PT EN ES

Lítio: conheça o potencial de Minas Gerais para a produção do mineral utilizado em baterias para carros elétricos

O lítio é uma matéria-prima essencial para a transição energética. A expectativa é que a demanda por esse minério deverá crescer em mais de 40 vezes até 2040, segundo projeção da Agência Internacional de Energia (IEA). Cerca de 65% das reservas estão no Chile, Bolívia e Argentina. Entretanto, o Brasil também possui reserva do mineral. Você conhece o Vale do Lítio? 

Localizado em Minas Gerais, o Vale do Lítio é formado por 14 cidades: Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Virgem da Lapa, Teófilo Otoni e Turmalina, no Nordeste de Minas, e Rubelita e Salinas, no Norte mineiro.

Saiba mais sobre o projeto Vale do Lítio
O lítio é um mineral primordial para a transição energética. Crédito: Divulgação

Esses municípios abrigam a maior reserva nacional de lítio. O mineral é utilizado em diversas aplicações, sendo a mais comum a fabricação de baterias de longa duração, que equipam veículos elétricos e aparelhos eletroeletrônicos. Por isso, será um item bastante demandado nos próximos anos pela indústria, de forma geral.

Lançamento mundial do projeto Vale do Lítio

Visando atrair empresas globais da cadeia produtiva do lítio para as regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais, o Governo do Estado lançou nesta terça-feira (9/5), na Nasdaq (EUA), maior bolsa de valores do mundo em negócios de tecnologia e inovação, o projeto Vale do Lítio (Lithium Valley Brazil). 

“Esse evento coloca para o mundo a potencialidade do Brasil, mais especificamente, de Minas Gerais, para ser um grande fornecedor deste mineral estratégico que vai ser essencial não só para o país, mas para o mundo”, avaliou o diretor de Relações com Associados e Municípios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Alexandre Mello, que foi ao lançamento representado o Instituto. 

“Queremos que o Vale do Jequitinhonha se transforme no vale da tecnologia para a produção de baterias e demais produtos de valor agregado”, explicou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Projetos na região

Atualmente, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) está em operação no Vale do Jequitinhonha. Enquanto isso, a mineradora Sigma obteve licença operacional em março e escoará a primeira leva da produção em maio.

Outras empresas, como Latin Resources, Atlas Lithium e Lithium Ionic estão atuando no programa de sondagem. Em Nazareno, cidade na mesorregião do Campo das Vertentes, a empresa AMG também já produz o concentrado de lítio e irá investir em uma planta química para transformar concentrado em carbonato.

*Com informações da Agência Minas 

Veja também: 

O papel da mineração na transição energética

Energia eólica no Brasil: mineração é fundamental para a produção

Para a construção e manutenção de um parque de energia eólica utilizam-se minérios como: bauxita (minério de alumínio), agregados da construção civil (argila, areia e cascalho), cobalto e terras raras (ímãs e baterias), cobre e zinco (fiação), calcário (cimento), minério de ferro (aço), molibdênio (ligas especiais).

De acordo com a Abeeolica (Associação Brasileira de Energia Eólica), estima-se que no Brasil a capacidade instalada de produção de energia gerada pelos ventos seja de 21 GW, tendo potencial eólico superior a 500 GW. 

Produção brasileira

Dados divulgados pela Global Wind Energy Council (GWEC)* apontam que, em 2022, o Brasil:

  • ocupou a sexta posição no ranking mundial de produção de energia eólica;
  • bateu o recorde de expansão da capacidade instalada de energia elétrica a partir de fonte eólica; 
  • alcançou o terceiro maior crescimento mundial; 
  • e o estado brasileiro que mais produz essa energia é o Rio Grande do Norte.

O setor da mineração investe nas energias renováveis com o objetivo de tornar o processo de produção de energia mais limpo e sustentável, e assim contribuir para a redução dos impactos no meio ambiente.

Empresa que investe em energia renovável 

A Anglo American tem empenhado esforços pela redução da emissão de carbono proveniente de suas operações e atua com parceiros para ajudar a descarbonizar as cadeias de valor.

