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Esmeralda gigante de 92,5 kg vai a leilão com valor inicial de R$ 100 milhões

É a sexta formação rochosa do tipo encontrada na Serra da Carnaíba, no semiárido baiano, nos últimos 20 anos 

Uma esmeralda bruta de 92,5 quilos, descoberta na região da Serra da Carnaíba, no semiárido baiano, será leiloada no dia 8 de agosto com lance inicial de R$ 100 milhões. A pedra foi adquirida em agosto de 2024 por um empresário do setor de metalurgia do Rio de Janeiro, que é colecionador de ativos minerais. Agora, ele decidiu colocá-la à venda. 

A pedra apresenta 68 cm de altura por 43 cm de largura e 40 cm de profundidade. Apesar das proporções impressionantes, foi batizada de “Pequena Notável”, em homenagem à cantora e atriz Carmen Miranda. Isso porque, segundo os especialistas, a esmeralda não é considerada gigantesca em tamanho, mas “impressiona pela densidade e qualidade dos cristais.

Segundo a descrição no site da Bid Leilão, responsável pela venda da formação rochosa, trata-se de “um conglomerado composto de berilo e xisto, também denominado Canga de Esmeralda, apresentando um corpo vertical de xisto salpicado com uma abundância de cristais hexagonais de berilo do tipo esmeralda, em grande parte bem preservados, de coloração consistente com a cor verde-esmeralda”.

“É um exemplar impressionante, que deve ser alojado em um museu, sede corporativa ou coleção particular decorrente da sua magnitude, importância e beleza”, continua o texto da descrição no leilão. Espera-se que o leilão da “Pequena Notável” desperte o interesse de colecionadores e investidores de todo o mundo, devido à raridade e ao porte da gema.

O leilão vai acontecer de forma online, mas a pedra pode ser vista no site da empresa responsável pelo leilão ou em visita presencial, mediante agendamento, no Rio de Janeiro. O canal para isso também é o site da empresa. 

Outros casos

O mais impressionante é que grandes esmeraldas como essa não são raras de serem encontradas nos municípios de Pindobaçu e Campo Formoso, na região da Serra da Carnaíba. Nos últimos 20 anos, pelo menos outras cinco esmeraldas gigantes foram encontradas no mesmo garimpo da Pequena Notável.

A primeira delas foi encontrada em 2001 e tem 380 quilos, tendo sido avaliada em cerca de US$ 1 bilhão — aproximadamente R$ 6 bilhões. Essa esmeralda foi inicialmente enviada para São Paulo e, em 2005, para os Estados Unidos, onde sofreu uma série de extravios e sumiços (inclusive por conta das enchentes provocadas pelo furacão Katrina) até que foi definitivamente reencontrada em 2009. Iniciou-se então uma longa batalha judicial, até que a Justiça americana decidisse pelo seu repatriamento ao Brasil, em janeiro de 2025.

A segunda pedra foi encontrada em abril de 2017 pela Cooperativa Mineral da Bahia, que tem autorização para explorar a área. Com 360 quilos, ela foi avaliada em R$300 milhões e vendida a um minerador da região. Achada apenas três meses depois, a terceira pedra pesa 137 quilos e é avaliada em R$500 milhões. Foi comprada por um empresário de Petrolina (PE) e um investidor de Curaçá (BA), que patrocinam a produção em troca de prioridade na aquisição.

A quarta esmeralda foi encontrada na mesma região em 2021, com 404,8 quilos. Foi estimada em R$990 milhões e não teve o nome do seu dono divulgado. Depois dessa, em 2022 foi encontrada na Mina Carnaíba uma matriz preta com esmeraldas verdes, de 137 quilos. Inicialmente avaliada em R$115 milhões, foi leiloada no ano passado por R$175 milhões pela Receita Federal, valor ainda considerado baixo pelo seu potencial, segundo especialistas.

