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Nova jazida de ouro pode transformar a economia de cidade no Tocantins

A cidade de Monte do Carmo, no Tocantins, pode passar por uma nova fase de desenvolvimento com a implantação de um projeto de mineração de ouro. Um investimento estimado em cerca de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão) deve impulsionar a economia local e gerar empregos na região.

O projeto será desenvolvido pela empresa Hochschild Mining, associada do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que atua há mais de 100 anos na produção de metais preciosos, como ouro e prata. A expectativa é que a nova mina tenha capacidade para extrair e processar cerca de 6 mil toneladas de minério por dia, com uma vida útil estimada de aproximadamente 10 anos.

Hochschild Mining é responsável pelo novo projeto de produção de ouro em Monte do Carmo (TO). Crédito: Divulgação

Uma região com tradição no ouro

A escolha de Monte do Carmo para receber o empreendimento não é por acaso. A região possui uma longa história ligada à mineração. Registros históricos indicam que a extração de ouro já ocorria na área desde 1741, quando o antigo arraial de Nossa Senhora do Carmo ganhou destaque após a descoberta de jazidas.

Atualmente, o projeto está na fase de revisão de engenharia, etapa em que são definidos os parâmetros técnicos da operação. Para avançar, o empreendimento já recebeu licenças importantes, como a Licença de Instalação, a autorização para uso de recursos hídricos e a autorização de exploração florestal.

Possíveis impactos na economia local

Monte do Carmo é um município pequeno, com menos de mil trabalhadores formais. A expectativa é que a nova mina possa gerar cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos, contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.

Além disso, o município poderá receber recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), royalty pago pelas empresas mineradoras pelos recursos minerais. Parte desse valor é destinada aos municípios onde ocorre a produção mineral, podendo ser usada em áreas como infraestrutura, saúde e educação.

Desafios e planejamento para o crescimento

Com a possibilidade de crescimento econômico e aumento da população, o município também precisará ampliar serviços públicos e infraestrutura, como saúde, abastecimento de água e segurança. 

Mineração legal e combate ao garimpo ilegal

Enquanto projetos industriais seguem processos de licenciamento e fiscalização, a região também enfrenta desafios relacionados ao garimpo ilegal. Em fevereiro, uma operação da Agência Nacional de Mineração (ANM), com apoio da Polícia Federal, desarticulou uma atividade clandestina de extração de ouro no município.

Durante a operação, foram encontradas galerias subterrâneas e equipamentos usados na extração do minério, além da presença de mercúrio, substância altamente tóxica e poluente quando utilizada de forma irregular.

Segundo o IBRAM, projetos de mineração que seguem a legislação ambiental e os processos de licenciamento são fundamentais para garantir uma atividade legal, segura e responsável. “Os projetos desenvolvidos seguindo todas as exigências socioambientais, beneficiam diretamente a população, promovendo desenvolvimento sustentável para a região”, afirma o diretor de Assuntos Minerários do IBRAM, Júlio Nery. 

Ouro em alta no mercado internacional

Cresce o valor do ouro no mercado internacional. Crédito: Divulgação.

O interesse por novos projetos de mineração também está relacionado ao aumento do valor do ouro no mercado internacional. Nos últimos anos, o preço do metal tem registrado valorização significativa, impulsionando investimentos no setor.

O estado do Tocantins iniciou 2026 com um marco histórico: exportou 222 quilos de ouro em janeiro, gerando US$ 29,6 milhões (R$ 152,7 milhões). O valor supera em 60% o registrado no mesmo período de 2025. Os dados são do Comex Stat, sistema da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O ouro do Tocantins foi direcionado a três países. O Canadá recebeu 126 quilos (57%), a Suíça levou 92 quilos (41%) e os Emirados Árabes Unidos compraram 4 quilos (2%).

Fonte: Gazeta do Povo 

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Entenda como define o valor de um mineral

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Personagem de Wagner Moura no filme Agente Secreto é professor universitário e pesquisador de um projeto de baterias de lítio no Brasil em 1977

Ganhador do Globo de Ouro e representante do Brasil na disputa do Oscar, que acontecerá no próximo domingo, dia 14/3, o filme O Agente Secreto levou para as telas um tema estratégico para o futuro da economia mundial: a mineração.

Ambientada na década de 1970, a produção traz o ator Wagner Moura no papel de professor universitário e chefe de departamento de pesquisa dedicado ao desenvolvimento de baterias de lítio, tecnologia que está no centro da transição energética global.

