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Universidade brasileira desenvolve bateria de nióbio com desempenho semelhante ao comercial

Protótipo nacional é recarregável, opera fora do laboratório e alcança 3 volts de tensão

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) avançaram no desenvolvimento de uma bateria de nióbio funcional, recarregável e com desempenho comparável ao de baterias comerciais já disponíveis no mercado. O protótipo atinge 3 volts de tensão, valor compatível com a maioria dos dispositivos eletrônicos atuais, e opera em condições reais, fora de ambientes controlados de laboratório, um passo decisivo para aplicações práticas.

O projeto já entrou na fase de testes industriais, indicando potencial para escalonamento e uso comercial no futuro.

Pesquisa brasileira supera desafio histórico do nióbio

A pesquisa vem sendo desenvolvida há cerca de dez anos pelo professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), em parceria com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e o Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT).

Um dos principais obstáculos enfrentados pelos pesquisadores foi a degradação do nióbio em ambientes eletroquímicos, ou seja, em sistemas onde ocorrem reações químicas associadas à passagem de corrente elétrica. Na presença de água e oxigênio, o metal tende a perder estabilidade, o que historicamente limitou seu uso em baterias.

Solução inspirada na natureza

Para contornar esse problema, a equipe se inspirou em sistemas biológicos, como enzimas e metaloproteínas, que conseguem operar de forma estável mesmo em ambientes químicos complexos. A partir dessa ideia, os pesquisadores desenvolveram um meio redox ativo, um ambiente químico que controla as reações de oxidação e redução, batizado de NB-RAM.

Esse sistema funciona como uma espécie de “proteção inteligente” para o nióbio, permitindo que o metal alterne seus estados eletrônicos durante os ciclos de carga e descarga sem se degradar. Na prática, isso garante maior durabilidade e estabilidade ao funcionamento da bateria.

Ajuste fino e testes em formatos industriais

A consolidação do projeto contou com a liderança da pesquisadora Luana Italiano, da USP, responsável por cerca de dois anos de refinamento técnico do sistema. Segundo ela, o principal desafio foi encontrar o equilíbrio ideal entre proteção e desempenho energético.

“Se o material for protegido demais, a bateria perde eficiência. Se for protegido de menos, o nióbio se degrada”, explica.

Após esse ajuste fino, o protótipo passou a operar de forma estável não apenas em bancada, mas também em formatos próximos aos utilizados pela indústria. A bateria foi testada em células do tipo coin (formato de moeda) e pouch (baterias laminadas e flexíveis), em parceria com o pesquisador Hudson Zanin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os testes incluíram diversos ciclos de carga e descarga, comprovando a viabilidade técnica da solução.

Inovação, patente e potencial estratégico

A tecnologia já teve patente depositada pela USP e apresenta características compatíveis com as exigências do mercado atual de armazenamento de energia. Para avançar para a etapa final de desenvolvimento e ampliar a produção em escala, os pesquisadores defendem a criação de um centro multimodal de pesquisa e inovação, reunindo universidades, governos e startups de base tecnológica.

Para Crespilho, o projeto vai além do avanço científico e reforça o papel estratégico da mineração e da ciência nacional. “Essa bateria mostra que o Brasil pode ir além da exportação de matérias-primas e assumir a liderança no desenvolvimento de tecnologias, desde que a ciência seja tratada como prioridade”, afirma.

O avanço reforça o potencial do nióbio, mineral no qual o Brasil detém as maiores reservas conhecidas do mundo, como base não apenas para exportação, mas também para o desenvolvimento de tecnologias de alto valor agregado ligadas à transição energética e à inovação industrial.

(Fonte: Agência Brasil)

Descubra qual é um dos minerais essenciais para o corpo e onde encontrá-lo

O magnésio é um dos minerais mais importantes para o funcionamento do corpo humano. Ele participa de mais de 300 processos internos que ajudam a produzir energia, relaxar os músculos, proteger os ossos e manter o equilíbrio do organismo.

Mesmo sendo tão importante, muitas pessoas não sabem exatamente para que ele serve, onde está presente e quando é preciso suplementar.

