo tocado com as mãos.

Zé Carioca e Pandeiro
O personagem Zé Carioca e o seu pandeiro (Crédito: divulgação)

Vale lembrar também dos minerais e metais presentes nas fantasias, adereços e maquiagens utilizadas pelos foliões para entrar no clima do Carnaval.

 

Os enredos das escolas de samba

 

Os desfiles das escolas de samba são partes essenciais do feriado, sendo os mais famosos (os das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo) comumente transmitidos em rede de televisão para todo o país e para o mundo. Cada escola de samba monta o seu desfile com enredos próprios, que costumam utilizar grandes símbolos do imaginário popular para transmitir uma mensagem e também expor a cultura brasileira para os espectadores. Assim sendo, a mineração não podia ficar de fora dessas narrativas.

Em 2004, a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira desfilou com o tema de enredo a “Estrada Real”, maior rota turística do país, com 1630 quilômetros de extensão e passando pelos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

A Estrada Real surge quando a Coroa Portuguesa, em meados do século XVIII, decide oficializar os caminhos para o trânsito de ouro e diamantes extraídos de Minas Gerais  até os portos do Rio de Janeiro.

Na letra do Samba-Enredo de 2004 da Mangueira, podemos ver a presença da mineração no imaginário coletivo. Confira um trecho:

 

“Um brilho seduziu o meu olhar,

Me fez encontrar

A estrada do sonho,

“real” desejo de poder e ambição.

As trilhas, bordadas em ouro,

Levaram tesouros, a caminho do mar. (teu chão)

Teu chão é um retrato da história

E o tempo não pôde apagar

Hoje descubro a beleza

Que faz a riqueza voltar.” 

 

 

Já em 1997, a escola de samba Vai-Vai cantou sobre Minas Gerais e a centenária Belo Horizonte no desfile das escolas de São Paulo, com enredo que falava em ouro e diamantes.

Assim, vemos como o Carnaval e a Mineração, dois importantes componentes da identidade nacional do Brasil, interagem e se complementam. E aí? Sabia dessa relação? Acompanhe o Portal da Mineração e fique por dentro de mais curiosidades como esta!

 

*Com informações de Agência Brasil; Portal do Comércio; ALMG; Instituto Estrada Real; Letras; O Tempo; Portal de Períodicos da UnB e Estadão.

 

Do Império Romano ao Copo Stanley: entenda o papel do chumbo na sociedade

O chumbo entrou em pauta nas redes sociais esta semana. O responsável por isso? O copo Stanley, objeto que se tornou febre por manter as bebidas por muito tempo geladas, mesmo sob o calor escaldante das praias no verão.

Uma trend nas mídias sociais nos EUA onde os usuários faziam teste caseiro para averiguar se haveria metais pesados na composição de produtos levou muitos a notar que os produtos Stanley testaram positivo para a presença do chumbo.

 Em nota ao jornal O Globo, a fabricante confirmou que os copos Stanley têm chumbo em sua composição. O metal é utilizado para vedar a base do copo, mas, segundo a empresa, está protegido por um revestimento de aço inoxidável que impede o contato direto com o consumidor. 

 “A Stanley esclarece que não há chumbo em parte alguma da superfície de seus produtos que entre em contato com o consumidor, ou com líquidos e alimentos que estejam sendo consumidos. A marca utiliza um processo de fabricação que segue o padrão global da indústria para realizar o selamento na parede externa e garantir o isolamento a vácuo. Este material de vedação inclui uma parcela de chumbo em sua composição. No entanto, uma vez selada, esta área é coberta por uma camada não removível de aço inoxidável, tornando-a inacessível aos consumidores.”

Do Império Romano ao Copo Stanley: entenda o papel do chumbo na sociedad
Copo Stanley possui chumbo. Crédito; Divulgação

Mas, afinal, por que a presença de chumbo no copo preocupa tanto?

Segundo site da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) que busca informar a população sobre os riscos da exposição ao chumbo, este metal está presente na produção de plásticos, baterias, cabos elétricos, tintas, canos e muitas outras coisas fabricadas pela indústria. Porém, apesar de sua utilidade, o chumbo pode apresentar perigos para o desenvolvimento e a saúde de crianças e adultos. 

O projeto do LEHCA (Laboratório de Análises da Exposição Humanas a Contaminantes Ambientais) da FSP-USP aponta que, quanto mais chumbo presente, diferentes problemas de saúde vão aparecendo. [AN1] 

O projeto destaca que uma forma de se proteger de uma possível exposição ao chumbo é ficar atento a objetos do cotidiano como brinquedos, utensílios de cozinha, joias e cosméticos e dar preferência para aqueles com certificação de qualidade, ou seja, aqueles que seguem os padrões definidos por regulamentações, além de afastar das crianças brinquedos descascando ou de procedência desconhecida.