A partir da narrativa do filme, é possível entender por que o lítio se tornou um dos minerais mais importantes do século XXI e como o Brasil se posiciona nesse cenário.

Wagner Moura é professor universitário e pesquisador de um projeto de baterias de lítio. Crédito: Divulgação

A revolução das baterias de lítio

Grande parte da relevância atual do lítio está ligada à transformação que esse elemento químico provocou no mercado de baterias. As chamadas baterias de íons de lítio, usadas em celulares, computadores e veículos elétricos, se destacam por carregar mais rápido, armazenar grandes quantidades de energia em espaços reduzidos e ter vida útil mais longa quando comparadas às tecnologias anteriores.

Embora os primeiros estudos sobre o lítio tenham começado ainda no século XIX, os avanços decisivos ocorreram apenas no início da década de 1980. Foi nesse período que os pesquisadores John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino começaram as pesquisas para o desenvolvimento das baterias recarregáveis de íons de lítio em escala comercial. A importância dessa descoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Química de 2019.

Um mineral estratégico para o mundo

Atualmente, o lítio é classificado como um mineral crítico, termo usado para designar matérias-primas consideradas essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico e que possuem riscos de oferta. Essa classificação é adotada não apenas pelo Brasil, mas também por grandes economias como China, Estados Unidos e União Europeia.

O interesse global pelo lítio se deve, principalmente, ao seu papel nas tecnologias ligadas à transição energética, como veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia renovável. Segundo projeções da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda por lítio deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas, impulsionada pela necessidade de reduzir as emissões de carbono conforme os compromissos do Acordo de Paris.

O Brasil no mapa do lítio

O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário internacional da produção de lítio, figurando entre os principais produtores globais do mineral. A extração ocorre principalmente a partir do espodumênio, um mineral rico em lítio, com lavras concentradas em Minas Gerais, especialmente na região do Vale do Jequitinhonha.

A relevância do mineral para o desenvolvimento regional levou o governo mineiro a instituir o projeto Vale do Lítio, uma iniciativa que busca posicionar Minas Gerais e o Brasil como protagonistas na cadeia global do mineral. O projeto envolve 14 municípios da região e tem como foco atrair investimentos, gerar empregos e ampliar a participação brasileira nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.

O desafio de agregar valor

Apesar do papel relevante na produção, o Brasil ainda enfrenta desafios para avançar na industrialização do lítio. Atualmente, o país exporta majoritariamente o minério e seus concentrados, enquanto importa produtos de maior valor agregado, como baterias prontas.

Dados do comércio exterior mineral mostram que as exportações brasileiras de lítio são fortemente concentradas em produtos primários, enquanto as importações de baterias de íons de lítio superam, em valor, as exportações desse tipo de produto. Esse desequilíbrio evidencia a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva nacional, com investimentos em tecnologia, pesquisa e inovação.

Uma das estratégias do projeto Vale do Lítio é justamente atrair empresas de diferentes etapas da cadeia, da extração à fabricação de produtos finais, criando condições para que o país avance além do papel de fornecedor de matéria-prima.

Pesquisa, inovação e futuro

Nesse contexto, a pesquisa científica ganha papel central. As investigações retratadas no filme O Agente Secreto, embora ambientadas em outra época, dialogam diretamente com os desafios atuais do Brasil: transformar substâncias minerais em desenvolvimento tecnológico, industrial e social.

O fortalecimento da cadeia do lítio, aliado ao investimento em ciência e inovação, pode permitir que o país amplie sua participação em mercados estratégicos ligados à mobilidade elétrica e à energia limpa, consolidando a mineração como um dos pilares do desenvolvimento sustentável brasileiro.

Fonte: Agência Nacional de Mineração – ANM e Fomentas Mining Company

Entenda como se define o valor de um mineral

Muitas pessoas se perguntam: qual é o mineral mais valioso do mundo?

A resposta pode surpreender. Não existe apenas um mineral que ocupe esse posto de forma definitiva. O valor de um mineral depende de vários fatores, e pode mudar ao longo do tempo.

O que define o valor de um mineral?

O preço de um mineral não está ligado apenas à sua raridade. Ele pode variar de acordo com:

  • demanda do mercado (quanto ele é procurado); 
  • aplicações industriais ou tecnológicas; 
  • qualidade e pureza; 
  • custos de extração. 

