Uma descoberta histórica colocou a China no centro das atenções do mercado global de mineração. Localizada na província de Hunan, no sul do país, foi identificada como a maior reserva natural de ouro do mundo. Avaliada em mais de 83 bilhões de dólares, a jazida foi anunciada em novembro deste ano e já está sendo considerada um marco para o setor.
De acordo com o portal argentino TN, o depósito contém aproximadamente 1.100 toneladas de ouro de altíssima pureza, despertando o interesse de especialistas, que acreditam haver potencial para novas descobertas na região. Essa mina supera até então a maior do planeta, South Deep, na África do Sul, que possui cerca de 900 toneladas. Segundo o Gabinete Geológico da Província de Hunan, liderado por Chen Rulin, 40 veios de ouro foram encontrados a uma profundidade de dois quilômetros. Cada veio pode conter cerca de 300 toneladas.
As análises de amostras sugerem que a mineração extraída da área possui uma concentração excepcional: até 138 gramas de ouro por tonelada, um número bastante superior à média de 8 gramas que já é considerado de alto teor.
A modelagem tridimensional indica ainda a possibilidade de reservas adicionais a três quilômetros de profundidade. “Muitos núcleos de rocha perfurados mostraram ouro visível”, afirmou Rulin, o que reforça o enorme potencial desta área.
Com essa nova descoberta, a China fica sendo considerada um dos países com as maiores reservas de ouro no mundo. Estima-se que, antes do anúncio, o país já possuía mais de 2 mil toneladas estocadas.
A mineração desempenha um papel de grande importância na economia chinesa, representando cerca de 10% da produção global. O impacto da descoberta em Hunan não é apenas econômico: especialistas acreditam que o achado poderá elevar o preço do ouro no mercado internacional, já em alta devido à instabilidade econômica global.
Dados confiáveis sobre estoques, emissões e sequestro do CO2 da atmosfera são indispensáveis para que o Brasil possa planejar ações para mitigar as mudanças climáticas. Visando quantificar o estoque de carbono em uma área protegida na Amazônia no sudeste do Pará, o Instituto Tecnológico Vale (ITV) realizou um estudo inédito para identificar árvores que podem armazenar uma quantidade considerável de dióxido de carbono (CO2). O CO2 é um composto químico gasoso que tem um papel significativo no efeito estufa. As árvores podem ajudar a combater as mudanças climáticas, desde que sejam preservadas e mantidas em pé. A Floresta Nacional de Carajás possui uma área equivalente a cinco vezes a cidade de São Paulo e estoca 490 milhões de toneladas de carbono equivalente.
A espécie que apresentou o maior estoque de carbono é a Erisma uncinatum Warm, conhecida por cinzeiro. Quatorze indivíduos identificados na área inventariada totalizaram 43 toneladas de carbono (t-C). A manutenção de uma única árvore de cinzeiro corresponde ao armazenamento de 58 toneladas de CO2 eq, ou aproximadamente a queima de 25 mil litros de gasolina. Em seguida aparecem as espécies Marlimorimia psilostachya, timborana, e a Bertholletia excelsa Bonpl, popularmente conhecida como castanheira, com cerca de 27 t-C e 17 t-C. A castanheira é uma espécie avaliada segundo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e incluída na categoria de ameaça “vulnerável”; também está listada na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente.
Árvore de Erisma uncinatum (cinzeiro), com detalhes dos ramos no topo da copa – crédito: divulgação
As árvores absorvem da atmosfera o CO2, principal gás causador do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, e o armazenam em seus troncos, seus galhos e suas folhas. As florestas desempenham, assim, um papel de reservatórios de carbono. “As grandes árvores são parte essencial do ecossistema florestal. Além de armazenam enormes quantidades de carbono, fornecem importantes habitats para os animais e para as árvores abaixo da sua copa, devido ao sombreamento e pela queda de matéria orgânica. Elas levam décadas ou séculos para atingir seu tamanho máximo, tornando os ecossistemas das florestas primárias e secundárias maduras únicos. Entretanto, estão se tornando cada vez mais raras devido ao desmatamento e à degradação florestal. Por isso, é essencial a manutenção da floresta em pé para mitigar as mudanças climáticas”, destaca a pesquisadora do ITV, Tereza Cristina Giannini.