Os usos do chumbo através do tempo

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde do estado do Rio Grande do Sul (CEVS-RS) define o chumbo como um elemento químico da classe dos metais pesados que pode assumir diferentes formas, sendo elas o chumbo metálico (um metal cinza-azulado extraído de minérios naturais da crosta terrestre), ou os compostos de chumbo – compostos orgânicos ou inorgânicos obtidos através da combinação do chumbo com outros elementos químicos.

Entre as diversas atividades humanas que envolvem esse metal pesado, o CEVS-RS enumera as seguintes: 

  •     Medicina e ciência: proteção contra raios X.
  •     Automóveis: material de revestimento e baterias.
  •     Elétrica: cabos revestidos e acumuladores elétricos.
  •     Construção: canos, soldas e lâminas.
  •     Plásticos: fabricação de PVC.
  •     Pigmentação: tintas, corantes, esmaltes e maquiagem.
  •     Fotografia: fotopolimerização e sensibilizador.
  •     Armamentos: munição e explosivos.
  •     Mineração: extração comercial de chumbo e lapidação de pedras preciosas.
  •     Pesca: chumbada de pesca.

Além dos usos modernos, dados da Royal Society of Chemistry (RSC), sociedade científica do Reino Unido apontam que o chumbo é minerado há mais de 6.000 anos, sendo o metal e seus compostos utilizados ao longo da história humana. 

Pequenas pepitas de chumbo foram encontradas em civilizações pré-colombianas do Peru, da Península de Iucatã e na Guatemala. Já os gregos mineravam em larga escala o metal pesado, usando-o para preparar o Alvaiade, o carbonato básico de chumbo, material utilizado como base para tintas por mais de 2.000 anos, até a metade do século passado.

Os romanos foram os que mais amplamente utilizaram o chumbo, minerando-o principalmente no que hoje é a Espanha e na ilha da Grã-Bretanha.

Conforme texto publicado pelo Conselho Regional de Química – IV Região (CRQ-IV/SP), o chumbo foi um dos primeiros metais utilizados pelo homem e há séculos se faz presente no cotidiano. A peça de chumbo mais antiga já encontrada é de 3.800 a.C..Há registros de que os chineses extraíam e produziam o chumbo na forma metálica em 3.000 a.C. e os fenícios exploravam seus depósitos minerais na Espanha desde 2.000 a.C..

Império Romano, aponta o CRQ, teria sido a primeira civilização a explorar extensivamente os depósitos de chumbo no século V a.C., utilizando as reservas da Península Ibérica para fabricar objetos, como taças e utensílios, tubulações e torneiras, produtos de beleza e até na correção da acidez do vinho, através da adição de óxido de chumbo.

Inclusive, curiosamente, como herança do período do Império Romano, a palavra na língua inglesa utilizada até hoje para “encanamento”, plumbing, vem do latim “plumbum, que em português significa chumbo!

Segundo o CRQ-IV/SP,  o interesse pelo chumbo ao longo da história e até os dias atuais deve-se às suas propriedades: boa maleabilidade, baixo ponto de fusão, resistência à corrosão, alta densidade, opacidade aos raios X e raios gama e estabilidade química no ambiente. Essas características permitem seu uso em variadas tecnologias, como a fabricação de lâminas ou canos de alta flexibilidade e resistência, em soldas e revestimentos na indústria automotiva, em placas protetoras contra radiações ionizantes (raios X), em ligas metálicas, revestimento de cabos, tintas, pigmentos e aditivos plásticos.  

E, atualmente, o uso do metal se concentra, principalmente, na fabricação de baterias de chumbo-ácido para automóveis. Essas baterias são constituídas por placas de chumbo metálico e podem ser recarregadas por funcionarem por meio de reações químicas reversíveis. Esse uso cresceu bastante, enquanto o uso do tetraetil-chumbo como antidetonante na gasolina, foi reduzido devido a problemas ambientais e de saúde pública.

A devida atenção à saúde pública quando se fala de chumbo é importantíssima. Segundo o CRQ, alguns estudos apontam como uma das possíveis causas da queda do Império Romano a contaminação do chumbo, devido ao alto grau de intoxicação da população e seus efeitos, que possivelmente ocasionaram a desorganização do império ao longo dos anos e os problemas de reprodução humana.  

O chumbo e a mineração na atualidade

A galena (PbS) é o principal mineral do qual o chumbo é extraído, além da anglesita (PbSO4) e a cerussita (PbCO3), que são minerais formados naturalmente a partir de alterações da galena. 

Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que, em 2017, as reservas mundiais de chumbo atingiram 88 milhões de toneladas e as brasileiras somam 595 mil toneladas, representando 0,7% da reserva global. A produção mundial de concentrado de chumbo em 2017 alcançou 4,6 milhões de toneladas de metal contido, uma queda de 2,8% em relação a de 2016. Os principais produtores mundiais de chumbo primário costumam ser os detentores das maiores reservas e suas produções em 2017 foram: 2,2 milhões de toneladas na China, 459 mil toneladas na Austrália, 310 mil toneladas nos Estados Unidos da América (EUA), 307 mil toneladas no Peru, México 243 mil toneladas e 200 mil toneladas na Rússia. A produção brasileira em 2017 de concentrado de chumbo, em metal contido, foi de 7 mil toneladas, representando 0,1% da produção mundial.

Segundo o CRQ-IV, o chumbo pode ser utilizado na forma de metal puro ou associado a outros metais, com variadas composições químicas. A produção do chumbo metálico é realizada genericamente em três etapas. A primeira é o beneficiamento do mineral para eliminação de impurezas e pré-concentração, a segunda e a terceira envolvem o aquecimento do mineral a altas temperaturas (sinterização e fundição, respectivamente), transformando o sulfeto de chumbo em óxido de chumbo e posteriormente em chumbo metálico. E mostra que há também a  reciclagem de objetos que contêm chumbo, feita, principalmente, a partir de baterias usadas industriais e de automóveis.

Cuidados com o Chumbo

Observa-se a importância que o Chumbo tem na história da humanidade e a sua utilidade nos mais diversos tipos de atividade. Entretanto, devido à sua toxicidade, deve-se sempre estar atento e tomar os devidos cuidados com o material, além de observar regulamentações – como a da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o uso do chumbo em cosméticos ou a do Inmetro sobre o uso de chumbo em bijuterias e joias – e se o que se compra segue essas regulamentações para, assim, evitar a contaminação pelo material e suas possíveis consequências.

 

*Com informações de O Globo, FSP-USP, CEVS-RS , Conselho Regional de Química – IV Região (CRQ-IV/SP), RSC e ANM

Prótese de titânio: entenda o papel da mineração em implantes cirúrgicos e dentários

Na última semana, o rapper norte-americano Kanye West compartilhou nas mídias sociais o resultado de uma prótese de titânio em sua arcada dentária. O artista divulgou que a sua inspiração ao colocar a prótese (avaliada em U$ 850 mil, cerca de R$ 4,2 milhões) foi o personagem Jaws, um dos vilões mais famosos dos filmes da franquia James Bond, que possuía dentes de aço e costumava matar suas vítimas mordendo-as na jugular.

A prótese de titânio é avaliada em 850 mil dólares
A prótese de titânio é avaliada em 850 mil dólares (Crédito: Reprodução/Instagram)

O titânio e suas ligas têm como características uma baixa densidade, boa resistência mecânica à tração, excelente resistência à corrosão e relativa abundância na natureza, sendo o nono elemento mais abundante da terra.

No dia-a-dia, o titânio é aplicado em turbinas de jatos e na estrutura de aeronaves. Suas ligas são empregadas em componentes como dutos de ar condicionado, suportes de asas e motores, bem como na fabricação de componentes navais. Além disso, as ligas de titânio têm sido estudadas e empregadas no desenvolvimento de próteses dentárias e médicas, como na prótese dentária usada pelo cantor. O material também tem sido utilizado na fabricação das linhas mais modernas de smartphones, a exemplo da Apple e da Samsung.

Após muitos levantarem a hipótese de que Kanye West teria retirado seus dentes para colocar o acessório de titânio, o dentista responsável pelo procedimento esclareceu que nenhum dente foi removido e que o acessório era adequado.

Segundo dados do Infomet, o uso de titânio e suas ligas para a fabricação de implantes cirúrgicos ortopédicos e dentários tem aumentado. Isso estaria ocorrendo graças à excelente biocompatibilidade do titânio e suas ligas, apresentando menor risco de alergia e reações adversas com o organismo do que outros materiais metálicos, como, por exemplo, o aço inoxidável austenítico AISI-SAE 316 L, cujo elevado teor de níquel pode provocar reações alérgicas.

Um exemplo de implante cirúrgico com titânio é o realizado em 2014 no britânico Lee Charie. Após cair da varanda do hotel em que estava hospedado durante uma viagem em dezembro de 2012, o paciente teve parte do crânio cortado por médicos para diminuir a pressão na caixa craniana. O britânico ficou com aparência estranha, como se faltasse metade da cabeça. Com o implante de titânio, a cabeça de Charie voltou ao formato normal.