Ou seja, um mineral pode ser raro, mas não ter alto valor comercial se não houver demanda por ele.

Raridade é o mesmo que valor?

Nem sempre.

Alguns minerais são raros do ponto de vista geológico, mas são pouco conhecidos e pouco utilizados. Já outros, mesmo não sendo raros, podem atingir preços elevados por causa da alta procura.

Um exemplo são metais usados em tecnologia avançada, como:

  • componentes eletrônicos; 
  • baterias; 
  • equipamentos médicos; 
  • indústria aeroespacial. 

Quando a indústria depende de determinado mineral, o valor pode subir rapidamente.

Valor por quantidade

Outro ponto importante é a forma como o valor é medido.

  • gemas (como pedras preciosas) costumam ser vendidas por quilate (1 quilate equivale a 0,2 grama); 
  • metais e minerais industriais são negociados por quilo ou tonelada; 
  • ouro, prata, platina e paládio são os principais metais medidos em onças troy, padrão internacional para metais preciosos. A onça é usada para cotação em bolsas, moedas e barras de investimento. 

Isso significa que um mineral pode ser muito caro por grama, mas ter pouca aplicação econômica total.

A influência da tecnologia

A tecnologia tem grande impacto no valor dos minerais.

Quando surge uma nova aplicação, como baterias mais eficientes ou equipamentos eletrônicos mais potentes, a demanda por certos minerais pode crescer rapidamente.

Isso pode transformar um mineral pouco valorizado em um recurso estratégico.

E a sustentabilidade?

Hoje, o valor de um mineral também está relacionado à forma como ele é extraído.

A mineração responsável, com menor impacto ambiental e respeito às comunidades locais, tornou-se um fator importante na avaliação econômica e social de um recurso mineral.

Então, qual é o mais valioso?

A resposta correta é: depende do critério utilizado.

  • se o critério for raridade geológica, alguns minerais pouco conhecidos podem ocupar o topo da lista. Entre os exemplos mais conhecidos estão o diamante natural, além de diversas outras pedras preciosas que se formam sob condições geológicas específicas e raras; 
  • se o critério for alta demanda, a lista de minerais valiosos vai variar de tempos em tempos;
  • se for impacto econômico global, minerais estratégicos usados em tecnologia ganham destaque. 

Mais importante do que apontar “o mais valioso” é entender que o valor mineral é resultado de uma combinação entre geologia, mercado, tecnologia e sociedade.

Fonte: Correio Braziliense

O que é financiamento climático e por que ele é importante para a mineração

O financiamento climático é um conceito importante para quem quer entender como os países, empresas e comunidades estão lutando contra as mudanças climáticas. O termo se refere aos recursos financeiros destinados a apoiar ações que reduzem a emissão de gases que aquecem o planeta e ajudam a sociedade a se adaptar às mudanças do clima. Esses recursos podem vir de governos, empresas, instituições internacionais e outros parceiros. E podem incluir desde doações e subsídios até investimentos e instrumentos financeiros mais complexos.

Com esses recursos, torna-se possível financiar projetos e tecnologias que tornem o mundo mais sustentável, como equipamentos que consomem menos energia, sistemas que evitam desperdício de recursos e soluções que ajudam comunidades e ecossistemas a enfrentar eventos climáticos extremos.

No contexto internacional, o financiamento climático se conecta a acordos como o Acordo de Paris, que reconhece a importância de mobilizar recursos, com atenção especial às necessidades de países em desenvolvimento em implementar ações climáticas.

E o que isso tem a ver com a mineração?

A mineração está envolvida em muitas das cadeias produtivas que impulsionam a transição para uma economia de baixo carbono. Minerais críticos e estratégicos  como lítio e cobalto, são essenciais para baterias, tecnologias limpas e infraestrutura verde. Para que esse potencial seja realizado de forma sustentável, o setor precisa de acesso a financiamento climático que permita:

  • investir em tecnologias mais limpas e eficientes;
  • fortalecer a capacidade de se adaptar a mudanças ambientais;
  • contribuir para o desenvolvimento de soluções que minimizem impactos ambientais.

Além disso, alinhar a mineração às estratégias de financiamento climático ajuda a atrair investimentos responsáveis, abrir novas oportunidades de inovação e fortalecer a integração do setor com políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis.

Entender o financiamento climático é compreender uma peça-chave da transição energética e das soluções contra as mudanças do clima. Ele mostra como ideias, políticas e dinheiro se conectam para viabilizar ações reais da ciência à prática.