Estudo inédito identifica árvores com grandes estoques de carbono na Amazônia e que podem ajudar a mitigar as mudanças climáticas – crédito: divulgação
Foram medidas árvores, bambus, trepadeiras e palmeiras presentes com circunferência igual ou maior que 10 cm. O diâmetro mínimo utilizado e a identificação de espécies por taxonomistas são um diferencial deste trabalho, permitindo uma melhor análise por espécie. O estoque de carbono foi inicialmente estimado para a biomassa viva acima do solo (tronco e copa) das espécies florestais. A escolha das equações para estimar a biomassa a partir dos dados de altura e diâmetro foram feitas considerando o tipo da vegetação identificada em campo. O estoque de carbono médio na parte aérea da vegetação foi de 173 toneladas de carbono por hectare (t-C/há). Para a floresta ombrófila aberta, o carbono estocado nas raízes, serapilheira e madeira morta corresponde a cerca de 35%, 5% e 8% do carbono observado na parte aérea da vegetação, respectivamente.
Para Rosane Cavalcante proteger os ecossistemas com alto teor de carbono e biodiversidade é uma parte importante de uma abordagem abrangente para mitigação das mudanças climáticas. “O estoque de carbono nas parcelas estudadas na Floresta Nacional de Carajás está concentrado nas grandes árvores, mas o sub-bosque, onde vivem as pequenas árvores, é mais biodiverso e, devido ao seu crescimento mais lento, pode ter papel importante para a estabilidade do carbono estocado e para a remoção de carbono. Por isso é necessário balancear o esforço amostral, considerando tanto a importância dos indivíduos para fins de estimativa de carbono como seu papel para a biodiversidade da floresta”, disse.
Você já ouviu falar sobre Carbono Zero? É uma política desenvolvida por uma série de empresas, que tem como intuito neutralizar a emissão de gases do efeito estufa (CO2) por parte das pessoas e das próprias indústrias. Iniciativas focadas na diminuição das emissões de CO2 têm se tornado cada vez mais comuns entre empresas conscientes ecologicamente e preocupadas com práticas mais sustentáveis.
Um exemplo disso é a parceria entre a Hydro e a Mercedes-Benz. Juntas, elas pretendem, entre 2023 e 2030, promover um roadmap tecnológico conjunto, com o objetivo de desenvolver soluções de alumínio aprovadas para aplicações automotivas com pegada de CO2 abaixo de 3,0 kgCO2/kgAl. A ambição é aproximar-se do alumínio próximo de zero até o final do mesmo período.
A Hydro entregará seus primeiros volumes de alumínio com uma pegada abaixo de 3,0 kg CO2/kg de alumínio para a Mercedes-Benz em 2023. O produto será apresentado a uma variedade de modelos Mercedes-Benz, incluindo seus modelos elétricos (EQ).
“A Mercedes-Benz é uma empresa voltada para o futuro é uma parceira perfeita para a Hydro. A ambição de tornar toda a sua frota de novos automóveis de passeio neutros em CO2 até 2039 corresponde à ambição da Hydro de fornecer alumínio sem carbono em escala industrial até 2030. Parcerias e colaboração nas cadeias de valor podem acelerar os desenvolvimentos tecnológicos necessários para reduzir as emissões, e estamos entusiasmados com a Mercedes-Benz se juntando a nós em nosso caminho para o alumínio de carbono zero”, diz Hilde Merete Aasheim, presidente e CEO da Hydro.
As montadoras confiam no alumínio para reduzir o peso e as emissões de carbono sem comprometer a segurança. A reciclabilidade do alumínio significa que materiais descartáveis podem ser evitados. A Hydro fornece componentes de alumínio para a Mercedes-Benz há muitos anos. Com esta parceria, as empresas irão colaborar e aprofundar a pesquisa de como as soluções de baixo carbono e alumínio reciclado podem ser usadas em veículos. O objetivo é utilizar todo o potencial do alumínio como solução de baixo carbono em veículos modernos.
