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Lítio no cinema e na vida real: filme O Agente Secreto mostra a pesquisa do mineral na década de 70 

Personagem de Wagner Moura no filme Agente Secreto é professor universitário e pesquisador de um projeto de baterias de lítio no Brasil em 1977

Ganhador do Globo de Ouro e representante do Brasil na disputa do Oscar, que acontecerá no próximo domingo, dia 14/3, o filme O Agente Secreto levou para as telas um tema estratégico para o futuro da economia mundial: a mineração.

Ambientada na década de 1970, a produção traz o ator Wagner Moura no papel de professor universitário e chefe de departamento de pesquisa dedicado ao desenvolvimento de baterias de lítio, tecnologia que está no centro da transição energética global.

A partir da narrativa do filme, é possível entender por que o lítio se tornou um dos minerais mais importantes do século XXI e como o Brasil se posiciona nesse cenário.

Wagner Moura é professor universitário e pesquisador de um projeto de baterias de lítio. Crédito: Divulgação

A revolução das baterias de lítio

Grande parte da relevância atual do lítio está ligada à transformação que esse elemento químico provocou no mercado de baterias. As chamadas baterias de íons de lítio, usadas em celulares, computadores e veículos elétricos, se destacam por carregar mais rápido, armazenar grandes quantidades de energia em espaços reduzidos e ter vida útil mais longa quando comparadas às tecnologias anteriores.

Embora os primeiros estudos sobre o lítio tenham começado ainda no século XIX, os avanços decisivos ocorreram apenas no início da década de 1980. Foi nesse período que os pesquisadores John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino começaram as pesquisas para o desenvolvimento das baterias recarregáveis de íons de lítio em escala comercial. A importância dessa descoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Química de 2019.

Um mineral estratégico para o mundo

Atualmente, o lítio é classificado como um mineral crítico, termo usado para designar matérias-primas consideradas essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico e que possuem riscos de oferta. Essa classificação é adotada não apenas pelo Brasil, mas também por grandes economias como China, Estados Unidos e União Europeia.

O interesse global pelo lítio se deve, principalmente, ao seu papel nas tecnologias ligadas à transição energética, como veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia renovável. Segundo projeções da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda por lítio deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas, impulsionada pela necessidade de reduzir as emissões de carbono conforme os compromissos do Acordo de Paris.

O Brasil no mapa do lítio

O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário internacional da produção de lítio, figurando entre os principais produtores globais do mineral. A extração ocorre principalmente a partir do espodumênio, um mineral rico em lítio, com lavras concentradas em Minas Gerais, especialmente na região do Vale do Jequitinhonha.

A relevância do mineral para o desenvolvimento regional levou o governo mineiro a instituir o projeto Vale do Lítio, uma iniciativa que busca posicionar Minas Gerais e o Brasil como protagonistas na cadeia global do mineral. O projeto envolve 14 municípios da região e tem como foco atrair investimentos, gerar empregos e ampliar a participação brasileira nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.

O desafio de agregar valor

Apesar do papel relevante na produção, o Brasil ainda enfrenta desafios para avançar na industrialização do lítio. Atualmente, o país exporta majoritariamente o minério e seus concentrados, enquanto importa produtos de maior valor agregado, como baterias prontas.

Dados do comércio exterior mineral mostram que as exportações brasileiras de lítio são fortemente concentradas em produtos primários, enquanto as importações de baterias de íons de lítio superam, em valor, as exportações desse tipo de produto. Esse desequilíbrio evidencia a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva nacional, com investimentos em tecnologia, pesquisa e inovação.

Uma das estratégias do projeto Vale do Lítio é justamente atrair empresas de diferentes etapas da cadeia, da extração à fabricação de produtos finais, criando condições para que o país avance além do papel de fornecedor de matéria-prima.

Pesquisa, inovação e futuro

Nesse contexto, a pesquisa científica ganha papel central. As investigações retratadas no filme O Agente Secreto, embora ambientadas em outra época, dialogam diretamente com os desafios atuais do Brasil: transformar substâncias minerais em desenvolvimento tecnológico, industrial e social.

