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Nova jazida de ouro pode transformar a economia de cidade no Tocantins

A cidade de Monte do Carmo, no Tocantins, pode passar por uma nova fase de desenvolvimento com a implantação de um projeto de mineração de ouro. Um investimento estimado em cerca de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão) deve impulsionar a economia local e gerar empregos na região.

O projeto será desenvolvido pela empresa Hochschild Mining, associada do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que atua há mais de 100 anos na produção de metais preciosos, como ouro e prata. A expectativa é que a nova mina tenha capacidade para extrair e processar cerca de 6 mil toneladas de minério por dia, com uma vida útil estimada de aproximadamente 10 anos.

Hochschild Mining é responsável pelo novo projeto de produção de ouro em Monte do Carmo (TO). Crédito: Divulgação

Uma região com tradição no ouro

A escolha de Monte do Carmo para receber o empreendimento não é por acaso. A região possui uma longa história ligada à mineração. Registros históricos indicam que a extração de ouro já ocorria na área desde 1741, quando o antigo arraial de Nossa Senhora do Carmo ganhou destaque após a descoberta de jazidas.

Atualmente, o projeto está na fase de revisão de engenharia, etapa em que são definidos os parâmetros técnicos da operação. Para avançar, o empreendimento já recebeu licenças importantes, como a Licença de Instalação, a autorização para uso de recursos hídricos e a autorização de exploração florestal.

Possíveis impactos na economia local

Monte do Carmo é um município pequeno, com menos de mil trabalhadores formais. A expectativa é que a nova mina possa gerar cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos, contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.

Além disso, o município poderá receber recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), royalty pago pelas empresas mineradoras pelos recursos minerais. Parte desse valor é destinada aos municípios onde ocorre a produção mineral, podendo ser usada em áreas como infraestrutura, saúde e educação.

Desafios e planejamento para o crescimento

Com a possibilidade de crescimento econômico e aumento da população, o município também precisará ampliar serviços públicos e infraestrutura, como saúde, abastecimento de água e segurança. 

Mineração legal e combate ao garimpo ilegal

Enquanto projetos industriais seguem processos de licenciamento e fiscalização, a região também enfrenta desafios relacionados ao garimpo ilegal. Em fevereiro, uma operação da Agência Nacional de Mineração (ANM), com apoio da Polícia Federal, desarticulou uma atividade clandestina de extração de ouro no município.

Durante a operação, foram encontradas galerias subterrâneas e equipamentos usados na extração do minério, além da presença de mercúrio, substância altamente tóxica e poluente quando utilizada de forma irregular.

Segundo o IBRAM, projetos de mineração que seguem a legislação ambiental e os processos de licenciamento são fundamentais para garantir uma atividade legal, segura e responsável. “Os projetos desenvolvidos seguindo todas as exigências socioambientais, beneficiam diretamente a população, promovendo desenvolvimento sustentável para a região”, afirma o diretor de Assuntos Minerários do IBRAM, Júlio Nery. 

Ouro em alta no mercado internacional

Cresce o valor do ouro no mercado internacional. Crédito: Divulgação.

O interesse por novos projetos de mineração também está relacionado ao aumento do valor do ouro no mercado internacional. Nos últimos anos, o preço do metal tem registrado valorização significativa, impulsionando investimentos no setor.

O estado do Tocantins iniciou 2026 com um marco histórico: exportou 222 quilos de ouro em janeiro, gerando US$ 29,6 milhões (R$ 152,7 milhões). O valor supera em 60% o registrado no mesmo período de 2025. Os dados são do Comex Stat, sistema da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O ouro do Tocantins foi direcionado a três países. O Canadá recebeu 126 quilos (57%), a Suíça levou 92 quilos (41%) e os Emirados Árabes Unidos compraram 4 quilos (2%).

Fonte: Gazeta do Povo 

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Entenda como define o valor de um mineral

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Personagem de Wagner Moura no filme Agente Secreto é professor universitário e pesquisador de um projeto de baterias de lítio no Brasil em 1977

Ganhador do Globo de Ouro e representante do Brasil na disputa do Oscar, que acontecerá no próximo domingo, dia 14/3, o filme O Agente Secreto levou para as telas um tema estratégico para o futuro da economia mundial: a mineração.