Por que o magnésio é tão importante?

O magnésio atua como um verdadeiro “organizador” do corpo.
Ele ajuda diferentes sistemas a trabalharem em conjunto, como músculos, nervos, coração e cérebro.

Entre suas principais funções estão:

  • Produção de energia para as células
  • Relaxamento e recuperação muscular
  • Proteção das articulações
  • Funcionamento do sistema nervoso
  • Regulação do sono e do humor
  • Controle da pressão arterial e dos batimentos do coração

Sem magnésio suficiente, o corpo pode ficar mais cansado, dolorido e desregulado.

Em quais situações o magnésio pode ajudar?

O magnésio costuma ser usado como apoio em tratamentos ligados principalmente aos músculos, às articulações e ao sistema nervoso.

Ele pode ajudar em casos como:

  • Dores musculares e articulares
  • Cãibras frequentes
  • Dificuldade para dormir
  • Ansiedade leve
  • Fibromialgia
  • Inflamações intestinais
  • Problemas neurológicos que afetam os movimentos

É importante lembrar que o magnésio não substitui tratamento médico, mas pode atuar como complemento, sempre com orientação profissional.

Existem diferentes tipos de magnésio?

Sim. O magnésio pode ser encontrado em diferentes formas, e cada uma atua de uma forma diferente no organismo. Veja as principais, explicadas de forma simples:

  • Magnésio treonato

Ajuda o funcionamento do cérebro. Pode colaborar com foco, memória, relaxamento muscular e qualidade do sono.

  •  Magnésio glicinato

Muito usado para relaxamento, proteção das articulações e auxílio no sono. Também ajuda no controle da ansiedade.

  •  Magnésio taurato

Atua no sistema nervoso e ajuda a equilibrar substâncias ligadas ao bem-estar e ao humor.

  •  Magnésio dimalato

Contribui para a produção de energia e ajuda em dores musculares e articulares. Costuma ser bem absorvido pelo corpo.

  •  Cloreto de magnésio

Ajuda o funcionamento do intestino, mas pode causar efeito laxativo em algumas pessoas e não é o tipo mais bem absorvido.

Magnésio combinado com outros nutrientes

Alguns suplementos unem o magnésio a outras substâncias:

  • Magnésio com vitamina B (inositol): pode ajudar no sono, nas cãibras e no relaxamento muscular.
  • Magnésio com ácido cítrico (citrato): melhora o funcionamento do intestino, mas tem absorção menor.

A escolha depende da necessidade de cada organismo.

Como fazer a suplementação com segurança

O magnésio pode ser consumido em cápsulas ou em pó.
A suplementação costuma ser mais comum após os 40 anos, quando o corpo passa a absorver minerais com menos eficiência.

Mas atenção: excesso de magnésio faz mal.

Por isso, a suplementação deve sempre ter orientação de um profissional de saúde, que vai indicar:

  • Tipo correto
  • Dose adequada
  • Tempo de uso

Para quem pratica atividade física, alguns profissionais indicam combinações que ajudam na recuperação muscular e na prevenção de cãibras.

Onde encontrar magnésio nos alimentos?

Antes de pensar em suplementos, é importante olhar para a alimentação.
O magnésio está presente em muitos alimentos comuns do dia a dia, como:

  • Folhas verdes escuras (couve, espinafre)
  • Castanhas, nozes e amêndoas
  • Sementes de abóbora, gergelim e chia
  • Feijão e lentilha
  • Aveia, quinoa e grãos integrais
  • Banana e abacate
  • Chocolate amargo (com alto teor de cacau)
  • Peixes e laticínios

Uma alimentação variada já fornece boa parte do magnésio necessário.

Como perceber a falta de magnésio?

A maior parte do magnésio do corpo está nos ossos e músculos, e apenas uma pequena quantidade aparece nos exames de sangue.
Por isso, a avaliação também leva em conta sinais do dia a dia, como:

  • Cãibras frequentes
  • Dores musculares ou articulares
  • Cansaço excessivo
  • Dificuldade de concentração
  • Insônia
  • Recuperação lenta após exercícios

Esses sinais não confirmam sozinhos a deficiência, mas servem como alerta.