O fortalecimento da cadeia do lítio, aliado ao investimento em ciência e inovação, pode permitir que o país amplie sua participação em mercados estratégicos ligados à mobilidade elétrica e à energia limpa, consolidando a mineração como um dos pilares do desenvolvimento sustentável brasileiro.

Fonte: Agência Nacional de Mineração – ANM e Fomentas Mining Company

Lítio, o mineral que também salva vidas

Como o carbonato de lítio se tornou item importante em tratamentos orientados pela psiquiatria moderna

Você já deve ter ouvido falar do lítio quando o assunto são as baterias recarregáveis de dispositivos eletrônicos – casos de celulares, notebooks, tablets e câmeras. Mais ainda agora, quando a busca de fontes alternativas de energia para substituir os combustíveis fósseis disparou uma corrida por esse elemento químico, que passa a ser empregado também na fabricação das baterias dos carros elétricos. De fato, o lítio é um material versátil, com ampla gama de aplicações em diferentes setores da economia. Mas, você sabia que a mais tradicional delas é na indústria farmacêutica, com sua bem-sucedida utilização nos medicamentos psiquiátricos?

Em primeiro lugar vamos saber mais sobre o lítio. É um elemento químico, um  metal alcalino, representado na tabela periódica pelo símbolo Li e número atômico 3. Embora seja encontrado em minerais, como o espodumênio, não é o mineral em si, mas sim um elemento químico que faz parte da composição desses minerais. 

Vamos voltar à pergunta anterior: o carbonato de lítio é um medicamento usado há décadas para estabilizar o humor de pacientes com transtorno bipolar – a condição que causa alterações extremas entre euforia e depressão. Os resultados têm sido tão bons que o lítio é considerado o mais simples e o mais eficiente agente terapêutico da psiquiatria, sendo altamente eficiente na prevenção de suicídios. Assim, não é errado dizer que o lítio, literalmente, salva vidas.

O lítio atua no cérebro humano regulando os níveis de neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, que estão diretamente envolvidos na regulação das emoções. Além disso, também tem propriedades neuroprotetoras, ou seja, ele ajuda a prevenir a degeneração das células nervosas. Por isso, esse mineral também vem sendo estudado para o tratamento de outras doenças neurológicas, casos do Alzheimer, do Parkinson e da esclerose múltipla. No entanto, esse é um caminho longo a ser percorrido, pois ainda serão necessários mais estudos e pesquisas para comprovar a eficácia e a segurança do uso do lítio nessas condições.

Como dito, o lítio é um metal alcalino, ou seja, um dos elementos da primeira coluna da tabela periódica, ao lado do hidrogênio e do hélio. Os cientistas acreditam que essa tríade tenha sido criada com o Big Bang, a origem do universo. Trata-se do metal mais leve e menos denso que existe. Menores que o lítio, apenas o hidrogênio e o hélio, que são gases. 

Os principais produtores mundiais de lítio são a Austrália, Chile, China e Argentina. Ainda na América do Sul, é encontrado em abundância também nas salinas da Bolívia. O Brasil possui boas reservas de lítio, principalmente nos Estados de Minas Gerais e Ceará. 

Linha do tempo

Curiosamente, a história do lítio na medicina começou muito tempo atrás. Em seu livro sobre a tabela periódica, o professor e filósofo James M. Russell afirma que os registros do uso terapêutico desse elemento remontam ao século 2 d.C., quando o médico grego Sorano de Éfeso recomendava banhos em cachoeiras de águas alcalinas para as pessoas que sofriam de “manias e melancolia”. Já no final do século 19, o lítio voltaria a ser utilizado para o tratamento de “gota e reumatismo”. Isso porque sua presença foi detectada nas águas de várias estações hidrominerais europeias, e muita gente passou a atribuir a isso a eficácia dos tratamentos em spas.