No Brasil, um dos destaques dessa estratégia é o uso de fontes de energia renovável que já é tratado como imperativo nos processos de compra de eletricidade da empresa. 

Entre 2019 e 2020, foram assinados contratos de aquisição de 140 MWh de energia solar e eólica junto à Atlas Renewable Energy e à AES Tietê. 

Em 2022, a empresa tornou-se autoprodutora de energia elétrica renovável por meio de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a Casa dos Ventos para a produção de energia no parque Eólico Rio do Vento (RN), um dos maiores empreendimentos eólicos do mundo, em um contrato de produção de 95 MW médios até 2041.  

Como resultado, a partir 2022, 100% do consumo de energia elétrica da Anglo American no Brasil (300 MW médios) passou a ser certificadamente proveniente de fontes renováveis como eólica, hidráulica e solar, marcando a conclusão da estratégia de aquisição de energia elétrica renovável pela empresa rumo a uma operação cada vez mais sustentável. 

Faça o teste para descobrir os seus conhecimentos sobre energia eólica e a importância da mineração para as fontes de energia renováveis. 

*Fonte: GWEC e Casa Civil 

Petróleo branco: metal menos denso do mundo é disputado no mercado 

Metal alcalino, pouco denso, de consistência macia, o que permite que ele seja cortado à faca. Elemento mais leve da tabela periódica, foi gerado no Big Bang, assim como o hidrogênio e o hélio. Você conhece o petróleo branco? 

Apontado como o petróleo do século XXI ou a commodity do futuro, o petróleo branco é o conhecido lítio, que ganhou esse apelido devido à cor branca. O metal é o elemento básico na fabricação de todos os tipos de baterias com íon de lítio, importante bateria utilizada em diversos eletrônicos  e também em carros elétricos. 

Petróleo branco: metal menos denso do mundo é disputado no mercado 
Minas de lítio no México. Crédito: REUTERS

A maioria da produção mundial de lítio vai para a fabricação de baterias elétricas. O crescimento da produção de carros elétricos no Brasil também aumenta a procura de petróleo branco no país.  Dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) mostraram que em 2022 foram aproximadamente 47 mil exemplares vendidos de modelos híbridos, elétricos e híbridos plug-in, superando em 24,77% o total de 2021 (34.990). Estima-se que até 2030, a produção mundial de veículos chegue a 51 milhões de unidades. 

A Agência Internacional de Energia prevê que, em 2040, a demanda por lítio cresça mais de 40 vezes sobre os níveis atuais, se o mundo pretender atingir os objetivos do Acordo de Paris. 

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Brasil, que se tornou estratégico para a transição energética global, as reservas de lítio estão localizadas no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Tocantins, Goiás, Bahia e Minas Gerais. 

Uma das empresas que atua com produção de lítio no Brasil é a Sigma Mineração S.A, localizada em Araçuaí e Itinga, região nordeste de Minas Gerais. A mineradora está em fase de pré-construção. O planejamento da empresa é iniciar a produção comercial em abril de 2023. Conforme o seu Relatório de Estudo de Viabilidade, planeja produzir 220.000 toneladas por ano de lítio concentrado e lítio para bateria (33.000 toneladas) de equivalente de carbonato de lítio. O seu objetivo é participar da cadeia de fornecimento global de veículos elétricos. 

*Com informações de: Serviço Geológico do Brasil, Capitalist, Click Petróleo e GásValor Econômico.

Leia também:

Lítio: um caminho para a transição energética

Minerais estratégicos: o papel na transição energética

Mineradora cria fertilizante com tecnologia restauradora da biodiversidade do solo

Os fertilizantes são substâncias usadas em uma lavoura com o objetivo de fornecer nutrientes para o desenvolvimento das plantas, podendo ser aplicados via solo ou via foliar. A sua produção depende diretamente da mineração. Os fertilizantes mais utilizados são produzidos com nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), conhecidos como NPK. 

A Mosaic Fertilizantes, uma das maiores empresas em produção e comercialização de fosfato e potássio combinados, desenvolveu o primeiro fertilizante mineral sólido do mercado com tecnologia que equilibra, restaura e fortalece a biodiversidade microbiana do solo. O Performa Bio estimula a recomposição da atividade de microrganismos benéficos, aumentando a capacidade de absorção e o aproveitamento dos nutrientes, elevando, consequentemente, o patamar de produtividade e de sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos.