Quer saber mais sobre o tema? O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) publicou um e-book que explica o ecossistema do financiamento climático no setor mineral. Clique aqui para baixar o material.

Berilo: diversidade de cores e riqueza mineral no Brasil

Rosa, azul, verde, amarelo e até incolor.
O berilo é um dos grupos de minerais mais variados e valiosos encontrados no Brasil.

Talvez você não conheça o nome “berilo”, mas com certeza já ouviu falar de algumas de suas variedades, como esmeralda e água-marinha.

O que é o berilo?

O berilo é um mineral formado principalmente por berílio (elemento químico metálico, metal alcalino-terroso), alumínio e silício. Esses elementos se organizam na natureza formando cristais que podem ser transparentes, brilhantes e muito valorizados. 

Na antiguidade, o berilo era apreciado  por sua raridade e brilho. É mencionado na Bíblia em contextos que evocam beleza, valor e santidade.

Sozinho, o berilo é praticamente incolor. Mas quando pequenas quantidades de outros elementos químicos entram na sua estrutura, como ferro, cromo, vanádio ou manganês, surgem as diferentes cores que dão origem às pedras preciosas. 

São essas pequenas “misturas naturais” que explicam a grande variedade de gemas do grupo. Cada cor depende do elemento presente na formação do cristal. Por exemplo:

  • O ferro pode produzir tons azulados ou amarelados;
  • O cromo e o vanádio são responsáveis pelo verde intenso da esmeralda;
  • O manganês pode gerar tons rosados, como na morganita.

Principais variedades do berilo:

  • Água-marinha (azul);
  • Esmeralda (verde intenso);
  • Morganita (rosa);
  • Heliodoro (amarelo);
  • Goshenita (incolor);
  • Berilo verde (verde mais claro do que o da esmeralda).

Onde o berilo é encontrado?

Existem dois tipos principais de depósitos onde o berilo pode se formar:

  • Depósitos vulcânicos, comuns nos Estados Unidos.
  • Depósitos graníticos, frequentes no Brasil.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país possui reservas importantes em estados como: Bahia, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Ceará, Alagoas, Paraíba, Goiás e Minas Gerais. O Brasil é reconhecido internacionalmente pela qualidade e pelo tamanho de muitos de seus cristais.

Destaques brasileiros

Água-marinha

É considerada uma das gemas mais tradicionais do Brasil.

Em Minas Gerais foi encontrada uma das maiores águas-marinhas já registradas, pesando cerca de 111 kg em estado bruto.

Outras gemas brasileiras ficaram conhecidas internacionalmente, como exemplares apelidados de “Marta Rocha” e “Cachaçinha”.

Esmeralda

Quando o berilo contém pequenas quantidades de cromo e/ou vanádio, ele adquire a coloração verde intensa característica e passa a ser chamado de esmeralda.

A esmeralda está entre as gemas mais valorizadas do mundo e é conhecida por sua cor marcante. É comum apresentar pequenas fraturas internas, que fazem parte de sua formação natural.

No Brasil, as principais áreas produtoras de esmeraldas estão na Bahia, em Goiás e em Minas Gerais. O país é um dos importantes produtores mundiais dessa pedra preciosa.

Goshenita

É o berilo incolor.
Embora exista em vários países, o Brasil já produziu alguns dos maiores cristais conhecidos dessa variedade.

Morganita

Também chamada de “berilo rosa”, pode variar entre tons rosados e salmão.

Minas Gerais é um dos principais locais de ocorrência no Brasil, mas ela também é encontrada na África, nos Estados Unidos e na Ásia.

Heliodoro

É o berilo amarelo.

É menos conhecido que as outras variedades, mas chama atenção pela transparência e brilho.
Em alguns casos, a cor pode ser intensificada por meio de tratamento térmico controlado.

Uma curiosidade famosa

A chamada “Esmeralda Bahia”, encontrada em 2001, no município de Pindobaçu (BA), pesa cerca de 380 kg.

Na verdade, trata-se de um grande bloco de rocha contendo cristais de esmeralda, que ganhou notoriedade internacional e foi alvo de disputas judiciais ao longo dos anos.

Além da joalheria

O berilo não é importante apenas como pedra preciosa.

Dele é extraído o berílio (Be), um metal leve, resistente e com alto ponto de fusão (ou seja, suporta temperaturas muito elevadas antes de derreter).