Ambientada na década de 1970, a produção traz o ator Wagner Moura no papel de professor universitário e chefe de departamento de pesquisa dedicado ao desenvolvimento de baterias de lítio, tecnologia que está no centro da transição energética global.

A partir da narrativa do filme, é possível entender por que o lítio se tornou um dos minerais mais importantes do século XXI e como o Brasil se posiciona nesse cenário.

Wagner Moura é professor universitário e pesquisador de um projeto de baterias de lítio. Crédito: Divulgação

A revolução das baterias de lítio

Grande parte da relevância atual do lítio está ligada à transformação que esse elemento químico provocou no mercado de baterias. As chamadas baterias de íons de lítio, usadas em celulares, computadores e veículos elétricos, se destacam por carregar mais rápido, armazenar grandes quantidades de energia em espaços reduzidos e ter vida útil mais longa quando comparadas às tecnologias anteriores.

Embora os primeiros estudos sobre o lítio tenham começado ainda no século XIX, os avanços decisivos ocorreram apenas no início da década de 1980. Foi nesse período que os pesquisadores John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino começaram as pesquisas para o desenvolvimento das baterias recarregáveis de íons de lítio em escala comercial. A importância dessa descoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Química de 2019.

Um mineral estratégico para o mundo

Atualmente, o lítio é classificado como um mineral crítico, termo usado para designar matérias-primas consideradas essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico e que possuem riscos de oferta. Essa classificação é adotada não apenas pelo Brasil, mas também por grandes economias como China, Estados Unidos e União Europeia.

O interesse global pelo lítio se deve, principalmente, ao seu papel nas tecnologias ligadas à transição energética, como veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia renovável. Segundo projeções da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda por lítio deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas, impulsionada pela necessidade de reduzir as emissões de carbono conforme os compromissos do Acordo de Paris.

O Brasil no mapa do lítio

O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário internacional da produção de lítio, figurando entre os principais produtores globais do mineral. A extração ocorre principalmente a partir do espodumênio, um mineral rico em lítio, com lavras concentradas em Minas Gerais, especialmente na região do Vale do Jequitinhonha.

A relevância do mineral para o desenvolvimento regional levou o governo mineiro a instituir o projeto Vale do Lítio, uma iniciativa que busca posicionar Minas Gerais e o Brasil como protagonistas na cadeia global do mineral. O projeto envolve 14 municípios da região e tem como foco atrair investimentos, gerar empregos e ampliar a participação brasileira nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.

O desafio de agregar valor

Apesar do papel relevante na produção, o Brasil ainda enfrenta desafios para avançar na industrialização do lítio. Atualmente, o país exporta majoritariamente o minério e seus concentrados, enquanto importa produtos de maior valor agregado, como baterias prontas.

Dados do comércio exterior mineral mostram que as exportações brasileiras de lítio são fortemente concentradas em produtos primários, enquanto as importações de baterias de íons de lítio superam, em valor, as exportações desse tipo de produto. Esse desequilíbrio evidencia a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva nacional, com investimentos em tecnologia, pesquisa e inovação.

Uma das estratégias do projeto Vale do Lítio é justamente atrair empresas de diferentes etapas da cadeia, da extração à fabricação de produtos finais, criando condições para que o país avance além do papel de fornecedor de matéria-prima.

Pesquisa, inovação e futuro

Nesse contexto, a pesquisa científica ganha papel central. As investigações retratadas no filme O Agente Secreto, embora ambientadas em outra época, dialogam diretamente com os desafios atuais do Brasil: transformar substâncias minerais em desenvolvimento tecnológico, industrial e social.

O fortalecimento da cadeia do lítio, aliado ao investimento em ciência e inovação, pode permitir que o país amplie sua participação em mercados estratégicos ligados à mobilidade elétrica e à energia limpa, consolidando a mineração como um dos pilares do desenvolvimento sustentável brasileiro.

Fonte: Agência Nacional de Mineração – ANM e Fomentas Mining Company

Entenda como se define o valor de um mineral

Muitas pessoas se perguntam: qual é o mineral mais valioso do mundo?

A resposta pode surpreender. Não existe apenas um mineral que ocupe esse posto de forma definitiva. O valor de um mineral depende de vários fatores, e pode mudar ao longo do tempo.