Riscos do excesso de magnésio

Consumir magnésio em excesso pode causar:

  • Diarreia
  • Náuseas
  • Queda da pressão
  • Alterações nos batimentos do coração
  • Fraqueza muscular

Pessoas com problemas nos rins precisam de cuidado redobrado, pois o mineral é eliminado por esse órgão.

Magnésio não é solução para tudo

Apesar de seus benefícios, o magnésio não faz milagres.
Ele não emagrece, não cura ansiedade ou depressão sozinho e não resolve qualquer tipo de dor.

Seu papel é ajudar o corpo a funcionar melhor, desde que usado com equilíbrio, orientação e bons hábitos de vida.

Fonte: G1 Globo 

https://g1.globo.com/saude/bem-estar/noticia/2025/10/17/suplementacao-de-magnesio-entenda-os-tipos-e-saiba-o-efeito-de-cada-um.ghtml

Usina solar em antiga área de mineração vira exemplo de energia limpa na China

No noroeste da China, uma grande área que antes era usada para mineração de carvão está ganhando um novo papel: produzir energia limpa usando a luz do sol.

Hoje, mais de 10 mil acres (uma área equivalente a milhares de campos de futebol) abrigam uma usina solar no estado de Ningxia. Ela consegue gerar 2 milhões de quilowatts, quantidade suficiente para fornecer eletricidade para cerca de 300 mil casas.

A construção começou em 2022 e aproveita que a região recebe muita luz solar o ano todo. Os painéis foram instalados sem nivelar o terreno, o que significa que a área não precisou ser “raspada” ou modificada. Isso ajuda a proteger a natureza local.

Os painéis usam uma tecnologia chamada fotovoltaica, que é a capacidade de transformar a luz do sol diretamente em energia elétrica. Os equipamentos já conseguem aproveitar mais de 20% da luz solar, o que é considerado um índice alto.

Mesmo em dias nublados, a usina continua funcionando e, muitas vezes, entrega energia mais barata do que a produzida pelo carvão.

Ao lado da usina solar ainda existe uma usina a carvão, mas agora ela funciona de forma complementar:

  • durante o dia, quando o sol fornece muita energia, ela reduz a produção;
  • à noite, quando os painéis não funcionam, ela aumenta a geração para manter a rede elétrica estável.

Esse modelo mostra que é possível combinar energia renovável (como solar) com energia tradicional (como carvão) para garantir o abastecimento sem interrupções.

Engenheiros lembram que o carvão é um recurso limitado, ou seja, um dia acaba. Por isso, aumentar o uso de fontes limpas, especialmente solar e eólica, é importante para garantir energia no futuro.

A China já vem mudando rapidamente:

  • há 10 anos, o carvão produzia 70% da eletricidade do país;
  • hoje, mais da metade da energia chinesa já vem de fontes não poluentes.

Só a energia solar cresceu 200 gigawatts em um ano, o maior aumento do mundo.
E a experiência de Ningxia mostra que transformar áreas mineradas em espaços para energia limpa é um caminho possível e eficiente.

Fonte: metropoles.com

Mineradora avança nos testes com alternativas aos combustíveis fósseis para caminhões fora de estrada

Vale começa testes em campo com biodiesel B30 e B50, além de iniciar nova fase na avaliação de caminhão elétrico

Neste momento, em que pessoas de todo o planeta se reúnem na COP30 em Belém para discutir como avançar na agenda climática, a Vale anuncia mais um progresso na sua jornada para reduzir o uso de combustíveis fósseis nas suas operações. A empresa iniciou testes de campo com caminhões fora de estrada utilizando biodiesel B30 e B50, que podem levar a uma redução de emissões de até 35% em relação ao diesel consumido hoje pela Vale no Brasil. Também teve início uma nova fase de testes de um caminhão fora de estrada elétrico, que começaram em 2022.