O berílio é utilizado em:

  • equipamentos eletrônicos;
  • indústria aeroespacial;
  • área de defesa;
  • instrumentos de precisão.

Ou seja, o berilo tem importância tanto nas joias quanto na indústria e na tecnologia.

Fonte: Gov.br

Universidade brasileira desenvolve bateria de nióbio com desempenho semelhante ao comercial

Protótipo nacional é recarregável, opera fora do laboratório e alcança 3 volts de tensão

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) avançaram no desenvolvimento de uma bateria de nióbio funcional, recarregável e com desempenho comparável ao de baterias comerciais já disponíveis no mercado. O protótipo atinge 3 volts de tensão, valor compatível com a maioria dos dispositivos eletrônicos atuais, e opera em condições reais, fora de ambientes controlados de laboratório, um passo decisivo para aplicações práticas.

O projeto já entrou na fase de testes industriais, indicando potencial para escalonamento e uso comercial no futuro.

Pesquisa brasileira supera desafio histórico do nióbio

A pesquisa vem sendo desenvolvida há cerca de dez anos pelo professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), em parceria com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e o Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT).

Um dos principais obstáculos enfrentados pelos pesquisadores foi a degradação do nióbio em ambientes eletroquímicos, ou seja, em sistemas onde ocorrem reações químicas associadas à passagem de corrente elétrica. Na presença de água e oxigênio, o metal tende a perder estabilidade, o que historicamente limitou seu uso em baterias.

Solução inspirada na natureza

Para contornar esse problema, a equipe se inspirou em sistemas biológicos, como enzimas e metaloproteínas, que conseguem operar de forma estável mesmo em ambientes químicos complexos. A partir dessa ideia, os pesquisadores desenvolveram um meio redox ativo, um ambiente químico que controla as reações de oxidação e redução, batizado de NB-RAM.

Esse sistema funciona como uma espécie de “proteção inteligente” para o nióbio, permitindo que o metal alterne seus estados eletrônicos durante os ciclos de carga e descarga sem se degradar. Na prática, isso garante maior durabilidade e estabilidade ao funcionamento da bateria.

Ajuste fino e testes em formatos industriais

A consolidação do projeto contou com a liderança da pesquisadora Luana Italiano, da USP, responsável por cerca de dois anos de refinamento técnico do sistema. Segundo ela, o principal desafio foi encontrar o equilíbrio ideal entre proteção e desempenho energético.

“Se o material for protegido demais, a bateria perde eficiência. Se for protegido de menos, o nióbio se degrada”, explica.

Após esse ajuste fino, o protótipo passou a operar de forma estável não apenas em bancada, mas também em formatos próximos aos utilizados pela indústria. A bateria foi testada em células do tipo coin (formato de moeda) e pouch (baterias laminadas e flexíveis), em parceria com o pesquisador Hudson Zanin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os testes incluíram diversos ciclos de carga e descarga, comprovando a viabilidade técnica da solução.

Inovação, patente e potencial estratégico

A tecnologia já teve patente depositada pela USP e apresenta características compatíveis com as exigências do mercado atual de armazenamento de energia. Para avançar para a etapa final de desenvolvimento e ampliar a produção em escala, os pesquisadores defendem a criação de um centro multimodal de pesquisa e inovação, reunindo universidades, governos e startups de base tecnológica.

Para Crespilho, o projeto vai além do avanço científico e reforça o papel estratégico da mineração e da ciência nacional. “Essa bateria mostra que o Brasil pode ir além da exportação de matérias-primas e assumir a liderança no desenvolvimento de tecnologias, desde que a ciência seja tratada como prioridade”, afirma.

O avanço reforça o potencial do nióbio, mineral no qual o Brasil detém as maiores reservas conhecidas do mundo, como base não apenas para exportação, mas também para o desenvolvimento de tecnologias de alto valor agregado ligadas à transição energética e à inovação industrial.

(Fonte: Agência Brasil)

Descubra qual é um dos minerais essenciais para o corpo e onde encontrá-lo

O magnésio é um dos minerais mais importantes para o funcionamento do corpo humano. Ele participa de mais de 300 processos internos que ajudam a produzir energia, relaxar os músculos, proteger os ossos e manter o equilíbrio do organismo.

Mesmo sendo tão importante, muitas pessoas não sabem exatamente para que ele serve, onde está presente e quando é preciso suplementar.

Por que o magnésio é tão importante?