“O alumínio está se tornando cada vez mais importante como material leve em veículos elétricos. Estamos trabalhando intensamente com nossos parceiros para encontrar alavancas para reduzir as emissões de CO2 na cadeia de fornecimento de alumínio. Portanto, estou muito feliz por unirmos forças com a Hydro como um especialista de longa data na produção de energias renováveis para enfrentar um dos maiores desafios da indústria automotiva. Este é um sinal importante para acelerar a mudança na indústria do alumínio e aumentar a disponibilidade de alumínio com baixo teor de carbono”, diz Markus Schäfer, membro do Conselho de Administração do Mercedes-Benz Group AG e Diretor de Tecnologia, Desenvolvimento e Compras.
Hydro e Mercedes-Benz pretendem, entre 2023 e 2030, promover um roadmap tecnológico conjunto, com o objetivo de desenvolver soluções de alumínio aprovadas para aplicações automotivas com pegada de CO2 abaixo de 3,0 kgCO2/kgAl – crédito: divulgação
Neutralidade de CO2: moldando o mercado para um alumínio mais ecológico
A Hydro está comprometida em entregar uma redução de 30 por cento em suas emissões de CO2 até 2030. Para a produção de alumínio primário, as reduções de emissões virão da redução das emissões nas instalações de produção de alumina da Hydro Alunorte, no Pará, Brasil, e por meio da otimização de suas operações de eletrólise e fundição. A Hydro está desenvolvendo soluções de captura de carbono para suas instalações de produção de alumínio existentes, ao mesmo tempo em que desenvolve uma nova tecnologia de alumínio primário de carbono zero. A Hydro pretende ter pilotos em escala industrial para essas tecnologias até 2030.
“Para cumprir com sucesso nossas estratégias de descarbonização, precisamos nos unir aos pioneiros ao longo de toda a cadeia de valor, moldando o mercado de alumínio com baixo teor de carbono e quase zero”, diz Aasheim.
Os fertilizantes são substâncias usadas em uma lavoura com o objetivo de fornecer nutrientes para o desenvolvimento das plantas, podendo ser aplicados via solo ou via foliar. A sua produção depende diretamente da mineração. Os fertilizantes mais utilizados são produzidos com nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), conhecidos como NPK.
A Mosaic Fertilizantes, uma das maiores empresas em produção e comercialização de fosfato e potássio combinados, desenvolveu o primeiro fertilizante mineral sólido do mercado com tecnologia que equilibra, restaura e fortalece a biodiversidade microbiana do solo. O Performa Bio estimula a recomposição da atividade de microrganismos benéficos, aumentando a capacidade de absorção e o aproveitamento dos nutrientes, elevando, consequentemente, o patamar de produtividade e de sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos.
Além da tecnologia que contribui diretamente para a saúde do solo, o Performa Bio oferta ao solo boa concentração de nutrientes, fósforo e enxofre de alta eficiência, promovendo plantio em menor tempo e maior aproveitamento dos nutrientes no ciclo das culturas. A granulometria uniforme, a qualidade física superior e o perfeito equilíbrio nutricional e biológico geram fluidez na aplicação em campo, facilidade de manuseio e aumento de produtividade e da qualidade do solo.
De acordo com o vice-presidente Comercial da Mosaic Fertilizantes, Eduardo Monteiro, o produto foi desenvolvido “integrando conhecimento agronômico e inovação, oferecemos novidades para que os agricultores elevem a produtividade de suas lavouras e aumentem a entrega de alimentos para o mundo com menor impacto ambiental”.
Desenvolvido pela Mosaic Fertilizantes, solução aumenta a sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos – crédito: divulgação
Fertilizantes no Brasil
O Portal da Mineração já abordou anteriormente a importância da mineração para o agronegócio e à produção de fertilizantes. O Brasil é responsável por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes, ocupando a quarta posição, atrás apenas da China, Índia e dos Estados Unidos. Soja, milho e cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo de fertilizantes no país.