Já nos anos 40, os americanos começaram a usar o lítio para substituir o sódio – outro metal alcalino, presente no sal marinho e, portanto, nos saleiros de todas as famílias – como forma de se evitar hipertensão arterial, problemas cardíacos e insuficiência renal. Ocorre que muitas pessoas se intoxicaram e algumas até morreram, o que levou o governo a retirá-lo de todas as farmácias, lojas e até de uma conhecida marca de refrigerante, o Seven-Up.

Mais tarde, os cientistas descobriram haver uma “janela terapêutica” entre um limite mínimo (no qual o lítio não é eficaz) e um máximo (no qual o lítio é tóxico) em que o elemento pode ser usado com eficiência e segurança. E, ainda, comprovaram que era possível medir a quantidade de lítio no sangue dos pacientes e assim evitar a intoxicação. Hoje isso é possível por um simples exame de saliva, capaz de indicar a quantidade de lítio circulante no fluido cérebro-espinhal, o que evita exames de sangue constantes. No entanto, até hoje a adesão ao lítio em pacientes psiquiátricos nos Estados Unidos é mais baixa que em outros países.

Na psiquiatria

O lítio foi introduzido na prática psiquiátrica em 1949 por John Cade, um então jovem e desconhecido psiquiatra australiano. Veterano da 2ª Guerra Mundial, ele trabalhava em um hospital de Melbourne, sem treinamento formal, sem bolsa de estudos e sem colaboradores. Dizem que seu laboratório ficava na cozinha do hospital – e até há quem diga que sua descoberta ocorreu por acaso. 

Vale lembrar que, até então, as doenças mentais não eram tratadas com medicamentos. Os tratamentos eram feitos mediante internações em hospitais psiquiátricos onde eram aplicadas sedações, feitas induções ao coma e aplicados choques elétricos, podendo chegar até à temível lobotomia – a retirada de uma parte do cérebro.

Cade começou a administrar urato de lítio a cobaias e percebeu que elas ficavam relaxadas. Como ele havia misturado lítio ao ácido úrico, atribuiu o fato ao ácido úrico e não ao lítio. Ele, então, formulou a hipótese de que o ácido úrico poderia desempenhar um papel chave nos tratamentos – o que, depois, se revelou equivocado. Após testar outros sais, John Cade não obteve o mesmo resultado e deduziu que havia sido o lítio que havia melhorado a condição de seus pacientes.

Desde 1975, este elemento vem sendo utilizado na prevenção de várias doenças maníaco-depressiva, por cerca de 1% da população do mundo todo. O lítio tem se mostrado muito eficiente no tratamento de casos de depressão, podendo ser utilizado com outros antidepressivos. 

Curiosamente, mesmo com sua ampla utilização na psiquiatria, não há consenso sobre seu mecanismo de ação no corpo humano. Novos experimentos estão em andamento e acredita-se que o desenvolvimento da biologia molecular e da genética poderão esclarecer, no futuro, o mecanismo de ação desse notável pequeno íon, uma vez que as doenças psiquiátricas podem se originar de informações transmitidas pelos genes.[1] 

* Com informações de BBC News Brasil, CRQ-SP (professor Antônio Carlos Massabni/Unesp) e sites Sinergia Científica e Scielo Brasil

Bateria quase perfeita: criação feita de lítio e índio dura mais e carrega em 5 minutos

O aumento da demanda por veículos elétricos gerou uma busca por minerais estratégicos e novas tecnologias para a produção de baterias mais duradouras e com menor tempo de recarga.  Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram uma bateria de lítio que dura mais e é carregada em menos de 5 minutos. 

Bateria quase perfeita: criação feita de lítio e índio dura mais e carrega em 5 minutos
Bateria  de lítio e índio: dura mais e carrega em 5 minutos. Crédito: divulgação

Além do lítio, outro material-chave para este experimento é o índio, devido às suas características naturais. O elemento In da tabela periódica se move rapidamente e tem uma reação cinética de superfície lenta. Com isso, os cientistas encontraram algo que parecia perfeito e entregava um carregamento rápido e uma descarga lenta.