O magnésio atua como um verdadeiro “organizador” do corpo.
Ele ajuda diferentes sistemas a trabalharem em conjunto, como músculos, nervos, coração e cérebro.

Entre suas principais funções estão:

  • Produção de energia para as células
  • Relaxamento e recuperação muscular
  • Proteção das articulações
  • Funcionamento do sistema nervoso
  • Regulação do sono e do humor
  • Controle da pressão arterial e dos batimentos do coração

Sem magnésio suficiente, o corpo pode ficar mais cansado, dolorido e desregulado.

Em quais situações o magnésio pode ajudar?

O magnésio costuma ser usado como apoio em tratamentos ligados principalmente aos músculos, às articulações e ao sistema nervoso.

Ele pode ajudar em casos como:

  • Dores musculares e articulares
  • Cãibras frequentes
  • Dificuldade para dormir
  • Ansiedade leve
  • Fibromialgia
  • Inflamações intestinais
  • Problemas neurológicos que afetam os movimentos

É importante lembrar que o magnésio não substitui tratamento médico, mas pode atuar como complemento, sempre com orientação profissional.

Existem diferentes tipos de magnésio?

Sim. O magnésio pode ser encontrado em diferentes formas, e cada uma atua de uma forma diferente no organismo. Veja as principais, explicadas de forma simples:

  • Magnésio treonato

Ajuda o funcionamento do cérebro. Pode colaborar com foco, memória, relaxamento muscular e qualidade do sono.

  •  Magnésio glicinato

Muito usado para relaxamento, proteção das articulações e auxílio no sono. Também ajuda no controle da ansiedade.

  •  Magnésio taurato

Atua no sistema nervoso e ajuda a equilibrar substâncias ligadas ao bem-estar e ao humor.

  •  Magnésio dimalato

Contribui para a produção de energia e ajuda em dores musculares e articulares. Costuma ser bem absorvido pelo corpo.

  •  Cloreto de magnésio

Ajuda o funcionamento do intestino, mas pode causar efeito laxativo em algumas pessoas e não é o tipo mais bem absorvido.

Magnésio combinado com outros nutrientes

Alguns suplementos unem o magnésio a outras substâncias:

  • Magnésio com vitamina B (inositol): pode ajudar no sono, nas cãibras e no relaxamento muscular.
  • Magnésio com ácido cítrico (citrato): melhora o funcionamento do intestino, mas tem absorção menor.

A escolha depende da necessidade de cada organismo.

Como fazer a suplementação com segurança

O magnésio pode ser consumido em cápsulas ou em pó.
A suplementação costuma ser mais comum após os 40 anos, quando o corpo passa a absorver minerais com menos eficiência.

Mas atenção: excesso de magnésio faz mal.

Por isso, a suplementação deve sempre ter orientação de um profissional de saúde, que vai indicar:

  • Tipo correto
  • Dose adequada
  • Tempo de uso

Para quem pratica atividade física, alguns profissionais indicam combinações que ajudam na recuperação muscular e na prevenção de cãibras.

Onde encontrar magnésio nos alimentos?

Antes de pensar em suplementos, é importante olhar para a alimentação.
O magnésio está presente em muitos alimentos comuns do dia a dia, como:

  • Folhas verdes escuras (couve, espinafre)
  • Castanhas, nozes e amêndoas
  • Sementes de abóbora, gergelim e chia
  • Feijão e lentilha
  • Aveia, quinoa e grãos integrais
  • Banana e abacate
  • Chocolate amargo (com alto teor de cacau)
  • Peixes e laticínios

Uma alimentação variada já fornece boa parte do magnésio necessário.

Como perceber a falta de magnésio?

A maior parte do magnésio do corpo está nos ossos e músculos, e apenas uma pequena quantidade aparece nos exames de sangue.
Por isso, a avaliação também leva em conta sinais do dia a dia, como:

  • Cãibras frequentes
  • Dores musculares ou articulares
  • Cansaço excessivo
  • Dificuldade de concentração
  • Insônia
  • Recuperação lenta após exercícios

Esses sinais não confirmam sozinhos a deficiência, mas servem como alerta.

Riscos do excesso de magnésio

Consumir magnésio em excesso pode causar:

  • Diarreia
  • Náuseas
  • Queda da pressão
  • Alterações nos batimentos do coração
  • Fraqueza muscular

Pessoas com problemas nos rins precisam de cuidado redobrado, pois o mineral é eliminado por esse órgão.