O que define o valor de um mineral?

O preço de um mineral não está ligado apenas à sua raridade. Ele pode variar de acordo com:

  • demanda do mercado (quanto ele é procurado); 
  • aplicações industriais ou tecnológicas; 
  • qualidade e pureza; 
  • custos de extração. 

Ou seja, um mineral pode ser raro, mas não ter alto valor comercial se não houver demanda por ele.

Raridade é o mesmo que valor?

Nem sempre.

Alguns minerais são raros do ponto de vista geológico, mas são pouco conhecidos e pouco utilizados. Já outros, mesmo não sendo raros, podem atingir preços elevados por causa da alta procura.

Um exemplo são metais usados em tecnologia avançada, como:

  • componentes eletrônicos; 
  • baterias; 
  • equipamentos médicos; 
  • indústria aeroespacial. 

Quando a indústria depende de determinado mineral, o valor pode subir rapidamente.

Valor por quantidade

Outro ponto importante é a forma como o valor é medido.

  • gemas (como pedras preciosas) costumam ser vendidas por quilate (1 quilate equivale a 0,2 grama); 
  • metais e minerais industriais são negociados por quilo ou tonelada; 
  • ouro, prata, platina e paládio são os principais metais medidos em onças troy, padrão internacional para metais preciosos. A onça é usada para cotação em bolsas, moedas e barras de investimento. 

Isso significa que um mineral pode ser muito caro por grama, mas ter pouca aplicação econômica total.

A influência da tecnologia

A tecnologia tem grande impacto no valor dos minerais.

Quando surge uma nova aplicação, como baterias mais eficientes ou equipamentos eletrônicos mais potentes, a demanda por certos minerais pode crescer rapidamente.

Isso pode transformar um mineral pouco valorizado em um recurso estratégico.

E a sustentabilidade?

Hoje, o valor de um mineral também está relacionado à forma como ele é extraído.

A mineração responsável, com menor impacto ambiental e respeito às comunidades locais, tornou-se um fator importante na avaliação econômica e social de um recurso mineral.

Então, qual é o mais valioso?

A resposta correta é: depende do critério utilizado.

  • se o critério for raridade geológica, alguns minerais pouco conhecidos podem ocupar o topo da lista. Entre os exemplos mais conhecidos estão o diamante natural, além de diversas outras pedras preciosas que se formam sob condições geológicas específicas e raras; 
  • se o critério for alta demanda, a lista de minerais valiosos vai variar de tempos em tempos;
  • se for impacto econômico global, minerais estratégicos usados em tecnologia ganham destaque. 

Mais importante do que apontar “o mais valioso” é entender que o valor mineral é resultado de uma combinação entre geologia, mercado, tecnologia e sociedade.

Fonte: Correio Braziliense

O que é financiamento climático e por que ele é importante para a mineração

O financiamento climático é um conceito importante para quem quer entender como os países, empresas e comunidades estão lutando contra as mudanças climáticas. O termo se refere aos recursos financeiros destinados a apoiar ações que reduzem a emissão de gases que aquecem o planeta e ajudam a sociedade a se adaptar às mudanças do clima. Esses recursos podem vir de governos, empresas, instituições internacionais e outros parceiros. E podem incluir desde doações e subsídios até investimentos e instrumentos financeiros mais complexos.

Com esses recursos, torna-se possível financiar projetos e tecnologias que tornem o mundo mais sustentável, como equipamentos que consomem menos energia, sistemas que evitam desperdício de recursos e soluções que ajudam comunidades e ecossistemas a enfrentar eventos climáticos extremos.

No contexto internacional, o financiamento climático se conecta a acordos como o Acordo de Paris, que reconhece a importância de mobilizar recursos, com atenção especial às necessidades de países em desenvolvimento em implementar ações climáticas.

E o que isso tem a ver com a mineração?

A mineração está envolvida em muitas das cadeias produtivas que impulsionam a transição para uma economia de baixo carbono. Minerais críticos e estratégicos  como lítio e cobalto, são essenciais para baterias, tecnologias limpas e infraestrutura verde. Para que esse potencial seja realizado de forma sustentável, o setor precisa de acesso a financiamento climático que permita:

  • investir em tecnologias mais limpas e eficientes;
  • fortalecer a capacidade de se adaptar a mudanças ambientais;
  • contribuir para o desenvolvimento de soluções que minimizem impactos ambientais.