Além da tecnologia que contribui diretamente para a saúde do solo, o Performa Bio oferta ao solo boa concentração de nutrientes, fósforo e enxofre de alta eficiência, promovendo plantio em menor tempo e maior aproveitamento dos nutrientes no ciclo das culturas. A granulometria uniforme, a qualidade física superior e o perfeito equilíbrio nutricional e biológico geram fluidez na aplicação em campo, facilidade de manuseio e aumento de produtividade e da qualidade do solo.

De acordo com o vice-presidente Comercial da Mosaic Fertilizantes, Eduardo Monteiro, o produto foi desenvolvido “integrando conhecimento agronômico e inovação, oferecemos novidades para que os agricultores elevem a produtividade de suas lavouras e aumentem a entrega de alimentos para o mundo com menor impacto ambiental”. 

Mineradora cria fertilizante com tecnologia restauradora da biodiversidade do solo
Desenvolvido pela Mosaic Fertilizantes, solução aumenta a sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos – crédito: divulgação

Fertilizantes no Brasil 

 

O Portal da Mineração já abordou anteriormente a importância da mineração para o agronegócio e à produção de fertilizantes.  O Brasil é responsável por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes, ocupando a quarta posição, atrás apenas da China, Índia e dos Estados Unidos. Soja, milho e cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo de fertilizantes no país. 

Mais de 80% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados. Esta dependência no que se refere à  importação de fertilizantes e de minérios utilizados para sua fabricação ficou mais evidente após o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, grande exportadora de matéria-prima para produção do produto. O aumento da produção de fertilizantes no Brasil depende da disponibilidade de recursos minerais, além de condições favoráveis de preços, infraestrutura e impostos.

O governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), em março de 2022,  com o objetivo de reduzir a importação do insumo. Dentre as suas metas estão: estimular e ampliar a pesquisa, exploração e transformação mineral no Brasil, oferecendo fontes competitivas para a agricultura nacional; atração de investimentos nacionais ou estrangeiros na exploração, transformação, desenvolvimento ou distribuição de fertilizantes; investimento em novas tecnologias; entre outros. 

Clique aqui e saiba mais sobre o PNF. 

PodMinerar sobre Política Nacional para Fertilizantes

 

O PodMinerar, o podcast da mineração do Brasil,  lançou no início de dezembro o episódio especial EXPOSIBRAM 2022 – Política Nacional de Fertilizantes. 

Especialistas conversam sobre a  dependência brasileira da importação de fertilizantes e de minérios utilizados para sua fabricação. O bate-papo contou com a participação do coordenador-geral de Estudos em Desenvolvimento Econômico e Social da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, José Carlos Polidoro, e do vice-presidente de Assuntos Corporativos, Estratégia e Sustentabilidade da Mosaic Fertilizantes, Arthur Liacre. 

Ouça o episódio nas plataformas de áudio digital, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music, Google Podcast e no site do IBRAM. O PodMinerar é mais um canal de comunicação do IBRAM com o objetivo de disseminar um amplo debate sobre o futuro da mineração e a mineração do futuro. 

Leia também: 

 

Fertilizantes: a importância da mineração na alimentação e no dia a dia das pessoas

Entenda o que são remineralizadores e sua importância para o agronegócio

*Informações da Assessoria de Comunicação da Mosaic Fertilizantes e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Japão lança moto voadora 

O desenho animado The Jetsons, a saga de filmes Star Wars ou a produção hollywoodiana De volta para o Futuro. Estes clássicos foram capazes de despertar o imaginário do telespectador para o futuro. Assistir aquelas cenas com veículos voadores fez com que muitos sonhassem quando essas tecnologias chegariam às nossas vidas? Ela chegou. O futuro é agora e depende da mineração. 

