PT EN ES

Aumenta a procura por prata

Demanda por moedas seguras e a produção de painéis solares fizeram o preço disparar nos últimos anos

Este é um momento fabuloso para ser um “gold bug”, expressão usada para definir investidores que gostam de aplicar em ouro. Desde o início de 2023, o preço do ouro subiu quase 60% em dólares. Isso é mais do que qualquer um dos principais índices de ações do mundo – incluindo, após algumas semanas turbulentas, o S&P 500 dos Estados Unidos.

Mas você sabia que a prata também está ganhando mais mercado? 

A lógica sugere que o preço da prata deve se mover de forma semelhante ao do ouro. Ela também é rara, bonita e inerte, e por isso é usada para criar joias e moedas há milênios. Na realidade, o valor da prata é menor. Este cenário vem ganhando novas perspectivas. Sua comercialização acompanhou o ritmo do ouro no último ano e o superou nos últimos cinco. 

Vale ressaltar, que há menos minas que a tem a prata como produto principal. “Normalmente ela é produzida juntamente com o ouro, em proporções que variam entre 5 a 30% do metal produzido. Ela também não é tão inerte como o ouro. Em cordões de prata normalmente há um escurecimento, que precisa ser limpo periodicamente e que mostra oxidação, o que não ocorre com o ouro”, ressalta o diretor de Assuntos Minerário do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Júlio Nery.  

Metal é usado na produção de painéis solares. Crédito: Freepik

A prata está novamente em alta

Os bancos centrais passaram anos acumulando suas reservas de ouro. Em setembro, a Interfax, uma agência de notícias russa, informou que o governo daquele país logo começaria a comprar prata também. Entretanto, Nery destaca que a produção de prata ficou estável em 2022 e 2023, sendo que as maiores reservas ficam no Peru, Austrália e China. 

O ano passado foi o primeiro desde 2021 em que os fundos negociados em bolsa de prata, que as pessoas físicas usam para comprar commodities, registraram entradas líquidas. Este ano, os comerciantes de Nova York têm esvaziado os cofres de ouro de Londres, em meio a temores de que essas importações possam sofrer tarifas no futuro. Eles estão adquirindo prata ainda mais rapidamente. Uma grande quantidade de ouro não é industrializada, permanecendo como reservas monetárias em diversos países, e um dos que mais compraram ouro nestes últimos anos foi a China.

Nos últimos anos, a demanda industrial aumentou em mais de 50% a demanda, em grande parte devido ao uso da prata em painéis solares. Como a capacidade de mineração não pode ser expandida rapidamente, o desequilíbrio deve continuar a impulsionar o preço da prata por algum tempo.

*Texto baseado em conteúdo do The Economist reproduzido pelo Estadão

Veja também:

‘BRONZE ROXO’: conheça o metal que pode mudar a ciência quântica

(Crédito: divulgação)

O bronze é um conjunto de ligas metálicas que possui o cobre como elemento base, mas também tem na sua composição outros metais como estanho, zinco, alumínio, antimônio, fósforo, entre outros. É encontrado em uma grande variedade de instrumentos como sinos, peças para automóveis e motores, hélices, parafusos, tubos, objetos de decoração, moedas, estátuas, instrumentos musicais, joias e armas. Uma das suas utilizações mais conhecidas é a medalha de bronze olímpica.

Mas, você sabia que existe outro tipo de bronze? Já ouviu falar no bronze roxo? Também chamado de lítio molibdênio bronze roxo, é conhecido pela sua capacidade nunca vista antes de mudar entre estados elétricos, tornando-se um isolante ou um condutor dependendo de pequenas mudanças nas condições físicas. 

Destituído das moléculas tradicionais do bronze (cobre, estanho e zinco), apresenta cristais tridimensionais em estado sólido, comportando-se como um metal unidimensional. A combinação de elementos que pode ser bastante importante para que a era do processamento quântico de dados possa criar novas coisas. O que cativou os cientistas, além dessa estrutura única, é a maleabilidade elétrica do material. 

 

Importância para ciência quântica

A flexibilidade elétrica do bronze roxo o torna especialmente adequado para a computação quântica. Nesse cenário, onde a facilidade de acionar “interruptores químicos” é essencial, esse material surge como um candidato ideal para impulsionar processos inovadores.