Além disso, alinhar a mineração às estratégias de financiamento climático ajuda a atrair investimentos responsáveis, abrir novas oportunidades de inovação e fortalecer a integração do setor com políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis.

Entender o financiamento climático é compreender uma peça-chave da transição energética e das soluções contra as mudanças do clima. Ele mostra como ideias, políticas e dinheiro se conectam para viabilizar ações reais da ciência à prática.

Quer saber mais sobre o tema? O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) publicou um e-book que explica o ecossistema do financiamento climático no setor mineral. Clique aqui para baixar o material.

Berilo: diversidade de cores e riqueza mineral no Brasil

Rosa, azul, verde, amarelo e até incolor.
O berilo é um dos grupos de minerais mais variados e valiosos encontrados no Brasil.

Talvez você não conheça o nome “berilo”, mas com certeza já ouviu falar de algumas de suas variedades, como esmeralda e água-marinha.

O que é o berilo?

O berilo é um mineral formado principalmente por berílio (elemento químico metálico, metal alcalino-terroso), alumínio e silício. Esses elementos se organizam na natureza formando cristais que podem ser transparentes, brilhantes e muito valorizados. 

Na antiguidade, o berilo era apreciado  por sua raridade e brilho. É mencionado na Bíblia em contextos que evocam beleza, valor e santidade.

Sozinho, o berilo é praticamente incolor. Mas quando pequenas quantidades de outros elementos químicos entram na sua estrutura, como ferro, cromo, vanádio ou manganês, surgem as diferentes cores que dão origem às pedras preciosas. 

São essas pequenas “misturas naturais” que explicam a grande variedade de gemas do grupo. Cada cor depende do elemento presente na formação do cristal. Por exemplo:

  • O ferro pode produzir tons azulados ou amarelados;
  • O cromo e o vanádio são responsáveis pelo verde intenso da esmeralda;
  • O manganês pode gerar tons rosados, como na morganita.

Principais variedades do berilo:

  • Água-marinha (azul);
  • Esmeralda (verde intenso);
  • Morganita (rosa);
  • Heliodoro (amarelo);
  • Goshenita (incolor);
  • Berilo verde (verde mais claro do que o da esmeralda).

Onde o berilo é encontrado?

Existem dois tipos principais de depósitos onde o berilo pode se formar:

  • Depósitos vulcânicos, comuns nos Estados Unidos.
  • Depósitos graníticos, frequentes no Brasil.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país possui reservas importantes em estados como: Bahia, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Ceará, Alagoas, Paraíba, Goiás e Minas Gerais. O Brasil é reconhecido internacionalmente pela qualidade e pelo tamanho de muitos de seus cristais.

Destaques brasileiros

Água-marinha

É considerada uma das gemas mais tradicionais do Brasil.

Em Minas Gerais foi encontrada uma das maiores águas-marinhas já registradas, pesando cerca de 111 kg em estado bruto.

Outras gemas brasileiras ficaram conhecidas internacionalmente, como exemplares apelidados de “Marta Rocha” e “Cachaçinha”.

Esmeralda

Quando o berilo contém pequenas quantidades de cromo e/ou vanádio, ele adquire a coloração verde intensa característica e passa a ser chamado de esmeralda.

A esmeralda está entre as gemas mais valorizadas do mundo e é conhecida por sua cor marcante. É comum apresentar pequenas fraturas internas, que fazem parte de sua formação natural.

No Brasil, as principais áreas produtoras de esmeraldas estão na Bahia, em Goiás e em Minas Gerais. O país é um dos importantes produtores mundiais dessa pedra preciosa.

Goshenita

É o berilo incolor.
Embora exista em vários países, o Brasil já produziu alguns dos maiores cristais conhecidos dessa variedade.

Morganita

Também chamada de “berilo rosa”, pode variar entre tons rosados e salmão.

Minas Gerais é um dos principais locais de ocorrência no Brasil, mas ela também é encontrada na África, nos Estados Unidos e na Ásia.