Entretanto, nem tudo é perfeito. O elemento é pesado demais. Esta característica inviabiliza a produção em grande escala de baterias de lítio-índio. Para solucionar este problema, os cientistas defendem a criação de uma liga com outros metais, além do índio. Esta pesquisa por novos materiais é a fase atual do projeto. 

Eles afirmam que a criação de uma bateria como essa significaria a universalização do transporte eletrificado. Isso porque as baterias não precisariam ser tão potentes e caras. Basta que o usuário tenha carregadores disponíveis. O dono do veículo para no local e fica menos de 5 minutos – um tempo parecido com o que ficamos hoje nos postos de combustíveis.

Clique aqui e leia o estudo na íntegra. 

*Com informações da Universidade Cornell e do Olhar Digital.  

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Terras-raras: essenciais para a fabricação de produtos de tecnologia atraem capital estrangeiro

Superbaterias prometem revolucionar o setor de mineração

Das joias reais ao vestuário, da cabeça aos pés: entenda o papel da mineração no mundo da moda

Roupas, acessórios, calçados, joias e bolsas são muito mais do que objetos e possuem valores que vão muito além da sua função básica. A moda é uma forma de expressão pessoal e cultural. Por meio das peças que vestimos podemos nos expressar, externalizar o que somos, seja no nível pessoal ou no coletivo. Você sabe qual o papel da mineração na moda? 

 

Joias 

 

Sendo por muito tempo símbolos de soberania, as joias historicamente serviam para mostrar poder e riqueza. Ouro, prata, diamante, rubis, esmeraldas. São inúmeras opções de minérios, metais e pedras preciosas utilizadas na produção destes objetos de desejo de muitas pessoas há milhares de anos.   É o caso das coroas de rainhas e reis, como a Coroa Imperial de Dom Pedro II, em exposição no Museu Imperial, em Petrópolis, e fabricada em ouro e prata. 

 

Coroa Imperial de d. Pedro II
Coroa Imperial de d. Pedro II (Crédito/ Museu Imperial/Ibram/MTur)

 

Ou também das peças usadas por celebridades e artistas em eventos e premiações, tal qual as joias de platina e diamantes da Tiffany & Co. utilizadas pela cantora brasileira Anitta na ocasião do Grammy Awards 2023.

 

Anitta no Grammy 2023
Anitta no Grammy 2023 (Foto: Reprodução/Twitter)

 

 Vestuário 

 

A mineração está presente em quase todas as classes de itens de vestuários. Felipe Guerini, Gerente Comercial da Termomecanica, empresa que trabalha com a transformação de cobre e suas ligas, conta que esses metais podem ser aplicados em inúmeros itens: calçados, calças, blusas, bolsas, jaquetas e camisetas.

 

Cobre utilizado em peça de roupa
(Crédito: Divulgação)

 

As principais ligas de cobre utilizadas para a fabricação de botões, zíperes, deslizadores e puxadores são o Latão Fio Máquina 65/35 e a Alpaca. Já nos ilhoses, encontrados sobretudo em calças e jaquetas jeans, o Latão 70/30 é uma das principais matérias-primas.

Felipe Guerini conta que a utilização do cobre no mundo da moda se deve pelas suas qualidades, sendo um metal leve, durável, resistente à corrosão e ao desgaste. O metal também é de fácil trabalhabilidade a frio, possui aspecto superficial diferenciado e é uma matéria-prima reciclável e reutilizável. Essas propriedades fazem do cobre um material ideal para aplicações em roupas que precisam ser resistentes, confortáveis e seguras.

O gerente comercial aponta que a resistência ao desgaste e à corrosão aumenta a qualidade e a durabilidade necessária para o setor de roupa, a exemplo dos zíperes, onde o ciclo de vida útil de abertura e fechamento é mais durável se comparado a fabricação utilizando material não metálico. Outro fator de maior durabilidade é a resistência ao desgaste e ao atrito gerado no momento da lavagem de uma peça que possui um acessório metálico.

Além do benefício da durabilidade, as ligas de cobre oferecem a possibilidade de reciclagem, refusão e, posteriormente, o retorno para o mercado, visando, assim, a sustentabilidade e proteção ao meio ambiente, fatores determinantes para o consumo no universo da moda.

