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Conheça os minerais de terras raras

E entenda porque esses elementos tornaram-se estratégicos na geopolítica atual

Crédito: Divulgação

Nestes tempos em que as guerras – bélicas e tarifárias – se multiplicam pelo planeta, você já deve ter ouvido falar nas chamadas “terras raras”. Mas, você sabe o que são elas? Trata-se de um conjunto de elementos químicos, normalmente encontrados na natureza misturados a outros minérios, de difícil extração e separação – daí o nome.

Paradoxalmente à denominação, esses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre, o que acontece é que estão espalhados, e isso também dificulta a produção. Entre suas características peculiares estão o magnetismo intenso e a absorção e emissão de luz, o que os levam a ser utilizados numa ampla gama de produtos e atividades, principalmente na indústria automotiva. 

Eles formam um grupo de 17 elementos químicos: lantânio, cério, praseodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, lutécio, ítrio, escândio e o mais requisitado deles nos dias de hoje, o neodímio. Ele é empregado para fazer imãs superpotentes, resistentes a altas temperaturas, fundamentais para a indústria tecnológica atual, notadamente a automotiva. 

Carros elétricos e híbridos utilizam até dois quilos de elementos raros em sua construção. Os “superimãs” de neodímio estão presentes na assistência elétrica da direção, na recuperação de energia de frenagem (kers), sensores, transmissões, bancos, câmeras e muitos outros componentes. E, certamente, você deve ter na sua casa algum alto-falante ou fone de ouvido que emprega esse material.

O Centro Geológico dos EUA estima que haja aproximadamente 110 milhões de toneladas de terras raras no mundo, das quais 44 milhões estão na China. Outros territórios com grandes reservas são a Ucrânia e a Groenlândia. 

O Brasil aparece em terceiro lugar em jazidas, atrás do Vietnã, com 21 milhões de toneladas. Apesar disso, a exploração de elementos de terras raras ainda é muito incipiente no País. Investimentos vêm sendo feitos em Minas Gerais e na região Norte e há planos para produção local de ímãs em Lagoa Santa (MG). 

Mas, como já dito, a questão é que esses elementos são encontrados juntos nos mesmos tipos de minério, o que exige complexos e caros processos de extração e separação. E, atualmente, apenas a China domina esse refino altamente especializado. O país asiático responde por cerca de 70% da mineração global e mais de 90% do processamento de terras raras.

Esses elementos raros são utilizados ainda na produção de turbinas eólicas, discos rígidos, smartphones, vidros especiais e uma infinidade de produtos.

E o Brasil?

Diante desse complexo cenário geopolítico, em que os recursos minerais tornaram-se alvo de cobiça capazes de influenciar os conflitos, o Brasil tem de se preparar para transformar a crise em oportunidade. 

“A conclusão é nítida. Mineração não é opção: é imperativo, inclusive para o Brasil. A guerra na Ucrânia deixou claro que recursos minerais são tão estratégicos quanto o petróleo no século 20. Para o Brasil, negligenciar seu subsolo é abrir mão de desenvolvimento econômico, autonomia tecnológica e influência geopolítica”, escreveu o presidente do IBRAM, Raul Jungmann, em artigo publicado no Correio Braziliense.

“A escolha situa-se entre fazer parte do jogo global ou entregá-lo a outros. Com planejamento, é possível conciliar crescimento mineral, sustentabilidade e valor agregado – desde que haja vontade política para transformar potencial em poder”, finalizou.

Lítio: conheça o potencial de Minas Gerais para a produção do mineral utilizado em baterias para carros elétricos

O lítio é uma matéria-prima essencial para a transição energética. A expectativa é que a demanda por esse minério deverá crescer em mais de 40 vezes até 2040, segundo projeção da Agência Internacional de Energia (IEA). Cerca de 65% das reservas estão no Chile, Bolívia e Argentina. Entretanto, o Brasil também possui reserva do mineral. Você conhece o Vale do Lítio? 

Localizado em Minas Gerais, o Vale do Lítio é formado por 14 cidades: Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Virgem da Lapa, Teófilo Otoni e Turmalina, no Nordeste de Minas, e Rubelita e Salinas, no Norte mineiro.

Saiba mais sobre o projeto Vale do Lítio
O lítio é um mineral primordial para a transição energética. Crédito: Divulgação

Esses municípios abrigam a maior reserva nacional de lítio. O mineral é utilizado em diversas aplicações, sendo a mais comum a fabricação de baterias de longa duração, que equipam veículos elétricos e aparelhos eletroeletrônicos. Por isso, será um item bastante demandado nos próximos anos pela indústria, de forma geral.

Lançamento mundial do projeto Vale do Lítio

Visando atrair empresas globais da cadeia produtiva do lítio para as regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais, o Governo do Estado lançou nesta terça-feira (9/5), na Nasdaq (EUA), maior bolsa de valores do mundo em negócios de tecnologia e inovação, o projeto Vale do Lítio (Lithium Valley Brazil). 

“Esse evento coloca para o mundo a potencialidade do Brasil, mais especificamente, de Minas Gerais, para ser um grande fornecedor deste mineral estratégico que vai ser essencial não só para o país, mas para o mundo”, avaliou o diretor de Relações com Associados e Municípios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Alexandre Mello, que foi ao lançamento representado o Instituto. 

“Queremos que o Vale do Jequitinhonha se transforme no vale da tecnologia para a produção de baterias e demais produtos de valor agregado”, explicou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Projetos na região

Atualmente, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) está em operação no Vale do Jequitinhonha. Enquanto isso, a mineradora Sigma obteve licença operacional em março e escoará a primeira leva da produção em maio.

Outras empresas, como Latin Resources, Atlas Lithium e Lithium Ionic estão atuando no programa de sondagem. Em Nazareno, cidade na mesorregião do Campo das Vertentes, a empresa AMG também já produz o concentrado de lítio e irá investir em uma planta química para transformar concentrado em carbonato.

*Com informações da Agência Minas 

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O papel da mineração na transição energética