 

Desafios futuros 

A descoberta mais notável desse material é sua capacidade única de atuar simultaneamente como supercondutor e isolante, separados por uma barreira tênue. Esta dualidade oferece uma transição eficiente entre os estados, abrindo portas para avanços na ciência quântica. Os próximos passos da pesquisa visam explorar as semelhanças e diferenças entre as fases do bronze roxo, desvendando os mistérios por trás de seu comportamento singular. Em um campo onde a inovação é constante, o bronze roxo promete ser um catalisador de descobertas empolgantes na ciência quântica.

 

*Com informações do site Mega Curioso

Pesquisadores desenvolvem fungicida com nanopartículas de nióbio

O nióbio é um supercondutor elementar que agrega dureza e resistência a ligas metálicas.  É um metal macio, seguro e disponível, além de ser dúctil, maleável e altamente resistente à corrosão. Geralmente é empregado em automóveis, turbinas de avião, gasodutos, navios, aparelhos de ressonância magnética, em dispositivos médicos, entre outros. 

Entretanto, em mais um feito inédito, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um fungicida de tecnologia nacional, totalmente atóxico e com eficiência comprovada em testes em laboratório e no campo, utilizando uma tecnologia que usa nanopartículas de nióbio em sua composição. O fungicida, que também apresenta características de bioestimulação da plantação, é capaz de ajudar o agricultor a combater as pragas de lavouras de milho e soja. 

O produto tem potencial para proporcionar grandes benefícios ao agronegócio. Vale ressaltar que o Brasil possui uma das maiores reservas de nióbio do mundo e pode ser obtido a baixo custo. O país possui 90% de toda a reserva mundial do metal e fica localizado principalmente no estado de Minas Gerais. 

“Quase todo fungicida usado no Brasil é importado, e, além dos altos custos, é um produto de origem química/sintética que demanda cuidados em sua utilização devido aos diferentes níveis de toxicidade. Desenvolvemos uma molécula de nióbio inédita e encontramos uma alternativa de grande potencial para esses problemas”, explica o professor Luiz Carlos Oliveira, do Departamento de Química da UFMG.

Professor Luiz Carlos Oliveira com a solução que dá origem ao fungicida: formação de nanopelícula protetora. Crédito: UFMG

O uso das nanopartículas de nióbio na agricultura começou a ser estudado pelo grupo do professor Oliveira em 2020, em decorrência do dilema enfrentado pelo agronegócio, especialmente com o complexo de doenças fúngicas hoje instalado na cultura de soja. O fungicida criado pelos pesquisadores da UFMG é inorgânico, uma vez que foi desenvolvido a partir do mineral nióbio, e de baixo impacto ambiental. Por ser atóxico, ele não provoca nenhum dano humano, como a irritação ocular, efeito adverso comum nos defensivos agrícolas hoje comercializados. 

Como funciona o fungicida

O professor explica que a aplicação da nanoestrutura induz a formação de uma espécie de nanopelícula protetora nas folhas da soja, que atua como barreira molecular fotoativa e propicia uma proteção física, além de interferir no processo respiratório do fungo, evitando a sua proliferação. A efetividade da tecnologia em diferentes solos e climas está sendo testada em plantações de soja em cidades de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Paraná. Neste último estado, o fungicida também já está sendo testado em culturas de milho e de trigo.

Ao comparar a eficácia do produto desenvolvido pela UFMG com aqueles mais usados no mercado, os estudos mostraram que a margem na eficiência de inibição do fungo foi similar em todas as concentrações testadas, com resultados próximos aos 100% de inibição quando em concentrações mais altas. 

O engenheiro agrônomo Francisco Adriano de Souza, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo em Sete Lagoas, alimenta expectativas positivas em relação ao produto. “Se os resultados apresentados até o momento pelos pesquisadores da UFMG se confirmarem, e essa tecnologia passar pelo crivo de segurança ambiental e toxicológico, teremos um grande achado, a descoberta de uma nova classe de fungicidas”, afirma o pesquisador. Souza alerta para a necessidade de mais investimento nas pesquisas para que se conheça, com profundidade, a forma como o produto age e os seus eventuais efeitos colaterais. “Essa descoberta pode contribuir para a segurança alimentar mundial”, prevê o pesquisador. 

Mercado bilionário

O Brasil é o quarto maior consumidor de defensivos agrícolas do mundo (6,67%) em volumes totais, ficando atrás apenas da China, o maior consumidor mundial (41,94%), da União Europeia (13,71%) e dos Estados Unidos (11,96%). Esses produtos são utilizados especialmente nas culturas de soja, milho e algodão (54,84%), cana de açúcar (12,39%) e café (2,70%). Sua utilização no mercado mundial movimenta cerca de US$60 bilhões, considerando as 20 maiores indústrias do setor, sendo US$12,9 bilhões somente no Brasil.

