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Brasil reivindica ilha submersa rica em minerais

Descoberta pode ter implicações significativas para a geopolítica e economia do País

O Brasil vem tentando junto à ONU o reconhecimento de uma “ilha submersa” no Atlântico Sul, como parte integrante da plataforma continental brasileira. Esta formação tem grande potencial de exploração de minérios – inclusive os 17 elementos que compõem as chamadas terras raras, muito usados em baterias, turbinas e painéis solares. 

A área reivindicada está localizada a cerca de 1.200 quilômetros da costa do Rio Grande do Sul e é, por isso, chamada de Elevação do Rio Grande. Com cerca de 500 mil quilômetros quadrados, a ilha é equivalente ao território da Espanha, por exemplo. Acredita-se que já foi emersa – uma ilha tropical no meio do Atlântico – e começou a se formar no período de abertura do oceano, milhões de anos atrás. 

Ela parte da base oceânica, a cerca de 5 mil metros de profundidade, e se ergue até “apenas” 700 metros abaixo do nível do mar. É formada por montes, platôs, cânions e canais submarinos, além de uma gigantesca fenda tectônica, que os geólogos chamam de “rift”.

O Brasil reivindica a área desde 2018, quando um pedido foi apresentado formalmente à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU. Já em 2025 a solicitação foi reforçada, embasada em novos estudos geológicos e geofísicos realizado por um grupo multidisciplinar da USP, que envolve o Instituto Oceanográfico, a Escola Politécnica e o Instituto de Geociências. Há, ainda, parceria com universidades britânicas, alemãs e japonesas.

Esses estudos apontam que a Elevação do Rio Grande tem características muito parecidas com as do interior de São Paulo e pode ter sido parte do território que hoje é o Brasil. No entanto, ela está fora da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do País, que fica a até 200 milhas náuticas do continente.

A Elevação do Rio Grande está numa área conhecida como Margem Oriental-Meridional e é uma das três reivindicadas pelo Brasil em águas internacionais. As outras ficam em na Região Sul e na Margem Equatorial.

Mineração

Os estudos apontam que a ilha submersa abriga elementos químicos como cobalto, manganês, níquel, telúrio, ítrio, escândio e lantanídeos. Todos são essenciais para a transição energética que o mundo atravessa, por serem largamente empregados em turbinas eólicas, painéis solares, baterias, ímãs, ligas metálicas e eletrônicos. 

Como se sabe, esses elementos compõem as chamadas “terras raras” – que, apesar do nome, não são tão raras assim: ocorre que elas estão espalhadas na natureza em pequenas concentrações, o que dificulta a extração. Além disso, seu beneficiamento exige complexas tecnologias que hoje são dominadas por poucos países, notadamente a China.

Além das grandes implicações econômicas e geopolíticas, a descoberta da ilha submersa pode transformar a compreensão da história geológica e cultural do Brasil, pois abre novas possibilidades para o estudo das migrações e interações culturais pré-históricas na América do Sul.

Fonte: G1, UOL e Terra

Ilustração: Reprodução / Google / POA 24h / Perfil Brasil

Cidades mineiras abrigam jazida gigantesca de terras raras

Estudos realizados por mineradoras australianas apontam potencial de 20 milhões de toneladas na região de Poços de Caldas

Estudos realizados por duas empresas australianas de mineração apontam que a região de Poços de Caldas, cidade turística mineira situada sobre a cratera de um vulcão extinto, pode abrigar mais de 20 milhões de toneladas de terras raras. Por “terras raras” entende-se um conjunto de 17 minérios de alto valor agregado, vitais para a produção de baterias, ímãs industriais, turbinas eólicas e diversos dispositivos eletrônicos modernos. 

A descoberta pode colocar o Brasil numa posição estratégica bastante favorável diante do atual domínio chinês no mercado desses elementos. A região abordada compreende áreas dos municípios mineiros de Poços de Caldas, Caldas e Andradas, além de parte da paulista Águas da Prata, e pode se estender por cerca de 750 km². 

A prospecção aponta ainda que esta seria, provavelmente, a segunda maior formação de rocha alcalina do mundo, atrás apenas de uma jazida na Sibéria. Porém, a região mineira proporciona clima e condições mais favoráveis para a formação de argila iônica, facilitando a extração do minério.

Outro diferencial da jazida brasileira é a qualidade do solo, no qual a concentração de terras raras na argila poderia chegar a 2.500 ppm por tonelada de óxidos totais, com um rendimento de 70% na separação. É quase o dobro da média global, que fica entre 1.000 e 1.500 ppm. 

A jazida encontrada na divisa entre Minas Gerais e São Paulo localiza-se a cerca de 30 metros de profundidade, uma distância facilmente acessada por instrumentos básicos de escavação, sem a necessidade de empregar explosivos. 

Os estudos mais avançados começaram em 2022 pelas mineradoras australianas que atuam no processo de licenciamento. A expectativa é que a extração comece entre 2026 e 2027. O custo de produção está estimado em apenas US$ 6 por quilo — o mais baixo do mundo, segundo as empresas. Ou seja: a extração brasileira permitiria um produto de maior qualidade e mais barato, o que pode trazer um grande impulso econômico à região.