A evolução do setor mineral aliada ao desenvolvimento de novas tecnologias permitem a criação de produtos inovadores. A montadora japonesa Aerwins  desenvolveu a primeira moto híbrida capaz de voar 100 km/h com autonomia de 40 minutos. Feita em fibra de carbono, as suas medidas são: 3,7 metros de comprimento, 2,4 metros de largura e 1,5 metro de altura, ou seja, isso significa que ela é mais comprida que um Renault Kwid ou um Fiat Mobi. 

A moto voadora ou hoverbike, nomeada como XTurismo, pesa em torno de 300 kg e possui seis hélices (duas onde ficariam as rodas e quatro nas pontas), posicionadas estrategicamente levando em conta o equilíbrio e a sustentação do veículo híbrido, que conta com um motor a combustão e outros quatro elétricos. O ‘corpo’ é como o de uma motocicleta convencional, mas no lugar das rodas está uma espécie de hélice que lembra muito as que equipam os drones. 

Veja o vídeo de apresentação da XTurismo:

https://www.youtube.com/watch?v=J1o-MkKM9kQ&t=1s

 

Mas quanto custa o sonho de ter um veículo voador? O modelo é vendido por US$ 777 mil (aproximadamente R$ 4,03 milhões na cotação atual). A empresa ainda está trabalhando em um projeto de moto voadora compacta e mais acessível, que deve custar US$ 50 mil (R$ 259,5 mil).

O modelo já tinha sido apresentado e as encomendas tiveram início ainda em 2021, mas era restrito apenas para o mercado japonês. Com a sua participação no Salão de Detroit,  neste mês de setembro, a marca expandiu a possibilidade de comprar uma moto voadora também para o mercado dos Estados Unidos.

Vale ressaltar que o modelo ainda é barulhento, precisava ser controlado remotamente para sua demonstração e, como uma peça de tecnologia de decolagem e aterrissagem vertical elétrica, atualmente não é legal nas ruas.

Com informações de G1, Click Petróleo e Gás e Auto Papo

Veja também: 

Moto elétrica utiliza nióbio para ultrapassar os 400 km/h 

Biodiversidade na agenda da mineração

Os benefícios são para todos: ecossistema, economia, população

Biodiversidade na agenda da mineração
Crédito: Banco de Imagens Freepik

O termo biodiversidade, de acordo com o dicionário, é a “reunião que contempla todas e/ou quaisquer espécies de seres que existam e convivam na biosfera, em certa região ou num período de tempo”. Ou seja, ela descreve a riqueza e a variedade do mundo natural. As plantas, os animais e os microrganismos que fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima industrial consumida pelo ser humano.

Mas você sabe como a mineração trabalha com a biodiversidade? 

Durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração 2022 (EXPOSIBRAM 2022), especialistas debateram a conservação e a biodiversidade no ambiente de negócios da mineração. Controle das emissões de carbono, restauração de áreas degradadas e recuperação de nascentes são algumas das iniciativas às quais as empresas de mineração estão atentas para preservar a biodiversidade. 

A Mineração do Brasil tem um importante papel na descarbonização e na transição energética, com a produção de minerais essenciais para estes processos, como o lítio, nióbio, grafita, cobre e fosfato.  Clique aqui e saiba mais. Entretanto, o setor contribui de outras formas para a biodiversidade. 

Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Ribeiro Rodrigues, “no Brasil existem 327 iniciativas de áreas de restauração natural”. Ele ainda ressalta que é extremamente importante a fixação de carbono para tentar controlar o aumento das temperaturas. “Estamos acompanhando as mudanças climáticas e precisamos de soluções urgentes para a retenção desse carbono. Nesse sentido, o Brasil pode dar grandes contribuições, tendo em vista as diversas iniciativas, no que diz respeito ao tema”, afirma.

Entre os benefícios da restauração das áreas degradadas, Rodrigues destaca a recuperação de nascentes, a infiltração da água no solo e a polinização. “Tais contribuições relacionam-se à segurança hídrica, mas também ao serviço ecossistêmico de polinização e dispersão de sementes”, afirma.