O titânio também é utilizado em próteses para membros amputados, como na proposta do designer industrial William Root, divulgada em seu portfólio no Behance, que utiliza a tecnologia de impressão 3D para tornar a produção mais rápida e barata.

Proposta de prótese de titânio (Crédito: William Root/Behance)
Proposta de prótese de titânio (Crédito: William Root/Behance)

E aí, já conhecia essas aplicações do titânio e da mineração no corpo humano? Fique ligado no Portal e confira mais informações sobre a importância dos minérios no cotidiano!

*Com informações da ANM, Infomet, Codemge, CNN Brasil, BBC News Brasil, Revista Galileu

Das joias reais ao vestuário, da cabeça aos pés: entenda o papel da mineração no mundo da moda

Roupas, acessórios, calçados, joias e bolsas são muito mais do que objetos e possuem valores que vão muito além da sua função básica. A moda é uma forma de expressão pessoal e cultural. Por meio das peças que vestimos podemos nos expressar, externalizar o que somos, seja no nível pessoal ou no coletivo. Você sabe qual o papel da mineração na moda? 

 

Joias 

 

Sendo por muito tempo símbolos de soberania, as joias historicamente serviam para mostrar poder e riqueza. Ouro, prata, diamante, rubis, esmeraldas. São inúmeras opções de minérios, metais e pedras preciosas utilizadas na produção destes objetos de desejo de muitas pessoas há milhares de anos.   É o caso das coroas de rainhas e reis, como a Coroa Imperial de Dom Pedro II, em exposição no Museu Imperial, em Petrópolis, e fabricada em ouro e prata. 

 

Coroa Imperial de d. Pedro II
Coroa Imperial de d. Pedro II (Crédito/ Museu Imperial/Ibram/MTur)

 

Ou também das peças usadas por celebridades e artistas em eventos e premiações, tal qual as joias de platina e diamantes da Tiffany & Co. utilizadas pela cantora brasileira Anitta na ocasião do Grammy Awards 2023.

 

Anitta no Grammy 2023
Anitta no Grammy 2023 (Foto: Reprodução/Twitter)

 

 Vestuário 

 

A mineração está presente em quase todas as classes de itens de vestuários. Felipe Guerini, Gerente Comercial da Termomecanica, empresa que trabalha com a transformação de cobre e suas ligas, conta que esses metais podem ser aplicados em inúmeros itens: calçados, calças, blusas, bolsas, jaquetas e camisetas.

 

Cobre utilizado em peça de roupa
(Crédito: Divulgação)

 

As principais ligas de cobre utilizadas para a fabricação de botões, zíperes, deslizadores e puxadores são o Latão Fio Máquina 65/35 e a Alpaca. Já nos ilhoses, encontrados sobretudo em calças e jaquetas jeans, o Latão 70/30 é uma das principais matérias-primas.

Felipe Guerini conta que a utilização do cobre no mundo da moda se deve pelas suas qualidades, sendo um metal leve, durável, resistente à corrosão e ao desgaste. O metal também é de fácil trabalhabilidade a frio, possui aspecto superficial diferenciado e é uma matéria-prima reciclável e reutilizável. Essas propriedades fazem do cobre um material ideal para aplicações em roupas que precisam ser resistentes, confortáveis e seguras.

O gerente comercial aponta que a resistência ao desgaste e à corrosão aumenta a qualidade e a durabilidade necessária para o setor de roupa, a exemplo dos zíperes, onde o ciclo de vida útil de abertura e fechamento é mais durável se comparado a fabricação utilizando material não metálico. Outro fator de maior durabilidade é a resistência ao desgaste e ao atrito gerado no momento da lavagem de uma peça que possui um acessório metálico.

Além do benefício da durabilidade, as ligas de cobre oferecem a possibilidade de reciclagem, refusão e, posteriormente, o retorno para o mercado, visando, assim, a sustentabilidade e proteção ao meio ambiente, fatores determinantes para o consumo no universo da moda.

Relógios e óculos

 

Outros itens fashion conhecidos por serem fabricados em minérios, relógios e armações de óculos ganham novos contornos com o progresso tecnológico.

Uma tendência dos últimos dez anos é o desenvolvimento e popularização dos chamados Wearables, dispositivos vestíveis, como os relógios inteligentes e óculos inteligentes.

Um exemplo de smartwatch, o Apple Watch, possui modelos fabricados em alumínio e em aço inoxidável, e o componente mais buscado para as novas tecnologias: uma bateria interna recarregável de íon de lítio.

