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Dia mundial dos oceanos: geologia marinha e a mineração 

Comemorado em 8 de junho, o Dia Mundial dos Oceanos é uma data que incentiva a sociedade a refletir sobre a importância da conservação das águas marinhas.  Foi criada durante a Rio-92, mas somente em 2008 uma Assembleia Geral da ONU decidiu que, a partir de 2009, o dia 8 de junho seria designado oficialmente como Dia Mundial dos Oceanos.

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e contêm 97% da água de todo o planeta. Eles são parte essencial para promover a regulação climática do planeta, pois absorvem cerca de 30% do dióxido de carbono produzido.  Além disso, aproximadamente 3 bilhões de pessoas dependem dos oceanos e mares como fonte de alimento. 

Mas não é só isso. Você sabia que também existe mineração nos oceanos? 

O fundo do mar possui ilhas, vulcões extintos e ativos, cadeias de montanhas, fossas oceânicas, planícies abissais, inúmeros minerais e, estima-se, imenso potencial mineral a ser descoberto. 

A ciência responsável pelo seu estudo é a geologia marinha ou oceanografia geológica, também conhecida como oceanografia abiótica. É responsável pelo estudo de regiões marinhas abrangendo a geologia, a morfologia de fundo, a evolução morfoestrutural das margens continentais, a distribuição sedimentar, os recursos minerais, a evolução paleogeográfica e a dinâmica costeira.

Poucas empresas e instituições de pesquisa têm as estruturas necessárias para investir em pesquisas. Os altos custos e as dificuldades de investigação geradas pela própria natureza dos oceanos são fatores que interferem diretamente nos projetos de pesquisas, que são importantes para entender o potencial mineral das áreas estudadas pela geologia marinha e produzir conhecimento acerca da formação, composição e história do fundo dos mares e oceanos. 

No Brasil, existe a Divisão de Geologia Marinha (DIGEOM) do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), que desenvolve atividades de pesquisa relacionadas aos oceanos, na Zona Costeira, na Plataforma Continental Jurídica Brasileira e em regiões oceânicas internacionais. Ela estuda as características químicas e físicas de rochas e sedimentos coletados em área oceânica; as especificidades, como idade de origem; batimetria dos oceanos; recursos minerais e ambientais marinhos; e, também, os processos de erosão costeira.

O SGB-CPRM é parceiro da Marinha do Brasil no uso de uma embarcação especialmente equipada para investigar as áreas de interesse que podem contribuir com o desenvolvimento do setor mineral brasileiro, fomentando ainda mais o desenvolvimento socioeconômico regional. 

*Com Informações do Serviço Geológico do Brasil e do Portal de Educação Ambiental

Jazidas minerais são encontradas no fundo do mar

Estudo da USP revela bactérias que formam reservas submarinas de cobalto, níquel, molibdênio, nióbio, platina, titânio e telúrio 

Você sabia que a mineração também está no fundo do mar? Um recente estudo realizado por oceanógrafos do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) revela que bactérias e microorganismos podem formar reservas submarinas de alguns minérios como cobalto, níquel, molibdênio, nióbio, platina, titânio e telúrio. Essa descoberta submarina torna o Brasil ainda mais rico em energias renováveis.

Esses minérios são primordiais para o desenvolvimento de novas tecnologias, especialmente aquelas usadas em baterias recarregáveis e projetos para geração de energia de alta eficiência, substitutas dos combustíveis fósseis causadores do aquecimento global. 

As jazidas encontradas estão numa área conhecida como Elevação do Rio Grande. A região fica localizada em águas internacionais, a 1,5 mil quilômetros da costa brasileira, mas o Brasil obteve autorização da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ligada à ONU) para estudar seu potencial por 15 anos. A área onde se encontra a jazida tem três vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro e os “tesouros” estão a profundidades que vão de 800 a 3 mil metros. 

Segundo a USP, a jazida se formou durante a separação do supercontinente Gondwana (que deu origem à África e à América do Sul), a Elevação Rio Grande era uma ilha que afundou há 40 milhões de anos devido ao peso da lava de um vulcão e à movimentação de placas tectônicas.

RRS Discovery, navio da realeza britânica utilizado nas expedições/ Crédito: Reprodução  Google

O Brasil solicitou à ONU, em 2018, a ampliação da sua plataforma continental, para incluir a Elevação Rio Grande na zona marinha exclusiva do país. A descoberta foi publicada recentemente pela revista Microbial Ecology e contou com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP. Além disso, as expedições foram a bordo do RRS Discovery, navio da realeza britânica.

Existem apenas quatro áreas no planeta com potencial semelhante: Fratura de Clipperton e o monte submarino Takuyo-Daigo, ambos no Pacífico Norte, além do monte submarino Tropic, no Atlântico Norte. A viabilidade ou não da exploração futura desses minérios na Elevação do Rio Grande dependerá de aprofundamento na pesquisa. 

Com informações da FAPESP USP e Click Petróleo e Gás

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