Heliodoro

É o berilo amarelo.

É menos conhecido que as outras variedades, mas chama atenção pela transparência e brilho.
Em alguns casos, a cor pode ser intensificada por meio de tratamento térmico controlado.

Uma curiosidade famosa

A chamada “Esmeralda Bahia”, encontrada em 2001, no município de Pindobaçu (BA), pesa cerca de 380 kg.

Na verdade, trata-se de um grande bloco de rocha contendo cristais de esmeralda, que ganhou notoriedade internacional e foi alvo de disputas judiciais ao longo dos anos.

Além da joalheria

O berilo não é importante apenas como pedra preciosa.

Dele é extraído o berílio (Be), um metal leve, resistente e com alto ponto de fusão (ou seja, suporta temperaturas muito elevadas antes de derreter).

O berílio é utilizado em:

  • equipamentos eletrônicos;
  • indústria aeroespacial;
  • área de defesa;
  • instrumentos de precisão.

Ou seja, o berilo tem importância tanto nas joias quanto na indústria e na tecnologia.

Fonte: Gov.br

Muito além do diamante: conheça alguns dos minerais mais raros do mundo

Quando pensamos em pedras preciosas, o diamante costuma ser um dos primeiros nomes que vem à cabeça. Ele é conhecido pela durabilidade e pelo alto valor comercial. Mas o que muita gente não sabe é que, apesar de caro, o diamante não é o mineral mais raro do planeta.

Existem minerais muito mais difíceis de encontrar, alguns aparecem em apenas um ou dois lugares. Por isso, podem alcançar valores ainda mais altos no mercado de colecionadores e joalherias especializadas.

Conheça alguns dos minerais mais raros já registrados:

Berilo vermelho

Também chamado de “esmeralda vermelha” ou “bixbite”, o berilo vermelho é uma das gemas mais raras do mundo.

Ele pertence à mesma família mineral da esmeralda e da água-marinha, mas é extremamente incomum. Até hoje, os principais depósitos conhecidos estão nos estados de Utah e Novo México, nos Estados Unidos.

Sua formação exige condições geológicas muito específicas, o que explica sua raridade. Exemplares lapidados de boa qualidade podem alcançar valores superiores a US$ 10 mil por quilate (quilate é a unidade usada para pesar gemas; 1 quilate equivale a 0,2 grama).

Jeremejevita

Descoberta no final do século 19 na Sibéria, a jeremejevita é um mineral raro que só ganhou destaque quando cristais transparentes, adequados para joias, foram encontrados na Namíbia.

A maioria dos cristais é pequena e opaca (sem transparência). Gemas grandes e claras são extremamente incomuns. Alguns exemplares maiores já foram registrados, mas continuam sendo raríssimos no mercado internacional.

Musgravita

A musgravita foi identificada na década de 1960 na Serra de Musgrave, na Austrália, origem do seu nome.

Ela também já foi encontrada em pequenas quantidades em Madagascar e na Groenlândia. Durante muitos anos, quase não existiam exemplares lapidados no mundo, o que a colocou entre os minerais mais raros já comercializados.

Hoje ainda é considerada uma gema extremamente incomum, com pouquíssimas peças disponíveis para colecionadores.

Diamantes vermelhos

Os diamantes podem aparecer em várias cores: amarelo, azul, verde, rosa, laranja, roxo e vermelho. Entre todos, o diamante vermelho é o mais raro.

A cor vermelha não vem de impurezas químicas, mas de alterações na estrutura interna do cristal durante sua formação.

Um dos exemplares mais conhecidos é o Moussaieff Red, com pouco mais de 5 quilates (cerca de 1 grama). Ele foi lapidado a partir de um cristal encontrado no Brasil.

Até hoje, existem pouquíssimos diamantes vermelhos naturais confirmados no mundo.

Grandidierita

Descoberta em 1902, a grandidierita é um mineral de cor azul-esverdeada encontrado principalmente em Madagascar.

Durante muito tempo, acreditava-se que quase não existiam exemplares transparentes. Nos últimos anos, novas descobertas ampliaram o número de gemas conhecidas, mas ela continua sendo rara e muito valorizada.