Mais de 80% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados. Esta dependência no que se refere à importação de fertilizantes e de minérios utilizados para sua fabricação ficou mais evidente após o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, grande exportadora de matéria-prima para produção do produto. O aumento da produção de fertilizantes no Brasil depende da disponibilidade de recursos minerais, além de condições favoráveis de preços, infraestrutura e impostos.
O governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), em março de 2022, com o objetivo de reduzir a importação do insumo. Dentre as suas metas estão: estimular e ampliar a pesquisa, exploração e transformação mineral no Brasil, oferecendo fontes competitivas para a agricultura nacional; atração de investimentos nacionais ou estrangeiros na exploração, transformação, desenvolvimento ou distribuição de fertilizantes; investimento em novas tecnologias; entre outros.
PodMinerar sobre Política Nacional para Fertilizantes
O PodMinerar, o podcast da mineração do Brasil, lançou no início de dezembro o episódio especial EXPOSIBRAM 2022 – Política Nacional de Fertilizantes.
Especialistas conversam sobre a dependência brasileira da importação de fertilizantes e de minérios utilizados para sua fabricação. O bate-papo contou com a participação do coordenador-geral de Estudos em Desenvolvimento Econômico e Social da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, José Carlos Polidoro, e do vice-presidente de Assuntos Corporativos, Estratégia e Sustentabilidade da Mosaic Fertilizantes, Arthur Liacre.
Ouça o episódio nas plataformas de áudio digital, comoSpotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music, Google Podcaste nosite do IBRAM. O PodMinerar é mais um canal de comunicação do IBRAM com o objetivo de disseminar um amplo debate sobre o futuro da mineração e a mineração do futuro.
Um grande desafio para as mineradoras é envolver as forças da sociedade e promover a diversificação econômica nos territórios onde atuam. Isso é necessário porque a atividade minerária é finita, ou seja, em algum determinado momento haverá o esgotamento dos recursos nas regiões mineradas. Sendo assim, os municípios dependentes do segmento necessitam da implantação de projetos que assegurem a sobrevivência socioeconômica após o fim deste ciclo de produção, passando a obter receitas oriundas de outras atividades econômicas.
A mineração permite que se instale nestes municípios condições adequadas para a atração de outros investimentos. É uma oportunidade de aproveitar a logística, mão de obra qualificada e o potencial que já se encontra na localidade para de fato alocar em outros projetos que podem ser similares ou complementares. Existe um esforço do setor mineral que desenvolve projetos em busca de promover um avanço da diversificação econômica nos municípios mineradores.
O diretor de Relações com Associados e Municípios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Alexandre Mello, explicou durante a durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração 2022 (EXPOSIBRAM 2022) realizada em setembro, em Belo Horizonte (MG), que o foco desses projetos é desenvolver atividades produtivas destinadas a substituir as receitas da mineração em uma futura ausência desses recursos. “Entretanto, precisamos do engajamento do poder público, das empresas e comunidades. Se um desses pilares falhar, não é possível implementar as soluções”.
O Sebrae mantém planos de desenvolvimento econômico para regiões de Minas Gerais. O diretor técnico do órgão, João Cruz Reis Filho, disse que esses programas são necessários porque “sem diversificação econômica, corre-se o risco de um colapso social”. Instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o IBRAM possuem programas voltados para esse objetivo. Um exemplo é o projeto de Reconversão Produtiva em Territórios Minerados, que visa o desenvolvimento de 69 municípios de Minas Gerais.
Reconversão produtiva
A economia de Minas Gerais está fortemente ligada à mineração. Entretanto, promover alternativas econômicas e ambientes favoráveis para o progresso de cada um dos 13 territórios mineiros que têm grande dependência minerária é primordial para permitir um desenvolvimento sustentável dos municípios.
O Projeto de Reconversão Produtiva em Territórios Minerados tem o objetivo de oferecer instrumentos para apoiar lideranças públicas e empresariais na formação de uma governança local que atue na construção de uma Agenda Estratégica para cada um dos 13 territórios que receberão o projeto em Minas Gerais, visando a diversificação econômica. São 13 municípios dependentes da mineração e outros 56 impactados por eles, totalizando 69 municípios.