Uma das empresas australianas, a Viridis Mineração, já anunciou a construção de uma planta de beneficiamento e tratamento de minérios na região, com capacidade para inserir a região de Poços de Caldas na “nova matriz global de geração de energia verde”, segundo seu CEO, Rafael Moreno.

Para que servem?

As terras raras costumam ocorrer em áreas de antigas formações vulcânicas porque estas costumam deixar rochas alcalinas mais suscetíveis às erosões e às transformações biogeoquímicas capazes de ionizá-las. Eles não são exatamente raros na natureza, mas costumam estar dispersos na crosta terrestre, diferentemente da jazida encontrada nos municípios mineiros.

Seus minerais têm como propriedade a alta resistência a temperaturas elevadas, a capacidade de absorver e emitir altas frequências de luz e um magnetismo intenso. O problema é que os elementos que os compõem são de difícil separação e esses processos altamente tecnológicos são, atualmente, dominados pela China. 

Entre suas aplicações estão a produção de componentes de eletroeletrônicos (como televisores e smartphones), lâmpadas LED e avançados equipamentos médicos. Mas também são empregados em armamentos estratégicos (como mísseis teleguiados) e instrumentos de captação energética – como as turbinas eólicas.

Conheça os minerais de terras raras

E entenda porque esses elementos tornaram-se estratégicos na geopolítica atual

Crédito: Divulgação

Nestes tempos em que as guerras – bélicas e tarifárias – se multiplicam pelo planeta, você já deve ter ouvido falar nas chamadas “terras raras”. Mas, você sabe o que são elas? Trata-se de um conjunto de elementos químicos, normalmente encontrados na natureza misturados a outros minérios, de difícil extração e separação – daí o nome.

Paradoxalmente à denominação, esses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre, o que acontece é que estão espalhados, e isso também dificulta a produção. Entre suas características peculiares estão o magnetismo intenso e a absorção e emissão de luz, o que os levam a ser utilizados numa ampla gama de produtos e atividades, principalmente na indústria automotiva. 

Eles formam um grupo de 17 elementos químicos: lantânio, cério, praseodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, lutécio, ítrio, escândio e o mais requisitado deles nos dias de hoje, o neodímio. Ele é empregado para fazer imãs superpotentes, resistentes a altas temperaturas, fundamentais para a indústria tecnológica atual, notadamente a automotiva. 

Carros elétricos e híbridos utilizam até dois quilos de elementos raros em sua construção. Os “superimãs” de neodímio estão presentes na assistência elétrica da direção, na recuperação de energia de frenagem (kers), sensores, transmissões, bancos, câmeras e muitos outros componentes. E, certamente, você deve ter na sua casa algum alto-falante ou fone de ouvido que emprega esse material.

O Centro Geológico dos EUA estima que haja aproximadamente 110 milhões de toneladas de terras raras no mundo, das quais 44 milhões estão na China. Outros territórios com grandes reservas são a Ucrânia e a Groenlândia. 

O Brasil aparece em terceiro lugar em jazidas, atrás do Vietnã, com 21 milhões de toneladas. Apesar disso, a exploração de elementos de terras raras ainda é muito incipiente no País. Investimentos vêm sendo feitos em Minas Gerais e na região Norte e há planos para produção local de ímãs em Lagoa Santa (MG). 

Mas, como já dito, a questão é que esses elementos são encontrados juntos nos mesmos tipos de minério, o que exige complexos e caros processos de extração e separação. E, atualmente, apenas a China domina esse refino altamente especializado. O país asiático responde por cerca de 70% da mineração global e mais de 90% do processamento de terras raras.

Esses elementos raros são utilizados ainda na produção de turbinas eólicas, discos rígidos, smartphones, vidros especiais e uma infinidade de produtos.

E o Brasil?

Diante desse complexo cenário geopolítico, em que os recursos minerais tornaram-se alvo de cobiça capazes de influenciar os conflitos, o Brasil tem de se preparar para transformar a crise em oportunidade. 

“A conclusão é nítida. Mineração não é opção: é imperativo, inclusive para o Brasil. A guerra na Ucrânia deixou claro que recursos minerais são tão estratégicos quanto o petróleo no século 20. Para o Brasil, negligenciar seu subsolo é abrir mão de desenvolvimento econômico, autonomia tecnológica e influência geopolítica”, escreveu o presidente do IBRAM, Raul Jungmann, em artigo publicado no Correio Braziliense.

“A escolha situa-se entre fazer parte do jogo global ou entregá-lo a outros. Com planejamento, é possível conciliar crescimento mineral, sustentabilidade e valor agregado – desde que haja vontade política para transformar potencial em poder”, finalizou.