Poudretteite

A poudretteite foi descoberta no Canadá, em uma pedreira chamada Poudrette, na década de 1960. Inicialmente, apareceram apenas cristais muito pequenos.

Ela só foi reconhecida oficialmente como uma nova espécie mineral anos depois. Atualmente, também há registros do mineral em Myanmar (antiga Birmânia), mas exemplares de qualidade para joalheria continuam sendo raros.

Benitoíta

A benitoíta é um mineral azul que foi descoberta na Califórnia, no condado de San Benito, origem do seu nome.

Uma característica interessante é que ela apresenta fluorescência, ou seja, brilha quando exposta à luz ultravioleta.

Embora também tenha sido encontrada em outros países, exemplares de qualidade gemológica são limitados, o que mantém seu status de raridade.

O que torna um mineral raro?

Um mineral pode ser considerado raro por vários motivos:

  • ocorre em poucos lugares do planeta; 
  • se forma apenas em condições geológicas muito específicas; 
  • aparece em cristais muito pequenos; 
  • raramente é encontrado com qualidade suficiente para lapidação. 

É importante lembrar que raridade não é a mesma coisa que valor comercial fixo. O preço pode variar conforme a demanda, a qualidade da gema e o interesse de colecionadores.

Raridade vai além da joalheria

Embora muitos desses minerais sejam conhecidos como gemas, a raridade também é um tema importante na indústria e na tecnologia.

Alguns elementos químicos raros são essenciais para equipamentos eletrônicos, baterias e sistemas de energia renovável. Por isso, entender onde e como os minerais se formam é fundamental para a geologia e para o futuro da mineração.

Fonte: Pedreira Lageado

Novo método pode facilitar a extração de terras raras a partir do carvão

Divulgação: Alyssa Stone_Universidade Northeastern

As chamadas terras raras são minerais muito importantes para o mundo moderno. Elas são usadas na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares, computadores e ímãs de alta potência. Sem esses elementos, muitas tecnologias do dia a dia simplesmente não funcionariam.

Apesar do nome, as terras raras não são tão raras assim na natureza. O maior desafio está em outro ponto: retirá-las da rocha de forma eficiente, barata e com menor impacto ambiental.

Pensando nisso, cientistas dos Estados Unidos desenvolveram um novo método que pode facilitar a extração de terras raras a partir de rejeitos da mineração de carvão, materiais que hoje são tratados como lixo industrial.

O que são terras raras?

Terras raras é o nome dado a um grupo de 17 elementos químicos. Em termos simples, são minerais com propriedades especiais que permitem produzir equipamentos mais eficientes, leves e potentes. Por isso, eles são estratégicos para a indústria e para a transição energética.

O que são rejeitos do carvão?

Os rejeitos do carvão são os resíduos que sobram depois do processamento desse mineral. Eles são formados por:

  • rocha moída;
  • água;
  • pequenas partículas de carvão. 

Normalmente, esse material é descartado em aterros para evitar contaminação do solo e da água. No entanto, estudos mostram que esses rejeitos podem conter terras raras em pequenas quantidades, o que abre a possibilidade de reaproveitamento.

Como funciona o novo método?

O método desenvolvido pelos pesquisadores acontece em duas etapas principais, explicadas de forma simples:

  1. Aquecimento em solução alcalina Primeiro, os rejeitos do carvão são misturados a uma solução química básica (alcalina) e aquecidos com micro-ondas.
    Esse processo muda a estrutura da rocha, deixando o material mais “aberto”, com pequenos espaços internos. 
  2. Separação com ácido Depois, o material passa por um tratamento com ácido nítrico, uma substância capaz de separar as terras raras do restante da rocha.
    Como a estrutura já foi modificada na etapa anterior, essa separação se torna mais eficiente. 

Em outras palavras, o método prepara o material antes da extração, facilitando a retirada dos minerais desejados.

Por que esse método é importante?

As técnicas usadas anteriormente tinham dificuldade em retirar as terras raras porque elas ficavam “presas” dentro da rocha.
Com o novo processo, a rocha se torna mais porosa, ou seja, com mais espaços internos, o que facilita a extração.

Segundo os pesquisadores, essa mudança estrutural é o principal avanço da técnica.

Quais são os desafios?