Relógios e óculos

 

Outros itens fashion conhecidos por serem fabricados em minérios, relógios e armações de óculos ganham novos contornos com o progresso tecnológico.

Uma tendência dos últimos dez anos é o desenvolvimento e popularização dos chamados Wearables, dispositivos vestíveis, como os relógios inteligentes e óculos inteligentes.

Um exemplo de smartwatch, o Apple Watch, possui modelos fabricados em alumínio e em aço inoxidável, e o componente mais buscado para as novas tecnologias: uma bateria interna recarregável de íon de lítio.

Conforme aponta o grupo espanhol do setor energético Iberdrola, os fones sem fio, celulares, relógios inteligentes, instalação de painéis solares e carros elétricos não teriam sido possíveis duas décadas atrás. A revolução aconteceu, entre outros fatores, graças às baterias de íon de lítio, capazes de armazenar mais energia em menos espaço que as demais, sendo fundamentais para o futuro do armazenamento de energia diante dos desafios das mudanças climáticas, que passam pela descarbonização e pelas energias renováveis.

Além de todos esses aparelhos, as baterias de íon de lítio ganharam presença também nas armações de óculos. Em 2023, a empresa italiana Ray-Ban lançou, em parceria com a empresa de tecnologia norte-americana Meta, os Ray-Ban Meta Smart Glasses, disponíveis inclusive em um dos modelos mais populares da marca: o Wayfarer.

Ray-Ban Meta Wayfarer
Ray-Ban Meta Wayfarer (Crédito: Ray-Ban/Divulgação)

O Ray-Ban Meta Wayfarer possibilita ao usuário tirar fotos com a câmera embutida de 12 MP, escutar música e utilizar a inteligência artificial da Meta a partir de controle por voz. E, sobretudo, é movido pela mineração, funcionando com uma bateria de íon de lítio.

Assim, vê-se não só como a mineração participa e faz parte das mais diversas peças de roupa e acessórios que usamos no nosso dia-a-dia, como também possibilita a inovação tecnológica em diferentes setores da atividade humana, inclusive na moda.

*Com informações de: Museu Imperial, Termomecanica, Gshow, Apple, Iberdrola e Ray-Ban

Lítio: conheça o potencial de Minas Gerais para a produção do mineral utilizado em baterias para carros elétricos

O lítio é uma matéria-prima essencial para a transição energética. A expectativa é que a demanda por esse minério deverá crescer em mais de 40 vezes até 2040, segundo projeção da Agência Internacional de Energia (IEA). Cerca de 65% das reservas estão no Chile, Bolívia e Argentina. Entretanto, o Brasil também possui reserva do mineral. Você conhece o Vale do Lítio? 

Localizado em Minas Gerais, o Vale do Lítio é formado por 14 cidades: Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Virgem da Lapa, Teófilo Otoni e Turmalina, no Nordeste de Minas, e Rubelita e Salinas, no Norte mineiro.

Saiba mais sobre o projeto Vale do Lítio
O lítio é um mineral primordial para a transição energética. Crédito: Divulgação

Esses municípios abrigam a maior reserva nacional de lítio. O mineral é utilizado em diversas aplicações, sendo a mais comum a fabricação de baterias de longa duração, que equipam veículos elétricos e aparelhos eletroeletrônicos. Por isso, será um item bastante demandado nos próximos anos pela indústria, de forma geral.

Lançamento mundial do projeto Vale do Lítio

Visando atrair empresas globais da cadeia produtiva do lítio para as regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais, o Governo do Estado lançou nesta terça-feira (9/5), na Nasdaq (EUA), maior bolsa de valores do mundo em negócios de tecnologia e inovação, o projeto Vale do Lítio (Lithium Valley Brazil). 

“Esse evento coloca para o mundo a potencialidade do Brasil, mais especificamente, de Minas Gerais, para ser um grande fornecedor deste mineral estratégico que vai ser essencial não só para o país, mas para o mundo”, avaliou o diretor de Relações com Associados e Municípios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Alexandre Mello, que foi ao lançamento representado o Instituto. 

