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Estudo geológico aponta potencial de Alagoas para explorar potássio e fosfato

Minerais são amplamente utilizados pela indústria de fertilizantes e Brasil depende de importação

A conhecida dependência do Brasil da importação de potássio e fosfato para fabricação de fertilizantes deve ganhar um alento nos próximos anos. Isso porque pesquisas realizadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificaram reservas de potássio e indícios de fosfato no subsolo alagoano. Há ainda possibilidade de ocorrências de urânio e tório.

Alagoas já é conhecido pela extração de sal-gema, cobre e ouro e, agora, vê abrirem-se novas possibilidades para atrair grandes mineradoras interessadas na exploração do potássio e fosfato. Se isso se confirmar, o Estado se verá em uma privilegiada posição estratégica do ponto de vista de exploração mineral. 

Os dados fazem parte do Projeto Geologia e Potencial Mineral da Bacia de Alagoas, que buscam definir um novo mapa do potencial mineral do Estado. Eles envolvem o processamento e a interpretação de dados obtidos por meio de levantamentos aerogeofísicos. Essa técnica utiliza sensores acoplados a aeronaves para captar informações do subsolo, sem a necessidade de intervenções diretas no terreno.

Fertilizantes

O fosfato e o potássio estão entre as principais matérias-primas utilizadas pela indústria de fertilizantes para fornecer os nutrientes essenciais ao desenvolvimento das lavouras. 

O Brasil sempre importou potássio e fosfato, principalmente, da Rússia e da Bielorússia, países que agora sofrem sanções do ocidente em razão da guerra com a Ucrânia, desencadeada há três anos. Em razão disso, o País teve de buscar novas alternativas de importação, como o Canadá. Nos últimos meses, no entanto, tanto Rússia quanto Bielorússia tem conseguido contornar as sanções ocidentais e os desafios logísticos para aumentar os embarques para a Ásia e a América do Sul.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), praticamente todo o potássio e cerca de 74 % do fósforo usado pela indústria nacional de fertilizantes vêm do exterior. Um levantamento da entidade aponta que, em 2024, o Brasil importou mais de 41 milhões de toneladas de fertilizantes, gastando cerca de US$ 3,38 bilhões, e continua altamente dependente desses insumos estratégicos. 

O fosfato é extraído principalmente de rochas fosfáticas e passa por um processo químico que o torna solúvel e mais facilmente absorvido pelas plantas. Já o potássio, geralmente obtido a partir da silvinita e de outros sais naturais, é transformado em fertilizantes como o cloreto de potássio e o sulfato de potássio, fundamentais para melhorar a resistência das plantas, regular a fotossíntese e aumentar a produtividade agrícola. A combinação desses dois nutrientes formam a base da adubação moderna em larga escala.

Terras raras

De acordo com a coordenadora do projeto Bacia Alagoas, Maria de Fátima Lyra de Brito, “na Bacia de Alagoas já existem ocorrências de depósitos de potássio reconhecidos por meio de sondagens recuperadas de poço para petróleo. Também são conhecidos, por meio de sondagens, indícios de mineralizações de fosfato”.

Ainda segundo ela, as anomalias encontradas sobre urânio podem, potencialmente, ser indicativas de presença de fosfato e as de tório podem estar relacionadas à ocorrência de terras raras. 

No entanto, a equipe técnica do projeto ainda aguarda informações complementares de geoquímica prospectiva para poder afirmar com certeza se existe ou não elementos de terras raras em Alagoas. Como se sabe, as terras raras são constituídas por 17 elementos vitais para a construção de baterias, turbinas eólicas e equipamentos de sistemas de defesa.

Fonte: Vanessa Siqueira / Movimento Econômico

Foto: SGB (Mapa com dados aerogeofísicos de Alagoas)

Fertilizantes: a importância da mineração na alimentação e no dia a dia das pessoas

Você já parou para pensar como a mineração é muito importante para o agronegócio? O Brasil tem índices de produtividade no campo de causar inveja a muitas nações. Os produtores brasileiros conseguem fornecer alimentos em quantidades cada vez maiores, com muito mais qualidade sem, necessariamente, aumentar a área plantada. E não vamos esquecer da pecuária. O rebanho criado no Brasil é reconhecido pela sua alta qualidade e os minérios são essenciais para qualificar as pastagens, por exemplo.

No entanto, o país só tem fertilizantes à disposição dos produtores rurais porque importa grandes quantidades do produto. Aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados são importados.

A produção brasileira é restrita e necessitamos importar esse percentual porque faltam pesquisas geológicas para identificar mais jazidas dos chamados agrominerais, que são utilizados na fabricação de fertilizantes. Segundo o vice-presidente comercial da Mosaic Fertilizantes, Eduardo Monteiro, o aumento da produção de fertilizantes no Brasil depende da disponibilidade de recursos minerais cruciais para fabricar este insumo, além de condições favoráveis de preços, infraestrutura e impostos.