Conforme aponta o grupo espanhol do setor energético Iberdrola, os fones sem fio, celulares, relógios inteligentes, instalação de painéis solares e carros elétricos não teriam sido possíveis duas décadas atrás. A revolução aconteceu, entre outros fatores, graças às baterias de íon de lítio, capazes de armazenar mais energia em menos espaço que as demais, sendo fundamentais para o futuro do armazenamento de energia diante dos desafios das mudanças climáticas, que passam pela descarbonização e pelas energias renováveis.

Além de todos esses aparelhos, as baterias de íon de lítio ganharam presença também nas armações de óculos. Em 2023, a empresa italiana Ray-Ban lançou, em parceria com a empresa de tecnologia norte-americana Meta, os Ray-Ban Meta Smart Glasses, disponíveis inclusive em um dos modelos mais populares da marca: o Wayfarer.

Ray-Ban Meta Wayfarer
Ray-Ban Meta Wayfarer (Crédito: Ray-Ban/Divulgação)

O Ray-Ban Meta Wayfarer possibilita ao usuário tirar fotos com a câmera embutida de 12 MP, escutar música e utilizar a inteligência artificial da Meta a partir de controle por voz. E, sobretudo, é movido pela mineração, funcionando com uma bateria de íon de lítio.

Assim, vê-se não só como a mineração participa e faz parte das mais diversas peças de roupa e acessórios que usamos no nosso dia-a-dia, como também possibilita a inovação tecnológica em diferentes setores da atividade humana, inclusive na moda.

*Com informações de: Museu Imperial, Termomecanica, Gshow, Apple, Iberdrola e Ray-Ban

Mina da Passagem: confira de perto um pedaço da história da mineração no Brasil!

Trolley
Trolley (Crédito: Divulgação)

Você sabia que é possível ir conhecer de perto uma mina de ouro? A maior mina aurífera aberta à visitação pública do mundo, a Mina da Passagem, fica aqui mesmo, no Brasil, no município de Mariana (MG), a cerca de 110 km de distância de carro da capital, Belo Horizonte. 

Durante a época colonial, era de lá que saía a maior parte do ouro que Minas Gerais enviava para Portugal. E, desde a sua fundação, já foram retiradas aproximadamente 35 toneladas de ouro!

O achado do ouro em Passagem remonta ao século XVIII. Descobertas em 1719 as jazidas primárias, a extração do minério foi a principal atividade econômica da Mina de Passagem até 1976, quando a Cia. Minas da Passagem foi adquirida pelo atual grupo controlador, que diversificou os negócios da empresa. 

Dentre as novas oportunidades de negócios criadas, se inicia em 1979 a de  visitação turística à Mina do Fundão (parte do complexo mineiro conhecido como Minas da Passagem), em funcionamento até hoje. 

A descida para as galerias subterrâneas é feita através de um trolley por um percurso de 315 metros de extensão e que chega a 120 metros de profundidade! 

No caminho, o visitante vê galerias, salões, colunas e até mesmo um lago de águas cristalinas, formado por aquíferos que inundaram quilômetros de túneis quando deixaram de ser bombeados. Sendo possível até o mergulho no lago, através de uma empresa especializada.

 

Lago subterrâneo
Lago subterrâneo (Crédito: Divulgação)

 

Ficou interessado e quer conferir ao vivo esse pedaço da trajetória da mineração no país? A Mina da Passagem funciona para visitação de segunda à sexta das 9h às 16h e, aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h. O passeio tem duração de 45 minutos.

 

Para mais informações sobre a visitação, confira o link: https://mariana.minasdapassagem.com.br/visitacao/

 

*Com informações de https://mariana.minasdapassagem.com.br 

 

Dolomita: pesquisadores resolvem mistério que intriga ciência há 200 anos

Uma nova teoria revolucionária permite a sua produção da dolomita em laboratório e resolve uma das grandes questões da geologia

Dolomita é um mineral composto por  camadas de carbonato de cálcio e magnésio responsável por formações geológicas como as Montanhas Dolomitas na Itália, a Escarpa do Niágara, na América do Norte, e os Penhascos Brancos de Dover, no Reino Unido. Apesar da sua abundância em alguns lugares, é quase inexistente em formações mais recentes, o que intriga cientistas há dois séculos.  

Montanha de Dolomita. Crédito: canadastock/Shutterstock.com

Pesquisadores da Universidade de Michigan, em colaboração com a Universidade de Hokkaido, no Japão, descobriram como acelerar o seu crescimento em laboratório. De acordo com o IFL Science, os cientistas desenvolveram um software poderoso que simulou todas as possíveis interações entre átomos em crescimento de cristais de dolomita.