Tiago Alves, gerente de Meio Ambiente da Anglo American Brasil, reforça a preocupação da empresa com o meio ambiente e confirma a experiência de recuperação de nascentes. Em parceria com ONGs, universidades e governos, a mineradora criou um programa para restaurar as nascentes em propriedades rurais. “A nascente voltou a ter água. Isso é mudar a vida das pessoas, isso é parceria, efetuada a várias mãos”, explica.

Emprego e renda

O olhar voltado para a biodiversidade apresenta também vantagens econômicas. Segundo Rodrigues, a cadeia produtiva da restauração gera 0,42 emprego por hectare ao ano. “Temos defendido a restauração como estratégia de geração de trabalho e renda. Precisamos recuperar algo em torno de 121 milhões de hectares de florestas para gerar cerca de cinco milhões de empregos em 20 anos”, destacou.

O trabalho feito nas comunidades pela Anglo American, de acordo com Alves, além de proporcionar dignidade e renda, ajyda a criar perspectivas positivas para as pessoas. “Trabalhar com a comunidade é pilar fundamental para a geração de emprego, renda e felicidade para o pequeno agricultor”, explica.

Alves reconhece que a atividade mineral, muitas vezes, gera desconforto porque tem impacto visual forte. “A maior degradação no Brasil é feita por outros setores. A mineração é localizada e, apesar de também degradar, a recuperação é grande e com qualidade”, ressaltou.

A nova visão de segurança, afinal o que é isso?

A nova visão de segurança veio para agregar conhecimentos e abordagens para reconhecer as organizações como sistemas complexos e, para isso, é preciso saber olhar para o trabalho com lentes sistêmicas.

Considerada uma revolução, o diretor na empresa Segurança Diferente, Gilval Menezes, apresentou como exemplo prático desse conceito um grave acidente nuclear que, por muito pouco, não teve um desenrolar catastrófico para a humanidade. Sobre o fato, os relatórios traziam como indicador da causa “um tal de erro humano”. Ou seja, os operários presentes na usina não conseguiram visualizar as luzes de led que piscavam como alerta.

“Foi então que decidiram entender como o homem se comporta dentro de ambientes complexos de altíssimo risco. Pois, até então, todos os acontecimentos envolvendo acidentes nas empresas haviam se tornado ‘normais’. Até que em 1997, o pai da nova visão, Jens Rasmussen, trouxe um artigo científico chamado ‘Gerenciamento de riscos em organizações dinâmicas’. No artigo ele aborda que as organizações possuem limites financeiros de exaustão humana e limites de segurança,” completou Gilval.

A partir desse olhar, Rasmussen deu a oportunidade para outros estudiosos continuarem as pesquisas. Trazendo, então, a engenharia da resiliência que trata a adaptação dos seres humanos que estão na “ponta da lança”, isto é, os operários que fazem o “comissionamento das máquinas”.

Palestra "A nova visão de segurança – O que é isso, afinal?" - crédito: Jackson Romanelli
Palestra “A nova visão de segurança – O que é isso, afinal?” – crédito: Jackson Romanelli

Vejam também: 

Futuro dos negócios do setor de mineração passa pela inovação

ANM foi um marco para superar um modelo obsoleto de legislação minerária

Diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Victor Hugo Bicca, explica como o órgão revolucionou o setor

Até 2017, a atividade minerária era regulada por uma legislação datada de 50 anos antes – um modelo que, há muito, já não acompanhava a evolução do setor. A necessidade de atualização levou à extinção do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), fundado em 1934, e à criação da Agência Nacional de Mineração (ANM).

“Tínhamos um modelo obsoleto de legislação minerária frente à evolução extremamente veloz do setor. Era preciso fazer um corte, pois já havíamos ficado décadas defasados em relação às necessidades e às demandas do mercado”, comenta Victor Hugo Bicca, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM). Ele ministrou uma palestra no primeiro dia (12/9) da EXPOSIBRAM 2022, quando abordou a história do órgão.

Ele recorda que uma das principais novidades, trazidas com a criação da ANM, foi o modelo de diretoria colegiada, substituindo as decisões monocráticas tomadas nos tempos do DNPM. “Isso fez uma diferença brutal”, analisa. Bicca destaca outro ponto importante surgido com a criação da agência: as práticas de governança, que obrigam a ANM a manter uma agenda regulatória – instrumento que permite definir prioridades na regulamentação do setor.