A empresa busca viabilizar o aumento da mistura de biodiesel nos caminhões fora de estrada dos atuais 15%, estabelecidos pela legislação brasileira, para um percentual de 30 a 50%. Testes em bancada realizados desde 2023 demonstraram que a alternativa é promissora, o que levou a Vale em novembro a avançar para os testes em campo no Complexo de Mariana, em Minas Gerais, com veículos com capacidade de 190 toneladas.
O objetivo dos testes é monitorar a performance dos caminhões por pelo menos seis meses e avaliar quais adaptações serão necessárias no veículo ou no combustível para que eles possam rodar com a mistura de biodiesel mais elevada mantendo desempenho próximo ao atual.

“A estratégia de descarbonização das operações industriais está fundamentada na integração de múltiplas tecnologias e rotas energéticas. Para mitigar o consumo de diesel fóssil na frota de caminhões fora de estrada, estão sendo priorizados investimentos em biocombustíveis e etanol, além da adoção de sistemas de eletrificação em aplicações específicas, onde a análise de viabilidade técnica e econômica demonstra maior eficiência operacional”, afirma Carlos Medeiros, vice-presidente executivo de Operações. “O biodiesel, após validação dos parâmetros de desempenho, tem potencial para promover ganhos ambientais relevantes e servir de referência para a adoção em larga escala no setor.”
Além do biodiesel, a Vale assinou acordos com dois de seus principais fornecedores de caminhões fora de estrada para desenvolver motores bicombustíveis movidos a etanol e diesel (dualfuel). Tanto o biodiesel, produzido principalmente a partir de óleo de soja, como o etanol são produtos nos quais o Brasil oferece uma grande vantagem competitiva.

Caminhão elétrico

A Vale também iniciou uma nova fase dos testes de um caminhão fora de estrada elétrico movido à bateria, com capacidade de carga de 72 toneladas, que começou a ser avaliado em 2022. Com as lições aprendidas na primeira fase, o fabricante do veículo realizou ajustes e, este mês de novembro, o caminhão retornou à empresa para uma nova rodada de testes.
O veículo será utilizado por pelo menos seis meses na mina de Capão Xavier, em Minas Gerais. Serão avaliados o bom desempenho e a eficiência na operação. Entre as vantagens trazidas pelos veículos elétricos estão a emissão zero de CO2 e a redução de ruídos.
“No processo de desenvolvimento tecnológico é importante testar, colher as lições, fazer ajustes e testar novamente até chegarmos ao resultado ideal. Vemos a eletrificação como uma solução com potencial para reduzir emissões de carbono a longo prazo”, afirma João Turchetti, diretor de Descarbonização.

Descarbonização na Vale

A Vale estabeleceu a meta de reduzir suas emissões de carbono de escopos 1 e 2 (diretas e indiretas) em 33% até 2030 e de zerar suas emissões líquidas até 2050. Até 2024, a empresa já investiu R$ 7,4 bilhões para atingir suas metas.

Projeto da Embrapa busca novas soluções para a recuperação de áreas mineradas

A parceria entre a Embrapa Cerrados e a mineradora Kinross Gold Corporation marca um avanço significativo para a recuperação ambiental na mineração brasileira. Em Paracatu (MG), as duas organizações desenvolvem um modelo pioneiro, sustentável e replicável para restaurar áreas impactadas. A iniciativa oferece uma solução concreta para reduzir passivos ambientais e evidencia, por meio da ciência e da tecnologia, o compromisso real do setor mineral com as melhores práticas ESG.

Os testes acontecem na mina Morro do Ouro, onde o solo tem muitos desafios: é muito ácido, pouco fértil, compacto e contém metais tóxicos. Além disso, as leis ambientais não permitem o uso de plantas com raízes muito profundas ou copas muito grandes, o que torna o trabalho ainda mais difícil.

Segundo a pesquisadora Leide Andrade, da Embrapa, esses locais “são ambientes hostis à vida vegetal, e escolher as espécies certas é essencial para o sucesso da recuperação”.

A equipe passou a testar plantas nativas do Cerrado e leguminosas resistentes, como Mimosa somnians e Alysicarpus vaginalis. Essas espécies têm boa adaptação e aparência discreta, o que ajuda na revegetação dos taludes (encostas das barragens). O problema é que ainda há pouca oferta de sementes dessas plantas no mercado.