Ao longo de duas décadas, foram feitas várias tentativas para reproduzir os cristais e temperaturas menores de 60 graus. Para resolver o problema, os pesquisadores mudaram a estratégia variando o nível de saturação da solução. Eles descobriram que o mineral poderia crescer mais rapidamente se fosse submetido a ciclos em que houvesse menor concentração de cálcio e magnésio ao redor.

Dolomita
Dolomita. Crédito: Divulgação

Para testar essa teoria, a equipe desenvolveu experimento engenhoso utilizando microscópio eletrônico de transmissão. Um pequeno cristal de dolomita em solução de cálcio e magnésio foi exposto ao feixe de elétrons, que foi pulsado quatro mil vezes ao longo de duas horas para começar a dissolver o cristal. Quando o feixe é desligado, a solução circundante se ajusta rapidamente para um estado mais saturado.

Com este experimento, o cristal cresceu aproximadamente 100 nanômetros, o que representa 300 camadas recém-formadas de dolomita. Essa descoberta não apenas resolve o mistério da dolomita, mas também abre portas para o estudo dos processos geoquímicos que influenciaram a formação massiva desse mineral no mundo natural. Além disso, aprender a cultivar cristais sem defeitos de forma rápida pode ter aplicações importantes para a fabricação de diversos componentes essenciais para produtos, como semicondutores, painéis solares e baterias.

*Com informações do site Olhar Digital 

Dia da Consciência Negra: setor mineral avança ao promover ambientes de trabalho mais igualitários  

O Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, é uma data de celebração e de conscientização sobre a força, a resistência e o sofrimento da população negra brasileira, desde a colonização. Apesar dos 135 anos da Lei Áurea, que deu fim à escravidão, ainda há heranças de tratamento desigual entre raças na sociedade e, assim, o racismo continua presente nas estruturas sociais e institucionais deste país e é manifestado pela falta de oportunidades de educação, de trabbalho, por falta de remuneração,  pelas tentativas de apagamento da cultura e diversas outras situações que envolvem pessoas negras. 

O setor mineral avança para mudar esta realidade e a temática de Diversidade & Inclusão (D&I) é uma das metas da Agenda ESG da Mineração do Brasil e questões como raça/etnia, gênero, classe e orientação sexual fazem parte do trabalho do grupo (GT Diversidade e Inclusão)

Para o diretor-presidente do IBRAM, Raul Jungmann, embora seja clara mudança em prol da diversidade e inclusão, o setor ainda precisa evoluir. “Assumimos o compromisso de implementar ações na mineração em prol do desenvolvimento de novas oportunidades e de ambientes de trabalho mais igualitários, mas precisamos avançar. Como uma das metas da Agenda ESG da Mineração do Brasil, o setor mineral implementa ações para reverter o cenário da desigualdade social e do preconceito em relação às pessoas negras. A busca é por igualdade em todos os níveis hierárquicos nas empresas”, avalia. 

As mulheres negras são o maior grupo na sociedade brasileira, considerando os recortes de gênero e raça. São 41 milhões de mulheres autodeclaradas negras (pretas ou pardas), ou 23,4% do total da população. 

Para Thaís Porfírio, especialista em meio ambiente e líder do Grupo de Afinidade Diversidade Racial da ArcelorMittal Brasil e cofundadora do Coletivo Quantos – Negras e Negros na Mineração, “as mulheres negras cosntituem um dos principais grupos impactados pelos empreendimentos minerários, se considerarmos a localização, geralmente rural e periférica das minas. Também representam o grande potencial de mão-de-obra local”. 

Entretanto, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, com o perfil social, racial e de gênero, as pessoas negras ocupavam apenas 4,7% dos cargos de liderança nas 500 maiores empresas do país, em 2016. Quando se fala de mulher negra, o percentual é de apenas 0,4%. 

“Apesar de uma grande representatividade de profissionais negros na mineração, quando se faz a análise em cargos técnicos ou de liderança e à medida que se aumenta os salários, a presença negra cai significativamente. Se fizermos um recorte de gênero, chegamos a uma disparidade absurda com a proporção que este grupo significa na população do Brasil. Assim, entendo que há um grande potencial para que o setor minerário olhe para este grupo, estimule-o e capacite-o para estar preparado para ser inserido no mercado de trabalho, para ser mais atrativo a este público”, avalia Thaís Porfírio. 