Apesar dos resultados positivos, o método ainda enfrenta algumas limitações:

  • custo elevado, o que dificulta o uso em larga escala; 
  • variação na composição dos rejeitos, já que nem todo carvão possui os mesmos minerais; 
  • o processo é focado nas terras raras e não aproveita outros elementos presentes no rejeito, como o magnésio. 

O que essa descoberta representa?

Mesmo com esses desafios, a pesquisa representa um passo importante na busca por formas mais eficientes de obter terras raras, especialmente a partir de materiais que hoje são descartados.

Além de ajudar no aproveitamento de resíduos da mineração, o avanço pode contribuir para reduzir a dependência de novas minas, tornando o processo mais sustentável no futuro.

Fonte: Metrópoles

Brasil autoriza avanço em pesquisas de minerais em áreas de fronteira

O governo brasileiro autorizou o avanço de 30 processos de pesquisa mineral em diferentes regiões de fronteira do país. Essas autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e permitem que a Agência Nacional de Mineração (ANM) continue a análise de pedidos de pesquisa por minérios em áreas estratégicas.

É importante entender que essas autorizações ainda não permitem a exploração imediata dos recursos minerais. Elas equivalem ao que a lei chama de assentimento prévio, uma etapa obrigatória para atividades econômicas em faixas de fronteira que serve para que o Estado avalie riscos à defesa, à soberania nacional e à proteção territorial antes que outras análises técnicas sejam feitas.

O que significa “assentimento prévio”?

O assentimento prévio é uma autorização inicial. Ela permite que processos ligados à mineração, como pesquisa, lavra ou cessão de direitos minerários, avancem na etapa regulatória.

  • Pesquisa mineral é a fase em que empresas ou pessoas físicas estudam se há minerais em uma área e qual é o seu potencial econômico. 
  • Lavra é a extração do minério em si. 
  • Cessão de direitos minerários é quando alguém transfere para outra pessoa ou empresa o direito de pesquisar ou explorar determinada área. 

Esse passo não libera automaticamente a mineração. Os projetos precisam, ainda, obter licenças ambientais específicas e cumprir outras exigências legais antes de qualquer exploração efetiva.

Onde estão as áreas autorizadas para avançar nas pesquisas

As 30 autorizações estão distribuídas em vários estados, principalmente nas faixas de fronteira. Elas incluem pedidos de pesquisa para diferentes minerais, entre os quais:

  • Mato Grosso

Regiões como Vale de São Domingos, Glória D’Oeste, Pontes e Lacerda, Cáceres, Jauru, Porto Esperidião, Reserva do Cabaçal e Conquista D’Oeste receberam autorizações para continuar estudos de:

  • ouro 
  • fosfato 
  • calcário 
  • mármore
  • Rio Grande do Sul

Foram concedidas autorizações para a continuidade de pesquisas de diferentes minerais, distribuídas em municípios das regiões sul e central do estado, como Pinheiro Machado, Pelotas, São Gabriel, São Sepé, Vila Nova do Sul, Novo Machado, Bagé e São José do Norte.

  • calcário e calcário dolomítico (usados, por exemplo, na agricultura e construção) 
  • mármore 
  • titânio 
  • zircônio 
  • areia 
  • cianita 
  • fosfato 
  •  Mato Grosso do Sul

Umas das autorizações permite a continuação de pesquisa de calcário nas cidades de Bela Vista e Jardim.

  • Rondônia

Há autorização para avançar com pesquisa de granito na região de Porto Velho.

  • Santa Catarina

Foi concedida uma autorização para pesquisa de água mineral no município de Quilombo.

Por que isso é relevante?

A mineração é uma atividade que pode gerar empregos, renda e desenvolvimento tecnológico, especialmente quando os minerais pesquisados têm uso industrial ou estratégico.
Além disso, a exigência de assentimento prévio em áreas de fronteira existe para assegurar que atividades econômicas sejam alinhadas com os interesses nacionais de segurança, soberania e proteção territorial, antes de avançar para outras fases de licenciamento.

Esse tipo de autorização não significa que a mineração vai, necessariamente, começar imediatamente nessas áreas, mas é um passo formal importante no processo de desenvolvimento de projetos minerais no Brasil.

Fonte: R7 – Leia a notícia sobre o assunto no portal R7