Os pesquisadores também descobriram que o milheto, planta comum na agricultura, pode atrapalhar o crescimento de outras espécies em áreas mineradas. Por isso, será preciso ajustar o método de plantio.

Mesmo com os desafios, os resultados são animadores. “A mineração transforma o território, mas a forma como restauramos essas áreas também pode ser transformadora”, diz Andrade.

A expectativa é que o modelo criado em Paracatu sirva de exemplo para outras regiões do país, mostrando como a ciência e a tecnologia podem ajudar a tornar a mineração cada vez mais sustentável.

Fonte: Embrapa Cerrados / Kinross

Pesquisadores estudam viabilidade de mineração lunar

Crateras lunares podem conter restos de asteroides ricos em metais e minerais que podem valer US$ 1 trilhão

Enquanto o mundo ainda planeja a exploração de minérios estratégicos no fundo dos oceanos, já tem gente de olho no que a Lua pode nos oferecer. Um estudo científico publicado na revista Planetary and Space Science concluiu que existem cerca de 6.500 crateras lunares contendo, possivelmente, remanescentes de asteroides ricos em minérios – no caso, metais do grupo de platina e minerais hidratados. Os cientistas também concluíram que uma possível prospecção lunar poderia produzir mais de US$ 1 trilhão em metais preciosos. 

Para chegar ao número de 6.500 crateras (com mais de um quilômetro de diâmetro), os cientistas partiram de outro estudo, feito em 2014, que estimava quantos asteroides ricos em minérios passam perto da Terra. No trabalho atual, eles adaptaram o modelo para a Lua e criaram algoritmos para separar as crateras formadas por corpos rochosos metálicos das de outros impactos. O total foi de 1,3 milhão de crateras, sendo metade delas criadas por “impactos suaves” que, em tese, teriam preservado fragmentos consideráveis.

Os materiais recolhidos durante as missões lunares das décadas de 1960 e 1970 confirmaram a suspeita inicial de que as crateras são formadas por um tipo de rocha vulcânica chamada basalto. A principal característica das rochas basálticas proveniente das terras altas lunares é que contêm maior quantidade dos grupos minerais olivina e piroxena e menos da série plagioclase. Também podem conter um óxido de ferro-titânio chamado ilmenita.

 

A ideia de extrair matérias-primas de asteroides, como ferro, níquel e água, é considerada desde a década de 1980. Os asteroides possuem variados materiais para a mineração, como ouro, ferro e platina, que são de grande importância para o mercado mundial. Os minerais e os compostos voláteis podem ser extraídos de um asteroide ou um cometa para fornecer materiais de construção no espaço (por exemplo, ferro, níquel e titânio). 

Para o pesquisador Jayanth Chennamangalam, um dos autores do artigo, abre-se aí a possibilidade de se monetizar os recursos espaciais para atrair, por exemplo, empresas privadas. 

Chennamangalam sustenta que a exploração lunar é bem mais viável tecnicamente do que a mineração diretamente nos asteroides, que possuem gravidades pouco relevantes em comparação com a gravidade lunar. Esta, por sua vez, é de um sexto da terrestre e permitiria uma estabilidade operacional adequada para as operações. Sem contar que a concentração de metais preciosos na Lua pode ser até cem vezes maior do que nos asteroides ainda em órbita. 

Mas, além dos desafios técnicos, a mineração lunar também apresenta outros, de natureza jurídica. Atualmente, a regulação de possíveis disputas entre grandes potências ou corporações nas atividades extraterrestres é regulada pelo Tratado do Espaço Exterior, de 1967. Ele proíbe a apropriação nacional do que considera corpos celestes, mas não define se asteroides estão nessa categoria. 

A consultora do governo britânico na ONU, Joanne Wheeler, em entrevista à revista New Scientist, traçou um comparativo com os peixes pescados em alto-mar: “Os asteroides podem não ser propriedade de ninguém, mas você pode minerar os recursos e depois vendê-los”. 