A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores da UFMG tem potencial para movimentar o mercado, que hoje é dominado por dez empresas globais. De acordo com o professor Luiz Carlos, o pedido de patente já foi protocolado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e a tecnologia está licenciada para a Nanonib, startup com plataforma tecnológica sediada no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC) que desenvolve materiais avançados de nióbio para aplicações nas áreas de saúde, energia, cosméticos e para o agronegócio.

A nanopartícula de nióbio já é objeto de pesquisas na UFMG há mais de dez anos, com ênfase em tecnologias direcionadas aos cuidados com a saúde, sobretudo em materiais para a odontologia, cosméticos e energia renovável. Os estudos da UFMG com a nanopartícula já resultaram no depósito de 11 pedidos de patentes no INPI. Na pandemia, os estudos acabaram direcionados ao combate ao vírus Sars-CoV2, resultando em produto com ação antisséptica para as mãos que inativam o vírus instantaneamente.

*Com informações publicadas no site da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Veja também: 

Urânio: saiba o que é e para que serve

O urânio é um metal de coloração prateada, radioativo, denso e maleável. É um elemento razoavelmente abundante na crosta terrestre, ocorrendo em vários ambientes geológicos, sempre em combinação com o oxigênio. Mas o que é exatamente? Quais perigos ele pode oferecer à saúde humana?

Minério de urânio (Crédito: Reprodução/Domínio Público)

O metal foi descoberto na Alemanha no ano de 1789 e seu nome foi uma homenagem ao planeta Urano. Por muitos anos, foi usado principalmente como corante de esmaltes cerâmicos e no tingimento de fotografias, até que suas propriedades radioativas foram descobertas em 1866. É o último elemento natural da tabela periódica e possui o núcleo atômico mais pesado existente na natureza. Em sua forma metálica, o urânio pode reagir com quase todos os elementos da tabela periódica. 

Como é um mineral extraído do solo, o urânio não é um recurso não renovável. Mas não vai se esgotar tão cedo: estima-se que existam 5,5 milhões de toneladas do elemento em depósitos minerais economicamente viáveis, com 4,6 bilhões de toneladas dissolvidas na água do mar, que poderiam ser extraídas por um processo criado por cientistas japoneses na década de 80. A Austrália é o país com as maiores reservas de urânio, com 31% dos depósitos conhecidos.

Urânio enriquecido (Crédito: Reprodução/Domínio Público)

O processo de fissão de seu núcleo produz energia elétrica, uma alternativa aos combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão. Hoje, 16% da energia elétrica do mundo é proveniente do urânio. O metal também é utilizado em usinas nucleares e em reatores nucleares que operam navios e submarinos. Justamente pelo perigo que oferece, a produção do urânio-235 no mundo é rigidamente fiscalizada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, na sigla em inglês).

No Brasil, cerca de 99% da utilização do urânio-235 é voltada para a geração de energia e o restante é aplicado em pesquisas de medicina nuclear e na agricultura. Mas, cuidado! A ingestão acidental de altas concentrações de urânio pode acarretar graves consequências, como câncer nos ossos ou no fígado. Se inalado, pode gerar câncer de pulmão. O urânio é um elemento tóxico ao corpo humano e seus efeitos químicos podem ser mais nocivos e velozes do que os radioativos.

*Com informações do Canal Tech

Mineração é um dos grandes segredos que mantêm os arranha-céus de pé

Dubai, Xangai, Nova York, Taiwan. O que essas cidades têm em comum, além do desenvolvimento econômico e avanços tecnológicos? Os arranha-céus. No entanto, você já pensou como aqueles enormes edifícios continuam de pé mesmo após enfrentar grandes tempestades e ventanias? 

A mineração é uma grande aliada dos projetistas e engenheiros na criação de soluções que mantêm estes prédios intactos, mesmo após enfrentarem grandes ventos. Avanços sistemas de amortecimento das oscilações são criados utilizando os mais diversos metais e minérios para que o impacto dos efeitos da natureza não abalem a estrutura dos edifícios. 

Os mais altos arranha-céus do mundo eram condenados a ruírem se seus projetistas não tivessem encontrado soluções eficazes para os problemas que os ventos, principalmente os muito fortes, podem causar em edifícios tão altos. Uma das soluções encontradas pelos projetistas foi uma grande e pesada bola.  