ANM foi um marco para superar um modelo obsoleto de legislação minerária
Victor Hugo Bicca, diretor-geral da ANM – crédito: divulgação

Moto elétrica utiliza nióbio para ultrapassar os 400 km/h 

Moto elétrica Tachyon Nb promete superar o recorde mundial de velocidade. Crédito: Divulgação

Modelo desenvolvido pela Lightning, em parceria com a CBMM, especializada em tecnologia com o metal, tenta quebrar recorde mundial de velocidade

O nióbio é considerado um metal estratégico no Brasil e têm papel fundamental na transição para um futuro de economia de baixo carbono. É um elemento supercondutor que agrega dureza e resistência a ligas metálicas. Entretanto, como o nióbio potencializa o desempenho de uma moto elétrica? E qual o papel da mineração do Brasil no desenvolvimento do produto? 

A empresa americana Lightning Motorcycles desenvolveu, em parceria com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a moto elétrica Tachyon Nb, que promete superar o recorde mundial de velocidade quebrando a marca atual de 400km/h em uma super moto elétrica comercial.

A busca pela eletrificação na indústria de duas rodas exige tecnologias ainda mais confiáveis, seguras e sustentáveis. Neste sentido, a aplicação de nióbio pode resultar em inúmeras vantagens como redução de peso e maior eficiência energética, contribuindo diretamente para a segurança desses veículos.

O modelo começou a ser desenvolvido há quatro anos com o objetivo de testar a viabilidade da aplicação do nióbio em diversos componentes da motocicleta. As principais vantagens do metal, no caso da Tachyon Nb, são a possibilidade de reduzir o peso do chassi, ao mesmo tempo em que aumenta a resistência às torções em alta velocidade. 

“Neste projeto, estamos implementando discos de freio com nióbio para melhorar o desempenho em altas temperaturas, além da aplicação do metal em vários componentes como no módulo de carregamento integrado que permite que todo o sistema seja mais confiável e eficiente. Os tubos de aço – especialmente no chassi – também contam com aplicação de Nióbio, o que nos permite atender aos exigentes requisitos de resistência e peso”, afirmou o engenheiro da CBMM e responsável pelo desenvolvimento do projeto, Daniel Wright, durante lançamento realizado neste mês de agosto no Moto Talbott Motorcycle Museum, localizado em Carmel Valley, na costa central da Califórnia.

Moto elétrica utiliza nióbio para ultrapassar os 400 km/h 
Modelo utiliza nióbio que promove redução de peso e maior eficiência energética. Crédito: Divulgação

A moto elétrica tem um visual de “foguete”, com uma carenagem que vai do farol à rabeta. Chamado de streamliner, o desenho é comum às motos que tentam quebrar os recordes de velocidade. 

Veja o primeiro vídeo de apresentação da moto elétrica.

 

Sobre a CBMM 

A CBMM fica localizada na região de Araxá (MG). Fundada na década de 50, a companhia busca desenvolvimento e legitimidade tecnolo?gica e o estabelecimento de parcerias comerciais e tecnolo?gicas para a criac?a?o de um mercado para o nióbio. 

Os produtos finais de nio?bio produzidos pela CBMM sa?o principalmente usados em ac?os especiais e os clientes que utilizam esses produtos (na sua grande maioria, siderurgias) conhecem o valor que o nio?bio agrega em seus produtos finais. Dessa forma, os principais mercados consumidores de ferronio?bio esta?o localizados na China e Europa, em virtude destas regio?es serem os maiores produtores de ac?os com valor agregado no mundo.

A CBMM e? a u?nica produtora que fabrica e comercializa todos os produtos de nio?bio. Os principais produtos sa?o ferroniobio, nio?bio meta?lico, óxido de nio?bio e ligas de grau va?cuo, sendo que o principal produto em termos de volume e faturamento e? o ferronio?bio.

*Com informações do site: CBMM e Uol

Veja também: 

Pesquisadores desenvolvem fungicida com nanopartículas de nióbio

Minerais estratégicos: o papel na transição energética