Fonte: Tecmundo, R7 e Wikipedia

Ilustrações: NASA/ GSFC/ARIZONA STATE UNIVERSITY

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Turismo de pedras preciosas impulsiona economia de cidade goiana

Visitantes de Cristalina podem conhecer de perto suas riquezas minerais e até explorar as jazidas legalizadas

Foto: Reprodução.

Localizada a 280 quilômetros de Goiânia e a apenas 130 quilômetros de Brasília, a cidade de Cristalina (GO) é conhecida mundialmente por abrigar a maior reserva de cristais de rocha do mundo e tem toda a sua vida econômica relacionada a essa característica. 

Turistas de diversas partes do Brasil e também de outros países visitam a cidade para conhecer suas riquezas minerais e, até mesmo, conhecer as jazidas legalizadas. Atualmente, Cristalina tem quatro minas autorizadas a recebê-los.

Mas atenção: os passeios são realizados por meio de agendamento e limitados a grupos de até dez pessoas. Portanto, se você planeja visitar a cidade, certifique-se antes de fazer a sua reserva.

As pedras podem ser encontradas em diversos pontos comerciais da cidade para aquisição.

A abundância de pedras preciosas como safiras, topázios azuis, ametistas e turmalinas, fazem com que a cidade que já se chamou São Sebastião dos Cristais seja conhecida como a “capital mundial dos cristais”. 

Mas o destaque são os chamados “cristais lemurianos”, cujas linhas têm forma semelhantes aos códigos de barras, e que são características únicas dessa região outrora chamada de Serra dos Cristais. Essas peças despertam o interesse de colecionadores e pesquisadores de várias partes do mundo.

História

Cristalina foi fundada por bandeirantes paulistas, ainda no século 18, sobre uma das maiores jazidas de cristais do País. No entanto, o interesse na época era pelo ouro e os cristais acabaram sendo desprezados. O povoado acabou sendo esquecido por décadas, até 1879, quando os exploradores franceses Etienne Lepesqueur e Léon Laboissière retiraram amostras dos cristais do local e as enviaram para Paris, onde foram vendidas por alto valor.

A partir daí, centenas de trabalhadores migraram para Goiás e teve início o garimpo de cristais na região. As pedras passaram a ser exportadas para centros de lapidação na Europa, como Idar-Oberstein, na Alemanha, e Verona, na Itália. 

A abundância dos minerais, porém, levou à sua desvalorização e houve um período de decadência econômica na cidade. No entanto, a construção de Brasília não só incentivou o agronegócio como atraiu os turistas, trazendo novo impulso e comércio de cristais nas últimas décadas.

Fonte: Jornal Opção – Entorno Goiás (DF)

Hotel luxuoso é construído dentro de pedreira abandonada na China

Empreendimento supera desafios da engenharia para tornar-se referência na recuperação de espaços degradados

Criatividade e tecnologia, quando empregadas conjuntamente, são capazes de maravilhas de dar orgulho à humanidade. É nessa conjunção que está a esperança de a ciência e a engenharia desenvolverem alternativas para dar nova utilização a espaços outrora degradados – e, o que é melhor: recuperando o meio ambiente. Este é o caso do InterContinental Shanghai Wonderland, luxuoso hotel instalado numa pedreira abandonada nos arredores da metrópole chinesa.

Trata-se de um hotel cinco estrelas de 18 andares, todos construídos “para baixo”, daí o empreendimento ter sido carinhosamente apelidado de “arranha-chão”, num divertido contraponto aos tradicionais arranha-céus. São 16 andares abaixo do nível do solo e outros dois submersos no imenso lago da pedreira, totalizando 90 metros de verticalidade invertida. Sem dúvida, uma obra-prima da engenharia moderna, que busca na criatividade a forma de superar os desafios.

O InterContinental Shanghai Wonderland foi erguido (ou seria “baixado”?) entre 2006 e 2018 ao custo de total estimado em US$ 555 milhões. Sua construção empregou mais de 5 mil operários e tornou-se um exemplo da mais moderna engenharia sustentável. O design é do estúdio de arquitetura JADE + QA, em parceria com a empresa britânica Atkins, a mesma de projetos icônicos espalhados pelo planeta, como o Landmark 81, no Vietnã, o Burj Al Arab e a Lighthouse Tower, ambos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. 