O projeto-piloto foi implementado em Itabira, em janeiro de 2021, envolvendo cerca de 10 municípios. A iniciativa também já chegou em Itabirito, abrangendo outros quatro municípios do entorno. As 13 cidades-sede do projeto são Belo Vale, Catas Altas, Conceição do Mato Dentro, Congonhas, Itabira, Itabirito, Itatiaiuçu, Nova Lima, Paracatu, Riacho dos Machados, Rio Piracicaba, São Gonçalo do Rio Abaixo e Tapira.
PodMinerar sobre diversificação econômica
Quer ouvir a opinião dos especialistas sobre o tema? O Podminerar, o podcast da mineração do Brasil, publicou um episódio especial sobre diversificação econômica nos municípios, gravado durante a EXPOSIBRAM 2022. É um bate-papo com o Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Fernando Passalio de Avelar, e o Diretor Técnico do Sebrae MG, João Cruz Reis Filho.
O PodMinerar é mais um canal de comunicação do IBRAM com o objetivo de disseminar um amplo debate sobre o futuro da mineração e a mineração do futuro. Os episódios são lançados todas terças e quinta-feiras, às 17h, nas plataformas de áudio digital, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music, Google Podcast e nosite do IBRAM.
A mineração do Brasil não é composta apenas por grandes mineradoras. Micro, pequenas e médias empresas mineradoras são a maioria da cadeia produtiva e representam quase 90% do setor mineral brasileiro, segundo dados de 2017 da Agência Nacional de Mineração (ANM). Porém, a sobrevivência desses negócios é muito mais difícil, sobretudo por conta de suas particularidades.
“A complexidade de leis e órgãos da mineração geram insegurança jurídica para as micro, pequenas e médias empresas da área. Ainda há outra dificuldade, principalmente para a mineração de agregados. Geralmente, elas operam no ambiente urbano, uma situação muito adversa, que causa muitos problemas, até mesmo levando ao fechamento da atividade”, destacou Fernando Valverde, presidente executivo da Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para Construção (ANEPAC), durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração 2022 (EXPOSIBRAM 2022), realizada em setembro, em Belo Horizonte (MG).
No Brasil há o grave problema da atividade ilegal. A prática da atividade de forma artesanal, caracterizada pela mão-de-obra de conhecimentos técnicos e gerenciais limitados, falta de sofisticação tecnológica e recursos podem trazer grandes impactos para o meio ambiente. O garimpo ilegal produz uma imagem completamente incompatível daquela defendida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e pela indústria mineral, que é a de uma atividade baseada no desenvolvimento sustentável, ou seja, alicerçada na preservação do meio ambiente, na excelência em segurança operacional e no respeito às pessoas.
Um dos caminhos facilitadores para o fortalecimento da pequena mineração é a formação de cooperativas, com a finalidade de organizar a atuação dos cooperados buscando o melhor aproveitamento dos bens minerais, com diversificação econômica e inclusão social. “A sobrevivência das pequenas mineradoras passa pelo cooperativismo. Temos observado crescimento na formalização de pequenas e médias mineradoras no Brasil, muito graças às cooperativas, que atuam legalizando áreas onde garimpeiros estavam trabalhando ilegalmente”, afirmou Alex dos Santos Macedo, analista Técnico e Econômico da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), durante a EXPOSIBRAM.
“O cooperativismo dá suporte para a emissão de licenças, para a gestão mineral e ambiental, além de ajudar na produção e comercialização de produtos”, completou. O especialista analisou, ainda, que “é impossível falar em mineração sustentável e responsável sem prestar atenção aos pequenos mineradores”.
As micro, pequenas e médias empresas de mineração precisam, também, de investimentos, conforme Giorgio de Tomi, professor do Núcleo de Pesquisa para a Pequena Mineração Responsável, da Universidade de São Paulo. “O crédito precisa existir, ser acessível e desburocratizado, mas com análise de desempenho técnico e de ESG. O dinheiro precisa ir para quem faz do jeito certo, quem faz mineração responsável”, disse.