“Queremos que o Vale do Jequitinhonha se transforme no vale da tecnologia para a produção de baterias e demais produtos de valor agregado”, explicou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Projetos na região

Atualmente, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) está em operação no Vale do Jequitinhonha. Enquanto isso, a mineradora Sigma obteve licença operacional em março e escoará a primeira leva da produção em maio.

Outras empresas, como Latin Resources, Atlas Lithium e Lithium Ionic estão atuando no programa de sondagem. Em Nazareno, cidade na mesorregião do Campo das Vertentes, a empresa AMG também já produz o concentrado de lítio e irá investir em uma planta química para transformar concentrado em carbonato.

*Com informações da Agência Minas 

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O papel da mineração na transição energética

Petróleo branco: metal menos denso do mundo é disputado no mercado 

Metal alcalino, pouco denso, de consistência macia, o que permite que ele seja cortado à faca. Elemento mais leve da tabela periódica, foi gerado no Big Bang, assim como o hidrogênio e o hélio. Você conhece o petróleo branco? 

Apontado como o petróleo do século XXI ou a commodity do futuro, o petróleo branco é o conhecido lítio, que ganhou esse apelido devido à cor branca. O metal é o elemento básico na fabricação de todos os tipos de baterias com íon de lítio, importante bateria utilizada em diversos eletrônicos  e também em carros elétricos. 

Petróleo branco: metal menos denso do mundo é disputado no mercado 
Minas de lítio no México. Crédito: REUTERS

A maioria da produção mundial de lítio vai para a fabricação de baterias elétricas. O crescimento da produção de carros elétricos no Brasil também aumenta a procura de petróleo branco no país.  Dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) mostraram que em 2022 foram aproximadamente 47 mil exemplares vendidos de modelos híbridos, elétricos e híbridos plug-in, superando em 24,77% o total de 2021 (34.990). Estima-se que até 2030, a produção mundial de veículos chegue a 51 milhões de unidades. 

A Agência Internacional de Energia prevê que, em 2040, a demanda por lítio cresça mais de 40 vezes sobre os níveis atuais, se o mundo pretender atingir os objetivos do Acordo de Paris. 

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Brasil, que se tornou estratégico para a transição energética global, as reservas de lítio estão localizadas no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Tocantins, Goiás, Bahia e Minas Gerais. 

Uma das empresas que atua com produção de lítio no Brasil é a Sigma Mineração S.A, localizada em Araçuaí e Itinga, região nordeste de Minas Gerais. A mineradora está em fase de pré-construção. O planejamento da empresa é iniciar a produção comercial em abril de 2023. Conforme o seu Relatório de Estudo de Viabilidade, planeja produzir 220.000 toneladas por ano de lítio concentrado e lítio para bateria (33.000 toneladas) de equivalente de carbonato de lítio. O seu objetivo é participar da cadeia de fornecimento global de veículos elétricos. 

*Com informações de: Serviço Geológico do Brasil, Capitalist, Click Petróleo e GásValor Econômico.

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Lítio: um caminho para a transição energética

Minerais estratégicos: o papel na transição energética

Lítio: um caminho para a transição energética

O lítio é um metal alcalino raro cujas propriedades físico-químicas o tornam especial e de pouca substituição. Componente essencial para as baterias recarregáveis e produtos de alta tecnologia, é considerado um elemento estratégico no Plano Nacional de Mineração para 2050. 

Você sabe por que o lítio é tão importante na produção de baterias? Por ser o metal mais leve da tabela periódica, com um bom balanço entre densidade, baixo peso, troca de energia e eficiência energética, ele tem grande potencial eletroquímico. As baterias de lítio apresentam grande vantagem quanto a sua densidade de energia, uma vez que que o metal é um elemento altamente reativo. 

Lítio: um caminho para a transição energética

As principais características das baterias de lítio são a grande vida útil, ausência do efeito memória (degradação do ânodo e/ou do eletrólito) e grande densidade volumétrica de energia. Também são economicamente viáveis, podendo ser fabricadas em diferentes associações de células e formatos, em busca de maior capacidade, corrente de curto circuito, tensão ou ambas simultaneamente. A tecnologia permite que a bateria seja fabricada para diferentes fins.