Entre os principais desafios de se construir dentro de uma pedreira abandonada está a completa estabilização da estrutura das paredes rochosas, de forma a garantir toda a segurança ao empreendimento. Por isso, o hotel foi projetado com sistemas avançados de drenagem e de proteção contra infiltrações. O InterContinental Shanghai Wonderland  também utiliza energia geotérmica e solar para reduzir seu impacto ambiental.

De quebra, o hotel proporciona uma experiência luxuosa aos seus visitantes. Seus 337 quartos e suítes oferecem vista para a pedreira – os superiores contam com varandas voltadas para cachoeiras artificiais que descem pelas paredes de pedra. As suítes mais exclusivas, localizadas abaixo d’água, permitem que os hóspedes observem a vida subaquática diretamente de seus quartos. Essas acomodações contam com serviço de mordomo 24 horas por dia.

Fazem parte das instalações, ainda, um restaurante subaquático, um spa de luxo, um centro de convenções com capacidade para mil pessoas e diversas opções gastronômicas. Além disso, uma passarela de vidro permite que os visitantes percorram a pedreira. Para os aventureiros, oferece escalada em rocha, bungee jump e passeios de caiaque no lago da pedreira. 

Está aí um modelo de sucesso de desenvolvimento sustentável e regeneração ambiental urbana. Uma inspiração para arquitetos e urbanistas de todo o mundo buscarem, nesse tipo de construção, uma alternativa viável para reutilizar espaços degradados.

Lítio, o mineral que também salva vidas

Como o carbonato de lítio se tornou item importante em tratamentos orientados pela psiquiatria moderna

Você já deve ter ouvido falar do lítio quando o assunto são as baterias recarregáveis de dispositivos eletrônicos – casos de celulares, notebooks, tablets e câmeras. Mais ainda agora, quando a busca de fontes alternativas de energia para substituir os combustíveis fósseis disparou uma corrida por esse elemento químico, que passa a ser empregado também na fabricação das baterias dos carros elétricos. De fato, o lítio é um material versátil, com ampla gama de aplicações em diferentes setores da economia. Mas, você sabia que a mais tradicional delas é na indústria farmacêutica, com sua bem-sucedida utilização nos medicamentos psiquiátricos?

Em primeiro lugar vamos saber mais sobre o lítio. É um elemento químico, um  metal alcalino, representado na tabela periódica pelo símbolo Li e número atômico 3. Embora seja encontrado em minerais, como o espodumênio, não é o mineral em si, mas sim um elemento químico que faz parte da composição desses minerais. 

Vamos voltar à pergunta anterior: o carbonato de lítio é um medicamento usado há décadas para estabilizar o humor de pacientes com transtorno bipolar – a condição que causa alterações extremas entre euforia e depressão. Os resultados têm sido tão bons que o lítio é considerado o mais simples e o mais eficiente agente terapêutico da psiquiatria, sendo altamente eficiente na prevenção de suicídios. Assim, não é errado dizer que o lítio, literalmente, salva vidas.

O lítio atua no cérebro humano regulando os níveis de neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, que estão diretamente envolvidos na regulação das emoções. Além disso, também tem propriedades neuroprotetoras, ou seja, ele ajuda a prevenir a degeneração das células nervosas. Por isso, esse mineral também vem sendo estudado para o tratamento de outras doenças neurológicas, casos do Alzheimer, do Parkinson e da esclerose múltipla. No entanto, esse é um caminho longo a ser percorrido, pois ainda serão necessários mais estudos e pesquisas para comprovar a eficácia e a segurança do uso do lítio nessas condições.

Como dito, o lítio é um metal alcalino, ou seja, um dos elementos da primeira coluna da tabela periódica, ao lado do hidrogênio e do hélio. Os cientistas acreditam que essa tríade tenha sido criada com o Big Bang, a origem do universo. Trata-se do metal mais leve e menos denso que existe. Menores que o lítio, apenas o hidrogênio e o hélio, que são gases. 