Geologia marinha ou oceanografia geológica, também conhecida como oceanografia abiótica, é um estudo de regiões marinhas abrangendo a geologia, a morfologia de fundo, a evolução morfoestrutural das margens continentais, a distribuição sedimentar, os recursos minerais, a evolução paleogeográfica e a dinâmica costeira. O fundo do mar possui ilhas, vulcões extintos e ativos, cadeias de montanhas, fossas oceânicas, planícies abissais, inúmeros minerais e imenso potencial mineral a ser descoberto.
Poucas empresas e instituições de pesquisa ao redor do mundo têm as estruturas necessárias para investir em pesquisas. Os altos custos e as dificuldades de investigação geradas pela própria natureza dos oceanos são fatores que interferem diretamente nos projetos de pesquisas, que são importantes para entender o potencial mineral das áreas estudadas pela Geologia Marinha e produzir conhecimento acerca da formação, composição e história do fundo do mar.
No Brasil, existe a Divisão de Geologia Marinha (DIGEOM), do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), que desenvolve atividades de pesquisa relacionadas aos oceanos, na Zona Costeira, na Plataforma Continental Jurídica Brasileira e em regiões oceânicas internacionais. Ela estuda as características químicas e físicas de rochas e sedimentos coletados em área oceânica; as especificidades como idade de origem; batimetria dos oceanos; recursos minerais e ambientais marinhos; e, também, os processos de erosão costeira.
Em abril deste ano, foi inaugurado o primeiro Laboratório de Geologia Marinha (GeMar) do SGB-CPRM, em Recife/PE, com 5 mil amostras coletadas no leito marinho e na zona costeira. O DIGEOM desenvolve diversos projetos que podem contribuir para a mineração brasileira como: o projeto de Prospecção e Exploração de Depósitos de Fosforitas Marinhas na Plataforma Continental Jurídica Brasileira (PCJB); o Projeto de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais na Elevação do Rio Grande (PROERG); e o projeto de Prospecção e Exploração de Sulfetos Polimetálicos da Cordilheira Meso-Atlântica (PROCORDILHEIRA). Clique aquie saiba mais sobre alguns dos principais projetos desenvolvidos pela DIGEOM.
O SGB-CPRM é parceiro da Marinha do Brasil no uso de uma embarcação especialmente equipada para investigar as áreas de interesse que podem contribuir com o desenvolvimento do setor mineral brasileiro, fomentando ainda mais o desenvolvimento socioeconômico regional. Alguns estudos importantes já estão em curso, como é o caso do Projeto Plataforma Rasa do Brasil, que avalia o potencial mineral de áreas rasas da plataforma do continente – faixa submersa no litoral do continente – e zona costeira adjacente. Este projeto se desenvolve nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Você sabe o que são minerais estratégicos? E qual a sua função na transição energética?
Lítio, nióbio, grafita, cobre e fosfato são alguns dos minerais considerados estratégicos no Brasil pelo governo federal. Mas estes não são os únicos. Em junho de 2021 foi publicada a Resolução Nº 2 de 18 de junho de 2021, que define quais os minerais importantes para o país.
Entretanto, quais critérios são considerados para que um mineral seja estratégico? Ele deve ser um bem mineral do qual o País dependa de importação em alto percentual para o suprimento de setores vitais da economia; bem mineral que tenha importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia; ou bem mineral que detenha vantagens comparativas e que seja essencial para a economia pela geração de superávit da balança comercial do país.
Estes minerais estratégicos possuem um papel fundamental na transição para um futuro de economia de baixo carbono. São cruciais para a forma como a energia é gerada, transportada, armazenada e utilizada. Para se ter uma ideia, um carro elétrico requer seis vezes mais insumos minerais do que um carro convencional. Segundo estimativas da International Energy Agency (IEA), a demanda por lítio deve crescer 40 vezes até 2040 e a demanda por cobalto, grafite e níquel entre 20 e 25 vezes até 2040.