Magnésio não é solução para tudo

Apesar de seus benefícios, o magnésio não faz milagres.
Ele não emagrece, não cura ansiedade ou depressão sozinho e não resolve qualquer tipo de dor.

Seu papel é ajudar o corpo a funcionar melhor, desde que usado com equilíbrio, orientação e bons hábitos de vida.

Fonte: G1 Globo 

https://g1.globo.com/saude/bem-estar/noticia/2025/10/17/suplementacao-de-magnesio-entenda-os-tipos-e-saiba-o-efeito-de-cada-um.ghtml

Como a tecnologia está transformando os rejeitos da mineração em novos produtos

A mineração está em constante evolução. Tecnologias que antes pareciam distantes já fazem parte do dia a dia das empresas, reduzindo impactos e transformando materiais que antes eram descartados, como rejeitos e estéreis, em produtos úteis para a sociedade.

Hoje, já é possível produzir areia, blocos modulares, pavimentos, agregados para construção, e até materiais que substituem parte do cimento. Tudo isso nasce de processos mais modernos e de novas formas de reaproveitar o que antes ficava parado em barragens ou pilhas de rejeito.

Tecnologias que reduzem desperdícios e criam novas oportunidades

Uma das principais inovações no processamento do minério é o beneficiamento a umidade natural. Nesse modelo, o minério passa por etapas de britagem e peneiramento sem adição de água, o que reduz a geração de rejeitos na forma de lama e diminui a necessidade de barragens.

Outro exemplo é o empilhamento a seco, conhecido como dry stacking.

Nessa técnica, os rejeitos passam por filtros que retiram grande parte da água e deixam o material em forma sólida. Esse formato facilita o empilhamento em áreas seguras e, em alguns casos, permite o reaproveitamento em melhorias de vias internas ou estradas próximas às minas

Além disso, pesquisas testam o uso de nanomateriais, como a nanocelulose, para aumentar a resistência e a durabilidade de produtos produzidos a partir de rejeitos. Essas inovações ajudam a criar blocos, pisos e outros materiais de construção com menor impacto ambiental.

Por que isso é importante?

Especialistas explicam que transformar rejeitos em novos produtos faz parte da chamada economia circular.

Isso significa reaproveitar ao máximo tudo o que já foi extraído, reduzindo o desperdício e prolongando a vida útil dos recursos naturais.

Essa prática traz benefícios como:

  • Menos impacto ambiental;
  • Menor necessidade de construir barragens e menos risco para comunidades próximas, compreendendo-se que circularidade não elimina automaticamente riscos ou barragens. Ela reduz volumes, o que tende a reduzir riscos;
  • Novas fontes de receita para as empresas;
  • Redução de custos e mais eficiência.

Como explica Mariana Lamarca, diretora sênior da A&M Infra, essa combinação entre inovação e circularidade representa uma “dupla oportunidade”: diminuir passivos antigos da mineração e gerar novos negócios a partir deles.

Ela lembra ainda que muitos rejeitos guardam pequenas quantidades de minerais que, no passado, não compensavam ser recuperados. Com a tecnologia atual, isso já está mudando.

Circularidade: um caminho apontado pelo IBRAM

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) reforça essa visão em seu guia sobre mineração circular. No documento, o Instituto destaca que, com o aumento da população e as mudanças globais na energia, a demanda por minerais vai crescer. Por isso, usar os recursos de forma eficiente é essencial.

A mineração circular busca equilibrar três pontos:

  • Inovação;
  • Sustentabilidade;
  • Eficiência operacional.

A meta é gerar valor para o país e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais e sociais.

Casos reais: o que as empresas já estão fazendo

Várias empresas brasileiras já colocam essas ideias em prática. Veja alguns exemplos:

Vale: mais de cem iniciativas de reaproveitamento

A Vale criou um grande programa dedicado à circularidade.
Entre as ações estão:

  • Transformação de rejeitos em areia e blocos;
  • Aproveitamento de minério que já estava em pilhas e barragens;
  • Redução da geração de rejeitos novos

Em 2024, a empresa produziu 12,7 milhões de toneladas de minério a partir de processos circulares. A meta para este ano é chegar a 20 milhões de toneladas, e, até 2030, alcançar 10% de toda a produção por meio de circularidade.

Segundo o vice-presidente executivo técnico, Rafael Bittar, alguns rejeitos da companhia ainda têm entre 40% e 60% de ferro, o que facilita o reaproveitamento.