Os principais produtores mundiais de lítio são a Austrália, Chile, China e Argentina. Ainda na América do Sul, é encontrado em abundância também nas salinas da Bolívia. O Brasil possui boas reservas de lítio, principalmente nos Estados de Minas Gerais e Ceará. 

Linha do tempo

Curiosamente, a história do lítio na medicina começou muito tempo atrás. Em seu livro sobre a tabela periódica, o professor e filósofo James M. Russell afirma que os registros do uso terapêutico desse elemento remontam ao século 2 d.C., quando o médico grego Sorano de Éfeso recomendava banhos em cachoeiras de águas alcalinas para as pessoas que sofriam de “manias e melancolia”. Já no final do século 19, o lítio voltaria a ser utilizado para o tratamento de “gota e reumatismo”. Isso porque sua presença foi detectada nas águas de várias estações hidrominerais europeias, e muita gente passou a atribuir a isso a eficácia dos tratamentos em spas.

Já nos anos 40, os americanos começaram a usar o lítio para substituir o sódio – outro metal alcalino, presente no sal marinho e, portanto, nos saleiros de todas as famílias – como forma de se evitar hipertensão arterial, problemas cardíacos e insuficiência renal. Ocorre que muitas pessoas se intoxicaram e algumas até morreram, o que levou o governo a retirá-lo de todas as farmácias, lojas e até de uma conhecida marca de refrigerante, o Seven-Up.

Mais tarde, os cientistas descobriram haver uma “janela terapêutica” entre um limite mínimo (no qual o lítio não é eficaz) e um máximo (no qual o lítio é tóxico) em que o elemento pode ser usado com eficiência e segurança. E, ainda, comprovaram que era possível medir a quantidade de lítio no sangue dos pacientes e assim evitar a intoxicação. Hoje isso é possível por um simples exame de saliva, capaz de indicar a quantidade de lítio circulante no fluido cérebro-espinhal, o que evita exames de sangue constantes. No entanto, até hoje a adesão ao lítio em pacientes psiquiátricos nos Estados Unidos é mais baixa que em outros países.

Na psiquiatria

O lítio foi introduzido na prática psiquiátrica em 1949 por John Cade, um então jovem e desconhecido psiquiatra australiano. Veterano da 2ª Guerra Mundial, ele trabalhava em um hospital de Melbourne, sem treinamento formal, sem bolsa de estudos e sem colaboradores. Dizem que seu laboratório ficava na cozinha do hospital – e até há quem diga que sua descoberta ocorreu por acaso. 

Vale lembrar que, até então, as doenças mentais não eram tratadas com medicamentos. Os tratamentos eram feitos mediante internações em hospitais psiquiátricos onde eram aplicadas sedações, feitas induções ao coma e aplicados choques elétricos, podendo chegar até à temível lobotomia – a retirada de uma parte do cérebro.

Cade começou a administrar urato de lítio a cobaias e percebeu que elas ficavam relaxadas. Como ele havia misturado lítio ao ácido úrico, atribuiu o fato ao ácido úrico e não ao lítio. Ele, então, formulou a hipótese de que o ácido úrico poderia desempenhar um papel chave nos tratamentos – o que, depois, se revelou equivocado. Após testar outros sais, John Cade não obteve o mesmo resultado e deduziu que havia sido o lítio que havia melhorado a condição de seus pacientes.

Desde 1975, este elemento vem sendo utilizado na prevenção de várias doenças maníaco-depressiva, por cerca de 1% da população do mundo todo. O lítio tem se mostrado muito eficiente no tratamento de casos de depressão, podendo ser utilizado com outros antidepressivos. 

Curiosamente, mesmo com sua ampla utilização na psiquiatria, não há consenso sobre seu mecanismo de ação no corpo humano. Novos experimentos estão em andamento e acredita-se que o desenvolvimento da biologia molecular e da genética poderão esclarecer, no futuro, o mecanismo de ação desse notável pequeno íon, uma vez que as doenças psiquiátricas podem se originar de informações transmitidas pelos genes.[1] 

* Com informações de BBC News Brasil, CRQ-SP (professor Antônio Carlos Massabni/Unesp) e sites Sinergia Científica e Scielo Brasil