Projeto Mineração do Brasil Portas Abertas, do IBRAM, aproxima comunidades da mineração e reforça transparência do setor

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) lança, neste dia 12 de maio, a primeira edição do Projeto Mineração do Brasil Portas Abertas, uma iniciativa que convida a população a conhecer de perto as operações de mineradoras associadas ao Instituto. Ele irá até 21 de maio e o foco principal é mostrar às comunidades a presença dos minerais e sua importância no dia a dia de todos e abrir as portas das mineradoras para os vários grupos sociais que têm interesse em conhecer mais sobre os minerais e sua produção.

Nas visitas às mineradoras os participantes vão conhecer de perto os processos produtivos, os compromissos das empresas com boas práticas ESG (Ambiental, Social e Governança), a segurança operacional e o papel da mineração como parceira do desenvolvimento local, regional e nacional.

O projeto conta com a participação de mineradoras associadas de diferentes estados, que estarão de portas abertas para receber representantes das comunidades próximas às suas operações.

Transparência e educação como pilares

A estratégia do projeto inclui visitas guiadas nas unidades das mineradoras, com roteiros adaptados para públicos diversos, como estudantes, líderes comunitários, representantes do poder público, familiares de colaboradores, entre outros. Durante as visitas, os participantes terão acesso a:

  • ⁠  ⁠Demonstrações práticas de como os minérios são extraídos e processados;
  • ⁠  ⁠Explicações sobre medidas de segurança e sustentabilidade adotadas pelas empresas;
  • ⁠  ⁠Detalhes sobre iniciativas ESG, como redução de impactos ambientais e projetos sociais;
  • ⁠  ⁠Brindes simbólicos, como amostras de minérios, para reforçar a conexão com o cotidiano.

“Queremos quebrar barreiras e mostrar que a mineração não é uma atividade distante, mas parte fundamental da vida das pessoas, desde equipamentos usados no dia a dia, como o celular até a infraestrutura das cidades”, explica o diretor-presidente do IBRAM, Raul Jungmann.

Resultados que inspiram confiança

 O projeto surge após experiências bem-sucedidas, como a campanha publicitária nacional de 2024 sobre a importância dos minérios e da mineração para o presente e o futuro da humanidade e as ações educativas do Mineramundo, realizadas, na EXPOSIBRAM – maior evento setorial da mineração do Brasil –, que comprovaram a eficácia da aproximação direta entre essa indústria e a população. Dados do setor indicam que visitas estruturadas melhoram a percepção pública sobre a reputação das mineradoras e ampliam o entendimento das pessoas sobre os processos industriais.

Compromisso com o desenvolvimento sustentável

Além da transparência operacional, o Portas Abertas reforça o compromisso das mineradoras associadas ao IBRAM com:

  • ⁠  ⁠Práticas ambientais: tecnologias para minimizar emissões e otimizar uso de recursos;
  • ⁠  ⁠Engajamento social: diálogo constante com comunidades e apoio a projetos locais;
  • ⁠  ⁠Governança: prestação de contas e relatórios públicos sobre impactos e avanços.

“A mineração industrial é uma aliada do progresso, mas só alcançamos essa sinergia quando a população conhece e confia em nossos métodos”, destaca o Raul Jungmann.

Mina da Passagem: confira de perto um pedaço da história da mineração no Brasil!

Trolley
Trolley (Crédito: Divulgação)

Você sabia que é possível ir conhecer de perto uma mina de ouro? A maior mina aurífera aberta à visitação pública do mundo, a Mina da Passagem, fica aqui mesmo, no Brasil, no município de Mariana (MG), a cerca de 110 km de distância de carro da capital, Belo Horizonte. 

Durante a época colonial, era de lá que saía a maior parte do ouro que Minas Gerais enviava para Portugal. E, desde a sua fundação, já foram retiradas aproximadamente 35 toneladas de ouro!

O achado do ouro em Passagem remonta ao século XVIII. Descobertas em 1719 as jazidas primárias, a extração do minério foi a principal atividade econômica da Mina de Passagem até 1976, quando a Cia. Minas da Passagem foi adquirida pelo atual grupo controlador, que diversificou os negócios da empresa. 

Dentre as novas oportunidades de negócios criadas, se inicia em 1979 a de  visitação turística à Mina do Fundão (parte do complexo mineiro conhecido como Minas da Passagem), em funcionamento até hoje. 

A descida para as galerias subterrâneas é feita através de um trolley por um percurso de 315 metros de extensão e que chega a 120 metros de profundidade! 

No caminho, o visitante vê galerias, salões, colunas e até mesmo um lago de águas cristalinas, formado por aquíferos que inundaram quilômetros de túneis quando deixaram de ser bombeados. Sendo possível até o mergulho no lago, através de uma empresa especializada.

 

Lago subterrâneo
Lago subterrâneo (Crédito: Divulgação)

 

Ficou interessado e quer conferir ao vivo esse pedaço da trajetória da mineração no país? A Mina da Passagem funciona para visitação de segunda à sexta das 9h às 16h e, aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h. O passeio tem duração de 45 minutos.

 

Para mais informações sobre a visitação, confira o link: https://mariana.minasdapassagem.com.br/visitacao/

 

*Com informações de https://mariana.minasdapassagem.com.br