Atualmente, os depósitos de lítio economicamente viáveis estão distribuídos em três grandes categorias: minérios com origem em rochas sãs (pegmatitos); 2- minérios originados em salmouras evaporíticas continentais (além de salmouras hidromórficas e geotermais – estes últimos menos expressivos); 3 – minérios originados de argilas hectoritas, e outros minerais de argilas menos comuns, que também podem conter lítio, como a jadarita. 

Tendo em vista perspectivas da crescente demanda por lítio e para que essa indústria seja viável economicamente e atue de maneira sustentável pelos próximos anos, é fundamental que seja feito o aproveitamento total dos recursos disponíveis a partir do desenvolvimento de novas tecnologias para o beneficiamento desses minerais e aproveitamento de seus subprodutos.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) disponibiliza um hotsite com informações exclusivas sobre o metal.  Clique aqui para acessar. 

Lítio no Brasil e no mundo

No Brasil, o lítio está hospedado em rochas ígneas, chamadas de pegmatitos, diferentemente das salmouras evaporíticas, onde é encontrado na forma de sais. Os locais com produção do metal no país são: Subprovíncia de Solonópole (CE), Província Pegmatítica da Borborema  (RN / PB), Sul de Tocantins, Nordeste de Goiás  (TO / GO), Região de Itambé (BA), Área do médio Jequitinhonha (MG), Região Leste de Minas Gerais (MG) e Província Pegmatítica de São João del Rei – (MG). 

Uma das empresas que atua com produção de lítio no Brasil é a Sigma Mineração S.A, localizada em Araçuaí e Itinga, região nordeste de Minas Gerais. A mineradora está em fase de pré-construção e, de acordo com o seu Relatório de Estudo de Viabilidade, planeja produzir 220.000 toneladas por ano de lítio concentrado e lítio para bateria (33.000 toneladas de equivalente de carbonato de lítio. O seu objetivo é participar da cadeia de fornecimento global de veículos elétricos. 

Chile, Austrália, Argentina e China detêm juntos cerca de 95% das reservas de lítio atualmente conhecidas no mundo. Depósitos de lítio do tipo salmoura são encontrados na Bolívia, Chile e Argentina, além de China e EUA. Por outro lado, depósitos de lítio em pegmatitos estão localizados na Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, China, Congo, República Tcheca, Finlândia, Alemanha, Mali, Namíbia, Peru, Portugal, Sérvia, Espanha, EUA e Zimbábue.

Além desses depósitos, o metal pode também ser obtido por meio de argila, como ocorre no México e Estados Unidos, e outras fontes. Por contribuir com a maior parte da produção mundial de lítio, têm destaque quatro depósitos em pegmatitos na Austrália e duas minas em depósitos do tipo salmoura e uma em pegmatito na China. Além disso, operações menores no Brasil, China, Portugal, EUA e Zimbábue também contribuem para a produção de lítio no cenário global (Sumário de Commodities Minerais da USGS de 2022 e Bibienne et al., 2020).

*Fonte: Serviço Geológico do Brasil 

Pesquisador desenvolve projeto de imãs que podem revolucionar a geração de energia

Minerais e metais, como o lítio, são essenciais para transformar energia nuclear em energia limpa 

Você sabia que a mineração pode auxiliar na reprodução de um processo de transformação que acontece nas estrelas em energia limpa? Minerais e metais encontrados na natureza são utilizados na reprodução de diversas reações nucleares de fusão, como aquelas que ocorrem no Sol e em todas as outras estrelas, em que dois núcleos atômicos menores se unem para dar origem a um núcleo atômico maior e mais estável. O aspecto mais importante desse tipo de reação nuclear é a quantidade de energia liberada, mas que ainda não conseguimos aproveitá-la na Terra. 