Sistema de amortecimento com bola

Mineração é um dos grandes segredos que mantêm os arranha-céus de pé
O Taipei 101, em Taiwan, inovou ao criar um sistema de amortecimento com bola de aço

O Taipei 101 não é apenas um edifício situado em Taiwan, mas também um ícone. Ele teve o custo de US$1 bilhão, US$758 milhões gastos na sua construção, 412,5 metros quadrados de área, 508 metros de altura e 100 andares. Entretanto, não são esses números que fazem desse prédio um ícone, mas sim o fato do Taipei 101 ter sido feito para suportar terremotos de magnitude 7 na Escala Richter e de resistir a ventos de mais de 450 km por hora.

Para isso, os criadores do edifício tiveram que projetar uma grande e pesada bola com diâmetro de 5,5 metros e peso de 660 toneladas. Para se ter uma ideia, é o mesmo peso de dois aviões Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo. 

Sistema de amortecimento dos arranha-céus
Sistema criado com placas e cabos de aço

Essa bola, chamada de amortecedor de massa sintonizada, foi feita com a união de 41 placas de aço, cada uma com 12,5 centímetros de espessura. Instalada entre o 87º andar e o 92º andar, ou seja, estende-se por 5 andares, ela é suspensa por 16 gigantescos cabos de aço. O seu objetivo é contrariar os efeitos dinâmicos provocados pelo vento ou de origem sísmica e evitar o deslocamento excessivo do edifício que possam comprometer a sua integridade estrutural. 

O princípio utilizado para a criação deste sistema foi o efeito da inércia. Se alguma coisa está parada, ela quer continuar parada. Se ela estiver em movimento, ela quer continuar em movimento. 

Funciona da seguinte maneira: em edifícios muito altos, o top tende a ser suscetível em relação a ação dos ventos, já que sua base é fixa. Esse movimento imperceptível da estrutura, pode chegar ao deslocamento horizontal de um metro, sem oferecer risco à estrutura.    

Tudo muda quando há tempestades e ventos muito fortes atuando sobre os arranhas céus. Isso porque os ventos fortes aumentam perigosamente as oscilações, principalmente no topo dos edifícios, em que as oscilações podem causar um descolamento de mais de três metros. Quanto mais forte o vento, maior será a amplitude e frequência  das oscilações, o que pode comprometer a estrutura do edifício e levar a eventuais desabamentos. 

E é aí que entram em cena os amortecedores de massa. Quando o prédio começa a se mover e oscilar sobre ação dos ventos fortes, a enorme e pesada bola se contrapõe a esse movimento, ou seja, a bola se move no sentido oposto do prédio, oferecendo uma grande resistência às oscilações causadas pelos ventos fortes. 

Para impedir que a bola oscila demais e principalmente que se choque contra a estrutura do edifício, uma série de amortecedores preenchidos com óleo são colocados para amortecer o movimento de bola e carregam consigo a energia de desaceleração dos movimentos. 

Não é somente o Taipei 101 que faz uso desse gigantesco sistema de bola. O Shangai World Financial Center, na China; o Almas Tower e o Princess Tower, em Dubai; o  Trump Tower, nos Estados Unidos; e muitos outros edifícios espalhados pelo mundo também utilizam essa tecnologia para se manter de pé. 

Outros sistemas de amortecimento dos ventos 

arranha-céus
O Burj Al-arab utilizou um sistema com enormes pesos suspensos

O luxuoso hotel Burj Al-arab, em Dubai, também conta com um engenhoso sistema de amortecedores de massa feito com metal, mas ao invés de bola, os engenheiros utilizaram quatro enormes e pesados pesos suspensos e fixados em estruturas chamadas de exoesqueletos. Quando o vento atinge o edifício, ao invés da estrutura vibrar, os pesos de 5 toneladas suspensos começam a se mover, cancelando as vibrações e deixando a estrutura estável. 

 arranha-céus
Edifício mais alto do mundo com design diferenciado para amenizar os impactos do vento.

Já prédio mais alto do mundo com 828 metros de altura, o Burj Khalifa, em Dubai, utiliza um design diferenciado que funciona por si só como amortecimento dos ventos. As curvas do edifício condicionam o vento e reduz drasticamente as oscilações, mantendo-o estável. Além disso, o prédio é  largo na base e estreito no topo, o que impossibilitaria a instalação do sistema de amortecimento. 

Com informações do Canal Reverse Engineering

Teste seus conhecimentos sobre mineração de forma divertida.