A presença destes minerais em terras brasileiras faz com o que o país tenha enorme potencial nesta área. No entanto, investimentos adequados em ciência e tecnologia têm sido o grande entrave para o desenvolvimento da extração mineral sustentável no país, assim como a capacitação técnica e uma política regulatória clara.
Para o diretor de Sustentabilidade e Assuntos Regulatórios do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Julio Nery, o país tem enormes desafios a superar para aproveitar a oportunidade desse novo mercado que está se abrindo. “Precisamos de mecanismos para desenvolver, de forma efetiva, o conhecimento geólogo brasileiro. A mineração trabalha com uma escala adequada do mapa. Atualmente, apenas 3% do país é mapeado em uma escala de 1:50.000 e cerca de 26% do território são conhecidos geologicamente na escala de 1: 100.000”, explica.
Julio ressaltou que apenas 0,6% do território brasileiro é ocupado pela mineração brasileira. “Mesmo utilizando pequena parcela do território, temos conseguido uma rentabilidade importante para o nosso país. No último ano tivemos um saldo mineral que foi equivalente a 80% do saldo comercial brasileiro”, analisa. Segundo ele, é necessário melhores mecanismos de financiamentos brasileiros para obter mais investimentos em pesquisa mineral e efetivamente o Brasil aproveitar essa janela de oportunidades desse mercado de transição energética.
É sempre bom lembrar que a extração mineral deve ser feita em qualquer parte do território de forma sustentável e organizada, com disseminação de boas práticas. Somente assim o Brasil poderá explorar todo o seu potencial e ser protagonista na transição energética.
O vanádio é um metal macio, com boa resistência à corrosão, de coloração acinzentada. Visualmente, ele lembra o aço. Símbolo V e número atômico 23 é localizado no grupo 5 da Tabela Periódica, o elemento possui boa resistência à corrosão e coloração acinzentada.
O metal foi descoberto na Cidade do México, pelo químico e mineralogista espanhol Don Andrés Manuel del Río. Ele descobriu o metal a partir do mineral vanadinita, extraído da cidade de Zimapán, México. Seu nome faz referência à deusa da beleza escandinava Vanadis.
O elemento é majoritariamente utilizado na produção da liga ferrovanádio, que confere ao aço propriedades vantajosas, como maior resistência mecânica e à corrosão. Ele também é um importante catalisador para a indústria química, atuando em diversos processos industriais. A principal fonte do vanádio é a vanadinita, contudo, dificilmente se encontra um mineral em que o vanádio é o metal principal.
O Brasil historicamente sempre foi importador de vanádio. Atualmente está entre o seleto grupo de países produtores desse bem mineral, com a única mina em operação da América do Sul, localizado em Maracás/BA, cujo depósito possui capacidade responder a 8% da demanda mundial.
Largo Vanádio de Maracás: única produtora do minério nas Américas completou 8 anos
Em maio, a única produtora de vanádio das Américas, responsável por cerca de 7% da produção mundial do minério, completou 8 anos de operação. A Largo Vanádio de Maracás, localizada no estado da Bahia, comemora a data com um robusto plano de investimentos – de C$ 590 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) – para a próxima década.
A empresa está endereçando boa parte dos esforços e investimentos para ampliar a produção de vanádio em Maracás de 12.500 toneladas/ano para 15.900 toneladas/ano até 2032 e já publicou recentemente estudo de viabilidade que confirmou que suas reservas minerais se estenderam para 20 anos, um aumento de 12 anos em comparação com relatório técnico 2017.
Em outra frente, a companhia está investindo C$ 365 milhões para implantar na Bahia a mais moderna e sustentável indústria de pigmento de titânio, um empreendimento que vai aproveitar a ilmenita resultante do beneficiamento do vanádio como matéria-prima e que usará os rejeitos do processo para produzir fertilizante, colocando a economia circular no centro do negócio
Veja o vídeo em comemoração ao aniversário de 8 anos da empresa:
Informações de Brasil Escola e Assessoria de Comunicação do Largo Vanádio Manacás.
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