Para celebrar o Dia da Consciência Negra, o IBRAM apresenta a história de três profissionais do setor mineral que mostram que com força, oportunidades e dedicação é possível traçar um caminho de sucesso: 

Sara Quaresma – Analista de Relações Comunitárias na Mineração Rio do Norte (MRN)

Dia da Consciência Negra: setor mineral avança ao promover ambientes de trabalho mais igualitários  
Sara Quaresma – Crédito: arquivo pessoal

Mulher negra, amazônida, engenheira florestal e integrante do primeiro Quilombo do Brasil titulado. “Meus ancestrais foram escravizados e, fugindo, povoaram a região do Trombetas (PA). Meus avós e meus pais não tiveram acesso à educação, mas sempre me incentivaram. Minha mãe enfrentava o rio, cedo, de canoa, para me deixar em um ponto onde o barco buscava os alunos, pois eu era a aluna que morava mais distante. Eu tinha que acordar de madrugada, por volta de 4 horas da madrugada”, conta Sara Quaresma. 

A engenheira florestal iniciou seu o trabalho na MRN como trainee, em 2015. “Durante o programa tive a oportunidade de desenvolver um projeto pioneiro na região, um banco de germoplasma de castanha-do-pará. Atuando com a comunidade hoje em dia, me sinto privilegiada em facilitar o diálogo com os povos tradicionais, dos quais eu, como quilombola, também faço parte. Contribuir com as ações da empresa na região onde eu nasci e cresci é muito satisfatório”, destaca. 

Um dos maiores desafios para a profissional foi o acesso às oportunidades de qualificação. “As políticas públicas escassas deixam muito a desejar na reparação histórica que o povo negro busca. O apoio da iniciativa privada, no caso da MRN, que apoia o ingresso de alunos no ensino básico e superior, é muito importante. Fui contemplada com esse apoio financeiro e fez a diferença na minha carreira”, ressalta. 

Quaresma ainda avalia que “no setor mineral, por ser majoritariamente masculino, foi muito difícil resistir e competir pelo espaço. Sem falar no preconceito que ainda existe, e vem há séculos resistindo de forma sutil. Mas, com resiliência e ciente do meu potencial, sigo avançando”. 

Para a analista da MRN, o processo de diversidade e inclusão está em evolução, com um caminho muito longo e desafiador para percorrer. “O mercado de trabalho de modo geral ainda carrega vícios preconceituosos. No setor mineral, não é diferente. Entendo que mais oportunidades precisam ser dadas a negros para que os espaços sejam ocupados por nossa gente preta. Oportunizar o acesso à educação se mostra como a chave fundamental para que isso se torne realidade”, finaliza.  

Thaís Porfírio – Especialista em meio ambiente e líder do Grupo de Afinidade Diversidade Racial da ArcelorMittal Brasil. Cofundadora do Coletivo Quantos – Negras e Negros na Mineração

Thaís Porfírio é graduada em Engenharia Florestal e mestre em Ciência Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Atuou como consultora, docente e, no momento, como especialista na área Ambiental e Direito Minerário. Atualmente integra a área de Diversidade e Inclusão, como líder do Grupo de Afinidade Diversidade Racial.  

A especialista avalia que seu maior desafio no início de carreira foi a insegurança que sentia. “Por ser mulher e negra, ao longo da minha graduação, eu tinha muito medo de não conseguir me inserir em um mercado de trabalho que é majoritariamente masculino. Depois de efetivamente entrar para o setor minerário, a minha maior dificuldade era me fazer ser ouvida em discussões técnicas com outros profissionais. A sensação de ter suas ideias ignoradas e depois serem repetidas por um homem e não ser levada em consideração. O medo de não conseguir evoluir na carreira”, disse. 

Thaís ainda ressalta que, quanto à questão racial, o maior desafio foi ter sua identidade questionada em diversas situações, por não a considerarem negra e também ser confundida recorrentemente com a equipe de limpeza dentro do escritório, apesar de estar claramente com o uniforme da equipe técnica. “Muitas vezes, as barreiras eram invisíveis, já que as pessoas sabem que podem responder criminalmente sobre racismo e injúria racial. Então, muitas vezes, ouvi comentários de colegas que me afetavam, mas eu demorava muito tempo para entender a carga discriminatória que havia naquela fala”, relata. 

Mariana Luíza Souza da Silva – Estagiária em Engenharia Metalúrgica da AMG Mineração, em São João Del Rei (MG). 

Mariana Luíza. Crédito: Arquivo Pessoal

Mariana despertou seu interesse pelo setor mineral durante o ensino médio, período em que frequentou as aulas regulares e um curso técnico no IFMG-OP (Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Ouro Preto). Após ingressar no curso de Engenharia Metalúrgica na Universidade Federal de Ouro Preto teve a oportunidade de estagiar na AMG Mineração. 