A Bid Leilão também pretende vender em novembro uma escultura feita da mesma formação rochosa. No caso, é uma escultura feita pelo artista baiano Florinaldo Souza dos Santos, o “Galego”, entre 2002 e 2006, que traz esculpidas oito figuras humanas sustentando uma canga de esmeraldas. O valor inicial do lance está estimado em R$ 75 milhões.

Fontes: Terra, UOL, G1 e Itatiaia

Acelerador de partículas é aliado no combate ao garimpo ilegal

O setor de mineração, o meio ambiente, a economia e as comunidades indígenas enfrentam um grave desafio: o garimpo ilegal. Conheça uma alternativa utilizada no combate a essa atividade. 

O garimpo é uma atividade secular, presente no Brasil desde meados do século XVIII. Voltada para o extrativismo mineral, no período colonial foi intensamente realizado em diversas localidades, principalmente em Minas Gerais, na busca por ouro e diamante. Com o passar dos séculos, a atividade se estendeu para outros estados. 

O garimpo no Brasil

Atualmente, segundo dados do MapBiomas, a região Amazônica concentra quase a totalidade (92%) da área garimpada no Brasil, sendo o ouro o mineral mais procurado. 

Ocorre que, na região Norte, o garimpo ilegal é uma realidade. Em Roraima, por exemplo, de acordo com Ivo Cípio Aureliano, indígena Macuxi e assessor jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR), “todos os garimpos são ilegais e estão localizados dentro das terras indígenas”.

Ivo explica que o garimpo clandestino é umas das maiores ameaças às comunidades indígenas no estado.  Por isso, o combate a essa prática se tornou uma luta constante de comunidades indígenas, governos, empresas mineradoras regulamentares e órgãos públicos.

Homem garimpeiro segura a bateia com as duas mãos.
Garimpeiro utiliza bateia para realizar a atividade. Crédito: divulgação.

Leia mais sobre a origem do ouro: https://portaldamineracao.com.br/ouro-saiba-mais-sobre-a-origem-do-metal/ 

Sirius: aliado na luta contra o garimpo ilegal

A partir de 2024, a Polícia Federal conta com um aliado poderoso no combate ao garimpo ilegal: a tecnologia do Sirius, laboratório de aceleradores de partículas localizado em Campinas (SP). O trabalho é resultado de uma parceria inédita entre a Polícia Federal, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia  e Materiais (CNPEM) e quatro universidades.

O Sirius é um grande equipamento científico e possui em seu núcleo aceleradores de partículas de última geração, capazes de produzir e controlar o movimento de elétrons em velocidades próximas à velocidade da luz. Esse equipamento gera um tipo de luz especial, a luz síncrotron, capaz de revelar a microestrutura de materiais orgânicos e inorgânicos.

A partir desse mecanismo, a tecnologia é capaz de identificar a origem de amostras de ouro. Ou seja, se amostras do mineral apreendidas pela PF foram extraídas ilegalmente de reservas indígenas no Brasil. Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, onde se localiza o Sirius, explica que a depender de onde o ouro foi formado ele pode carregar impurezas de maneira distinta.

“O tipo, a quantidade e o entorno das impurezas trazem informações do local onde o ouro foi formado. O Sirius consegue enxergar exatamente, em altíssima precisão, esses elementos estranhos à pepita de ouro”, esclareceu.

Inicialmente, a Polícia Federal, como uma ação do Programa Ouro Alvo, enviou 57 amostras de ouro para análise. Após o preparo do material, a amostra recebe um feixe de luz, invisível a olho nu. Cada operação dura, em média, 15 minutos e fornece um “raio-X” completo dos fragmentos. Os laudos das análises feitas pelo Sirius ficam prontos em dois meses.

Para o setor mineral, a utilização dessa tecnologia representa um avanço significativo na busca pela melhoria da fiscalização do mercado e responsabilização criminal de intermediadores e compradores de minerais extraídos ilegalmente.

Laboratório do CNPEM em formato circular e branco.
CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), onde fica localizado o Sirius. Crédito: divulgação.

* Com informações do Brasil de Fato, MapBiomas, Metrópoles – DF, CNPEM, G1