O sonho de muitos cientistas é conseguir aproveitar a energia liberada em reações de fusão. O desafio é controlar esse fenômeno. A fusão sem controle já foi usada na bomba de hidrogênio ou termonuclear, no ano de 1952, lançada pelos Estados Unidos em um atol do oceano Pacífico. Essa bomba foi apelidada de “Mike” e possuía uma potência 700 vezes maior do que a bomba de Hiroshima. Os reatores usados em usinas nucleares são de fissão nuclear, que é o processo contrário à fusão e que produz uma quantidade menor de energia. 

Desde que concluiu sua pesquisa na Universidade de Oxford, na Inglaterra, cinco anos atrás, o pesquisador britânico, Greg Brittles, tem trabalhado para a Tokamak Energy, uma startup do Reino Unido que tem planos de construir um reator de fusão, que poderia gerar um imã inovador. 

Se essa reação pudesse ser aproveitada, forneceria uma fonte abundante de energia, a partir de apenas uma pequena quantidade de combustível e sem produzir dióxido de carbono. O princípio é adicionar calor e pressão suficientes a átomos de hidrogênio, que se fundirão formando o hélio. Durante esse processo, parte da massa de hidrogênio é convertida em calor, que pode ser usada para produzir eletricidade.

Além da grande quantidade de energia liberada, outra vantagem de se usar a fusão nuclear é a facilidade de obtenção dos materiais usados nessas reações, pois o deutério é encontrado nas moléculas de água, o trítio (isótopo do hidrogênio que possui um próton e dois nêutrons no núcleo) pode ser obtido por meio do lítio, um metal encontrado na natureza e que faz parte da mineração brasileira, por exemplo. Os produtos da fusão não são radioativos, sendo assim, geram um tipo de energia considerada limpa que não causa alterações no meio ambiente.  

Lítio
O mineral Lítio é utilizado no processo de fusão nuclear. Crédito: divulgação.

Para a fusão acontecer é necessário aquecer os isótopos de hidrogênio a centenas de milhões de graus, até que se tornem tão energéticos que se separam em um estado giratório de matéria chamado plasma. O desafio é conter esse plasma, que no caso das estrelas é feito pela gravidade. Na Terra o método mais comum é usar campos magnéticos poderosos para manter o plasma confinado. 

Plasma confinado dentro do reator com poderosos campos magnéticos.
Plasma confinado dentro do reator com poderosos campos magnéticos. Crédito: divulgação

Uma parte desse desafio se resolveu com a construção de ímãs, que precisam ser eficientes o suficiente para conter uma massa de matéria incrivelmente quente e rodopiante. Ainda neste ano, a equipe da Commonwealth Fusion Systems (CFS) vai testar um ímã inovador que, segundo eles, pode dar esse salto tecnológico. Pesando 10 toneladas, o ímã em forma de D é grande o suficiente para acomodar uma pessoa. Cerca de 300 km de uma fita eletromagnética muito especial é enrolada na forma da letra D. 

O avanço em tecnologia magnética é fundamental para o projeto de fusão da Tokamak Energy no Reino Unido. Brittles passou os últimos cinco anos desenvolvendo essa tecnologia e atualmente está ajudando a construir um demonstrador que terá uma série de ímãs poderosos trabalhando em conjunto. Quando esses ímãs estiverem prontos, serão colocados em um tokamak esférico – um reator de fusão em forma de maçã. As forças que esses campos magnéticos podem gerar são enormes. Brittles compara a potência total da força gerada por seus ímãs ao dobro da pressão no fundo da mais profunda fossa do oceano. 

A pesquisa sugere que tal projeto irá gerar mais energia para cada unidade do que o tokamak usou até hoje. “O verdadeiro desafio é a fusão comercial. E é isso que realmente está nos impulsionando, porque estamos nos concentrando no tokamak esférico por causa das vantagens comerciais de longo prazo”, diz David Kingham, um dos fundadores da Tokamak Energy e atualmente vice-presidente executivo da empresa. “Acreditamos que nossa tecnologia será colocada em uma planta piloto de fusão no início de 2030”, diz ele. 

*Com informações da BBC Brasil e Brasil Escola 

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