Ele explica também que cerca de 70% da produção de minério de ferro da Vale no Brasil já usa o processamento a umidade natural, que não gera rejeitos na forma de lama. Até 2027, a empresa quer usar essa tecnologia em 100% das operações do Sistema Norte.

Em 2024, a empresa investiu US$ 790 milhões em pesquisa e inovação.

Grupo J. Mendes: rejeitos viram blocos modulares

A Ferro+ e a JMN Mineração, do Grupo J. Mendes, trabalham com tecnologias que dispensam barragens.
Esse modelo aumenta a segurança e abre espaço para o reaproveitamento do material.

Uma parceria com a empresa Isobloco permitiu criar um bloco modular feito a partir de rejeitos minerais. Esses blocos usam um tipo de concreto chamado “nanocelular”, que deixa o material:

  • Mais resistente
  • Antimofo
  • Isolante térmico e acústico
  • Resistente ao fogo.

Em 2024, o grupo investiu R$ 1,3 milhão em inovação para desenvolver novos subprodutos.

Anglo American: pavimentação com rejeitos

A Anglo American usa rejeitos de flotação, o que sobra após separar os minerais, para produzir bloquetes de pavimentação usados em vias de acesso a municípios próximos à mina em Conceição do Mato Dentro (MG).

Segundo a empresa, é uma alternativa mais sustentável e totalmente alinhada à economia circular.

CBA: resíduos que viram produtos

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) também transforma resíduos da produção em coprodutos usados na construção civil, na indústria cimenteira e na metalurgia.
A empresa afirma que 48% de seus resíduos já são classificados como coprodutos e que a receita obtida com essa venda cresceu 30,7% no último ano.

O futuro já começou

O avanço das tecnologias, a pressão por sustentabilidade e as novas demandas da sociedade estão acelerando a transformação do setor mineral. O que antes era visto como sobras sem valor agora se torna oportunidade de inovação, renda e menor impacto ambiental.

A mineração do futuro é circular, e ela já está acontecendo no Brasil.

Fonte: https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/revista-inovacao/noticia/2025/11/28/mineracao-redefine-seu-futuro-com-solucoes-de-processamento-de-rejeitos-que-geram-produtos.ghtml

Usina solar em antiga área de mineração vira exemplo de energia limpa na China

No noroeste da China, uma grande área que antes era usada para mineração de carvão está ganhando um novo papel: produzir energia limpa usando a luz do sol.

Hoje, mais de 10 mil acres (uma área equivalente a milhares de campos de futebol) abrigam uma usina solar no estado de Ningxia. Ela consegue gerar 2 milhões de quilowatts, quantidade suficiente para fornecer eletricidade para cerca de 300 mil casas.

A construção começou em 2022 e aproveita que a região recebe muita luz solar o ano todo. Os painéis foram instalados sem nivelar o terreno, o que significa que a área não precisou ser “raspada” ou modificada. Isso ajuda a proteger a natureza local.

Os painéis usam uma tecnologia chamada fotovoltaica, que é a capacidade de transformar a luz do sol diretamente em energia elétrica. Os equipamentos já conseguem aproveitar mais de 20% da luz solar, o que é considerado um índice alto.

Mesmo em dias nublados, a usina continua funcionando e, muitas vezes, entrega energia mais barata do que a produzida pelo carvão.

Ao lado da usina solar ainda existe uma usina a carvão, mas agora ela funciona de forma complementar:

  • durante o dia, quando o sol fornece muita energia, ela reduz a produção;
  • à noite, quando os painéis não funcionam, ela aumenta a geração para manter a rede elétrica estável.

Esse modelo mostra que é possível combinar energia renovável (como solar) com energia tradicional (como carvão) para garantir o abastecimento sem interrupções.

Engenheiros lembram que o carvão é um recurso limitado, ou seja, um dia acaba. Por isso, aumentar o uso de fontes limpas, especialmente solar e eólica, é importante para garantir energia no futuro.

A China já vem mudando rapidamente:

  • há 10 anos, o carvão produzia 70% da eletricidade do país;
  • hoje, mais da metade da energia chinesa já vem de fontes não poluentes.

Só a energia solar cresceu 200 gigawatts em um ano, o maior aumento do mundo.
E a experiência de Ningxia mostra que transformar áreas mineradas em espaços para energia limpa é um caminho possível e eficiente.

Fonte: metropoles.com