Para Mariana, a participação das mulheres e das pessoas negras no setor mineral era historicamente limitada, com uma representatividade reduzida em diversas áreas, mas tem evoluído. “O fato de hoje em dia haver conscientização sobre a importância da diversidade e inclusão no setor pode ser um dos motivos para tal evolução, além de iniciativas de programas com o intuito de promover uma maior representação, oferecendo oportunidades. Acredito que essas iniciativas contribuam para romper com os padrões estabelecidos, criando um ambiente mais inclusivo e diversificado”, ressalta. 

Para seu futuro profissional, a estagiária da AMG almeja continuar crescendo no setor mineral. “Tenho a aspiração de que meu trabalho seja reconhecido e valorizado por sua qualidade, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Além do reconhecimento, busco também o desenvolvimento de uma reputação, em que as minhas contribuições sejam vistas como significativas e relevantes para aqueles ao meu redor”, afirma.

A mineração nos bolsos do mundo: entenda a presença da mineração na cunhagem do dinheiro

Você sabia que aquele “trocado” que, vira e mexe, carregamos nos bolsos ou na bolsa é um pedacinho da mineração que levamos conosco?

Na economia, a moeda tem como funções básicas a reserva de valor, além de servir como intermediária em trocas. Para isso, ela deve possuir algumas características, tais como: ser indestrutível e inalterável, transferível, homogênea, e um meio fácil de se manusear e transportar.

Esses aspectos tornam os metais um dos principais materiais utilizados para produzir esse meio de pagamento. Antigamente, as moedas costumavam ser cunhadas em ouro ou em prata, minérios considerados valiosos pela sua escassez na Terra. Mesmo que, atualmente, dinheiros físicos de maior valor sejam impressos em papel-moeda, os bancos centrais continuam a emitir moedas metálicas, porém, não mais comumente em ouro ou prata.

No Brasil, as moedas do Real já estão em sua 2ª série, emitidas pela Casa da Moeda do Brasil em cores diferentes a depender do minério utilizado. Confira: 

A de 5 centavos é fabricada em aço revestido de cobre, o que lhe dá uma coloração mais avermelhada: 

Moeda de 5 centavos.
Moeda de 5 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)

Já as de 25 e 10 centavos são produzidas com aço revestido de bronze, possuindo uma coloração amarelada:

Moeda de 10 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda de 10 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda de 25 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda de 25 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)

 

A de 50 centavos é fabricada em cuproníquel, uma liga constituída essencialmente de cobre e níquel:

Moeda de 50 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda de 50 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)

 

A de 1 real é especial, formada de duas partes distintas: o núcleo e o anel. A primeira é feita também em cuproníquel, tal qual a moeda de 50 centavos, enquanto o anel é fabricado em alpaca. Alpacas são ligas ternárias de cobre, zinco e níquel.

 

Moeda de 1 Real (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda de 1 Real (Crédito: Banco Central do Brasil)

 

A primeira família das moedas do Real, entretanto, eram fabricadas todas no mesmo material, em aço inoxidável, o que as tornavam bastante parecidas uma com as outras:

 

Moeda antiga de 1 Real (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda antiga de 1 Real (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda antiga de 25 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda antiga de 25 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda antiga de 10 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)
Moeda antiga de 10 centavos (Crédito: Banco Central do Brasil)

 

No Brasil, a cunhagem de maior valor é a de um Real. Entretanto, alguns países possuem moedas com valores maiores. Veja:

O Canadá possui uma moeda de dois Dólares canadenses, o equivalente a cerca de 7,08 Reais (cotação em 16/11/2023). Ela é composta de um núcleo, feito de cobre, alumínio e níquel, e de um anel, feito de níquel.

 

Moeda de dois Dólares canadense (Crédito: Royal Canadian Mint)
Moeda de dois Dólares canadense (Crédito: Royal Canadian Mint)

 

A União Europeia tem em circulação uma moeda de dois Euros, o equivalente a cerca de 10,54 Reais (cotação em 16/11/2023). Ela é composta por um anel, de cuproníquel, e por um centro, feito de níquel e latão.

 

Moeda de 2 Euros (Crédito: Banco Central Europeu)
Moeda de 2 Euros (Crédito: Banco Central Europeu)

 

Já o Peru emite uma de 5 Soles, o equivalente a cerca de 6,35 Reais (cotação em 16/11/2023). A moeda peruana é constituída por um núcleo de cobre, alumínio e níquel e por um anel de aço inoxidável.

 

Moeda de 5 Soles (Crédito: Banco Central de Reserva del Perú)
Moeda de 5 Soles (Crédito: Banco Central de Reserva del Perú)

O que você achou? Sabia desse uso dos minerais no pagamento das nossas compras? Essa é a mineração, sempre presente no seu dia-a-dia!