O crescimento populacional exige, cada vez mais, a oferta de alimentos. E o mundo tem um grande desafio pela frente: unir esforços para aumentar a produção de alimentos reduzindo ao máximo o impacto ambiental da agricultura. Fundamental nessa missão, a fertilidade e a saúde do solo, responsáveis pela garantia do aumento da produção de alimentos, são resultado – entre outras ações – da utilização dos fertilizantes, com participação ativa no crescimento da oferta dos alimentos.

Operação da Mosaic Fertilizantes – crédito: divulgação

Os fertilizantes são substâncias aplicadas no solo, que agem na nutrição, contribuindo para o aumento da produtividade, qualidade e sustentabilidade das culturas. Garantem ao produtor o aumento de sua produção, sem que seja obrigatório ampliar a área produtiva. “A adubação correta do solo, seguindo o conceito dos 4Cs do manejo (fonte Certa, na dose Certa, no local Certo e na hora Certa) pode influenciar em até 60% a produtividade das lavouras. Além disso, esses insumos permitem recuperar pastos degradados – que liberam carbono na atmosfera, eliminando gases do efeito estufa”, explica Eduardo Monteiro.

Segundo ele, a relação do setor mineral com os fertilizantes é umbilical. “É a etapa inicial para garantir mais qualidade à produção agrícola. A mineração é a fase fundamental no processo de produção de nutrientes para a agricultura. Para a fabricação dos fertilizantes minerais, elementos como fósforo (P) e potássio (K) – que estão presentes em rochas e minérios – são extraídos na terra, com cuidado e responsabilidade, refinados e transformados em fertilizantes. Os insumos retirados retornam à terra sob a forma de nutrientes, garantindo que os solos se tornem mais saudáveis e férteis, transformando a capacidade produtiva da agricultura brasileira e otimizando o rendimento das terras cultiváveis já utilizadas”, explica o executivo.

Onde estão as maiores reservas no Brasil

 

O Brasil possui reservas e recursos de agrominerais em diversas regiões, e algumas das principais ficam em Minas Gerais e Goiás, onde a Mosaic Fertilizantes e outros grandes produtores possuem operações de fosfato. “Além disso, temos a principal operação de potássio do país localizada no estado de Sergipe. A identificação de novas reservas de minérios no país deve estar atrelada à exploração responsável e sustentável”, afirma Eduardo Monteiro.
Os três principais elementos para a produção dos fertilizantes são:

Nitrogênio – A principal fonte de nitrogênio e matéria-prima para produção de fertilizantes nitrogenados é a amônia. Países que dispõem de gás natural são, também, grandes produtores de amônia e, consequentemente, de fertilizantes nitrogenados. O Brasil é o 4° maior consumidor mundial de nitrogênio, porém, produz internamente apenas parte dos fertilizantes nitrogenados utilizados. Dentre as fontes mais conhecidas, a ureia, é responsável por mais de 50% do nitrogênio utilizado na agricultura brasileira; outras fontes, como o sulfato de amônio e nitrato de amônio, também fazem parte da matriz de fertilizantes nitrogenados.

Fósforo – Segundo o governo federal, as reservas estão concentradas em apenas nove municípios brasileiros de quatro estados, onde o município de Tapira é o maior detentor de fosfato com 32,6%, Serra do Salitre com 13,5%, seguidos de Patos de Minas (11,9%) e Araxá (8,8%), todos no estado de Minas Gerais. No estado de Goiás os municípios de Catalão com (7,1%) e Ouvidor (6,8%). O estado de São Paulo é representado pelos municípios de Cajati (3,4%) e Iperó com (2,8%). E finalmente o estado de Santa Catarina que é representado pelo município de Anitápolis com 4,6%.

Potássio – As reservas estão localizadas nos estados de Sergipe (Bacia Sedimentar de Sergipe) e Amazonas (Bacia Sedimentar do Amazonas-Solimões).

 

Mercado de fertilizantes cresce 12% em 2020 no Brasil

 

A Mosaic Fertilizantes estima que o mercado de fertilizantes apresentou em 2020 um crescimento em torno de 12% em relação a 2019, atingindo recorde histórico de entregas ao produtor final. A demanda ficou em 40 milhões de toneladas. As importações de fertilizantes (responsáveis por aproximadamente 80% da demanda) fecharam em 32,8 milhões de toneladas – um aumento de 11% em relação a 2019.

No cenário mundial, o Brasil tem posição de destaque, sendo o maior importador global e o quarto maior consumidor do insumo. Entre 2019 e 2020, os fertilizantes foram o segundo principal produto importado pelo país.

O Brasil importa fertilizantes dos seguintes países: Canadá, Rússia, Alemanha, Israel, Estados Unidos, Espanha, Chile, Reino Unido e Holanda.

 

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